quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ABERTO OFICIALMENTE O CINE AÇUDE GRANDE




O Cine Açude Grande - principal festival de cinema de Cajazeiras, foi aberto oficialmente na noite de ontem com apresentações de filmes na quadra da secretaria de cultura e show musical na praça do Leblon. O festival tem uma programação diversificada que se estenderá até o dia 25 desse mês de agosto, ofertando ao público cinéfilo cajazeirense, mostras de filmes, oficinas, debates, workshops e shows musicais.  

Neste ano de 2018, o festival prestará uma homenagem ao ator e dramaturgo Fernando Teixeira, figura bastante conhecida no cenário cultural paraibano. A homenagem vem pelo reconhecimento; pela sua importância para a cultura paraibana e por tudo que o mesmo tem representado e conquistado, nas produções no campo da dramaturgia – cinema, teatro em todo Estado. “Fernando Teixeira tem 76 anos, dos quais 57 foram de atividades no teatro, no cinema e na televisão. É hoje um dos atores mais respeitados na Paraíba”, afirmou Veruza Guedes, que coordena o evento junto com Thalyta Lima.

A programação do Cine Açude Grande, traz 48 filmes de várias partes do país, para serem exibidos, que concorrerão nas diferentes categorias, a partir da composição de um júri especializado, mas também terá escolha do melhor filme, pelo público presente no evento. A Mostra Infanto-Juvenil, acontecerá também em escolas e as próprias crianças vão poder votar no que mais gostaram.

Além destes filmes selecionados, haverá ainda, sessão especial sobre o Açude Grande, documentário produzido pelo Fórum do Açude Grande, seguido de debate. Assim como lançamento de filmes produzidos no sertão, como: “Quando Decidi Ficar” de Maycon Carvalho e “Você Conhece Derréis?” de Veruza Guedes. Ao final de cada sessão, a festa continua com muita música nos barzinhos que ficam na orla do Açude Grande e shows musicais na Praça do Leblon.









quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Em homenagem aos 155 anos de Cajazeiras, três poemas de dois poetas que são referências na história da militância cultural de nossa cidade.














O VELHO PÉ DE CA
poema de Modesto Maciel


Este pé de cajá, cajazeiras
Não tem mais razão de existir
Além de tão velho ele estar
Hoje vive a nos incomodar
Por tanto esta árvore, cajá
O seu pé eu vou ter que cortar
Neste espaço eu pretendo implantar
Um edifício com teto e energia solar

Não, meu senhor!
Não cometa tamanho absurdo
Na minha infância esta árvore foi tudo:
Em sua sombra eu brincava, nela, eu subia e pulava
Os seus frutos eu saboreava
Preserve este símbolo da história
O seu nome nos deu tanta glória
Não destrua a nossa memória!

Olhando ao seu arredor
A frondosa sem nada entender
O seu tronco a se estremecer
Motosserra começa a rolar
Folhas e galhos caindo a sangrar
Sentindo a força e a máquina a matar
Cajazeiras de luto ora está
Seus cajás nunca mais vou sugar.


KULTURA KOM KÁ
poema de Modesto Maciel

Se é um ato de loukura
A nossa obra de arte
O kriador e a kriatura
São diferentes da postura
Ki fecha os kaminhos da kultura
Do papel social do artista na estrutura

Kultura erudita é kultura dominante
Kultura controlada é kultura popular
Kapital da kultura
Kajazeiras de almoço sem pautar

Tem uns kivem de fora, só beber e kurtir akí
E outros kivão daki trafikar polítika lá
Vem Kaim, vem Abel, vem praká
Mas nada de roubar, de rachar, de matar
de preparar a sepultura
Da terra da kultura kom ká.


















ODE A CAJAZEIRAS 
OU POR TUA CULPA, POR TUA MÁXIMA CULPA
poema de Irismar di Lyra

De sabedoria te imagino poema;
no exílio, minha`alma inquieta-se.
Na condição de filho
fora de casa,
fiz de ti, Cajazeiras,
o teor dos meus poemas
e, à distância, outra cidade me acolhe,
sem seus atributos peculiares.

Eu insulto daqui, a Cajazeiras pacata,
a que assiste patética, muda e sem ação
a administrações que se revezam
sem dar-lhe vez, voz ou direito de participação.

Eu insulto a política raquítica,
a que faz obras de fachada
e anda a passos de jabuti;
o administrador que constrói praça,
para outro que chaga destruí.

Eu insulto a Cajazeiras sem ateliês,
motivos pelos quais, os painéis
de Luisa Moisés
resistem sem galeria;
o teatro sem espetáculos,
a cultura em agonia.
(tem sido assim teu dia-a-dia)

Como Pedro negaste três vezes
a Raimundo Correia Ferreira
o Poder Municipal.
(esse certamente fora o seu mal)
Não! A essa Cajazeiras feito diocese,
que neutraliza os ideais dos filhos mais fiéis
e deixa que seus sonhos morram na catedral.

Refuto a Cajazeiras não tão bela,
quanto Marta Ferreira;
não tão fina quanto Liduina;
a que se perde em corsos,
comícios, carreatas, enterros,
procissões e infindáveis romarias.
Perdoa-me se n`algumas horas
te acho feia,
te penso longe,
te sinto fria.
Por tua culpa, por tua máxima culpa!

Exalto os anos setenta,
tempos memoráveis do Colégio Estadual,
da efervescência do movimento estudantil,
do Centro Cívico Olavo Bilac,
do culto a Flor do Lácio,
de descobertas mil.

Exalto os novos poetas a reivindicarem
em versos, espaço  para a arte
contestando a repressão política
do poder sobre a livre expressão
(tempo de pura deglutição)

Ainda que teus vivos, como teus mortes
não repousem a paz dos cães de Otacílio,
regozijo-me, por assim, amar-te,
e envio, daqui, um beijo, deste teu filho.

Fora! ... aquele que não sabe amar-te
Fora! Aquele que não quer reconhecer,
que pelos desígnios da arte e da cultura,
és a Terra que ensinou a Paraíba ler.




terça-feira, 21 de agosto de 2018

9ª REGIONAL DE CULTURA ESCOLHE REPRESENTANTE PARA O CONSECULT-PB NESTA QUINTA (23)


Lenilson Oliveira

      Daniel Dantas                                                Francisco Carlos                                      Francisco Ernandes 


Três nomes estão na disputa para ser o representante civil da 9ª Região de Cultura, compreendendo os municípios de Bernardino Batista, Bom Jesus, Bonito de Santa Fé, Cachoeira dos Índios, Cajazeiras, Carrapateira, Joca Claudino, Monte Horebe, Poço Dantas, Poço de José de Moura, Santa Helena, São João do Rio do Peixe, São José de Piranhas, Triunfo e Uirauna no Conselho Estadual de Política cultural do Estado da Paraíba (CONSECULT-PB), para o biênio 2018/2020, com votação a ser realizada no dia 23 de agosto do corrente, quinta-feira, nos horários da 09h às 17h.
Colocaram seus nomes à disposição da população os artistas e produtores culturais Daniel Dantas (Cajazeiras), Francisco Carlos Venceslau (Bonito de Santa Fé) e Francisco Ernandes (Cajazeiras).
A votação será realizada em duas cidades: em Cajazeiras, no Teatro Íracles Brocos Pires, na Rua Doutor Líbio Brasileiro, 176, Centro, e em Poço de José de Moura, no Memorial Zé de Moura, na Avenida Tirso Alves de Moura, 59, Centro.
O CONSECULT, composto de 24 membros, sendo eles 12 pessoas da sociedade civil, e mais 12 pessoas indicadas pelo Governador do Estado, tem como objetivos a garantia de execução dos itens culturais no Estado, apreciação e deliberação sobre as propostas de criação e/ou revisão do Plano Estadual de Cultura, propor medidas de estímulo, fomento, amparo, valorização, difusão, descentralização, democratização e gestão compartilhada da cultura, entre outros.
De acordo com o regulamento, qualquer pessoa a partir de 16 anos pode votar, contanto que resida em qualquer um dos 15 municípios da 9ª Regional de Cultura e esteja portando um documento oficial com foto.
Em toda a Paraíba, a votação será realizada em 24 cidades das 12 Regionais de Cultura.


fonte: Destaquepb

sábado, 11 de agosto de 2018

CAJAZEIRAS RECEBE NESTE MÊS DE AGOSTO O PROJETO SESC ENCENA




O Sesc Paraíba apresentou seu novo projeto de circulação de artes cênicas, o Sesc EnCena. De forma itinerante, o projeto terá início no dia 15 de agosto próximo e percorrerá as cidades de João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Patos, Sousa e Cajazeiras. Na programação, além dos espetáculos teatrais, conversas e palestras, terá também a realização de seis oficinas itinerantes, em cada uma das cidades contempladas.

As oficinas serão ministradas de forma especificadas dentro do campo das artes cênicas, pelos grupos que compõem a programação e são abertas ao público em geral com disponibilidade de apenas 25 vagas. Portanto os interessados em Cajazeiras, que queiram participar das oficinas, devem fazer suas inscrições no site do Sesc-Paraíba.

O Sesc EnCena deste ano, tem como objetivo, a democratização e descentralização dos bens culturais, rompendo as fronteiras geográficas da Paraíba. Aproximando e facilitando o acesso do público das diferentes cidades a produção cênica do Estado.

Nos 17 dias de programação do Sesc EnCena envolverá debates, conversações, apresentações dos grupos nas 6 cidades paraibanas e realizações de mais de 30 oficinas. O Projeto será aberto ao público e abrigará diversas linguagens artísticas, como a dança, o circo e o teatro.

Os espetáculos que integram a programação são: Mercedes, da Companhia Galharufas; troca-se histórias por brincadeiras, do Grupo Teatral Arretado Produções Artisticas; Palavra de Rei, da Companhia Café com Pão de Teatro; Guara-mamo, da Cia Mutuca; Berço Esplêndido, da Cia Os Cogitadores e Baile Muderno, da Companhia Fuá de Terreiro.
Em Cajazeiras as ações do Sesc EnCena, vão ocorrer no Teatro Iracles Pires e a programação está assim definida:

Dia 25/08, das 18 às 21h, Oficina: "Ação do Ator na Cena Randômica". Cia Galharufas
Dia 26/08, às 20h, apresentação de “Marcedes”. Cia Galharufas. Classificação: 14 anos.
Dia 27/08, das 18 às 21h, Oficina: “Das Artes Visuais ao Foco da Cena”. Grupo Teatral Arretado Produções Artísticas.
Dia 28/08, às 17h, Apresentação da peça infantil: “Troca-se Histórias por Brinquedos”. Classificação Livre.
Dia 28/08, das 18h às 21h, Oficina: “O Ator de Rua e suas Extensões”. Cia Café com Pão de Teatro.
Dia 29/08, às 18h, apresentação da peça: “Palavra de Rei”. Cia Café com Pão de Teatro. Classificação: Livre. Local: Sesc Cajazeiras.
Dia 29/08, das 18 às 21h, Oficina: “O Imaginário no Corpo do Ator”. Cia Mutuca de Circo e Teatro.
Dia 30/08, das 18às 21h, apresentação da peça: “Guara-mamo”. Cia Mutuca de Circo e Teatro. Classificação: Livre.
Dia 30/08, das 18 às 21h, Oficina: “Oficina de Teatro Épico”. Cia Os Cogitadores.
Dia 31/08, às 20h, apresentação da peça: “Berço Esplêndido”. Cia Os Cogitadores.  Classificação: 16 anos
Dia 08/09, das 18 às 21h, Oficina: “Cavalo Marinho: Brinquedo Popular”. Cia Fuá de Terreiro.
Dia 09/09, às 20h, apresentação da peça: “Baile Muderno”. Cia Fuá de Terreiro. Classificação: 12 anos.






quarta-feira, 8 de agosto de 2018

ARTE AGOSTO



Arte Agosto terá Sanfônica, teatro, festival de dança 
e outras atrações; confira programação


A Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Cajazeiras divulgou a programação do Arte Agosto, evento que acontecerá entre os dias 17 e 20 na Praça da Matriz de Nossa Senhora de Fátima. O Arte Agosto reunirá diversas atrações, como feiras do empreendedor e do livro, sarau poético, shows musicais, festival de dança, primeira apresentação da Orquestra Sanfônica, espetáculos teatrais, balé e artesanato.

O festival de dança acontecerá no último dia e será competitivo, com os vencedores recebendo premiações nas três primeiras colocações. As inscrições para os grupos e dançarinos que queiram participar já estão abertas na sede da Secretaria de Cultura e Turismo.

O Arte Agosto também terá um evento histórico, que será a primeira apresentação da Orquestra Sanfônica de Cajazeiras. Os ensaios da orquestra já estão sendo realizados, sob o comando do maestro Jocerlando Araújo de Sousa e a participação de 15 sanfoneiros.

Outras atrações do evento: Banda de Música Santa Cecília, Balé Irmã Fernanda, Sambacana, XI Feira Sertaneja de Economia Solidária (tendas com exposições), Feira do Livro (tendas com exposições e livros para venda), peça A Feia de Caruaru, Laís Amaro, Grupo de Xaxado Pisada do Sertão (Poço de José de Moura), e Banda Mezclan.

Confira a programação:

Dia 17/08/18 – Sexta – Feira:
19h – Abertura, retreta com a Banda de Música Santa Cecília
XI Feira Sertaneja de Economia Solidária (tendas com exposições)
Feira do Livro (tendas com exposições e livros para venda)
20h – Apresentação Balé Irmã Fernanda
20h30m – Apresentação Musical com a banda Sambacana
Local: Praça da Matriz Nossa Senhora de Fátima

Dia 18/08/18 – Sábado:
19h – Continuação da XI Feira Sertaneja de Economia Solidária
Continuação da Feira do Livro
Apresentação da Fanfarra de Cajazeiras, projeto Cantos que Educam
19h30m – Intervenção realizada pelo grupo de Poesia no Coreto
20h – Apresentação do Espetáculo Teatral A Feia de Caruaru
Local: Praça da Matriz Nossa Senhora de Fátima

Dia 19/08/18 – Domingo:
19h – Continuação da XI Feira Sertaneja de Economia Solidária
Continuação da Feira do Livro
           Apresentação da Orquestra Sanfônica de Cajazeiras
20h – Apresentação musical com a cantora Laís Amaro
20h30m – Grupo de Xaxado Pisada do Sertão (Poço de José de Moura)
Local: Praça da Matriz Nossa Senhora de Fátima

Dia 20/08/18 – Segunda – Feira:
19h – Apresentação da Banda Mezclan
19h30 – Mostra de Dança não competitiva
20h – Festival de Dança com premiação para os vencedores
Local: Praça da Matriz Nossa Senhora de Fátima



fonte: Secult - Cajazeiras

sábado, 14 de julho de 2018

SUÇUARANA: NOSSA, QUANTA GENTE!

O texto abaixo, publicado na Gazeta por José Antônio de Albuquerque, é um enfoco das ações planejadas no setor cultural, que estão acontecendo e que irão acontecer brevimente na cidade de Cajazeiras, impulsionando o que era impossível impulsionar até a alguns meses atrás. Agora com abertura da principal casa de espetáculo - o Teatro Ica, pode-se dizer que esse conjunto orquestrado; esse momento; é o momento confortável que passa a nossa cultura. Isso ficou mais claro nos olhos dos cajazeirenses que consomem cultura, durante  a apresentação nesse fim de semana, do monólogo "Suçuarana" protagonizado pelo ator Thardelly Lima, registrado nessa gravação em vídeo que ilustra na sequência, essa postagem. 



CAJAZEIRAS RESPIRA CULTURA
 Artigo publicado no Jornal Gazeta do Alto Piranha 

José Antônio de Albuquerque 

Depois da reinauguração do Teatro Íracles Pires, os grupos de teatro da cidade começaram a se movimentar e segundo informações 12 espetáculos já estão prontos, nó só para apresentações no Ica, mas em qualquer espaço do estado.

Diversos espetáculos de outras cidades já foram encenados em Cajazeiras e já existe até alguma dificuldade em encontrar vagas para novas encenações. Isto significa que a classe artística de Cajazeiras e os empresários do setor estão vivendo um momento de muita intensidade cultural e pouco a pouco está se conseguindo resgatar a importância que Cajazeiras teve no passado na área teatral.

O movimento em torno da poesia está ganhando um espaço nunca antes existido, ao se tornar pauta obrigatória, todos os meses, na Praça Nossa Senhora de Fátima, o já famoso “Poesia no Coreto”, oportunidade em que os poetas da cidade se reúnem para apresentações para homenagear os poetas de ontem e os de hoje.

O Museu da cidade é um projeto irreversível e só já não está num patamar mais avançado devido à burocracia que se impõe quando se trata de obras e serviços no setor público.

A Escola de Música Santa Cecília já é uma realidade e tem 60 alunos, que ao lado PRIMA, com oitenta alunos se constituem em dois instrumentos importantíssimos na formação de novos músicos e a quase totalidade destes alunos é oriunda da periferia e os frutos já começaram a ser colhidos.

O FUMINC (Fundo Municipal de Cultura) está se consolidando e os recursos começaram a chegar às mãos dos animadores culturais, agora é aguardar os resultados destes investimentos, que deverão ser positivos.

O Secretário de Cultura, Ubiratã de Assis, está projetando para o próximo mês de agosto a apresentação de uma Orquestra Sanfônica, instrumento símbolo de nossas melhores tradições. Esta orquestra poderá despertar nos jovens o desejo de aprender a tocá-la. São estas e outras animações culturais que têm feito a cidade respirar e viver intensamente os valores que emanam da sua alma.

A cidade bem que poderia reviver as grandes Exposições de Pintura para mostrar o que existe de novo e com a perspectiva de descobrir novos talentos.

Por que não fazer um grande festival de quadrilhas no próximo ano? Planejando, estudando, criando grupos, incentivando e ensinando a dançar e premiando os melhores, não tenho dúvidas que o êxito será retumbante.

A maioria das cidades do Vale do Rio Peixe, bem menores que Cajazeiras, tem um grupo de danças e uma excelente banda marcial que podem servir de espelho e exemplo para que possamos ter o nosso.

Quem se lembra da famosa banda de música feminina, patrocinada por Raimundo Ferreira, que vivia se apresentando pelo Nordeste afora? São iniciativas desta natureza que divulgam uma cidade.

E o tão sonhado Festival do Cajá quando será realizado? Será que vamos continuar só com o picolé de Walmor e o Pão de Saora? Na cidade de Martins, Rio Grande do Norte, tem um festival de gastronomia de alcance nacional, tendo como base as típicas comidas regionais e ofertando valiosos prêmios. Vale copiar também? Por que não?

A cultura de nosso povo precisa ser preservada, estudada, cantada e divulgada.



fonte: Jornal Gazeta do Alto Piranhas 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

A INDÚSTRIA DA SECA

Coronal Batista




A indústria da seca era a denominação empregada pelo povo para definir o conjunto de ações desenvolvidas pelo Governo para prestar assistência à população sertaneja atingida pelos longos períodos de estiagem e que, na verdade, serviam muito mais para desvios de recursos públicos em benefícios da classe política. Aqui vamos enfocar situações que bem caracterizam essas práticas, assim como enforcar aspectos da religiosidade do povo sertanejo em face das dificuldades provocadas pela falta de chuva.

Só a força da fé do sertanejo é capaz de fazê-lo resistir as agruras dos inclementes períodos de secas que ele enfrenta. Aqui vamos relatar o testemunho de um desses momentos, ocorrido em 1983 na cidade Cajazeiras, alto sertão da Paraíba.               

No posto de Capitão exerci as funções de Comandante da Companhia de Polícia de Cajazeiras, no alto sertão da Paraíba, de janeiro de 1983 a setembro 1984.  Além da cidade sede, a Companhia era responsável pelo policiamento de mais 15 cidades, inclusive Souza, uma das maiores da região.

Naquele período passei por inesquecíveis experiências como profissional e como cidadão. Convivi de perto com as agruras da seca, com os mecanismos governamentais destinados a prestar auxílio à população e seus meandros de desvios de recursos públicos e, sobretudo, tive contato com a cultura e a fé do sertanejo. De uma maneira sintética, passo a narrar parte desses momentos como forma de registrar detalhes de importantes aspectos da nossa cultura.

Não choveu no sertão da Paraíba no dia de São José de 1983. Na crença do sertanejo estava configurado o início do quinto ano consecutivo de seca. A situação que já era de muito sofrimento para uma vasta população de pessoas que dependiam unicamente das atividades agrícolas naquela região, passou a ser ainda mais complicada.

A partir de então, milhares de humildes agricultores, desnutridos, de rostos enrugados e tostados pelo sol, mãos calejadas, maltrapilhos, olhares perdidos, portando sacos de estopa nos ombros onde pretendiam recolher donativos, acompanhados de mulheres e filhos, perambulavam por todas as cidades polarizadas por Cajazeiras e Souza em busca de ajuda para saciar a fome, em situação de desespero.

Diante dessa situação, a Polícia Militar, através do comando local, se aliou aos clubes de serviços, entidade religiosas, integrantes da imprensa e comerciantes, que faziam campanhas para arrecadar e distribuir mantimentos com esse contingente de sertanejos transformado pela seca em uma população de miseráveis. Nessas ações a parte mais difícil era a distribuição dos donativos, uma vez que por maior que fosse a quantidade de gêneros adquiridos, era sempre insuficiente para atender às multidões de famintos, o que exigia sempre a intervenção da Policia Militar.

Nesse trabalho a polícia tinha de agir com autoridade para ordenar a distribuição, e com muita sensibilidade para dividir com justiça os sempre escassos donativos, que mal dava para sustentar uma família durante uma semana. Nessas ações, que eu comandava pessoalmente, tive oportunidade de fazer contato direto com os agricultores e tomar conhecimento dos dramas de cada família. Aos poucos eu ia me envolvendo com aquela situação.

As campanhas de arrecadação de gêneros se sucediam semanalmente, mas a quantidade recolhida era cada vez menor. As possibilidades de ajuda estavam se esgotando. As prometidas medidas de ajuda do Governo passavam por intermináveis burocracias.

Começaram a se intensificar o registro de saques nas feiras livres e em depósitos de merenda escolar e depósitos de alimentos nos hospitais. Alguns grandes supermercados também foram saqueados, tendo o maior deles ocorrido na cidade de Souza. Para a Polícia isoladamente prevenir essas ações era impossível. Reprimi-las era impensável.


Passava do mês de junho quando chegou a ajuda do Governo Federal através da abertura das frentes de emergências em toda a região do sertão. Era um trabalho coordenado por Oficiais do Exército e que consistia na construção de baldes de pequenos açudes, feitos de terra batida, em locais de passagem de água em tempos de chuvas. Os únicos instrumentos empregados pelos trabalhadores eram carro de mão, enxada e pá.

Cada obra, quase sempre realizada em terras de apadrinhados políticos, com perspectivas de futuros lucros, empregava centenas de homens e mulheres, a maioria alistada pelos Prefeitos através de critérios inteiramente subjetivos, e muitos deles não trabalhavam, só integravam a folha de pagamento. Era uma rica oportunidade de formação ou fortalecimentos dos curais eleitorais. Esse era apenas um pequeno aspecto da conhecida indústria da seca.

Cada alistado ganhava meio salário mínimo por mês, mas era comum uma família ter mais de uma pessoa alistada. As coordenações das frentes de emergência não dispunham de transportes para os trabalhadores que, por isso, eram obrigados a andar a pé por cerca de duas horas para chegar aos locais de trabalho. Saiam de casa pela madrugada, conduzindo uma vasilha a tiracolo com o almoço, a base de feijão, arroz e, às vezes, ovo cozinhado, e voltavam ao pôr do sol.

Os trabalhadores sabiam que aqueles baldes que estavam construindo não resistiriam às primeiras chuvas, e por isso acreditavam que não estavam produzindo nada, o que gerava uma desmotivação generalizada.  Os deslocamentos de ida e de volta para o trabalho, feitos sempre por grandes grupos, parecia uma caminhada de condenados para o cadafalso e lembravam cenas da obra “Os miseráveis”, de Victor Hugo. Presenciei muitas dessas caminhadas, em filas indianas, nas margens das estradas, nas proximidades da área rural de Cajazeiras, nos fins de tardes.

Nesse período o Governo, de forma descontínua e desorganizada, também fazia distribuição de alimentos nas zonas rurais, o que era feito pela Polícia Militar. Muitos carregamentos de feijão e de arroz destinados a esse programa saiam da capital com destino à Companhia de Cajazeiras, mas lá não chegavam. Nunca se soube aonde essas cargas foram parar.

Uma das formas de desvios desse material era a simulação de saques nos caminhões. Chegamos a flagrar uma situação dessas, na cidade de Antenor Navarro, atualmente Rio do Peixe, e adotamos os procedimentos de polícia judiciária. Mas um aspecto da indústria da seca.

Embora as frentes de trabalho não fossem suficientes para contemplar a todos os necessitados, nesse período era muito difícil se conseguir uma empregada doméstica nas cidades da região, o que pode ser explicado pelo orgulho ou comodismo das mulheres atingidas por essa situação ou pela baixa remuneração oferecida para esse fim.

Quando era feito pagamento das frentes de emergências, os poucos e pobres cabarés existentes na região, assim como as casas de jogo de baralho e de sinuca, tinham uma movimentação bem maior, sendo comum o registro de pequenos conflitos provocados pelo excesso do uso de bebida alcoólica, o que implicava na necessidade uma maior atenção da polícia. Mas também o comércio das cidades se beneficiava muito com a circulação desses elevados recursos.

Foi se aproximando o final do ano e o quadro em nada mudava. O sertanejo não se conformava em viver de ajuda. O que ele queria mesmo era trabalhar na agricultura, em suas pequenas propriedades ou empregar a sua força produtiva no conhecido trabalho rural de aluguel. E isso só seria possível com a chegada de chuvas.

Todos os tipos de experiências adotados na cultura local para prever a chegada de chuvas eram realizados e os resultados sempre eram negativos. As esperanças de um bom inverno no próximo ano estavam se tornando em um tormento. E mais uma vez, a fé foi o único caminho que restou a essa gente sofrida. As promessas aos santos de devoção foram se intensificando. Nessas ocasiões São José é unanimidade.   Conversei com muitos fiéis que fizeram promessas. A força da fé dessas pessoas me comovia.

Em meio a muitas denúncias de desvios de recursos públicos destinados à assistência da população atingida pela seca em todo sertão, começou 1984, ainda mais seco e mais quente. O Governo, alegando questões orçamentárias, suspendeu as frentes de emergências.

Foi como se o Governo hoje suspendesse o programa de bolsa família. Voltou tudo à estaca zero. Recomeçaram os desesperos e os saques. A população ficou apreensiva. Os comerciantes temiam invasões dos seus estabelecimentos. Os políticos locais pressionaram os Governos do Estado e o da União para o retorno das frentes de emergências.  Por interferência minha, junto aos políticos locais, muitos desses contatos eram feitos do Gabinete do Comando da Companhia de Polícia.


O Ministro do Interior Mário Andreaza, em campanha para Presidente da República, ainda em eleições indiretas, esteve em Cajazeiras e, em ato público coberto pela mídia nacional, prometeu atender às todas as reivindicações dos sertanejos. Chegou o mês de março sem o menor sinal de chuva e sem as prometidas ajudas do Governo.  Mas a força da fé do sertanejo continuava firme. Em Cajazeiras, no dia 19 de março, uma segunda-feira, católicos de uma pequena comunidade realizaram a tradicional procissão de São José. Depois de uma costumeira ronda de fiscalização do policiamento da cidade e de visitas a algumas autoridades, onde a conversa era sempre sobre a situação dos agricultores, resolvi passar pelo local da procissão.

O andor do Santo saiu de uma residência humilde às dezoito horas.  Os fiéis, na maioria agricultores, todos em trajes brancos, compareceram ansiosos para receber a graça pedida em meio a tantas orações. Surpreendentemente, desde o começo da tarde daquele dia, o tempo estava nublado, abafado, muito quente e seco.

Quando o andor chegou ao meio da rua, carregado pelas mãos calejadas de homens e de mulheres do campo, ouviu-se uma série de trovões que estremeceram a cidade e provocaram a queda de energia elétrica em toda cidade.  De repente caiu a chuva mais forte que aqueles fiéis já tinham visto.

Seguiram-se relâmpagos que iluminaram as ruas. O azul e branco do andor parecia focados pelos feches de luz dos relâmpagos, que faziam surgir na escuridão o perfil da imagem do Santo. Parecia efeitos especiais em filmes de ficção científica. Os adornos do andor foram caindo pela rua e as velas conduzidas pelos fiéis se apagaram, mas o povo, ensopado, não arredou o pé.

Em meio ao cheiro característico do efeito da chuva no calçamento quente, o cotejo teve início com gritos de viva São José e cantos religiosos entoados com entusiasmo por todos.  Homens e mulheres estendiam os braços aos céus, acenando com chapéus de palha, em gestos que expressavam uma profunda gratidão. Marcada por choros de alegria e calorosos abraços entre os fiéis, a procissão foi caminhando lentamente.

De todo lado chegava gente para se incorporar ao ato. Do interior de Viatura Policial, no Fusca Preto da PM, eu assistia aquela cena de forma intermitente em razão do pouco efeito da ação do limpador que não impedia que o para-brisa ficasse embaçado, e dos filetes de lágrimas que a emoção me traziam.

Toda cidade comemorou. A partir de então, as chuvas caíram em todo sertão com a regularidade e na quantidade desejadas pelos sertanejos, e não houve mais saques, nem pedido de ajuda, nem fome e nem humilhação.  Força da fé do sertanejo foi posta em à prova... e venceu.



fonte: http://abriosa.com.br