segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Os poemas de Aldo Lins

O GUIA 

Na rua 24,
Havia um menino
Que sabia onde morava
Um médico, um açougueiro,
Um engraxate, um sapateiro,
Um jornalista, um carteiro,
Um motorista, um coveiro.

Na rua 24,
Havia um menino
Que sabia onde morava
Um malabarista, um engenheiro
Um pintor, um cozinheiro,
Um soldado, um ferreiro,
Um padre, um padeiro.

Na rua 24,
Havia um menino
Que sabia onde morava
Um advogado, uma prostituta,
Um músico, um sineiro,
Um garçom, um enfermeiro,
Um professor, um biscateiro.
 

Mas ninguém sabia do menino
Que não tinha onde morar.
 

ESTATÍSTICA  

Na rua São João
João morreu atropelado.

Na rua Santa Maria
Morreu Maria assassinada.

Na rua São jorge
Jorge morreu drogado.

Na rua dos navegantes
Pedro morreu afogado.

Numa rua sem nome
Um corpo não foi identificado.

Na parada do ônibus
Uma criança espera seu anjo da guarda. 

CACHAÇATÔMICA 

Me armei com o copo e a espada
E a minha lança perfumada
Como um infante
Que perdeu a infância
E a minha infantaria.

Não reconheci o meu inimigo
Só no espelho o coração ferido
Como um cavaleiro
Que perdeu a dama
E a cavalaria.

Arremessei cem copos
De goela abaixo
E atravessei a rua
Como um artilheiro
Que perdeu o gol
E a artilharia. 

REGRESSO

Devolvam-me
Meu castelo, minha espada, meu anel
E as fotografias amarelas guardadas
Na minha cômoda de cristal

Devolvam-me O credo para atravessar fronteiras
E o espelho d'água entre as dunas
Onde eu fazia a lua para brincar

Devolvam-me
A minha tabuada mágica
E as histórias de um vento azul
Que traziam anjos às madrugadas

Devolvam-me
Meu uni-verso, suspiro poéticos e saudades
De andar a pé, olhar o céu, cantar um fado
No Pátio das Flores, no Arco das Portas do Mar. 

A JANELA 

Deste ângulo vejo os escombros
Onde antes eram castelos
E reinava a fantasia
De minha pequenez 

E a solidão e o desconforto das ruas
Violência que converte transfigura
Com suas botas de sete léguas
Ao silêncio de uma cova escura
 

Da janela, vejo uma naja
Brotando no colo das flores
Desenhos fantásticos surgidos
Nas ruínas do muro de arrimo
 

Da janela, ouço o grito do sangue dos oprimidos
Onde antes eu ouvia o canto do sabiá
E eu nem sabia como era sábia
A vida de quem chorou
Quando não o encontrou mais a cantar. 

SÚPLICA 

Ensinai
A cavalgar os mares do teu corpo
Sereia de cactos e juazeiro
De mãos de seda e de marfim
Cabelos soltos graúnas
Nos cata-ventos bálsamo de alecrim

Iluminai
Oh! Rosa linda, o meu olhar
Porque guardo na algibeira o teu retrato
A casa nua na montanha
A estiagem nos pastos da aldeia
Que nem a tristeza estridente de um faquir
Com os seus ruídos enegrecidos de agonia
Apagará em mim teu brilho


Quem é Aldo Lins:

         Aldo Lins nasceu em Cajazeiras, em 1959. Participou no final da década de 70 e início dos anos 80 de um grupo independente de teatro que tinha como principal liderança o ator e diretor cajazeirense, Tarcísio Siqueira. Nesse mesmo período, chegou a fazer parte do elenco de atores do Grupo de Teatro Mandacaru, formados por jovens amadores da “Engenheiro Carlos Pires de Sá.” Na segunda metade da década de 80, veio morar em João Pessoa para fazer um curso Universitário. Em João Pessoa, Aldo Lins publicou artigos na Revista Bazar e nos principais Jornais de nossa capital. 
        É radicado em Recife desde o final da década de 90, onde se engajou nos movimentos de poesia alternativa da cidade, publicando poemas em revistas e fanzines. Autor em parceria com o poeta José Terra, do projeto Hospício Poético - o canto mais lúcido do Recife. Que anexou uma coletânea de recitais mensais que ocorreu entre os anos de 2003 e 2004. Iniciativa bem sucedida que repercutiu na paisagem urbana da capital pernambucana. Através do IDS - Instituto de Desenvolvimento Social coordena o Recital Poético Canta Boa Vista que reúne desde o ano de 2007, uma grande quantidade de poetas e declamadores entorno da divulgação da poesia. Atualmente ministra através da FUNDARPE - Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - oficinas literárias para a Rede Estadual de Ensino. É autor do livro "Alma de Vidro", editado em 2002. Participou em 2004, da Marginal Recife: coletânea poética III, organizada por Cida Pedrosa, Miró e Valmir Jordão da Fundação de Cultura Cidade do Recife


 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cajazeiras realiza primeiro curso profissionalizante para artistas de teatro


    No último sábado, dia 10 de dezembro de 2011, a SATED/PB realizou no Núcleo de Extensão Cultural (NEC) do Centro de Formação de Professores da UFCG um evento para encerramento do 1º Curso Profissionalizante para Atores e Atrizes da cidade de Cajazeiras - PB. 
    Iniciado em junho deste ano e com duração de 05 (cinco) meses, o curso teve a participação de 15 alunos que ao final dos estudos, com o intuito de serem avaliados pelos ministrantes, montaram dois esquetes teatrais: A saga de Cornélio (baseada na obra Sganarello de Molière) e Sonho de um palhaço.  Na montagem do primeiro espetáculo participaram Raquel Rolim, David, Gerfferson, Beatriz, Laisla, Elder, Rosangela e do segundo participaram Jane, Sara, Ricardo, Kenedi, Larissa
     Ao final das apresentações os alunos receberam certificados e nos próximos dias todos terão registro profissional (DRT) junto ao Ministério do Trabalho para exercerem a profissão de ator em todo território brasileiro.
Fonte: Ascom

 

O que me inspira


..........................................................................................................  Mariana Moreira
 
Um primo situado entre meus minguados leitores diz que gosta de meus escritos, sobretudo, quando trago como mote situações e causos vividos na minha infância e adolescência, em Impueiras. Confesso que registrar um pouco esse período me dá uma imensa satisfação. Talvez esse seja meu estilo. Desculpem-me a pretensão. Falar de lembranças, momentos prazerosos vividos na infância e adolescência me inspira.

Como não se deleitar com as reminiscências das bocas de noites em que primos e compadres de meus pais nos visitavam na luz bruxuleante das lamparinas de querosene que projetavam sombras e davam materialidade aos causos de almas penadas, visagens, viagens fantásticas, parentes que arribavam nas secas e que surgiam nas cartas mal escritas que papai lia na sala de nossa casa entre murmúrios e lágrimas de saudades e sonhos de um lugar distante e diferente do sertão marcado pelos seus contrastes de secas e pujança das invernadas.

Como não ter prazer em lembrar o cheiro da terra molhada nas primeiras enxurradas e nos tampos de terra que rompiam com a força da babugem que vestia de verde os campos e roçados. A alegria de colher a água da chuva nas biqueiras da casa e usufruir mais tempo para brincadeiras uma vez que não teríamos que abastecer a casa com a água das cacimbas que, à medida que avançava o período de estiagem, ia se aprofundando em degraus vencidos com nossa força de crianças se equilibrando na lama formada pelos furos das surradas latas de querosene Jacaré transformadas em vasilhame para o transporte do líquido.

Como não ter o sabor da cana caiana descascada e degustada a sombra das frondosas mangueiras jasmin. Roletes que eram consumidos com o apetite despertado no intervalo entre as obrigações de casa e de ajuda nos afazeres domésticos e escolares e que deixavam marcados em braços e barrigas os vincos da garapa que escorria de nossas bocas inocentes. Como não reviver o gosto dos canapus, dos trapiás, dos oitis, dos jenipapos, das azeitonas, dos cajus colhidos nas aventuras de subir na árvore sem os limites do perigo. Do assar das castanhas e das brincadeiras de bitelo. Dos banhos de açudes e riachos na aprendizagem do nado com os cavaletes de tronco de bananeira. Das moagens no engenho da Coréia com o cheiro impregnado do velho motor a diesel, do sabor dos alfenins, das rapas de gamela, da prosa solta dos trabalhadores e cambiteiros, dos vôos das abelhas de arapuá na festa em torno das colunas de rapadura.

São episódios que, perdidos na poeira do tempo, ressurgem como seiva que alimenta a vida e mantém acesa a capacidade de sonhar e acreditar que, como as lembranças da infância e adolescência, hoje ainda podemos construir outros reinos, possíveis ou encantados, como encantados eram os reinados que Dona Elvira Paulo assegurava existir nas rugas do Serrote do Quati.

Mariana Moreira - é Carrazeirense da  gema do Sítio Cipó, professora, 
 radialista, jornalista... e um montão de coisas Boas!

imagem do orkut da atriz.
Bela imagem da atriz cajazeirense Marcélia Cartaxo em ação no longa Agreste de Paula Gaitán. Agreste pode ser vários lugares, tal como Marcélia Cartaxo pode ser várias mulheres, inclusive ela mesma. A atriz é colocada em situação de encontro com a natureza e com outras figuras femininas, duplos seus em alguma instância. Destes encontros surgem outras possibilidades para se operar no mundo da representação, que no filme é oriundo da mesma potência imaginária das brincadeiras de crianças em terrenos baldios.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011


 Duas telas de autoria da Professora e também Artista Plástica de Cajazeiras Luíza Moisés de Souza, falecida recentemente, sexta-feira passada, dia 09 de Dezembro de 2011.



Edilson Dias - o do meio. Foto: Cristiano Moura.

Edilson Dias, o ator.
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Quem viveu naquela Cajazeiras cultural da segunda metade da década de 70 e inicio dos anos 80, vai identificar facilmente o personagem central da imagem acima. Ele, Edilson Dias. Ator performático, mambembe e no êxtase de seu desempenho nos palcos por onde pisou; às vezes até anárquico. Defensor assumido de uma dramaturgia alternativa de vanguarda, beirando a José Celso Martinez Correia, numa época onde o teatro amador - sem muito profundamento técnico e teórico era o espelho da juventude paraibana, principalmente a do interior do Estado de onde veio Edilson

Natural de Catolé do Rocha, mas cajazeirense por afinidade, Edilson tinha o poder do convencimento, adjetivo que facilitava o seu envolvimento com o público e com seguimentos do teatro paraibano. E isso o tornava um ator popular. Liderou em sua terra natal a trupe de atores do grupo “Chão Pó Poeira”. Influenciou muita gente boa em Catolé, a exemplo daquele que viria ser mais tarde o cantor e compositor Chico César

A sua aparição em Cajazeiras, se deu quando o mesmo aterrissou nas ruas da cidade juntamente como outros atores de Catolé do Rocha para participar do primeiro curso de teatro para atores principiantes, organizado pela teatróloga Íracles Pires na Biblioteca Pública Municipal. O curso que teve como professores - o ator e diretor Fernando Teixeira; Laísa Derme, Fernando e Elvira Cavalcante, contou com a participação maciça de grupos das principais cidades do sertão. A partir daí, o seu contato com a classe teatral de Cajazeiras o fez mais cajazeirense do que catoleense ou pessoense.

Em João Pessoa, Edilson foi morar em Jaguaribe, bairro que ficou conhecido pelo grande projeto cultural denominado “Jaguaribe Carne”. Passou a conviver com figuras expressivas da cultura pessoense da época, como: Pedro Osmar, Paulo Ró, Unhandeijara Lisboa e Chico César. Bebendo e se fortalecendo do turbilhão artístico popular que era o "Jaguaribe Carne", montou em 1978 o monólogo “Quem é palhaço aqui?” de Pedro Osmar, um sucesso de público e de crítica também. 

Os jornais da época deram tanto destaque ao trabalho de Edilson em "Quem é palhaço aqui?" que o ator se popularizou, fazendo apresentações em vários lugares, até em comício de campanha política, como o que aconteceu no bairro Castelo Branco em João Pessoa, onde o Edilson ficou completamente nu em cima do palanque do PT, durante a sua apresentação. O público presente, principalmente os mais conservadores se sentido ultrajado, não entendeu a atitude do ator o fez se retirar as presas do local. Fato como esse viria a se repetir mais uma vez durante a realização de uma das versões do Festival de Artes de Natal/RN. No evento Edilson também tirou a roupa, só que para uma platéia específica de teatro. Mas a atitude de ficar nu no palco não pode ser considerada exclusividade do ator Edilson Dias; Zélia Amador, diretora de teatro em Natal/RN, durante a realização do Festival Brasileiro de Teatro Amador, no Recife em 1984, colocou no palco do Teatro Santa Isabel, uma média de 8 atores completamente pelados no elenco da peça Theatrai Theatron. A peça era uma Pantomima, onde atores e atrizes se pegavam, acariciavam e circulavam entre a platéia como se tudo aquilo fosse natural.

Em 1977, o ator Edilson Dias, passou a integrar o elenco de “Um Grupo”. Grupo de teatro criado por Luiz Carlos Vasconcelos, Roberto Cartaxo e Buda Lira, que se tormaria no futuro a raiz da hoje Escola de Teatro Piollin. Na década de 80, montou um texto de sua autoria “Viagem a São Saruê”, baseado no cordel do poeta guarabirense Manoel Camilo dos Santos. O projeto era levar a literatura popular de Manoel Camilo para todas as escolas dos municípios do Estado. Uma idéia bastante interessante, porém arrojada que quase ficou difícil de ser realizada - se não fosse a sua forte perseverança em buscar recursos. Mas por falta de apoio da maioria das prefeituras, poucos alunos ouviram e viram o ator em ação contando a historia do cordel do poeta Manoel Camilo

Ainda na década de 80, o ator dividiu o gosto pelo teatro com a atividade jornalismo tendo sido contratado pelo então jornal "O Norte" para fazer matérias do cotidiana da cidade, divulgada geralmente no segundo caderno do jornal. Uma ironia, já que o ator, por ser vinculada a área cultural, caberia muito bem, (dado a sua esperiência e habilidade com a leitura) escreve as matérias ligadas a cultura e arte. 

No final dos anos 80, Edilson foi aprovado no vestibular de comunicação da UFPB. Seu desempenho no curso de jornalismo não muito boa. O ator faltava muito às aulas; desprezava a "blocagem" ; ignorava as principais cadeiras do curriculum; discordava de tudo e todos no ambiente universitário se tornando indesejável entre a maioria dos colegas de sala de aula. Resultado se tronou no primeiro e único aluno a ser "jubilado" - uma espécie de processo punitivo com expulsão criado por aquela instituição de ensino superior para pugnar os maus alunos.

Edilson Dias foi um ator além do tempo no elenco de atores do teatro paraibano. Criou, renovou, ousou, influenciou e realizou na sua época algo novo. Por tudo que fez - se faz ainda eu não sei, deve fazer parte da história do nosso teatro.



domingo, 11 de dezembro de 2011

Teatro "Ica", 26 anos de um sonho realizado.


Teatro Íracles Pires "Ica" - Cajazeiras/PB.


Orlando Maia - Diretor
O Teatro Íracles Pires, na cidade de Cajazeiras (PB), comemora os seus 26 anos de fundação neste dia 26 de janeiro de 2012, com uma programação que vai de espetáculos, lançamento de livro, debates, mostras, feiras e oficinas de artes. 
O "Ica", ligado administrativamente à Fundação Espaço Cultural da Paraíba (FUNESC), foi uma conquista do movimento artístico nos anos de 1990, junto ao Governo do Estado, justificado pela pujança artística da “terra da cultura”, que não dispunha, até então, de um local adequado à prática cênica, e leva o nome da teatróloga Íracles Pires Ferreira, falecida em 1979. A programação dos 26 anos anos, que se estende até 29 de janeiro, foi divulgada pelo atual diretor do Ica, o ator Orlando de Queiroz Maia (Mainha).  


PROGRAMAÇÃO 
26/01/2012 - Quinta-feira.
19:00 - Solenidade de abertura, Sessão Especial da Câmara Municipal de Cajazeiras em homenagem aos 26 anos do Teatro Ica, e entrega do título de cidadão Cajazeirense ao Poeta Irismar de Lira e lançamento do Livro “Aldeia Poética” de sua autoria.  
19:30 - Feira de Artesanato e Exposição fotográfica Cenas do Teatro Cajazeirense.
21:00 - Apresentação do espetáculo de dança "LIBERTANGO". João Pessoa (vencedor da 16ª Mostra Estadual de Teatro e Dança).
Local: Teatro Ica

27/01/2012 - Sexta-feira. 
16:00 - Debate: Politicas Públicas de Cultura
Expositar: Lúcio André de F. Rodriques (Assessor da Representação Regional do Nordeste do Minsiterio da Cultura). Recife/PE 
19:30 - Feira de Artesanato e Exposição fotográfica Cenas do Teatro Cajazeirense. 
21:00 - Apresentação do Grupo de Reisado de Zé de Moura.  Poço de Zé de Moura/PB;  Apresentação do Grupo de Dança MC's (2º Melhor Espetáculo do FENERD/2011). Cajazeiras/PB.
22:00 - Musica: “Noite FORROCK” Banda Pegado e a Peleja, e sanfoneiro Chico Amaro.
Local: Teatro Ica

28/01/2012 - Sábado. 
16:00 - Debate: História do Teatro em Cajazeiras
Expositor: Ubiratan de Assis
19:30 - Feira de Artesanato e Exposição fotográfica Cenas do Teatro Cajazeirense; Apresentação do espetáculo de teatro "DOMINGO NO BAR DO COURO". João Pessoa (3º Melhor Espetáculo da 16ª Mostra Estadual de Teatro e Dança).
21:00 - Apresentação do espetáculo de teatro "A Saga de Daluz". João Pessoa/PB (vencedor da 16ª Mostra Estadual de Teatro e Dança).
Local: Teatro Ica

29/01/2012 - Domingo.
16:00 - Apresetação do espetáculo Infantil "O Palhaço do Planeta Verde". Cajazeiras/PB.
18:00 - Exibição do Filme: "O Sonho de Inacim" e bate papo com o realizador Eliézer Rolim. Cajazeiras/PB. 
19:30 - Feira de Artesanato e Exposição fotográfica Cenas do Teatro Cajazeirense. 
21:00 - Show Musical com o cantor Jocélio Amaro. 
Local: Teatro Ica





sábado, 3 de dezembro de 2011


Alcides GERARDI
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Em 1961, o cantor Alcides Gerardi, fazia muito sucesso em vendagem de disco e nos 
programas de auditórios das principais rádios do eixo Rio - São Paulo. Neste 
mesmo ano ele esteve em Cajazeiras. Aqui, duas fotos que marcou a 
presença do ídolo romântico daquela época, na cidade de Cajazeiras. 
A primeira ele canta no Clube 1º de maio e a segunda,
nos estúdios da NPR - Norte Publicidades Radiofônicas. 
Há exatamente 50 anos atrás.



Antigas Salas Alternativas de Cinema em Cajazeiras.

Cleudimar Ferreira 



Fachada do prédio hoje, onde funcionou o Cine Teatro Apolo XI

Assim como toda cidade do interior, Cajazeiras teve também o seu Cinema Paradiso que oferecia uma programação alternativa em consonância com as dos cinemas comerciais, ou seja, os cinemas de rua que existiam na cidade, cujos nomes nas placas das fachadas desses cinemas, denominava-se de Cine Pax, Cine Éden e Apolo XI. O Cine Pax, ficava na Praça do Espinho, que interligava o centro e a zona sul, área em expansão da cidade. O Cine Éden, localizava-se na Avenida João Pessoa - centro comercial de Cajazeiras. Já o Cine Teatro Apolo XI, era instalado na parte norte, onde havia a maior concentração de residências de famílias de classe média em ascensão.

Já as chamadas salas alternativas, eram instaladas de forma improvisadas, sem praticamente nenhum conforto e geralmente ficavam em áreas de confluência com centro da cidade, onde ficavam os maiores cinemas. Das salas facultativas que fez parte da cultura cinematográfica dos cajazeirenses, duas mereceram destaque.

A primeira ficava na região da Camilo de Holanda - na Rua Romualdo Rolim, em frente onde existia uma bomba de gasolina. Na sala que durante dia era uma oficina, Zé Sozinho, natural de Pajeú das Flores/PE, exibia durante as noites de final de semana seus filmes em 16 mm. O espaço era improvisado, com alguns bancos e caixas de madeiras. A cabine de projeção praticamente não havia; era apenas dois enormes caixões no meio da sala - um sobre o outro e o projetor de 16 mm em cima. Zé Sozinho passava os filmes em pé sobre uma cadeira.

A segunda ficava na Rua Dr. Coelho e denominava-se de Cine Cruzeiro. A sala de exibição era de propriedade do Sr. Eutrópio Cartaxo. Seu Eutrópio (como era chamado) fazia de tudo para oferecer o melhor da magia do cinema aos que lá iam. Subia e descia as escadas com rolos de fitas, passava os filmes, vendia os ingressos e ainda era porteiro. O espaço de projeção era muito precário, pequeno, muito quente sem ventilação e para se chegar lá, Seu Eutrópio usava uma escada de madeira.

No final da década de 60 Eutrópio estendeu o seu Cinema Paradiso até a cidade de Ipaumirim/CE. Naquela cidade ele instalou os Cines São Sebastião e Rex. Com ajuda de um pintor de parede, conhecido como “Zé Pintor” - que preparava os cartazes e colocavam os cavaletes na parede do antigo escritório do senhor que era conhecido como Ademar Barbosa. Eutrópio exibia uma programação basicamente de filmes de aventura, composta de filmes de Tarzan, Batman e Zorro.

Cajazeiras teve ainda uma terceira sala de exibição opcional nos finais de semana. Foi a do Cineclube Wladimir Carvalho, que funcionou entre os anos de 1976 e início dos anos 80, nas dependências da Biblioteca Pública Municipal Castro Pinto. O clube de cinema oferecia de graça aos cinéfilos da cidade, filmes de artes, gênero que não era exibido nas chamadas grandes salas de Cajazeiras. O cineclube expandiu sua programação, destinando suas exibições também para associações comunitárias, sindicatos e em vias públicas dos bairros mais distantes do centro. 



Fachada do Cine Teatro Éden nos anos 80

Zé Sozinho - improviso na exibição.

Seu Eutrópio - o exibidor 




sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


                   Esta foto já deve ser considerada como parte integrante do acervo da história do ensino público da cidade. Ela mostra os professores e funcionários do antigo Colégio Estadual de Cajazeiras (hoje Escola Estadual Professor Crispim Coelho), ao lado do Monsenhor Vicente Freitas, na época, recém empossado como Diretor Geral do Colégio. A imagem mostra alguns dos professores  bastante conhecidos de todos nós que tivemos a oportunidade de estudar no referido educandário. Por exemplo: no canto direito da foto (agachado), Dede - professor de música e instrutor de bandas marciais.  No lado esquerdo está, em pé, o Professor Abreu que também viria a ser na década de 80, Diretor da Escola.  No centro da mesma, você vê o  Monsenhor Vicente e logo abaixo o Professor Pessoa. Ao lado do Professor Pessoa, o irreverente Professor de OSPB e Educação Moral e Cívica, Eraldo Moesia. Depois dele, o Professor Nilson Torreão Xavier, um dos maiores Professores de Matemática que a cidade já teve. A foto revela um período em que na educação pública havia respeito ao professor, disciplina em sala de aula, zelo pelo patrimônio escolar e acima de tudo educação de qualidade e um interesse aguçado dos alunos em aprender; coadjuvado pela cobrança constante dos pais aos seus filhos que os mesmos fossem sempre os melhores da escola. 


   

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Espetáculo de música direto da argentina para Cajazeiras. 
Única apresentação, dia 01/Dez. no Teatro Ica.



sábado, 26 de novembro de 2011

Cajazeiras está no "Itinerário Musical do Nordeste"


     A poesia sonora dos cultos afro-brasileiros, além de bandas de pífanos, ciranda, coco de embolada, aboio e reisado nordestinos estão reunidas numa coletânea de dez discos que foi lançada este mês com o nome de Itinerário Musical do Nordeste. Completam o box registros de tambores de crioula, maneiro-pau, incelência, guerreiro, histórias e cantigas coletadas em sete Estado
      O projeto Itinerário Musical do Nordeste é um desdobramento de uma pesquisa realizada nos anos 1976 e 1977, pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj/PE) em parceria com o Instituto de Etnomusicologia e Folclore de Caracas, Venezuela. Na época, os pesquisadores visitaram sete estados da região, de Alagoas ao Maranhão, fazendo registros sonoros, além de fotografias. O objetivo era preservar a memória cultural desse Nordeste de raiz forte, mas também de outros países da América Latina. 
    Na passagem pela Paraíba, foram visitadas cidades como Campina Grande, Sapé, Cajazeiras e Patos, além da capital onde foram gravadas as disputas de repente entre Otacílio Batista e Oliveira de Panelas. Para este, o projeto “é muito bom em se tratando da divulgação da arte e dos valores, tem que fazer mais coisas desse tipo”.
Os sons da região ficaram guardados do acervo da fundação pernambucana até o ano de 2008, com acesso apenas para pesquisadores que soubessem da existência dos registros preservados em 208 horas de gravação em fitas de rolo.
    Segundo a diretora de documentação e acervo da Fundaj, Rita de Cássia Araújo, responsável pelo projeto, a idéia era fazer uma prestação de contas com a sociedade, além de universalizar e tornar público esse material. "Temos que devolver isso aos grupos que visitamos para que eles possam se re-apropriar e recriar a partir desse simbolismo”, disse.
     O projeto final tem alguns erros geográficos, com citação a Cajazeiras em Pernambuco, ou à cidade maranhense de Brejo de Areia como sendo localizada na Paraíba. Ainda assim, não diminui o valor do esforço da Fundaj em cumprir o seu papel como uma fundação cultural de serviço público, que precisa produzir e difundir conhecimentos, assim como preservar a memória cultural do povo, além de apenas realizar eventos.
      Artistas paraibanos também apareceram na gravação do disco oito, de Maneiro-Pau / Coco de Embolada, com Geraldo Mousinho (coco) e Cachimbinho (pandeiro), registrados em Campina Grande.
    A outra participação paraibana é no álbum de reisados, o sétimo, com uma lista de seis cajazeirenses: José Miguel dos Santos, Joaci de Souza Costa, Olímpio da Silva e José Barros - todos, cantores, além de Manuel dos Santos no violão e Antônio Oliveira que canta e toca pandeiro. O lançamento oficial do projeto foi no dia 12, em Juazeiro do Norte, durante o encerramento do evento Nordeste Múltiplos nos Cariris.
fonte: Jornal da Paraíba.
Reportagem: Jocélio Oliveira.


Entrevista de Bá Freyre a um programa de TV em Fortaleza/CE, no ano de 2009.
O cantor e compositor cajazeirense reside hoje em Tel Aviv's - Israel. Na época em que o mesmo
deu a entrevista, (2009) o artista falava de seu trabalho e da perspectiva de lançamento do
seu novo CD que estava sendo gravado no estúdio Ararena de Fortaleza.





sábado, 19 de novembro de 2011

Esquina do Edificio OK na década de sua fundação - 1938.
 Mais uma vez, S.O.S. Edifício OK.
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Construído pelo empresário José Lira Campos, em 1936,  o “Edifício OK” foi um dos primeiros “Center Comercial” instalados no sertão paraibano. Estrategicamente, está situado na esquina da rua Joaquim Costa (antiga rua da Feira Velha) com a Avenida Presidente João Pessoa. Era dotado de uma superestrutura constituída de cinema (Cine Teatro Éden), um clube social (O Excelso Club) confeitaria, moderna e atraente sorveteria, uma bem montada barbearia, salão de bilhar e até fábrica de gelo. Um marco na história do empreendedorismo cajazeirense. O prédio na época em que foi edificado chamava atenção da população, dado o seu estilo arrojado, baseado no neo - cubismo (tendência artística das primeiras décadas do século vinte, criada pelos pintores Georges Braque e Pablo Picasso). Era um ponto de convergência da sociedade, que de sua parte superior, contemplava as grandes festas carnavalescas e os gigantescos comícios das campanhas eleitorais na Praça João Pessoa. A sua construção foi sem dúvida um grande acontecimento para a vida social da cidade e por algum tempo, o orgulho da população. Mas mesmo com suas linhas e traços que marca a arquitetura moderna de hoje, não foi o bastante para convencer o empresariado local de sua viabilidade comercial e abandonado, esquecido, agoniza em direção as ruínas. É uma pena, infelizmente.



A primeira imagem, mostra o prédio na década de 80, já em 
decadência, funcionando praticamento só o cinema. 
A segunda imagem, (atual) revela o mesmo totalmente modificado e abandonado, 
servindo de depósito e oficina mecânica.
A terceira, destaca o carnaval de 1052.  Carreata passando em frente ao edifício OK



sexta-feira, 18 de novembro de 2011


Templo da 1ª Igreja Batista de Cajazeiras

CURIOSIDADES SOBRE A 1ª IGREJA BATISTA DE CAJAZEIRAS
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A Primeira Igreja Batista de Cajazeiras foi fundada em 06 de janeiro de 1948 pelo Pastor Gustavo Barbosa de Queiroz e sua esposa conhecida como Maria, a "cantora". Antes de ser implanta oficialmente, a Igreja Batista já era atuante em Cajazeiras pelo menos acerca de 10 anos na forma de congregação, com aproximadamente 42 membros. A sua implantação na cidade não foi fácil, tendo em vista a forte tradição reinante do catolicismo romano. As perseguições eram tantas que segundo informações dos seus membros mais antigos, os comerciantes eram proibidos de vender gêneros alimentícios aos protestantes - como eram chamados; e o sepultamento deles passou a ser também proibido no cemitério municipal.

O púlbito é uma peça de museu. É da 
época da fundação da igreja.

sábado, 12 de novembro de 2011

Espetáculo "As Malditas" representa o Sertão de Cajazeiras na XVI Mostra Estadual de Teatro e Dança


               
            O espetáculo "As Malditas", uma comédia de costumes e tem um contexto cheio de surpresas, no tocante ao jogo dramático, conta a história de duas irmãs, Rosa e Margarida, as personagens que criam uma interação inteligente entre o espetáculo e o público, que durante sua ação vivem o limiar da lucidez e a obsessão do sonho, conquistando risos e aplausos de um povo que ri de sua própria miséria. Com texto de Saulo Queiroz e direção de Francisco Hernandez a montagem cajazeirense promovida pela Acate, através do Ponto de Cultura Arte para Todos, estreou no dia 3 de julho do ano em curso, no teatro Ica em Cajazeiras com sucesso de público. O espetáculo representará o sertão paraibano na XVI Mostra Estadual de Teatro e Dança que acontecerá no período de 12 a 19 de novembro do ano em curso, no Centenário do Teatro Santa Roza, na capital paraibana, a apresentação do espetáculo “As Malditas” será neste domingo, 13, às 21h00.

 Do Blog de Cristiano Moura. http://coisasdecajazeiras.blogspot.com



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Bosco Maciel "O Cantador"


Para ouvir suas canções acesse o site: MYSPACE  
 as mais acessadas são: Jabuticabas, Alquimia e Chulé de Adão.
             
            Poeta, folclorista e cantador. João Bosco da Silva (Bosco Maciel) nasceu em março de 1950, na cidade de Cajazeiras. É filho de José Cardoso da Silva e Santa Maciel. Desde criança manifestou interesse pelas artes, principalmente a pintura e a música. Conhecido como Bosco Maciel, em 1970 mudou-se para São Paulo e quatro anos depois veio residir em Guarulhos. Naquela cidade paulista, criou o instituto "Casa dos Cordéis", espaço cultural cujo objetivo é valorizar todo tipo de manifestação artística e popular. No instituto são feitas apresentações de música e teatro; saraus literários e musicais; exposições de arte, danças regionais e eventos como Folia de Reis, Cavalo Marinho e Desafio de Cantadores Repentistas. Mesmo vivendo em Guarulhos, nunca esqueceu suas origens, centrando suas pesquisas nas figuras pitorescas do sertão, como os emboladores de feira, os cegos cantadores, as benzedeiras, os vaqueiros e outros personagens que compõem o folclore nordestino. Em 2005 participou do “Projeto Funcultura”, da Secretaria de Cultura de Guarulhos, sendo classificado em primeiro lugar com o livro “Romanceiro” lançado no mesmo ano. No ano 2007, entrou para a Academia Guarulhense de Letras. Em 2010 recebeu o título de Cidadão Guarulhense da Câmara Municipal de Guarulhos, como reconhecimento por serviços prestados à cidade na área de cultura popular. Bosco Maciel coordena também grupos de estudos que coletam peças e documentos que contam a história dos costumes brasileiros. 





domingo, 6 de novembro de 2011


A lenda do pôr-do-sol
Irismar di Lira

Um dia, nosso pai
Mandou ver o sol
E pôs no ocaso do que mais tarde
Seria o Açude Grande.

Tardei a entender a grandeza
De tamanho acontecimento
E a engenhosidade
De nosso pai
Em antever.

Outra vez, ordenou nosso pai
Que fizessem uma barragem
Para conter as águas,
Refreando os córregos,
Que corriam para o mar.

Antevendo o crepúsculo
O arrebol,
Deu-nos, nosso pai,
Em comum acordo com a natureza
A beleza desse pôr-do-sol



sábado, 5 de novembro de 2011

o novo e o velho

               A formação urbanística de Cajazeiras, vez por outra surpreende com imagens como essa. Aqui o novo (o Centro Administrativo e caixa d'água) com suas linhas simétricas e bem definidas se misturam harmoniosamente com o velho (da antiga Estação de Trens). Apesar de ser uma cidade cuja formação se desenvolveu dentro dos padrões da arquitetura interiorana nordestina - tão distante e diferente dos seguimentos arrojados da modernidade, presente nas edificações das grandes metrópolis; a nossa cidade deu exemplos para as gerações futuras de arquitetos, paisagistas e urbanistas que lida como este sequimento na cidade de como o novo e o velho podem ser adaptados e comungados em harmonia. É a aquele velho ditado popular: unir o útil e o agradável e formar imagens assim.