sábado, 14 de abril de 2018



CRÔNICA PARA MEU AÇUDE

por Lenilson Oliveira


Hoje, fui caminhar às margens do Açude Grande de Cajazeiras. Sim. Temos o privilégio de ter um açude centenário no centro da cidade. Sim, ele continua lá, esquecido, maltratado, assoreado e toda sorte de adjetivos que denotem o abandono a que está relegado.
O nosso velho Açude Grande – oficialmente Senador Epitácio Pessoa – que neste mês de abril completa seus 102 anos de inauguração, teve o seu centenário alardeado e festejado em 2016, com declarações em prosa, verso e bolero – com direito a Jurandir do Sax deixar e seu jacaré e coroar Ravel pelas plagas sertanejas, sessões especiais, promessas, projetos mirabolantes e toda a pompa para as selfies e fotografias oficias. Tudo como manda o figurino. Tudo como vem se repetindo há mais de décadas sem nada de concreto, a não ser a construção do Complexo Turístico Antônio Simão de Oliveira – o famoso “Leblon”. E só.
Estive hoje lá e não pude evitar uma quase “regressão” à minha infância e adolescência, não tão distante assim (risos), quando nossa turma saía da Praça Padre Cicero e imediações e aí se esbaldar naquelas éguas, sobretudo em tempos de sangria, normalmente até o final da quadra invernosa, entre março e abril, como agora.
Doces lembranças de um tempo em que a molecada e mesmo muitos adultos ainda tinham o Açude Grande como opção de lazer numa cidade que pouco ou nada tinha a oferecer. Era sempre uma festa, mesmo que, infelizmente, tivéssemos notícias de uma ou outra morte de alguém mais afoito levado arrastado pela força da água. Coisa rara, mas acontecia.
Não me lembro em que momento eu fui me afastando do meu Açude. Talvez tenha sido pelo processo natural como acabamos nos afastando de tantas coisas e pessoas ao longo da vida. Talvez tenha sido da mesma forma como me vi me afastando da turma da Padre Cicero – hoje limitando-nos a meros cumprimentos entre os que ainda se esbarram aqui e ali.
Sim, fiz uma selfie da ponte da minha infância – para a qual também já fiz poema e estava no varal poético do Centenário em 2016 – e o sangradouro vazio atrás de mim foi preenchido pelas cenas de antigamente, com a gente se segurando nas pilastras para não ser levado pelas águas, por muitos pais protegendo seus filhos, pelo mais corajosos se deixando levar pela correnteza...
O relógio me traz agora de volta à realidade da quase há de ir trabalhar. Assim, me despeço e me prepara para mais um mergulho no meu Açude. Sintam-se convidados.





transcrito
Gazeta do Alto Piranhas. 13 a 19.abril.2018

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Justiça determina leilão de prédio histórico de Cajazeiras, e Câmara de Vereadores tenta evitar

 DEU NO DIÁRIO:   


Prestes a completar 93 anos de fundação, uma decisão judicial determinou que o prédio onde fica a sede do Círculo Operário fosse a leilão nesta quinta-feira.

Por Jocivan Pinheiro

Sem dúvida a Igreja Católica desempenha papel fundamental no desenvolvimento de Cajazeiras. Ao longo dos anos vários são os feitos que confirmam esta afirmação. Exemplo disso é o Círculo Operário.
Criado no ano de 1925, na gestão do primeiro bispo da Diocese, Dom Moisés Coelho, o movimento agremiava trabalhadores que eram fundamentados na doutrina católica. Ao mesmo tempo, atividades sociais eram desenvolvidas atraindo a sociedade.
Prestes a completar 93 anos de existência, uma decisão judicial causou espanto na cidade. A Justiça determinou que o prédio onde fica a sede do Círculo Operário fosse a leilão nesta quinta (12).
De acordo com o presidente da entidade, o advogado Antônio Pereira dos Anjos, o Totonho, o motivo da ação é para pagamento de uma indenização por danos morais para uma pessoa que ele preferiu não mencionar.
“Ocorreram várias tentativas de se fazer um acordo, mas elas foram refutadas pelos advogados da parte contrária. A gente procurava os advogados e eles não passavam uma notícia coesa para nós, então por isso ficamos tristes pela forma como está sendo conduzido o processo. Mas estamos aqui com toda energia e força para defender o patrimônio cultural de Cajazeiras”.
Por outro lado, sabendo da importância histórica do prédio, a Câmara Municipal de Cajazeiras aprovou em tempo hábil um decreto legislativo que torna a sede do Círculo Operário um patrimônio histórico e cultural da cidade, a fim de evitar que o prédio seja leiloado.
“Eu sei que a questão está ganha. Mas a gente vai recorrer a outros recursos. A gente vai fazer alguma coisa para o Círculo Operário não perder essa sede. Eu peço à comunidade de Cajazeiras que se junte a nós nesse momento difícil”, disse o presidente Totonho.



Matéria publicada no http://www.diariodosertao.com.br

terça-feira, 20 de março de 2018

COMISSÃO DEFINE PROGRAMAÇÃO DO CENTENÁRIO DE IVAN BICHARA





Em maio deste ano, comemora-se o centenário de nascimento de Ivan Bichara e uma comissão formada pela Prefeitura Municipal de Cajazeiras está organizando uma série de eventos em Brasília, João Pessoa, Guarabira e, claro, Cajazeiras, sua terra natal.

A programação final ainda está sendo fechada, mas alguns eventos já estão definidos. Em Brasília, será realizada, no dia 23 de maio, uma sessão solene na Câmara Federal, comemorativa do centenário de nascimento do ex-deputado federal e ex-governador Ivan Bichara, proposta pelo deputado federal Rômulo Gouveia.

Em Cajazeiras, no dia 24 de maio, data de nascimento de Ivan Bichara, haverá uma missa solene no Santuário Nossa Senhora Auxiliadora. Na sexta-feira, dia 25 de maio, uma sessão conjunta da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de Cajazeiras, proposta pelo deputado estadual Jeová Campos e pelo vereador Marcos Barros. Na ocasião, será promulgada a lei que cria a Medalha de Honra ao Mérito Cultural Ivan Bichara Sobreira. Ainda em Cajazeiras, no dia 26 de maio haverá abertura de exposição fotográfica na Secretaria de Cultura de Cajazeiras sobre a vida de Ivan Bichara.

Em João Pessoa, no dia 28, sessão solene conjunta da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal da capital, em comemoração ao centenário de nascimento de Ivan Bichara, proposta pela deputada Camila Toscano e pelo vereador Fernando Milanez. No dia 30, sessão especial na Academia Paraibana de Letras, com palestra do acadêmico Hildeberto Barbosa Filho.

Já em Guarabira, no dia 29, sessão solene da Câmara Municipal da cidade, proposta pelo vereador Júnior Ferreira, com palestra do historiador José Octávio de Arruda Melo. Em seguida, exposição fotográfica sobre Ivan Bichara.

Desde o dia 11 de dezembro de 2017 foi criada, pelo prefeito de Cajazeiras, José Aldemir Meireles de Almeida, uma comissão especial destinada a organizar e coordenar a realização de eventos comemorativos ao centenário de Ivan Bichara Sobreira. A Comissão é formada por Francisco das Chagas Amaro da Silva (presidente), Antônio Quirino de Moura, Francisco Sales Cartaxo Rolim, Paula Francinete Lacerda Cavalcanti de Almeida, José Antônio de Albuquerque, Ubiratan Pinheiro de Assis, Francelino Soares de Souza e Agnaldo Batista Rolim.

Ivan Bichara Sobreira nasceu em Cajazeiras, no dia 24 de maio de 1918 e morreu no Rio de Janeiro, em 11 de junho de 1998. Foi deputado estadual, federal e governador da Paraíba. Além de político, Ivan Bichara Sobreira foi escritor. Publicou diversas obras, entre elas: “O romance de José Lins do Rego” (1971), “Carcará” (1984), “Tempo de servidão” (1988) e “Joana dos Santos” (1995).




Reprodução da página cultura do site da Prefeitura de Cajazeiras

terça-feira, 13 de março de 2018

NESSE FIM DE SEMANA TEM NO TEATRO ICA



E vamos que vamos ao novo Teatro Ica. Nesse final de semana 16, 17 e 19, ainda sob o calor da sua reabertura, o Ica apresenta dois espetáculos teatrais com propostas diferentes, mas com técnicas e acabamento cênico de primeira linha. O primeiro é a encenação de    "Outra História de Francisco”    texto infanto-juvenil dirigido por Luiz Navarro e produzido pelo Grupo Artpalco. A peça é uma aventura que conta através de uma trupe de palhaços, uma versão bem humorada da história de São Francisco de Assis. Utilizando o universo do Clown, a apresentação teatral vai mostrar Francisco de Assis ainda criança, que junto com sua amigos recebe a missão de proteger os animais, fazendo uma viagem pelo universo da cultura popular, levando para a cena personagens como: Bumba meu boi, Ema, Homem da Cobra, entre outros. A apresentação acontecerá no dia 16 (sexta-feira) a partir das 19h30. Nos dias 17 e 18, (sábado e domingo) às 20h, será a vez da exibição da peça cômica destinada ao público adulto:    “Uma Mulher Para Dois Maridos”   , com direção de Francisco Hernandes, texto de Elizeu Miranda e produção da Associação de Teatro Amador de Cajazeiras (ACATE). A montagem traz no elenco os atores: Beethoven Dantas, Daniela Holanda e Pablo Diego. Os ingressos para os dois espetáculos custarão R$ 20,00 – Inteira e R$ 10,00 – meia.





terça-feira, 6 de março de 2018

REFORMA DO TEATRO ICA EM CAJAZEIRAS.




A cidade de Cajazeiras viverá um momento histórico para a cultura, na próxima quarta-feira, dia 8 de março. O Governo do Estado entregará a reforma do Teatro Íracles Brocos Pires, o Ica. A nova ferramenta ficou maior e mais moderna, após investimento acima de R$ 5 milhões.

Programação de abertura contará com diversas atrações culturais, a partir das 19h, inclusive apresentação de palhaços e a peça teatral ‘Trinca, mas não quebra’ (de Eliézer Rolim, com direção de Francisco Hernandez. Espetáculo é da Associação Cajazeirense de Teatro.

A peça conta no seu elenco com Beethoven Dantas, Aguinaldo Cardoso, Rivelino Martins, Karla Cristiane, Orlando Maia, Edna Caboclinha, Rosângela Alves e Fernando Inácio, Fabrícia Rolim, Flávia Rafaela e Wanderley Figueiredo.

A programação vai contar com toda a irreverência da Trupe de Palhaços do grupo La Confusion. A Intervenção artística vai ficar por conta dos palhaços Hanunten, Feijoada, Estripolia e Tufão.

A intervenção é baseada nas memórias do Mestre Zezito, disponibilizada no livro ‘Memórias de um palhaço’, sob a organização de Chico Simões. A trupe cajazeirense La Confusion nasceu em 2015, sendo formada por Pablo Diego, Ronaldo Santos, Beethoven Dantas e Dudu Moraes.

Para Nézia Gomes, presidenta da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (responsável pelo teatro), a reforma representa uma grande conquista para a cena cultural sertaneja e também para a população da região.

Programação de abertura do ICA prossegue no dia 8, com a oficina ‘Iniciação à Iluminação’, com Eloy Pessoa. Aulas serão das 9h às 12h e das 14h às 17h. Já no dia 9, às 20h, haverá o espetáculo de dança ‘Oriara – Segredo das flores’ (da companhia Marcelo Fiúza).

Encerrando a programação de abertura, no dia 10 de março, será a vez do espetáculo ‘Oh terrinha boa’, do grupo Arco-Íris, que será encenado a partir das 20h. A comédia é sobre uma família de retirantes nordestinos em uma aventura rumo a São Paulo.

Osvaldo Moésia, Gerente Operacional do Ica, destacou que o teatro é um dos maiores do interior do Nordeste. “Não deixa a desejar a nenhum teatro do interior nem na Capital. É um teatro de ponta mesmo”, disse ele.

Novo teatro – A reforma no ICA tornou o espaço mais confortável e moderno. Antes, o teatro contava com 174 lugares. Agora, oferece 240 lugares na plateia e duas salas vip com 19 lugares cada uma. O total é de 278 lugares, conforme o Gerente Moésia.

O palco tem 15 metros de largura e 8,5 metros de comprimento. Já a boca de cena, 1 metro de comprimento e 9,8 metros de largura. Equipamentos de som e iluminação foram adquiridos para o novo espaço.

R$ 2.299.265,34 é o valor do contrato de conclusão da reforma e serviço de cenotecnia e sonorização do Íracles Pires. Na etapa anterior, o valor do primeiro contrato foi de R$ 2.705.744,64.


     Íracles Pires - A homenageada     

Quem foi Ica - O Ica, gerido pela Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), foi uma conquista do movimento artístico nos anos 1990 perante o Governo do Estado, justificada pela força artística da chamada “terra da cultura”.

O Ica comemorou 33 anos de fundação no mês passado. Antes dele, a cidade não dispunha de um local adequado à prática de artes cênicas. A unidade cultural leva o nome da teatróloga Íracles Pires Ferreira. ‘Dona Ica’ faleceu no dia 9 de março de 1979 em acidente automobilístico na cidade de Jequié (BA).

Por muitos anos, Íracles Pires manteve programa de rádio de grande audiência na cidade. Viveu a maior parte de sua adolescência no Rio de Janeiro, onde se entrosou com figuras do meio artístico e cultural.

Depois de se casar com o médico Waldemar Pires Ferreira, Íracles foi residir na cidade de Cajazeiras. Da união nasceram a arquiteta Jeanne Brocos Pires e o engenheiro Saulo Péricles (Pepé).

Ica, depois de casada, voltou ao Rio para fazer o curso de teatro na Faculdade de Belas Artes. Entre as peças que montou figuram “Auto da Compadecida”, “Afilhada de Nossa Senhora da Conceição” e “Fui eu… Mas não espalhe”.

Dia do Circo e Dia do Teatro – O reformado teatro Íracles Brocos Pires (Ica) não estará fora da comemoração do Dia do Circo e do Dia do Teatro, dias 24 e 25 de março. Programação será realizada pela Fundação Espaço Cultural da Paraíba, em diversos municípios.

Cajazeiras receberá o espetáculo teatral ‘Razão para ficar’, no dia 24. Apresentação será no Teatro Íracles Brocos Pires, a partir das 20h. No dia seguinte, também no Ica, está prevista a apresentação de um espetáculo circense.

Abertura de pautas - A partir do dia 12 de março, haverá a abertura de pautas para ocupação do teatro. Conforme Nézia Gomes, presidenta da Fundação Espaço Cultural da Paraíba, os valores variam de R$ 184,40 a R$ 480.

Os preços são menores para grupos de teatro da cidade, conforme Nézia Gomes. Regras de ocupação e tabela de preços teve publicação no Diário Oficial do estado e já está disponível para artistas e produtores interessados.



     Trupe La Confusion    
     Palhaços: Hanunten, Feijoada, Estripolia e Tufão   


      Grupo Arco-Íris      
       Comédia: Oh Terrinha Boa      


      Grupo ACATE      
       Peça: Trinca, mais não quebra      





fonte: postagem divulgada na página EVENTOS

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

ENGENHO DO CATOLÉ DOS CONÇALVES





Cleudimar Ferreira

O Engenho do Sitio Catolé dos Gonçalves, foi no passado, juntamente com a cultura do algodão, uma das principais alternativas de fontes de renda dos pequenos agricultores daquele lugar sertanejo. Por esse período, passaram com destaques pelas cercanias do centanário engenho, os agricultores que sempre moraram na região; os de passagem e os que na contemporaneidade, ainda moram nas suas adjacentes. 

As imagens que acima se mostram, revelam na atualidade as exéquias de um "Engenho de Fogo Morto", parado há mais de três anos, aproximadamente. Segundo informações, os problemas que levaram ao seu fechamento, são muitos. Dentre eles, os mais agudos, destacam: O desaparecimento da cultura da cana na região por falta d'água, já que as chuvas têm sido escassas, prejudicando as plantações, cuja maioria, mesmo ficando no entorno do rio, não suportaram os sucessivos períodos de seca. Outro problema levantado pelos agricultores do Catolé dos Gonçalves, está relacionado ao alto custo da produção, problematizada desde a plantação da cana a manutenção dos canaviais, operacionalização e moagem no engenho, puxado pelas despesas de energia e da mão de obra. E por último, a difícil comercialização dos produtos fabricados, como: a rapadura, o mel, o alfenim e a batida - mesmo boa parte destes sendo feitos artesanalmente. Por falta de preços atraentes de mercado; comercialização e do baixo consumo da população, a safra não rendia bons lucros aos produtores rurais, trazendo prejuízos e por conseguinte, tornando inviável o funcionamento normal do engenho. Como se sabe, o Engenho dos Gonçalves não foi o primeiro e nem o segundo na região a ser fechado. Porém, o que se observou nos últimos meses de 2017, foi uma resistência a crise nessa cultura, destacada pela reabertura de muitos desses engenhos que se encontravam fechado. 

O engenho em questão, por ser um dos mais antigos em operação na zona rural de Cajazeiras, merecia uma atenção maior por parte das autoridades públicas, principalmente os da Administração Municipal. A Prefeitura tem uma Secretaria de Agricultura! O que essa pasta tem feito para impedir o fechamento desses engenhos? Essa é a pergunta em questão! Fala-se em crise, orçamento baixo, mas também há falta de criatividade dos responsáveis pela agricultura na Prefeitura de Cajazeiras. É precisa se mexer e não ficar parado vendo a morte dos engenhos ou estacionar na incompetência do fazer apenas o trivial e simplesmente ficar no vai-e-volta ao banco, todo mês, só para pegar os seus proventos. 

A Secretaria da Agricultura Municipal precisa ter uma política de ajuda aos plantadores de cana, não apenas os do Catolé dos Gonçalves, mas os de outros Sítios, auxiliando na parte técnica do replantio dessa cultura, procurando meios para não deixar essa cultura acabar. Socorrendo através de projetos, procurando órgãos de defesa da agricultura, como Secretaria Estadual da Agricultura; ou através de incentivos vindos do Banco do Nordeste ou de programas como o Empreender Paraíba; SEBRAE, instituições privadas com interesses mútuo no setor agrícola; formações de cooperativas e outros afins. Como se ver, não falta criatividade e o que fazer, para não deixar uma tradição secular desaparecer, assim, à míngua. 

  



Imagens: Marcos Aurélio Lira Ferreira 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Como receberão a volta do Teatro Ica!

Cleudimar Ferreira 


Depois de uma extensiva e exaustiva reforma necessária, de caráter reconstrutiva, polemizadas por arremessos e arrebates. De um lado, os pros; por outro, os contras; eis que surge rompendo o calendário da espera enfadonha de atores e atrizes, a tão esperada entrega do Teatro Íracles Brocos Pires - Teatro Ica, marcada sem adiamento ou prorrogação de data, para a primeira semana do mês de março - provavelmente no dia 8.

Com certeza, a sua inauguração vai ser um marco para a sociedade teatral de Cajazeiras e vai marcar na história da principal casa de cultura da cidade, como mais uma etapa funcional a ser cumprida no tempo. Nesse transcurso, é bom lembrar que o ano de 1985 aportou, como ano em que o sonho da classe teatral cajazeirense se materializou, com a construção do referido teatro, pelo então, na época, governador Wilson Braga.

Naquela oportunidade, curiosos olhares da arte e ansiosos dirigentes teatrais da cidade, arrebatados pela magia da concretização do sonho antigo, fizeram da inauguração do teatro uma festa regada a Trupizupe, Theatrai e Theatron; apimentada por um pretensioso discurso político, que mascarou ideologicamente a face do ator – na época, Lúcio Sergio de Oliveira Vilar, que na condição de representante da categoria, leu o manifesto de boas-vindas do Ica a terra da cultura.

Agora, 33 anos depois, os personagens dessa nova vida do referido teatro, não vieram do pretérito e não representam mais o passado. No momento, são outros os atores e dirigentes em cena e o governador, não é mais o senhor Wilson Braga, mas sim, Ricardo Vieira Coutinho, que sensível a demanda que tem revelado a produção cultural da cidade, principalmente na sua parte mais emblemática, a dramaturgia, refez o percurso da história do Teatro Ica, realizando uma reconstrução por mais merecida e uma ampliação da área da casa de espetáculo, anexando a mesma, salas para atividade de dança, ensaios e outras atividades fins, inerentes a todo teatro que se preza.   

Se para tal iniciativa, a demanda dos serviços atropelou o tempo, esticando a sua finalização em um curso de quase 5 anos; o estado estético e funcional em que ficou o teatro, apagará da memória dos cajazeirenses e cajazeirados, as arestas que causaram frisson entre os que defendiam e os que não defendia a sua reforma. Resta saber se depois desse mar revolto, a calmaria a seguir, será suficiente para unirá a classe, já que pela estrutura física que ficou o teatro, haverá espaços para todos, independentemente ou não de posicionamento político; que tipo de atividade teatral faz; ou se concorda ao não com a nova roupagem dada pelo Governo do Estado a principal casa de espetáculos teatrais do sertão paraibano.

Resta esperar para ver que discurso os dirigentes da nova classe teatral de Cajazeiras farão no dia da sua inauguração. Como isso é uma incógnita, não vem previamente estabelecido. Como bem expressou o texto lido por Lúcio Vilar, na tarde de 26 fevereiro de 1985, resta-nos meditar um pouco sobre qual a função de representar sentimentos, ou como sentirão os atuais dirigentes da nova ordem teatral da terra da cultura, frente ao moderno templo das artes cênicas que receberão, e qual importância o Ica representará para todos, após a sua entrega. Vamos esperar!


Abaixo, o texto lido por Lúcio Vilar na primeira inauguração do Teatro Ica em 26 de janeiro de 1985.

Teatro, vida, luta e arte (*)

O dia permanece cloro, apesar da noite que se faz longa. Nosso sonho não é de agora. Porém temos a felicidade de ver renovado em cada grupo que surge, em cada espetáculo encanado mesmo com as dificuldades da técnica do dia-a-dia descoberta. Um novo refletor, o sol a pino, a lua em clarão, mambembe, marginal até. Nosso sonho não termina nunca. Somos velhos meninos nascidos em cada cena, em cada ato, grafado em cada espetáculo, palco, tablado, da rua, de volta ao teatro, de volta à cidade, para disseminar o ato de ver, de fazer teatro.

O que podemos esperar de um acontecimento solene, formal como esse, onde povo, governo e artistas, nos encontramos aqui, frente a um mesmo cenário-comício, de um mesmo texto-contexto que requer ao povo (que somos), reaver nosso direito de voz e liberdade de expressão. E o Brasil muito que necessita disso, que requer, de parte do Governo, reaver seus credos-créditos políticos, pela certeza do dever cumprido. Aqui, perante ao grande número de atores, autores, técnicos de espetáculos, produtores de teatro e iluminadores paraibanos da arte em geral, que pena, poucos reconhecidos.

Resta-nos meditar um pouco sobre qual a função de representar sentimentos, anseios ou direitos a felicidade plena do homem, onde nascemos?
Quando esta arte, a arte de um Sófocles, de um Shakespeare, de um Gil Vicente: de um Martins Pena. Arte também de um Paulo Pontes, em vida comprometido, como nos encontramos agora nesse ensaio de dramaturgia. O que temos a fazer, os artistas? Frente as dificuldades que medrem essa gente conflitante, - como povo que somos, - ao mesmo tempo representados em tribuna-palanques, cenário da classe política. E nesses tempos modernos já não há razão, nem caberia mais, nenhum atrelamento do artista ao poder.

Falamos de um quarto poder: o da imprensa. E são vários os “podres poderes” como o mano Caetano nos evangeliza. Daqueles que não tem poder em essência. Não seria outra a função atual do “poder da arte”, questionar tais ditirambos. Confrontamos, povo e governo, e não mais agora, jamais, sob o ponte de vista de bobos da corte, nem de poetas palacianos, como é ainda possível encontrar nesse Estado-País aos montes. Foi-nos difícil, e bem verdade, reconhecermo-nos nessa trajetória não como artistas formados em academias reais, mas como superdotados, mas das vezes censo comum? Alto lá, autodidatas nesse dia-a-dia, e para rompermos o terceiro milênio, falta pouco, muito pouco mesmo. Logo mais, daqui a 15 anos, estaremos alcançando nosso futuro de hoje, e mesmo dia de ontem, que tanto diz respeito a nossa geração é filha de uma consciência aquariana.

Nascemos no Sertão. Aqui reivindicamos nosso direito a vida nesse chão condizente com nós mesmos, sem jamais esquecermos dos céus - meridianos que gritava sobre nossas cabeças. Não pretendemos aqui elaborar linguagens de laboratórios sociais. Gostaríamos, que sempre possível, abrimos a comporta do tempo, tornando-nos verbos, e não vermes, dizendo quem verdadeiramente somos, afinal. E podermos, por fim, disputar, de igual para igual a fraterna alegria entre os homens aqui nesta terra.

Somos operários do lazer. Enquanto o público se diverte nós trabalhamos. Enquanto este trabalha voltamos ao oficio de ensinar a arte em prol da vida, que aos quatros cantos nos encontramos, preparando sempre para um dia seguinte. O sol há de brilhar ou obscurecer para sempre, onde seremos, todos, cegos ou guias-vias dessa longa estrada. Para onde vamos!

Paremos um pouco. “A estrada é estreita e longa”. Depois de Íracles o forte de Santa Catarina, Cabedelo será o próximo forte, endosso dessa mesma categoria que lá aguarda amor e abrigo. Mais escolas de arte de 1 e 2º graus, com teatro permanente, no que é possível. Inclusivo, obtermos fusão do Curso de Comunicação Social e Licenciatura de Educação Artística, do Departamento de Artes e Comunicação, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPB, onde, por incrível que pareça, cobramos, agora, e não sonhamos, com esse delírio de entendermos teatro, e porque não? - Também a nível de 3º graus. Estudos, desejos e debates se conjugam nesse sentido, por entendermos teatro como um processo dinâmico que se desencadeia da rua para o palco, do palco para a aldeia.

Resta-nos, para tanto, melhores tratamentos, isto em termos de autonomia financeira, para com os destinos do que é/o que é arte/educação/cultura. De dentro para fora e de fora para dentro da comunidade. Restamos sermos ouvidos e atendidos enquanto entidades civis.  

Cada “Tijolo com tijolo” do desenho lógico da arquitetura do todo-nosso e aconchegante Teatro Íracles Pires; aqui também presente Marcélia Cartaxo; João Bosco; Antônio Carlos Vilar; Geraldo Ludgero; Roberto Lira; Tarcísio Siqueira; Joaquim Alencar; Gutemberg Cardoso...

Em cada tijolo com tijolo do desenho lógico da conquista do nosso Teatro Íracles Pires. Nele/Nela está implícito todo isso.

A reconstrução do Teatro Íracles Pires custou ao Governo do Estado, cerca de 5 milhões. “Não economizamos! Nós utilizamos os melhores materiais no Teatro Íracles Pires”, disse Ricardo Coutinho. O teatro será entregue como a mesma estrutura técnica, ou seja, cadeiras, cortinarias, equipamento de som e iluminação, utilizada na construção do Teatro Pedra do Reino e nas reformas dos teatros Santa Roza e Paulo Pontes. 

IMAGENS QUE REVELAM COMO FOI TRAÇADA A HISTÓRIA DO "ICA".

Primeira construção em 1985


Demolição e  inicio da reconstrução em 2014



Como ficou o teatro em 2018