sábado, 14 de julho de 2018

SUÇUARANA: NOSSA, QUANTA GENTE!

O texto abaixo, publicado na Gazeta por José Antônio de Albuquerque, é um enfoco das ações planejadas no setor cultural, que estão acontecendo e que irão acontecer brevimente na cidade de Cajazeiras, impulsionando o que era impossível impulsionar até a alguns meses atrás. Agora com abertura da principal casa de espetáculo - o Teatro Ica, pode-se dizer que esse conjunto orquestrado; esse momento; é o momento confortável que passa a nossa cultura. Isso ficou mais claro nos olhos dos cajazeirenses que consomem cultura, durante  a apresentação nesse fim de semana, do monólogo "Suçuarana" protagonizado pelo ator Thardelly Lima, registrado nessa gravação em vídeo que ilustra na sequência, essa postagem. 



CAJAZEIRAS RESPIRA CULTURA
 Artigo publicado no Jornal Gazeta do Alto Piranha 

José Antônio de Albuquerque 

Depois da reinauguração do Teatro Íracles Pires, os grupos de teatro da cidade começaram a se movimentar e segundo informações 12 espetáculos já estão prontos, nó só para apresentações no Ica, mas em qualquer espaço do estado.

Diversos espetáculos de outras cidades já foram encenados em Cajazeiras e já existe até alguma dificuldade em encontrar vagas para novas encenações. Isto significa que a classe artística de Cajazeiras e os empresários do setor estão vivendo um momento de muita intensidade cultural e pouco a pouco está se conseguindo resgatar a importância que Cajazeiras teve no passado na área teatral.

O movimento em torno da poesia está ganhando um espaço nunca antes existido, ao se tornar pauta obrigatória, todos os meses, na Praça Nossa Senhora de Fátima, o já famoso “Poesia no Coreto”, oportunidade em que os poetas da cidade se reúnem para apresentações para homenagear os poetas de ontem e os de hoje.

O Museu da cidade é um projeto irreversível e só já não está num patamar mais avançado devido à burocracia que se impõe quando se trata de obras e serviços no setor público.

A Escola de Música Santa Cecília já é uma realidade e tem 60 alunos, que ao lado PRIMA, com oitenta alunos se constituem em dois instrumentos importantíssimos na formação de novos músicos e a quase totalidade destes alunos é oriunda da periferia e os frutos já começaram a ser colhidos.

O FUMINC (Fundo Municipal de Cultura) está se consolidando e os recursos começaram a chegar às mãos dos animadores culturais, agora é aguardar os resultados destes investimentos, que deverão ser positivos.

O Secretário de Cultura, Ubiratã de Assis, está projetando para o próximo mês de agosto a apresentação de uma Orquestra Sanfônica, instrumento símbolo de nossas melhores tradições. Esta orquestra poderá despertar nos jovens o desejo de aprender a tocá-la. São estas e outras animações culturais que têm feito a cidade respirar e viver intensamente os valores que emanam da sua alma.

A cidade bem que poderia reviver as grandes Exposições de Pintura para mostrar o que existe de novo e com a perspectiva de descobrir novos talentos.

Por que não fazer um grande festival de quadrilhas no próximo ano? Planejando, estudando, criando grupos, incentivando e ensinando a dançar e premiando os melhores, não tenho dúvidas que o êxito será retumbante.

A maioria das cidades do Vale do Rio Peixe, bem menores que Cajazeiras, tem um grupo de danças e uma excelente banda marcial que podem servir de espelho e exemplo para que possamos ter o nosso.

Quem se lembra da famosa banda de música feminina, patrocinada por Raimundo Ferreira, que vivia se apresentando pelo Nordeste afora? São iniciativas desta natureza que divulgam uma cidade.

E o tão sonhado Festival do Cajá quando será realizado? Será que vamos continuar só com o picolé de Walmor e o Pão de Saora? Na cidade de Martins, Rio Grande do Norte, tem um festival de gastronomia de alcance nacional, tendo como base as típicas comidas regionais e ofertando valiosos prêmios. Vale copiar também? Por que não?

A cultura de nosso povo precisa ser preservada, estudada, cantada e divulgada.



fonte: Jornal Gazeta do Alto Piranhas 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

A INDÚSTRIA DA SECA

Coronal Batista




A indústria da seca era a denominação empregada pelo povo para definir o conjunto de ações desenvolvidas pelo Governo para prestar assistência à população sertaneja atingida pelos longos períodos de estiagem e que, na verdade, serviam muito mais para desvios de recursos públicos em benefícios da classe política. Aqui vamos enfocar situações que bem caracterizam essas práticas, assim como enforcar aspectos da religiosidade do povo sertanejo em face das dificuldades provocadas pela falta de chuva.

Só a força da fé do sertanejo é capaz de fazê-lo resistir as agruras dos inclementes períodos de secas que ele enfrenta. Aqui vamos relatar o testemunho de um desses momentos, ocorrido em 1983 na cidade Cajazeiras, alto sertão da Paraíba.               

No posto de Capitão exerci as funções de Comandante da Companhia de Polícia de Cajazeiras, no alto sertão da Paraíba, de janeiro de 1983 a setembro 1984.  Além da cidade sede, a Companhia era responsável pelo policiamento de mais 15 cidades, inclusive Souza, uma das maiores da região.

Naquele período passei por inesquecíveis experiências como profissional e como cidadão. Convivi de perto com as agruras da seca, com os mecanismos governamentais destinados a prestar auxílio à população e seus meandros de desvios de recursos públicos e, sobretudo, tive contato com a cultura e a fé do sertanejo. De uma maneira sintética, passo a narrar parte desses momentos como forma de registrar detalhes de importantes aspectos da nossa cultura.

Não choveu no sertão da Paraíba no dia de São José de 1983. Na crença do sertanejo estava configurado o início do quinto ano consecutivo de seca. A situação que já era de muito sofrimento para uma vasta população de pessoas que dependiam unicamente das atividades agrícolas naquela região, passou a ser ainda mais complicada.

A partir de então, milhares de humildes agricultores, desnutridos, de rostos enrugados e tostados pelo sol, mãos calejadas, maltrapilhos, olhares perdidos, portando sacos de estopa nos ombros onde pretendiam recolher donativos, acompanhados de mulheres e filhos, perambulavam por todas as cidades polarizadas por Cajazeiras e Souza em busca de ajuda para saciar a fome, em situação de desespero.

Diante dessa situação, a Polícia Militar, através do comando local, se aliou aos clubes de serviços, entidade religiosas, integrantes da imprensa e comerciantes, que faziam campanhas para arrecadar e distribuir mantimentos com esse contingente de sertanejos transformado pela seca em uma população de miseráveis. Nessas ações a parte mais difícil era a distribuição dos donativos, uma vez que por maior que fosse a quantidade de gêneros adquiridos, era sempre insuficiente para atender às multidões de famintos, o que exigia sempre a intervenção da Policia Militar.

Nesse trabalho a polícia tinha de agir com autoridade para ordenar a distribuição, e com muita sensibilidade para dividir com justiça os sempre escassos donativos, que mal dava para sustentar uma família durante uma semana. Nessas ações, que eu comandava pessoalmente, tive oportunidade de fazer contato direto com os agricultores e tomar conhecimento dos dramas de cada família. Aos poucos eu ia me envolvendo com aquela situação.

As campanhas de arrecadação de gêneros se sucediam semanalmente, mas a quantidade recolhida era cada vez menor. As possibilidades de ajuda estavam se esgotando. As prometidas medidas de ajuda do Governo passavam por intermináveis burocracias.

Começaram a se intensificar o registro de saques nas feiras livres e em depósitos de merenda escolar e depósitos de alimentos nos hospitais. Alguns grandes supermercados também foram saqueados, tendo o maior deles ocorrido na cidade de Souza. Para a Polícia isoladamente prevenir essas ações era impossível. Reprimi-las era impensável.


Passava do mês de junho quando chegou a ajuda do Governo Federal através da abertura das frentes de emergências em toda a região do sertão. Era um trabalho coordenado por Oficiais do Exército e que consistia na construção de baldes de pequenos açudes, feitos de terra batida, em locais de passagem de água em tempos de chuvas. Os únicos instrumentos empregados pelos trabalhadores eram carro de mão, enxada e pá.

Cada obra, quase sempre realizada em terras de apadrinhados políticos, com perspectivas de futuros lucros, empregava centenas de homens e mulheres, a maioria alistada pelos Prefeitos através de critérios inteiramente subjetivos, e muitos deles não trabalhavam, só integravam a folha de pagamento. Era uma rica oportunidade de formação ou fortalecimentos dos curais eleitorais. Esse era apenas um pequeno aspecto da conhecida indústria da seca.

Cada alistado ganhava meio salário mínimo por mês, mas era comum uma família ter mais de uma pessoa alistada. As coordenações das frentes de emergência não dispunham de transportes para os trabalhadores que, por isso, eram obrigados a andar a pé por cerca de duas horas para chegar aos locais de trabalho. Saiam de casa pela madrugada, conduzindo uma vasilha a tiracolo com o almoço, a base de feijão, arroz e, às vezes, ovo cozinhado, e voltavam ao pôr do sol.

Os trabalhadores sabiam que aqueles baldes que estavam construindo não resistiriam às primeiras chuvas, e por isso acreditavam que não estavam produzindo nada, o que gerava uma desmotivação generalizada.  Os deslocamentos de ida e de volta para o trabalho, feitos sempre por grandes grupos, parecia uma caminhada de condenados para o cadafalso e lembravam cenas da obra “Os miseráveis”, de Victor Hugo. Presenciei muitas dessas caminhadas, em filas indianas, nas margens das estradas, nas proximidades da área rural de Cajazeiras, nos fins de tardes.

Nesse período o Governo, de forma descontínua e desorganizada, também fazia distribuição de alimentos nas zonas rurais, o que era feito pela Polícia Militar. Muitos carregamentos de feijão e de arroz destinados a esse programa saiam da capital com destino à Companhia de Cajazeiras, mas lá não chegavam. Nunca se soube aonde essas cargas foram parar.

Uma das formas de desvios desse material era a simulação de saques nos caminhões. Chegamos a flagrar uma situação dessas, na cidade de Antenor Navarro, atualmente Rio do Peixe, e adotamos os procedimentos de polícia judiciária. Mas um aspecto da indústria da seca.

Embora as frentes de trabalho não fossem suficientes para contemplar a todos os necessitados, nesse período era muito difícil se conseguir uma empregada doméstica nas cidades da região, o que pode ser explicado pelo orgulho ou comodismo das mulheres atingidas por essa situação ou pela baixa remuneração oferecida para esse fim.

Quando era feito pagamento das frentes de emergências, os poucos e pobres cabarés existentes na região, assim como as casas de jogo de baralho e de sinuca, tinham uma movimentação bem maior, sendo comum o registro de pequenos conflitos provocados pelo excesso do uso de bebida alcoólica, o que implicava na necessidade uma maior atenção da polícia. Mas também o comércio das cidades se beneficiava muito com a circulação desses elevados recursos.

Foi se aproximando o final do ano e o quadro em nada mudava. O sertanejo não se conformava em viver de ajuda. O que ele queria mesmo era trabalhar na agricultura, em suas pequenas propriedades ou empregar a sua força produtiva no conhecido trabalho rural de aluguel. E isso só seria possível com a chegada de chuvas.

Todos os tipos de experiências adotados na cultura local para prever a chegada de chuvas eram realizados e os resultados sempre eram negativos. As esperanças de um bom inverno no próximo ano estavam se tornando em um tormento. E mais uma vez, a fé foi o único caminho que restou a essa gente sofrida. As promessas aos santos de devoção foram se intensificando. Nessas ocasiões São José é unanimidade.   Conversei com muitos fiéis que fizeram promessas. A força da fé dessas pessoas me comovia.

Em meio a muitas denúncias de desvios de recursos públicos destinados à assistência da população atingida pela seca em todo sertão, começou 1984, ainda mais seco e mais quente. O Governo, alegando questões orçamentárias, suspendeu as frentes de emergências.

Foi como se o Governo hoje suspendesse o programa de bolsa família. Voltou tudo à estaca zero. Recomeçaram os desesperos e os saques. A população ficou apreensiva. Os comerciantes temiam invasões dos seus estabelecimentos. Os políticos locais pressionaram os Governos do Estado e o da União para o retorno das frentes de emergências.  Por interferência minha, junto aos políticos locais, muitos desses contatos eram feitos do Gabinete do Comando da Companhia de Polícia.


O Ministro do Interior Mário Andreaza, em campanha para Presidente da República, ainda em eleições indiretas, esteve em Cajazeiras e, em ato público coberto pela mídia nacional, prometeu atender às todas as reivindicações dos sertanejos. Chegou o mês de março sem o menor sinal de chuva e sem as prometidas ajudas do Governo.  Mas a força da fé do sertanejo continuava firme. Em Cajazeiras, no dia 19 de março, uma segunda-feira, católicos de uma pequena comunidade realizaram a tradicional procissão de São José. Depois de uma costumeira ronda de fiscalização do policiamento da cidade e de visitas a algumas autoridades, onde a conversa era sempre sobre a situação dos agricultores, resolvi passar pelo local da procissão.

O andor do Santo saiu de uma residência humilde às dezoito horas.  Os fiéis, na maioria agricultores, todos em trajes brancos, compareceram ansiosos para receber a graça pedida em meio a tantas orações. Surpreendentemente, desde o começo da tarde daquele dia, o tempo estava nublado, abafado, muito quente e seco.

Quando o andor chegou ao meio da rua, carregado pelas mãos calejadas de homens e de mulheres do campo, ouviu-se uma série de trovões que estremeceram a cidade e provocaram a queda de energia elétrica em toda cidade.  De repente caiu a chuva mais forte que aqueles fiéis já tinham visto.

Seguiram-se relâmpagos que iluminaram as ruas. O azul e branco do andor parecia focados pelos feches de luz dos relâmpagos, que faziam surgir na escuridão o perfil da imagem do Santo. Parecia efeitos especiais em filmes de ficção científica. Os adornos do andor foram caindo pela rua e as velas conduzidas pelos fiéis se apagaram, mas o povo, ensopado, não arredou o pé.

Em meio ao cheiro característico do efeito da chuva no calçamento quente, o cotejo teve início com gritos de viva São José e cantos religiosos entoados com entusiasmo por todos.  Homens e mulheres estendiam os braços aos céus, acenando com chapéus de palha, em gestos que expressavam uma profunda gratidão. Marcada por choros de alegria e calorosos abraços entre os fiéis, a procissão foi caminhando lentamente.

De todo lado chegava gente para se incorporar ao ato. Do interior de Viatura Policial, no Fusca Preto da PM, eu assistia aquela cena de forma intermitente em razão do pouco efeito da ação do limpador que não impedia que o para-brisa ficasse embaçado, e dos filetes de lágrimas que a emoção me traziam.

Toda cidade comemorou. A partir de então, as chuvas caíram em todo sertão com a regularidade e na quantidade desejadas pelos sertanejos, e não houve mais saques, nem pedido de ajuda, nem fome e nem humilhação.  Força da fé do sertanejo foi posta em à prova... e venceu.



fonte: http://abriosa.com.br

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Com apoio da Secult, Boca de Cena traz oficina de patrimônio e teatro de bonecos a Cajazeiras





A Cia Boca de Cena, de João Pessoa, estará em Cajazeiras no próximo sábado (7) com a Caravana Patrimônio Nosso. Durante o dia, de 08h30 às 11h30 e de 13h às 15h30, será ministrado um minicurso patrimonial na sede da Secretaria de Cultura e Turismo do município, no Casarão da Epifânio Sobreira. À noite, a partir das 19h30, haverá espetáculo teatral da Cia “Tem boi no algodão”, aberto ao público, na quadra ao lado do Casarão. Os eventos têm parceria com o IPHAEP e a Prefeitura Municipal de Cajazeiras, através da Secretaria de Cultura e Turismo.

A Cia Boca de Cena é uma entidade civil de direito privado que há 21anos desenvolve na Paraíba, um trabalho de pesquisa, documentação e fomento ao teatro de bonecos popular do Nordeste. Uma manifestação cultural que recebeu pelo Iphan no ano de 2015 o título de Patrimônio Imaterial do Brasil.

Esta Cia destaca-se por seu trabalho pioneiro na proteção deste Bem, sendo referência nacional em projetos de salvaguarda no campo patrimonial. Em sua trajetória vários projetos foram desenvolvidos, levando a população apresentações de espetáculos, oficinas de educação patrimonial, oficinas de elaboração de projetos culturais, circulação e rodas de conversas com mestres bonequeiros, produção de artigos acadêmicos, exposição de bonecos populares, II Encontro de Brincantes de Babau da Paraíba etc.

Experiências que proporcionou a toda equipe inúmeras reflexões, sobretudo, em relação às dificuldades de manutenção dos patrimônios e as consequências da falta de ações nesse campo de trabalho.





“A partir desse momento tomamos à iniciativa de propor ao IPHAEP o principal Órgão ligado a preservação dos patrimônios estaduais, uma parceria para realizar a Caravana Patrimônio Nosso” explica Artur Leonardo, da Cia Boca de Cena.

Segundo ele, o objetivo é realizar junto com o IPHAEP a Caravana Patrimônio Nosso, em 13 municípios da Paraíba, trabalhando na capacitação e sensibilização de professores e gestores públicos sobre a importância e a responsabilidade de todos em manter, proteger e fomentar a continuidade dos Bens culturais do estado para as futuras gerações. Apresentando também, um Patrimônio Cultural Imaterial em atividade através do teatro de bonecos popular.

Cada cidade a ser visitada receberá um Minicurso de Educação Patrimonial sobre preservação e manutenção de Bens Culturais, uma apresentação pública de Teatro de Bonecos Popular, como demonstração prática de um Bem em atuação na comunidade, além da exposição Mestres e Brincantes de Babau da Paraíba, que mostra através de banners quem são os mestres bonequeiros da Paraíba, suas localizações, formas de aprendizagem e bonecos.

O espetáculo “Tem boi no algodão” é mais uma bela montagem inspirada na cultura nordestina. O público é convidado a apreciar o encontro harmonioso entre o babau, o forró e o coco de roda, apresentados em um espetáculo divertido que conta as aventuras do negro Benedito e seu boi ensinado, nas terras do Capitão João Redondo. Nesta história o dono da fazenda de algodão, rico, poderoso e cheio de preconceitos, acaba sendo ludibriado por seu vaqueiro, o astuto Benedito, que rouba o coração de sua filha Rosinha. O plano de fundo dessa trama conta com uma riqueza natural característica de nosso Estado, que se tornou um símbolo cultural e artístico do povo paraibano – o algodão colorido. O mestre de cerimônias do espetáculo é “O Coelho Banzé”, que com sua irreverência e carisma, conduz o público através do maravilhoso mundo do Teatro de Animação.



Divulgaçãocajazeiras.pb.gov.br

quinta-feira, 28 de junho de 2018

SOZINHO NO CINEMA VAZIO

Cleudimar Ferreira

NA SALA 03 DO CINÉPOLIS - MANGABEIRA SHOPPING

O cinema sempre foi uma das minhas paixões. Em um certo momento da minha adolescente vida, até pensei: e se eu morasse dentro de um cinema e o meu quarto fosse a cabine de projeção! A sensação de prazer que sentiria seria do tamanho de um cinema. Ainda não estou um vetusto, mas essa satisfação agradável que carrego em mim, pelo cinema, não teve fim com o passar dos anos. Tanto é que chegando aos sessenta, essa paixão está mais viva do que no passado. Para alimentar esse meu gostar, acabei adotando o Cine Bangüê como companheiro de fins de semana. Quando nos raros momentos que sou impedido de estar nessa sala de exibição, por motivos operacionais inerentes a administração do cinema, procuro refúgio em outras salas existentes na cidade. E assim, termino nas popularescas e apáticas salas dos shoppings.

Agora, estando o Cine Bangüê provisoriamente, pela segunda vez, lacrado por problema técnicos, resolvi apagar o meu cinéfilo fogo pela sétima arte em outras paragens. Aproveitando o recesso junino da escola que trabalho, me arrisquei numa aventura ruma a zona sul de João Pessoa. Fui ao Cinépolis do Mangabeira Shopping, sem prognósticos ou programação nenhuma, na expectativa de naquelas salas, estivesse em cartaz um filme que me convencesse vê-lo, ou que caísse na graça do meu gosto particular.

Ao chegar no meu destino, vi que dos cincos filmes da programação desse dia, de nenhum eu tinha lido a sinopse ou ouvido falar a seu respeito. Sem opção, foi pela intuição. Escolhi a película cômica policial “Oito Mulheres e um Segredo”, do diretor Gary Ross, mais pelo título e pelo elenco que destacava Sandra Bullock, Cate Blanchett e Anne Hathaway, entre as oito mulheres da trama. Comprei o ingresso; esperei um tempo; quando faltava dez minutos para a projeção começar, entrei no cinema na certeza que a sala estava ocupada por pessoas, que ansiosamente esperava o início do filme.

Mas como nem toda certeza pode estar em conformidade com a realidade. A verdade é que ao entrar no interior do cinema, passei naquele momento a ser o único expectador da sala. Não havia uma só pessoa no local. Eu era o único ser vivo ali naquele espaço quase escuro, em silêncio total a contemplar aquela sombria e inerte caixa de exibição.

CARTAZ COM ELENCO DO FILME "OITO MULHERES E UM SEGREDO"

Liguei o celular por um instante na tentativa de queimar o tempo, na angústia de que aparecesse alguém para me fazer companhia. Tudo em vão. Faltando pouco menos de cinco minutos para começar a projeção, eu continuava a ser o único ali, e comigo, as recordações do passado e do presente, que também começavam a passar pela minha mente, como uma fita de cinema sobre uma lente Scope. Os minutos passavam. Veio as lembranças dos grandes filmes que assisti nos cinemas em Cajazeiras e João Pessoa. Nessas recordações instantâneas, repentinas do meu cinema recluso, viajei pelo universo dos faroestes italianos aos filmes policiais, passando aí pelos de suspenses de Hitchcock, até desembarcar nas grandes produções de terror, que por um longo período, colocou em prova meus nervos, deixando-os a flor da pele quando eu ia vê-las em exibição nos cinemas da minha terra.

Não gosto de ver filmes pesados, pois sou um amedrontando de carteirinha. Mas naquela hora, na sala três do Cinépolis, o que predominou nos meus pensamentos e não queria sair, eram as lembranças de filmes como: Psicose, Premunição, O Exorcista e Sobrenatural. Os poucos do gênero terror que ousei assistir e que foram para mim, uma experiência que não quero mais viver. Em um instante, o medo abateu sobre meu corpo. Veio com o medo os arrepios, a tensão. Olhava de lado, sentia a presença de alguns personagens sentados naquelas cadeiras vazias, sobre a penumbra da sala.

O medo só aumentava e a inquietação também. Tentei relaxar, esquecer aquele momento fechando os olhos. Porém as inesquecíveis cenas de Linda Blair em "O Exorcista”, me fez abrir os olhos e foca-los sobre aquela tela vazia a minha frente. Por uns segundos, senti Linda Blair, em 3D, ali presente, com sua voz rouca, revirando os olhos, enroscando o seu pescoço, vomitando verde, vindo em minha direção. Aguçando mais ainda o meu pesadelo, não dando trégua.

Com o emocional fora de controle, percebendo, portanto, que a sala estava ficando pesada demais, resolvi sair. Quando levantei da cadeira, ouvi vozes de um casal que naquele instante adentrava na sala para me fazer companhia. Aliviado com a chegado do casal e não me sentido mais só, decidi ficar. No mesmo instante, me dirigi ao casal afirmando: até que fim vocês chegaram para me fazer companhia! Então, aquele desconhecido rapaz, que fazia par com uma mulher parda, olhou para mim e perguntou: porque? E assim eu respondi a ele: por que eu estava sozinho com os fantasmas desse cinema. Ufa! 

SALA DE EXIBIÇÃO DO CINE BANGÜÊ - FUNDAÇÃO ESPAÇO CULTURAL
ATUALMENTE FECHADA POR PROBLEMAS TÉCNICOS NO 
EQUIPAMENTO DE PROJEÇÃO






quarta-feira, 20 de junho de 2018

Com apoio da Secult, caravana da Cia Boca de Cena trará oficinas e espetáculos a Cajazeiras




O Secretário de Cultura e Turismo de Cajazeiras, Ubiratan de Assis, acertou com a Cia Boca de Cena uma parceria que trará, nos dias 6 e 7 de julho, a Caravana Patrimônio Nosso para apresentações e oficinas na cidade. “A Secretaria tem buscado apoiar as mais diversas manifestações artísticas e não será diferente com a caravana da Cia Boca de Cena”, afirmou Ubiratan, após reunião com Artur Leonardo e Barbosa e Amanda Viana, da Cia.
A Cia Boca de Cena é uma entidade civil de direito privado que há 21 anos desenvolve na Paraíba um trabalho de pesquisa, documentação e fomento ao teatro de bonecos popular do Nordeste. Em sua trajetória, vários projetos foram desenvolvidos, levando à população apresentações de espetáculos, oficinas de educação patrimonial, oficinas de elaboração de projetos culturais, circulação e rodas de conversas com mestres bonequeiros, produção de artigos acadêmicos, exposição de bonecos populares, Encontro de Brincantes de Babau, entre outros.
A Caravana é um conjunto de ações de educação patrimonial com atividades lúdico-educativas, capacitação, sensibilização sobre a importância da preservação e manutenção dos patrimônios culturais materiais e imateriais do estado. Além de Cajazeiras, a Caravana vai passar, também, por outras cidades do Sertão, como Sousa, Pombal, Princesa Isabel e São João do Rio do Peixe. A programação da Caravana em Cajazeiras será divulgada em breve.


matéria divulgada na página: cajazeiras.pb.gov.br

CULTURA JUNINA NA CÂMARA

    Fotos - Destaque:   


A Câmara Municipal de Cajazeiras, abriu suas portas para receber os focos representativos da cultura e das artes na cidade. O momento oportuno se deu, para marcar a audiência pública, que objetivava debater sobre as festividades culturais, regionais, comemorativas no mês de junho em Cajazeiras. Fotos: Cavalcante Júnior.

















quinta-feira, 14 de junho de 2018

A PRAÇA JOÃO PESSOA E SUA HISTÓRIA

Pereira Filho
Radialista cajazeirense na Rádio Nacional



“Quem for a Cajazeiras e não conhecer a Praça João Pessoa, é mesmo que ir a Roma e não conhecer o Papa”. Acredito que essa frase tem tudo a ver com a principal Praça de Cajazeiras, porque ela já foi palco de grandes manifestações em todos os sentidos. Carnaval, Desfile de 7 de setembro, Eleição Municipal, Semana Universitária, centenário do município em 1964, etc.

No carnaval, à noite, os foliões se dirigiam aos clubes Tênis Clube, 1º de maio, Jovem Clube e AABB. A Orquestra Manaíra, de Mozar de Assis, era sucesso total nos carnavais do Tênis Clube. Já à tarde, via-se um grande número de famílias e foliões na Praça João Pessoa com seus blocos de rua, escolas de samba, desfiles de jeeps, entre outras manifestações, fazendo a festa carnavalesca como um todo. Entre as escolas de samba tinha a de João de Manezin, que se destacava mais. Eu desfilei na Escola de Samba 2000, em 1971. O bloco de rua mais famoso de Cajazeiras era o de ‘seu’ Sinval do Vale, o “Mamãe Sem Nora”. Quem não se lembra da lança perfume? Já fiquei zonzim com lança perfume encharcada no lenço. Neste momento eu via a Praça João Pessoa bem pequenina.

Nos desfiles do dia 7 de setembro os grupos escolares Dom Moisés Coelho, Monsenhor Milanês e mais o Colégio Diocesano Padre Rolim, o Colégio Estadual, o Colégio Nossa Senhora de Lourdes, o Colégio Comercial e o Tiro de Guerra faziam suas apresentações sob olhares de cajazeirenses e cajazeirados, que aplaudiam a todos que representavam essas instituições educacionais. Quando eu estudava no Colégio Estadual, eu sempre fazia parte da banda marcial, porque dominava o instrumento tarol.

Nas eleições municipais, os comícios realizados na Praça João Pessoa tinham a grande presença do povão. Geralmente, o palanque era a carroceria de um caminhão, que ficava estacionado em frente a Lanchonete Merendinha. Neste palanque, os políticos, com suas promessas caso fossem eleitos, faziam com que todos ficassem atentos. Lembro-me muito dos comícios de Chico Rolim e Raimundo Ferreira, que eram adversários para a conquista de mais um pleito eleitoral. Nesta época, muitos jovens paqueravam as garotas nos comícios e muitos acabavam encontrando a menina para um namoro firme.

Na Semana Universitária, universitários cajazeirenses que estudavam em diversas cidades do Brasil (Campina Grande, João Pessoa, Fortaleza, Natal, Recife, etc) juntos com os que estudavam na FAFIC – Faculdade de Filosofia de Cajazeiras, participavam de diversas modalidades competitivas em diversos locais da cidade e a Praça João Pessoa era uma delas. A Semana Universitária era realizada sempre em junho/julho, período de férias escolares da cidade. Universitários e estudantes das entidades de ensino de Cajazeiras se faziam presentes nessas comemorações e, o melhor de tudo isso eram as festas no Tênis Clube, 1º de Maio e Jovem Clube, com apresentações de conjuntos musicais vindos de fora da cidade (exemplo, Os Fabulosos do Recife) além de Chico Bem Bem e Seu Conjunto, entre outros.


Nas comemorações do centenário do município, autoridades, políticos e pessoas de diversos segmentos da sociedade marcaram presença no palanque, usando as palavras sobre a história de Cajazeiras e sua importância para o município.

Um momento muito visitado da Praça João Pessoa, principalmente pelos turistas, e também pelos moradores de Cajazeiras, era o Por do Sol visto do baldo do Açude Grande. Subia-se as escadarias e ao término da subida já se dirigia para sentar-se no banco de cimento e apreciar o espelho d'água do açude refletindo com os raios do Por do Sol. Era um espetáculo feito pela natureza do Pai Eterno.

À noite a Praça João Pessoa era ponto de encontro, principalmente dos Penetras (alguns deles: os irmãos Neto, Marcelo, Martus, Zé Dava e Ciro Xavier; Nilmar, Marcelo, Rafael e Domício Holanda; Dedé bundão, Walter boca de véia, Paulo Antônio, Ferreirinha, Pirão, Marcílio Cartaxo, Ubiratan, Ivan Braga, João Eudes Braga, Djones, João Eudes e Nenen de seu Eudes, Juarez, João e Filgueira Moreira, e tantos outros). Tinha também outros asilados, como os irmãos Pereira – Erisvaldo, Sales, EU, Toinho, Valdin, Eduardo e Ivaldo, etc. Todos estavam na Praça para aquele bate-papo sobre diversos temas – futebol, política, mulheres, vida alheia, etc. Grupinhos eram formados ao longo da praça onde era dividida em três trechos com bancos de cimento: em frente ao Restaurante de Ionas; em frente à casa de Celestino e em frente ao Cine Éden. No encosto dos bancos tinha inscrições comerciais do tipo “Oferta do Armazém das Fábricas”, “Oferta do Armazéns Paraíba”. Ou seja, no encosto de cada banco de toda a praça, tinha sempre inscrições de propagandas do comércio cajazeirense. Um detalhe: além de sentar no assento do banco, gostávamos também de sentar na parte superior do encosto.

Aos domingos à noite, além dos grupinhos ficarem discutindo sobre o jogo que rolou na tarde de domingo no Estádio Higino Pires Ferreira, tinha o desfile das garotas que vinham da Catedral após assistirem a Missa das sete e as que tinham assistido ao filme no Cine Éden. Que beleza de desfile. Loiras, morenas, ruivas.... Enfim, elas eram o destaque na passarela da avenida. O Cine Éden sempre ficava lotado aos domingos à noite, quando tinha duas sessões: das 18h e das 20h. Minha irmã Nem e minha vizinha Eladir, filha do meu vizinho, o maestro Esmerindo Cabrinha, eram frequentadoras da sessão das 18 h do cinema. Este cinema, por funcionar na Praça João Pessoa, devido sua localização, sempre estava lotado aos sábados, domingos e feriados.

Em frente ao Cine Éden, para quem gostava de apreciar uma chupadinha de picolé, Elias do picolé de Walmôr estava lá e ainda fazia suas presepadas para agradar o cliente. Tinha também dona Francisca, que ficava ao lado da carrocinha de Elias, vendendo rolête. Tinino, um senhor magro e negro, também estava na praça com seu carrinho de pipoca, com um sorriso que conquistava todos que comprassem ou mesmo que o cumprimentasse.
Lembro-me muito bem que o Cine Éden sempre colocava uma tabuleta para anunciar o filme do dia e ficava amarrada num poste geralmente no início da Praça João Pessoa.


Proprietários de carros: Jeeps, Rural, Aero Willys, Gordine, entre outros, tinham o prazer de desfilar na Praça aos sábados, domingos e feriados à noite, para mostrar seus possantes. Nesta Praça, acredito eu, muitos casais que ali paqueravam, hoje são felizes casais de namorados eternos. As estudantes do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, do Estadual e do Comercial eram as garotas da cidade mais paqueradas na Praça.

Cito alguns nomes de moradores e lojas comerciais existentes na Avenida Presidente João Pessoa, conhecida como Praça João Pessoa, na década de 60, época em que eu morava em Cajazeiras. Como falo de memória, essas informações, é claro que alguns moradores ou comércio deixarão de ser citados. Em frente à Praça funcionava a Merendinha de Chicão. Descendo a avenida, à direita, o prédio com primeiro andar funcionava em cima o Serviço de Alto Falante Difusora Cajazeiras e, em baixo, a loja de eletrodoméstico Carvalho Dutra, de Mozart Assis; a seguir a sinuca de Zé Eliseu; depois o Bar e Restaurante Alvorada de Ionas; a seguir a Tipografia São José de seu Nezinho; a seguir, o consultório de Dr. Waldemar Pires; na sequência tinha o beco que dá acesso a Igreja Nossa Senhora de Fátima. Na esquina seguinte funcionava a Sorveteria Trianon de Chatô (Chateaubriand); logo após a casa de Chico Corrêa; a casa de seu Eudes Cartaxo; a seguir a marcenaria de seu João Cassiano; adiante, a casa de Celestino; a seguir a Radiotécnica de Zé de Totô; logo após vem a sinuca de seu Sérgio David, que era administrada por Fuampa. Na esquina seguinte, a sinuca de Dedé do chapéu; depois a sorveteria do pai de Everardo e, a seguir, o Cine Edén, de Carlos Paulino. Em cima da sinuca de Dedé funcionava o Jovem Club. Na esquina seguinte, a Concessionária Chevrolet; a seguir a casa de Pedro Moura; depois a casa de Pedro Flor; a seguir a casa de Mirtes e Marcelo Cartaxo e, finalmente, as escadarias do baldo do açude. Subindo a avenida à direita, o prédio em construção de um cinema, que está na Justiça há muitas décadas; a seguir, na sequência: a casa de Renê Moésia; a casa de Nilson Lopes; a escolinha de dona Mônica Claudino; e a bodega na esquina. Na esquina seguinte, a casa dos Barbosa; a casa de Leonel Moreira; a casa de seu Zé Gonçalves; a casa de Irapuan; a casa de Gérson das confecções; a casa de Benú Moreira; a Companhia de Eletricidade de Cajazeiras e, em cima funcionava a concentração do time de futebol Estudante. Na esquina seguinte, a casa de João, cunhado de Perpétuo; a casa de Sibito; o Sesc; a casa de Nestor Rolim; a Cooperativa de Antônio Rolim; o Bar Serra Grande; a Pernambucana, e em cima dela o DER. Lembro que em frente ao consultório de Dr. Waldemar Rolim tinha um mini quiosque, que ficava em cima da calçada e era de Nelito Preto e na lateral da Pernambucana, em cima da calçada, tinha a banca de revistas de Chico Bem Bem.

Segundo minha mãe, dona Maria Pereira (dona BIA), quando nasci morávamos de aluguel na casa de Benu Moreira, que ficava em frente ao Cine Éden. Quando eu tinha meus seis anos de idade, fomos morar em um outro endereço da Praça João Pessoa, na casa que ficava ao lado das escadarias do baldo do açude.

No relato e descrição de todas essas informações, observei que a Praça João Pessoa foi realmente um marco histórico para a cidade de Cajazeiras dentro de suas circunstâncias e acredito que uma outra praça da cidade não virá a fazer tanto sucesso como a Praça João Pessoa. Com o crescimento da cidade, várias atividades sociais foram transferidas para outros locais, a exemplo da Rua Juvêncio Carneiro com o tradicional Carnaval no ‘corredor da folia’ e a festa junina de São João na Praça Xamegão.




fonte: Página social do autor - Facebook