quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Programa "Papo Cultural" deste Sábado (28), será ao vivo no Restaurante Mansão

Papo Cultural com Raquel Rolim

O Programa “Papo Cultural” deste sábado, dia 28 de Janeiro, apresentado por Raquel Rolim, será realizado no Restaurante Mansão, a partir das 19 horas. Essa versão está turbinada de atrações com muita música, dança, entrevistas, literatura e muito papo cultural com: Coletivo Nossa Casa, Lucineide do Acordeon e Banda, Banda CR2, Clebton Duarte, Forró a 1000, Tamires Roberto - Voz e Violão, Sanfona Nordestina, Eduarda Brasil, Willame Loureço, Cia. FreeStyle, Cia de Dança Arabesco e uma entrevista com Carlos Gildemar. Como se ver, quem for ao Restaurante Mansão, terá a satisfação de está in loco, junto dessas estrelas, prestigiando nossos talentos e contribuído para promoção de nossa cultura. 

Veja abaixo as imagens das estrelas dessa noite de Sábado. 
















quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Escola Piollin mexeu com a cena cultural há 40 anos!

Silvio Osias

O ano era 1977. Eu e Everaldo Pontes fomos à casa do representante da EMI, em busca do novo LP de Gonzaguinha, quando ouvi do jovem ator que ele e Luiz Carlos Vasconcelos estavam ocupando - sim, ocupando! - uma área abandonada por trás da Igreja de São Francisco e que, ali, fundariam uma escola de teatro.
Foi assim que nasceu a Escola Piollin. Hoje, o Centro Cultural Piollin, há muito instalado ao lado da Bica, comemora seus 40 anos.
Posso dar o testemunho porque sou contemporâneo do nascimento e da consolidação do projeto: a Piollin mexeu (e também incomodou!) profundamente com a cena cultural paraibana quatro décadas atrás. E como mexeu!
Havia o trabalho formador de atores, havia o pequeno teatro, o circo, havia a circulação de público e de gente que representava as mais diversas áreas da nossa produção cultural. Não era pouco!
Vimos os irmãos Lira (Soia, Nanego) crianças, já atuando. E Marcélia Cartaxo. E Eliezer Rolim. Todos, e tantos outros, participando de um grande encontro anual de teatro feito para garotos e garotas.
Resultado de um desses encontros, o espetáculo Os Pirralhos tinha uma força e uma beleza comovedoras. Vejam a foto. A garota em cena é Soia Lira.


O palhaço criado por Luiz Carlos a dialogar com a comunidade do Roger. Everaldo Pontes iniciando uma trajetória que o conduziria dos palcos para o cinema. O cineclube exibindo Nelson Pereira dos Santos. O show do Grupo Água, do Chile, numa noite mágica e inesquecível. Tadeu Mathias, Ivan Santos e Firmino a arrebatar o público. Elba Ramalho, começando, com Ave de Prata.
Logo, a ocupação da área foi questionada. Patrimônio e Governo entraram em cena e encontraram em Luiz Carlos Vasconcelos o homem que comandou a luta pela preservação da escola de teatro. Não era uma causa fácil, porque havia uma ocupação, mas prevaleceu o entendimento de que era importante manter a Piollin.
A questão foi parar no gabinete de Eduardo Portella. O intelectual, ministro da Educação do general Figueiredo, se fez aliado.
O desfecho veio com a transferência da Piollin para um velho casarão ao lado da Bica. Cobri, como repórter, a solenidade em que o governador Tarcísio Burity assinou a cessão. Luiz Carlos estava cheio de sonhos e responsabilidades.

Na nova Piollin, surgiu Vau da Sarapalha. Nunca vi nada igual!


Com a transferência, o projeto cresceu, mas tenho sempre a impressão de que perdeu algo de sua mística.
De todo modo, o Centro Cultural Piollin está aí, comemorando a marca dos 40 anos.
A luta continua!



postagem publicada: Jornal da Paraíba, Blog do Silvio Osias

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

CAJAZEIRAS TEM FUTURO? TEM! BASTA ELA QUERER... E FAZER.

Cleudimar Ferreira

Wellington Souza quer ser arquiteto, mas gosta mesmo é de pintar 

Seu sonho é ser arquiteto. Porém, se esse sonho virar realidade, diz o jovem: "não penso deixar as artes plásticas, pois é uma atividade que gosto muito e já faço desde os sete anos quando comecei na escola." A afirmação dessas palavras não é minha e nem de outra pessoa, é do cajazeirense Wellington Souza, autor dos trabalhos que as imagens abaixo mostra.

Wellington pelo tom da sua oralidade, é um sonhador com tantos outros da sua idade, são. O rapaz demonstra apego a uma atividade que para ele transmite tudo que ele necessita, para trazer a paz interior e se firmar no meio onde vive. E é, pois a arte que busca é capaz de provocar mudanças, moldar e preparar para a vida, aqueles que a buscam.

De origem humilde, Wellington é um cajazeirense como tantos outros, que nasceu com sensibilidade e vontade de ter a arte como referência para sua razão de viver. “A pintura nasceu dentro de mim; sinto essa vontada. Quanto mais eu pinto, mais vontade tenho de pintar. É como se fosse uma coisa que me acalma. É uma inspiração. Uma coisa boa que vem e a gente não quer sair dela.” Afirmou em entrevista ao um repórter de uma TV Online local.  

Como todo esse pensamente, Wellington ainda é um principiante, entretanto, como muita força de vontade para crescer, pois a arte é um universo amplo e para seu resultado ser compreendido e aceito como arte, seu agente provocador, o artista, precisa ter muito tempo de vivência e experiência, para produzir um produto com condições de ter seu espaço no mercado exigente de arte. Bagagem que o jovem Wellington, me parece, está buscando numa cidade arredia a essa realidade; que pouco tem oferecido aos seus artistas.

E é nessa realidade; nesse contexto difuso social, que Wellington Souza paira; se contorce e se mexe para conseguir recursos que dê a ele o direito de sonhar, de produzir sua arte e de crescer como artista. Que possa elevar o nome de sua cidade a um patamar de destaque, como centro produtor de artes visuais, como já foi no passado com as ações encampadas pelo antigo Atelier Cajazeirense de Artes Plásticas e pelo o empenho isolado de alguns nomes, como: Telma Cartaxo, Modesto Maciel e Marcos Pê. 

Produzindo um ecletismo que mistura desenhos, pinturas e caricaturas, Wellington, ainda não tem uma temática definida. Desenha e pinta o que vier na mente e é categórico ao afirmar que sente vontade de materializar o que pensa, na tela em branco. Uma clara evidência de quem ainda não definiu o que quer fazer com a arte, ou está buscando um tema que possa se fixar e decolar definitivamente. Mas o processo é esse mesmo. Ele existe para o artista adquirir experiência e se firmar como grande conhecedor do trabalho que executa.

Exemplos como o de Wellington Souza, pode está anonimamente espelhados pelos quatros cantos de Cajazeiras. Uma terra fértil para o campo das artes, que pouco importância, ou quase nada, foi dado pelo poder público municipal, que com pouco recursos, poderia compensar essa carência, destinando uns desses prédios da Prefeitura que se encontram fechados, sem uso, para funcionar uma atelier de artes.

Poderia o novo Secretário Executivo de Cultura, Chagas Amaro, a partir da abnegação de Wellington, criar condições para que isso se torne realidade. Se não há receita para tal iniciativa, busca-se parceria com o comércio, com  instituições do gênero. A prefeitura nesse empreitada, asseguraria as instalações e os professores. Há bons professores ensinado antes nas escolas municipais, que poderia ser aproveitados. Caberia tão somente as parcerias, a destinação dos materiais de trabalho, como as telas, as tintas, os pinceis e os cavaletes.

Não vamos deixar que o sonho do jovem pintor Wellington Souza e de tantos anônimos que ainda não conhecemos a sua oralidade, se perca no futuro. Pois a cultura de uma cidade, depende muita da arte para que essa cultura possa ser vista. A produção artística nesse caso, é algo imprescindível para a materialização da cultura. É a última fronteira que subsidia a cultura. Deixar a arte morrer, desaparecer em uma cidade como Cajazeiras, é apagar definitivamente os resquícios de cultura que ainda temos.   








fonte: (entrevista) wellington valêncio-sertãodaparaiba.com.br

sábado, 14 de janeiro de 2017

PAPO CULTURAL COM RAQUEL ROLIM: A HORA E A VEZ DOS TALENTOS SE APRESENTAREM.

Cleudimar Ferreira

Raquel Rolim - apresentadora do "Papo Cultual"

UMA PALAVRINHA: O público de Cajazeiras tem agora como opção para saída da cansada e da saturada repetitiva programação das redes de TVs tradicionais; os vlog´s, que cresce por todo país em grande número; ou as mini TVs Online, que oferece uma programação que vai na contra-mão do que é visto nas telinhas comerciais, hoje. Com base no improviso, no jeitinho, na criatividade e muito força de votada, esses programas tem demonstrados que tem poder. Que pode fazer público e que pode muito mais; pode fazer diferente do que se tem visto nos canais de TVs que conhecemos e que nos acostumamos há anos.

Na Paraíba, esse tipo de programa já popularesco também na internet, é considerado um calor de quarenta graus, que não há frio que amenize. Um calor que é do bem, e que é bem vindo, pois possibilita o acesso na grande rede, através de canais e das redes sociais, de talentos anônimos, que antes escondidos, passam a ser reconhecidos e suas atividades - seja ela cultural ou artística; aflorada em questão de minutos nos olhos do grande público. Um achado para quem quer alcançar a fama a curto prazo.  

Cajazeiras por esse viés, tem tradição, pois é do conhecimento daqueles mais distantes, que nas décadas de 70 e 80, havia nos finais de semanas, programinhas parecidos que arrebanhava para o Cine Éden calouros e bandas que faziam a festa nas matinés de domingos. Mas agora o tempo é outro e o trem também; e o “Papo Cultural” comandado pela apresentadora Raquel Rolim, se materializa e cria corpo a cada edição. Passa a se tornar em uma alternativa para quem quer mostrar seu talento e sua arte. Aplausos, mais aplausos para Raquel Rolim e para TV PBem – geradora das imagens, pela boa iniciativa.

O Programa “Papo Cultural” pelo sentido do título, poderia ser simplesmente um programa de entrevista. Mas fugindo da regra e da mesmice que se tem visto nas grandes redes de TVs, não é! É um Talk Show apimentado com muita música e outras coisinhas mais. Um Talk Show, é claro, na versão beiradeIra-sertaneja-cajazeirense, mas realizado sob a ótica do que rege o pensamento do mundo digital. Por ele desfilam atrações musicais, que mistura apresentações de bandas de rock, de forró eletrônico, forró de pé-de-serra; quadros criativos de humor, prêmios, pegadinhas, entrevistas e interatividade. Há entretenimento melhor do que esse? Uma saladinha sertaneja, gostosa até demais, de fazer inveja as mais criativas mentes da internet. Todo esse chacrinhado sob o comando do carisma; da descontração; e da sensibilidade da apresentadora Raquel Rolim. Realizado no ambiente descortinado da Praça do Leblon e acintilado pelo espelho das águas do Açude Grande.   

Mas quem é Raquel Rolim. Ela é simplesmente uma cajazeirense que tem experimentado quase tudo no ramo da comunicação. Como atriz que é, atou no teatro sertanejo e paraibano no seguimento comédia, atividade que o levou a participar como figurante, de algumas edições dos programas “Zorra Total” e "A Grande Família" da TV Globo. Foi repórter do Programa Ênio Carlos da TV Diário de Fortaleza. Criou e produziu em 2015, o I Festival de Cinema de Cajazeiras. Como se ver, ela vai mais além, já que sua atuação em vários segmentos da comunicação, sempre com profissionalismo, ousadia e competência, o credencia para conguista com destaque, de novos ares nesse seguimento, na TV Paraibana. Quem viver, verá.




Com informações: www.pbemfoco.com.br

domingo, 1 de janeiro de 2017

O Inicio dos anos 70 e a movimentação do TAC sob a direção de Íracles Pires.

Cleudimar Ferreira

Íracles Pires - Diretora do TAC

A teatro em Cajazeiras saía dos anos 60, com a perspectiva de crescimento do Grupo de Teatro Amador de Cajazeiras - GRUTAC. O novo grupo cênico, despontava por traz das cortinas do improvisado Teatro Diocesano, já na dianteira da nova vanguarda das artes cênicas do interior do Nordeste, sob a direção de Geraldo Ludgero e Ubiratan Di Assis. Nessa expectativa, a década de 70 surgia, com a imprensa paraibana destacando o regresso do Rio de Janeiro, da diretora do Teatro de Amadores de Cajazeiras – TAC, Íracles Pires. 

Afastada por um certo período da cidade, ela voltava; e ao chegar a aldeia dos Rolins, retomou as suas atividades no TAC, passando em seguida a movimentar o principal grupo de teatro amador cajazeirense, cujas encenações na sua biografia, eram quase sempre pautadas nos clássicos gregos e na temática regional nordestino. O TAC nessa época, gozava de um certo prestigio e segundo a imprensa, era apontado pela comunidade teatral da região, como um dos mais homogêneo do sertão paraibano.

Enquanto isso, o GRUTAC construído sob o impulso das atividades estudantis e dos movimentos de resistência ao golpe militar - repressor, que marcava a sociedade civil de modo geral através da censura, se consolidava quanto grupo teatral, encenando textos políticos, educativos que despertava no público um avivado envolvimento com as questões sociais, políticas, ideológicas e culturais que passava o país nos anos 70. Íracles Pires, nesse contexto, com todo seu ecletismo - era além de teatróloga, também radialista e relações públicas da Difusora Rádio Cajazeiras; se mostrava distante desa estrutura politica, porém atenta aos fotos de sua época. Irrequieta e determinada, Íracles não media esforços quando o assunto era a promoção e a produção de arte na cidade, seja em que linguagem fosse.

Ao chegar do Rio nos primeiros anos 70, trouxe consigo ideias novos e passou a mudar o foco das encenações do TAC com texto de autores contemporâneos, embora ainda presa a mandala dos velhos clássicos gregos e a temática regional nordestina, tão bem representada nas peças escritas pelo teatrólogo paraibano Ariano Suassuna. As mudanças incrementadas no TAC por Íracles, possibilitaram a construção de textos variados como foi o caso de “Fui eu, mais não espalhe”, que aglutinou um picotado texto com trechos de autores, como Camões, Shakespeare, São Francisco de Assis, Augusto dos Anjos, Florbela Espanca, Gonçalves Dias, Vinicius de Moraes, Pompílio Diniz, Rubem Braga, Augusto Frederico Schmidt, Bach, Strauss, Jorge Ben Jor, Martinho da Vila e Roberto Carlos. Uma verdadeira salada poética-musical de autores, de causar impacto e estremecer o as bases do teatro sertanejo.

Na segundo metade de 1971, Íracles Pires, saiu do aspecto musical que caracterizou a montagem de “Fui eu, mais não espalhe” e voltou ao classicismo dos textos consagrados, e monta uma adaptação de sua autoria do texto: "A Dama do Camarote" de Castro Vianna. A peça preencheu o ego do resumido meio teatral cajazeirense, e ao levantar asas, foi pousar sem nenhum receio ou preconceito, no palco do Teatro Santa Roza, em João Pessoa, entre expectativas e curiosidades do público pessoense, que aguardava com vivo interesse, a visita do Grupo de Teatro Amador de Cajazeiras - TAC na capital. Pouco dias depois, o TAC e Íracles Blocos Pires, seguiram em direção até a cidade de Alagoa Grande. onde a convite da direção do Festival de Teatro do Brejo Paraibano, mostrou ao público daquela cidade e da região do brejo, a performance do teatro amador sertanejo.  .

"Fui eu, mais não espalhe" primeira apresentação no Cine Teatro Apolo XI. 
Elenco: Jandira, Luiz, Toinha, Jú Coelho, Valdenez, Nogueira, 
Luzinete, Lamércio, Reginaldo, Do Céu e Lidemar.



fonte: Jornal A União

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

FERREIRA LIMA, A VOZ.


O radialista José Ferreira Lima era natural de Juazeiro do Norte, no Ceará. Casado com Dona Francisca Ferreira de Lima e pai do advogado José Ferreira Lima Júnior, teve uma trajetória profissional das mais brilhantes no rádio cajazeirense. Ele começou a profissão em Juazeiro do Norte, como locutor de portas de lojas e carros de som. Em seguida, teve rápidas passagens pelas rádios Progresso e Iracema. 

Na década de 70, o então diretor artístico da Difusora Rádio Cajazeiras, José Adegildes Bastos foi a Juazeiro do Norte, e trouxe Ferreira Lima para Cajazeiras. Durante quase 15 anos, foi o principal redator e noticiarista da emissora cajazeirense comandada por Mozart Assis e José Adegildes Bastos, conquistando um grande número de admiradores e o respeito de todos. 

Em Cajazeiras, Ferreira Lima também trabalhou nas rádios Alto Piranhas e Oeste da Paraíba, nos jornais O Norte e A União, e ainda, na Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura Municipal. Por onde passou, deixou marcas de um profissional competente e de um homem sério, honesto e correto em todas as atitudes. 

Ferreira Lima morreu em novembro de 2004, aos 63 anos, na UTI do Hospital Regional de Cajazeiras, vítima de infarto. O corpo de Ferreira Lima foi velado na Central de Velórios Memorial Esperança de Cajazeiras. Em seguida, aconteceu o sepultamento no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, na presença de familiares, amigos e muitos radialistas e jornalistas de Cajazeiras.




Fonte: Jornal Gazeta do Alto Sertão, Edição nº 310 de 19 a 25 /Nov./2004.

sábado, 26 de novembro de 2016

CAJAZEIRAS TERRA DA CULTURA?

José Antonio da Albuquerque



Além do título de cidade que ensinou a Paraíba a ler, Cajazeiras é tida e havida também como terra da cultura. Que cultura? Cajazeiras continua, e não se sabe até quando, vivendo do passado, depois de criar slogans, dentre eles, até sem fundamentação, a exemplo de “terra da cultura”.

A única lógica para este slogan encontraria razão nas encenações teatrais vividas pelos áureos tempos do TAC – Teatro Amador de Cajazeiras, tendo como principal líder Hildebrando Assis e posteriormente com Ica Pires e mais recentemente com Eliezer e seu grupo, além de Ubiratan Assis, dentre outros nomes.

As manifestações históricas da nossa cultura popular se perderam na poeira do tempo. Desconheço algum trabalho de pesquisa neste sentido, até mesmo entre as dezenas de trabalho realizadas pelos concluintes do Curso de História da UFCG, Campus de Cajazeiras.

O que construímos em termos de políticas culturais, no real sentido de uma política pública e da cultura como cidadania? Nunca despertamos para a nossa diversidade cultural e nunca conseguimos entender, do ponto de visto antropológico, que cultura é tudo que o ser humano elabora e produz, simbólica e materialmente falando.

Carnaval, Xamegão, Auto de Natal, Paixão de Cristo, Festival de Poesias, Encontro de Violeiros, Vaquejadas, Desfiles Cívicos com temas culturais e históricos, que são realizados anualmente, talvez não representem a essência da cultura de nosso povo.

Um dos grandes gargalos do “despertar” para a cultura é a questão do financiamento. Quem se debruça sobre o orçamento da prefeitura de Cajazeiras, nos últimos tempos, vai se deparar com uma triste e insólita realidade: os recursos são de uma pobreza franciscana. Como sustentar o slogan de “terra da cultura” quando as cifras destinadas a este setor são miseravelmente mixurucas.

Para se fazer parte da construção de um novo tempo, de um novo rumo necessário se faz ter pessoas com qualificação técnica e política e que se cerquem de outras com ideais e ideias para sedimentar e transformar com pujança os valores culturais em suas raízes mais profundas de nosso povo e de nossa gente. Existe um enorme campo a se pesquisar e explorar.
Não tenho informações se Cajazeiras já aderiu ao Sistema Nacional de Cultura, que antes tem que aderir ao Sistema Estadual. O mais belo programa de inclusão social do governo de Ricardo Coutinho é o PRIMA, todo ele financiado pelo Ministério da Cultura e é neste ministério que existe uma infinidade de alternativas de se buscar recursos para uma simples fanfarra até um complexo museu/espaço cultural.

Um dos sonhos de Edme Tavares, idealizado a partir do bicentenário de nascimento de Padre Rolim, em 1999, foi o de construir um grandioso espaço cultural em Cajazeiras com a finalidade de abrigar o museu, o arquivo público, o arquivo histórico, a Academia Cajazeirense de Letras, o Instituto Histórico, um auditório com mil lugares, um espaço para ensaio de dança e teatro e um para exposição de artes plásticas.

E o local? Houve quem sugerisse que deveria ficar às margens do Açude Grande, após o Leblon, com as características arquitetônicas iguais ao que foi construído em Campina Grande, em homenagem a Jackson do Pandeiro, dentro do Açude Velho.

Há mais de vinte anos um doutorando, em Antropologia Cultural, da Universidade Federal de Pernambuco, passou um longo período em Cajazeiras fazendo uma pesquisa sobre as nossas bodegas, como tradição ainda hoje bem viva no nosso meio e outra oriunda dos Estados Unidos, sobre Conflito Religioso e Poder Político e mais recentemente sobre engenhos de rapadura. Poderia citar dezenas de exemplos de pesquisadores, que chegam a Cajazeiras, mas não possuímos um Arquivo Público e de longe o Histórico.

Cajazeiras, muito embora possua uma riqueza histórica imensurável e maior ainda sob aspecto cultural, suas autoridades precisam despertar para estes setores, iniciando por uma política pública importantíssima: a de colocar na Secretaria de Cultura pessoas altamente qualificadas e de grande conhecimento antropológico e sociológico de nossa cidade. Cajazeiras merece!




Texto publicado no Jornal Gazeta do Alto Piranhasedição 938ª, dia 25/11/2016