domingo, 19 de novembro de 2017

Fuminc divulga resultado dos projetos culturais contemplados com recursos para 2018


 
foto: cena da peça "oh terrinha boa"


A Prefeitura Municipal de Cajazeiras, través da sua Secretaria Executiva de Cultura, divulgou os nomes dos projetos com suas respectivas cifras, que foram contemplados com Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FUMINC), para 2018. O município destinou o montante de R$ 130.000,00 (cento e trinta mil reais) para (vinte e um) projetos culturais, aprovados em seleção entre (sessenta e nove) concorrentes.

Os projetos agraciados definirão o perfil das atividades culturais da cidade para o ano de 2018, em diversas manifestações e linguagens artísticas refletidas a partir de produções literárias, espetáculos de dança, música e teatro; audiovisual, cultura popular e artesanato.
Segundo a comissão organizadora do fundo, os critérios adotados para a escolha dos projetos elencados abaixo, foram os de qualidade do projeto e sua organização; coerência entre os objetivos, justificativas, metas e ações; tempo previsto para realização e orçamento; proposta de maior abrangência, contrapartida social e currículo do responsável pelo projeto.

As particularidades que se observa no resultado, mostra mais uma vez, que nas artes plásticas não foram agraciados nenhum projeto. Outro ponto a ser observado, é que os projetos com menores recursos recebidos, foram os da área de cultura popular. Um, no valor de dois mil e duzentos reais (R$ 2.200,00) destinado a atividade da xilogravura com o titulo: Xilogravura - Memória e Tradição" e outro no setor de Artesanato, com o título: "Confecção de Cartões Postais em Miniatura". Os projetos com maiores montantes de dinheiro, foram os da área de audiovisual, música e arte cênica. Todos no valor de sete mil reais (R$ 7.000,00). 

Veja os projetos contemplados no quadro abaixo:






quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Museu Tropeiros do Sertão de Cara Nova


Um espaço de entretenimento e lazer, que inspira cultura e história; que congrega os elementos simbólicos, materiais e imateriais de um povo que cultua sua arte, suas tradições e seu folclore. Falo dos habitantes de Joca Claudino e do seu Museu Tropeiros do Sertão, instalado na cidade há poucos anos. O museu está de cara nova, passou por alguns reparos. Foram colocadas portas de vidros nas salas temporárias e permanente, garantindo a segurança do acervo. Pintura e concerto na parte interna e aquisição de um expositor. Mas o trabalho de destaque da nova reforma do museu e talvez a mais importante, foi a produção de um mural que retrata as atividades dos antigos tropeiros, mostrando os mesmos conduzindo suas tropas de burros pelos sertões nordestinos e pelas terras do antigo município de Joca Claudino. O trabalho artístico - uma pintura grafitada em preto e branco, pictórica, figurativa e primitiva, foi executada pelo artista plástico Francisco de Assis e mostra muito bem como se deu a origem desse município do alto sertão, no estremo norte paraibano. Parabéns ao povo de Joca Claudino em particular a curadora do museu Jordhanna Lopes, pela a dedicação e conservação desse espaço importante para a história da cidade e para a cultura de um modo geral daquela região da Paraíba. 














segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Réquiem ao velho casarão

Mariana Moreira



Por entre suas grossas paredes ainda ecoavam gritos e risos infantis de crianças de outrora. Atrás de portas e cortinas se encantavam suspiros e sonhos de sinhazinhas ingênuas esperando garbosos cavalheiros. O piso de mosaicos coloridos revelava a posição social de seus proprietários. Na sala de estar ainda pairava no ar sons de prosas, gargalhadas, cheiros e névoas de cigarros desfiados de homens decidindo negócios e sortes de gentes e bichos. Da cozinha, murmúrios de senhoras se misturavam com temperos e lamentos femininos enquanto, de lampejo, uma preta velha cruza a soleira com quitutes e rezas.

Sempre tive fascínio por casarões antigos. Atraem-me suas rugas, dobras e histórias sutis que deslizam por reentrâncias e silêncios como brisas suaves que enrodilham leves e secas folhagens de verão. Causa-me deslumbramento a criatividade humana em adornar beirais, frontispícios. Inebria-me grossas paredes e delicados traços. Causa-me forte impressão a visão dessas construções. Invade-me sempre um sentimento de alguém me espreitando por uma fresta de janela ou por entre trabalhadas treliças de pesadas e maciças portas. Alguém a querer revelar-me segredos de camarinhas ou segredar escândalos e desgraças familiares.

E o antigo casarão se apresentava imponente no alto de uma suave colina. Pesados portões de ferro fundido adornavam sua entrada. A sensação de abandono se expressava no mato que crescia abundante e aleatoriamente por entre espaços que, outrora, abrigaram roseirais e pés ligeiros de meninos em folguedos pueris. De uma velha árvore, bentevis e galos de campina entoavam melodiosas canções de tristeza e saudades. A noite uma tênue luz vazava por entre portas entreabertas revelando a presença de seu derradeiro morador. Um homem pujante, de voz e gestos arrebatadores, que reunia multidões na perseguição de uma esperança impossível em tempos onde esperar representava perigo. Um homem que, em sua solidão de moribundo enfermo, recebia o imaginário acalanto da mãe morta há anos. Uma mãe possível apenas em sonhos, a lhe aninhar no colo e embalar o sono tumultuado pela enfermidade.

Mais tarde o velho casarão desabitado foi criminosamente incendiado. As labaredas, com seus tentáculos poderosos e avassaladores, faziam arder a madeira do teto, o antigo mobiliário, portas e janelas. Entre nuvens de densa fumaça emergiam gritos e suspiros de ontens. No rescaldo apenas tortas paredes enegrecidas pela fuligem. Em um canto qualquer de uma sala uma velha fotografia chamuscada revelava olhos buliçosos como a lacrimejar a desditosa sorte de quem, no passado, resumiu opulência.

E agora, a truculência da máquina reduz tudo ao nada. Por trás dos robustos muros de tijolos batidos apenas terra aplainada pela lâmina insensível de quem, diferente de mim, vê lucro e negócio onde vejo beleza e história.

Do antigo casarão amareladas fotos e redemoinhos de passados.
Ou, apenas distintas janelas da realidade.


Mariana Moreira é Professora Universitária e Jornalista
Contato: altopiranhas@uol.com.br

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

PROJETO PRIMA SE EXPANDE E CONQUISTA RECONHECIMENTO

O secretário João Azevedo representou o Governo da Paraíba, 
na entrega do Prêmio Inova Iesp


# Guilherme Cabral

Criado pelo governo da Paraíba em 2012, o Programa de Inclusão Social da Música e das Artes (Prima) vem, ao longo desses cinco anos, num crescente movimento de expansão e consolidação de suas atividades, mas aliado, também, ao reconhecimento em âmbitos regional e, inclusive, nacional. Exemplo mais recente que comprova estar o projeto trilhando o caminho certo é o Prêmio Inova Iesp na categoria Cultura, que o Instituto de Educação Superior da Paraíba concedeu durante solenidade realizada na noite da última segunda-feira (6), na cidade de João Pessoa. E, para que se tenha uma ideia dessa constante ampliação, o Prima - que hoje tem 15 polos - estará, no total, com 20 polos espalhados por 14 municípios, a partir do próximo mês de fevereiro, quando se iniciará o primeiro semestre letivo de 2018.

“O Prêmio Inova Iesp é extremamente importante. Foi uma grata surpresa, não porque estejamos trabalhando para isso, mas porque significa o reconhecimento de que o trabalho é bem feito e tem sido realizado, ao longo dos cinco anos de sua existência, com seriedade, com alcance social, educacional e cultural, oferecendo oportunidades para jovens e adolescentes. É uma ferramenta que reafirma o sentimento de cidadania e ainda possibilita, se o aluno assim quiser, ter uma base para vir a se tornar um músico profissional. Um exemplo disso é que alunos que passaram pelo Prima estudam no Curso de Música na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), ou em outros cursos nessas instituições”, confessou para o jornal A União o diretor-geral do Prima, Milton Dornellas.

Milton Dornellas informou ainda que, a partir do primeiro semestre letivo de 2018, o Prima vai passar a contar com mais cinco novos polos, que se somarão aos 15 existentes no estado. Dois serão instalados nos municípios de Sousa e Monteiro, por meio de convênio - cujo valor é de R$ 400 mil - já assinado com a Fundação Banco do Brasil, enquanto os outros três funcionarão nas cidades de Bananeiras, Picuí e Pedras de Fogo, por convênio também celebrado com a Funarte, cujo processo de licitação para aquisição de instrumentos musicais está em andamento. Ele não pode estimar quantos estudantes poderão se inscrever no Programa, pois isso, conforme argumentou, vai depender do interesse do próprio estudante em querer participar das atividades desenvolvidas pelo projeto. Mas comentou ser importante que as prefeituras municipais manifestem desejo de firmar parcerias para a realização do trabalho.

O Programa de Inclusão Social da Música e das Artes, criado pelo governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), durante o seu primeiro mandato, tem se caracterizado por promover o acesso à educação musical de crianças e jovens na faixa etária entre 8 e 18 anos, que residem em áreas de vulnerabilidade social. Atualmente, o Prima está atuando em nove municípios, que são os seguintes: João Pessoa, Conde, Campina Grande, Santa Rita, Guarabira, Patos, Itaporanga, Catolé do Rocha e Cajazeiras, atendendo, no total, cerca de 1.500 estudantes. Na capital, por exemplo, as atividades são realizadas nos Bairros Alto do Mateus, Penha, Tambiá e Bairro dos Novais; e, em Campina Grande, nos Bairros das Malvinas, Bodocongó e Mutirão.

“O Prêmio Inova Iesp foi concedido ao Prima, na categoria Cultura, pelo trabalho que realiza pela responsabilidade social, pois oferece oportunidade para que as vidas de jovens e adolescentes sejam transformadas por meio da música. A escolha, muito acertadamente, do Prima foi unânime pelos 11 integrantes - que são professores, alunos e funcionários da instituição - da comissão técnica que analisou o mérito dos projetos indicados”, disse para o jornal A União a diretora-geral do Instituto de Educação Superior da Paraíba, professora Érika Marques. Ela lembrou que o evento - agora na 2ª edição - ainda concede premiação a outras duas categorias: Esporte, Ciência e Tecnologia.

A propósito, além do Prêmio Inova Iesp, o Prima foi selecionado - entre 170 projetos de todo o Brasil - como modelo de inovação para a educação brasileira pelo Movimento Mapa Educação, cujo objetivo é mostrar exemplos bem-sucedidos no campo educacional. Por causa dessa escolha, integrantes do Programa de Inclusão Social da Música e das Artes viajaram para Brasília, onde o apresentaram durante a Conferência Mapa Educação realizada no dia 29 de agosto de 2015.


fonte: Jornal A União.

sábado, 4 de novembro de 2017

CAJÁ ROCK, TERÁ VERSÃO COMEMORATIVA DE 20 ANOS EM DEZEMBRO PRÓXIMO.



As bandas: Baião d'Doido, Cajazeiras/PB; Semiose, Distrito de Felizardo - Ipaumirim/CE; Anarquia Organizada, Sousa/PB; Disunidos Punk Rock, João Pessoa/PB e mais todo uma logística organizada, tendo à frente Osvaldo Moésia e colaboradores como: Neném Mofado, Fumaça Silva e Marcos Lopes, preparam o cenário para o desembarco em Cajazeiras no dia 15 do mês de dezembro próximo, da energia contagiante, anárquica punk/rock/metal/elétrica, para marcar os 20 anos do Cajá Rock. Nesse ano de 2017, na sua décima oitava versão. O evento acontecerá, em um local que parece já feito para esse tipo de evento, a Praça Multicultural do Leblon, as margens do açude grande da cidade, a partir das 20 horas, fechando praticamente o ano cultural de Cajazeiras.

Para o organizador do evento, Osvaldo Moésia, Cajazeiras já tem uma marca registrada de grandes eventos de rock, sejam eles o Cajá Rock, o Grito Rock, e os eventos de rock lá do NEC (Núcleo de Extensão Cultural). “A gente não pode deixar isso morrer e sempre tem que estar consagrando; sempre tem que estar presente nos eventos de rock, aqui de Cajazeiras e da região, para fortalecer a cena do rock no nosso sertão. ” Justificou Osvaldo Moésia. Assinam como realizadores do evento o Coletivo Cultucar e o Cajá Rock, tendo como apoiadores culturais a Casa de Cultura Independente, Bar do Fonfon, Centro Cultural Banco do Nordeste e Soluções Limpeza.




quinta-feira, 2 de novembro de 2017

HÁ 50 ANOS ATRÁS





III Festival da MPB 1967 - A Grande Final 
Cleudimar Ferreira  

O amigo Pádua, vez por outra surpreende com seus e-mails. Ele mandou um, com esse vídeo acima, que representa um dos momentos mais significativos da nossa MPB. Um espetáculo apresentado uma única vez e que ninguém, jamais, ousará apresentá-lo outra vez. Pois foi o único e sendo o único, não haverá um outro com as mesmas características ou semelhanças musicográficas afins. 
Era outubro de 67, há 50 anos atrás, Gil, Sergio Ricardo, Caetano Veloso, Mutantes, Chico Buarque, Roberto Carlos, Edu Lobo, MPB 4, Marília Medalha, Nara Leão, Elis Regina, Jair Rodrigues e muitos outros, escreviam uma das páginas mais expressiva da nossa música, numa época que embora fosse oprimida por circunstâncias políticas, fora uma época também marcada por um país aculturado e alegre, não tão triste assim como o que musicalmente vemos. Uma vitrine de um Brasil real e não de um Brasil burlesco, fictício, empobrecido de boas canções e de jovens músicos politizados. 
De uma musicalidade inteligente e de uma gente consumista de qualidades. Que não vivia a mercê do tempo e nem do rito que os ponteiros do relógio caprichosamente traçam. Vivíamos a era do Fusquinha, do Carro Manguia, da TV Preto e Branco. Vivíamos ainda o calor da Bossa Nova, do Tropicalismo e da Jovem Guarda. 
É nesse cenário pop à brasileira, no Teatro Record, que fervilhava às emoções de moços e mocinhas; de músicos e cantores; de letras e canções e de públicos e plateias. Puxando a carroça do tempo, ao vivo e não morto, estava em 1967, o frenesi da boa canção do III Festival Record da Música Popular Brasileira. 
Excitava os presentes ao delírio no auditório do Teatro Record, Ponteio, Roda Viva, Alegria Alegria, Domingo no Parque e outras. Um marco na história da nossa música, que nos faz viajar no tempo, e se possível for, por um instante parar. Parar no tempo. Ficar no tempo e não voltar por um bom tempo. Contemplar esse momento tão bonito da nossa música.
"... Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião". Amigo, não lembro que lhe disse que eu era saudosista, mas de repente me deu uma saudade daquelas!











quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O que dizem as bocas da Paraíba na internet, sobre o pão de seu Saora:

O legitimo pão artesanal de Seu Saora

Miltom Dornellas: Já havia escutado muitas estórias sobre um senhor chamado Saora, que viveu em Cajazeiras/PB e que faz parte da memória do povo daquela cidade. Seu Saora deixou esse legado para o filho que continua fazendo o pão artesanal e que realmente é extremamente saboroso. Conversei com algumas pessoas que falaram sobre o processo de fabricação, onde funcionava, das andanças de seu Saora pelas ruas e sua forma peculiar de vender seu produto, as brincadeiras que fazia com que passava por ele. Encantador. Enquanto conversava com duas senhorinhas sentadas na calçada num final de tarde, uma delas gentilmente entrou em casa e presenteou com alguns pães. O proprietário do hotel em que estava hospedado ouvindo o interesse pelo pão e tudo o que girava em torno dele, as relações sociais, econômicas, culturais e que precisavam registrar de forma cuidadosa a trajetória desse patrimônio da cidade, então não contou conversa e se comprometeu que no dia seguinte no café da manhã ele serviria o Pão de Saora. E assim o fez. No café da manhã conversamos bastante sobre as memórias da cidade a partir desse pão. Em novembro estou voltando para continuar a conversa e saber como anda minha provocação. 

Bernadete Moreira de Moura: Tenho certeza que este pão faz parte da história de Cajazeiras, o pão era vendido nas manhas, chegava até funcionar como despertador pois com sua garganta forte ele passava pelas ruas a gritar o seu produto, e aí todas grande parte das casas saia com suas cestas ou vasilhas para pegar o pão que alimentou e alimenta muita gente na cidade. Quando era a tarde por volta das 15:00 estava lá seu Saora com seu balaio na cabeça a gritar pela cidade olha a bolinha de ouro do Saora, era um pão doce e dourado por cima, ah uma delícia, memória inesquecível.

Do antigo forno instalado no fundo do quintal e que funciona  
até hoje, Seu Saora fabricava um pão gostoso e delicioso

Buda Lira: Visitei recentemente a pequena fábrica de Seu Saora. O filho dele, Beré, que jogava bola comigo no campo de futebol, o Higino Pires Ferreira, foi quem me recebeu. Gostosura de pães!!! História fabulosa da economia e da cultura de Cajazeiras!

João Deon Silva: Qual o Cajazeirense que estando distante da terrinha não sente saudades​ gostosas assim como o pão de Saora, guardo muitas outras lembranças o banho na sangria do açude grande o Estádio Higino Pires Ferreira.
Cajazeiras de Amor de Mestre Carlos. 

Nanego Lira: Este pão de Saora marcou a infância nossa na rua Higino Rolim, onde começamos as nossas histórias no teatro. Nunca na minha vida comi pão tão saboroso, o cheiro de pão se espalhava pela rua entrando nas minhas ventas. Pão francês, jacaré doce, bolinha de ouro, a bolinha de ouro! Me arrepio só de pensar. “Oh pãozão de Arrouba!" Gritava seu Saora, na Higino Rolim com um balaio de pão na cabeça. Nem todas as vezes podia comprar. E eu ficava a olhar aquele homem passar com um balaio cheio de pão fresquinho, e os meus pensamentos de menino iam longe. Maravilha de lembrança.