sexta-feira, 24 de junho de 2011

Cadê o Museu da Diosece?

Escreveu Francisco Sales Cartaxo
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Semana passada, cobrei da Universidade Federal de Campina Grande agilidade na disponibilização do acervo cultural deixado pelo saudoso historiador Deusdedit Leitão. Um amigo, muito ligado às coisas da terra, recordou o destino criminoso dado ao antigo Museu da Diocese. E lembrou a variedade de objetos relacionados a figuras e coisas do passado, exposta no Museu: vestuário de Mãe Aninha, do padre Rolim, espadas e punhais utilizados na Guerra do Paraguai, trazidos por cajazeirenses, selas e arreios usados em animais pelo Comandante Vital Rolim, louças finas, castiçais e muitos outros objetos usados nas igrejas e residências de nossos ancestrais.

Muitas dessas peças foram recolhidas de descendentes que as cederam para o fim nobre de comporem o Museu, onde ficariam imunes à ação devastadora do tempo e conservariam a memória da cidade, servindo de gancho para fins didáticos, tantos eram os estudantes que procuravam o Museu com a finalidade de obter informações para realizar trabalhos escolares, recomendados pelos professores.

Que fim levou o Museu? Sumiu. Escafedeu-se despedaçado em suas andanças. Isso mesmo, ele virou ambulante. Muito bem instalado no prédio da antiga Ação Católica, onde funcionou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, na Rua Padre Rolim, dali teria saído para a Biblioteca Castro Pinto, quando esteve sob os cuidados, quase maternal, de Biva Maia e de outras abnegadas conterrâneas. Mais tarde, por motivos que não pude identificar, as peças do Museu foram transferidas para a antiga Estação Ferroviária e, depois, encaixotadas, estiveram no coro da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, de onde teriam sido transportadas, já com muitos desfalques, para a Escola Técnica Federal, por interferência do então deputado Edme Tavares, ao perceber o estrago no importante patrimônio cultural do povo de Cajazeiras. Na antiga ETF, depois CEFET e agora IFPB, o tratamento dado ao “museu” beira ao descaso.

Posso estar enganado na avaliação e na trajetória percorrida pelas peças do Museu. A essência, porém, é que nessas transferências de endereço os objetos foram desaparecendo, em desvio de finalidade. E de mãos. Mãos de particulares? Não se sabe de quem. Outra hipótese, peças raras tiveram o lixo como destino. O que dá quase no mesmo. Enfim, perderam a função precípua de cultivar o passado. Praticou-se um crime contra a história. Contra nós mesmos. Uma tristeza.

Um povo sem memória não merece respeito. Por isso, volto ao acervo de Deusdedit Leitão, recordando também a destruição, nos meados do século 20, da casa onde morou padre Inácio Rolim, para em seu lugar construir o Cajazeiras Tênis Clube. Na época inventaram o falso confronto entre o “progresso” e o “atraso”! Perguntem ao ex-prefeito Francisco Matias Rolim que apoiou (e mais tarde se arrependeu) o advogado Hildebrando Assis, líder dos “progressistas” pela derrubada da histórica moradia construída pelos fundadores de Cajazeiras. Espera-se agora que o acervo cultural de Deusdedit, entregue à UFCG, não tenha o destino do Museu da Diocese. Muito menos o fim inglório dada à casa do padre Rolim.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Visita de Burity a NPR

Duas fotos do então governador Tarcisio de Miranda Burity em visita a Cajazeiras e aos estúdios da Norte Publicidades Radiofônicas, em 18 de abril de 1987. A estada do governador na NPR naquele ano (há 33 anos) teve um caráter inaugural, já que a NPR estreava seus novos equipamentos. A primeira foto; mostra uma entrevista do governador nos estúdios daquele sistema de som. Já segunda foto; o governador em companhia do Deputado Federal Antônio Mariz, faz um pronunciamento oficializando a inauguração. Um detalhe, o jornalista Josival Pereira, transmite as palavras do governador para uma das rádios local.


terça-feira, 21 de junho de 2011

O Acervo de Deusdedit Leitão

A UFCG está de posse do acervo cultural que pertenceu ao historiador Deusdedit de Vasconcelos Leitão, o cajazeirense que se dedicou com mais afinco ao estudo de nossa história. E o fez a vida toda, desde jovem, quando se enfurnava em cartórios, igrejas, arquivos públicos e privados em busca de fatos, conexões familiares, religiosas, políticas, econômicas para depois checar com informações publicadas ou obtidas de pessoas idosas. Por esse método, reconstituiu grande parte do passado de Cajazeiras e de outras cidades.

Deusdetit não se limitava a coletar dados em fontes primárias. Ele produziu esclarecedores textos que divulgou em jornais e revistas. Escreveu também vários livros, sempre baseados em investigações sérias, profundas, meticulosas, entre os quais, O Educador dos Sertões - Vida e Obra do Padre Inácio de Sousa Rolim, sem dúvida, a melhor biografia até hoje escrita acerca do fundador de Cajazeiras. O legado em forma de livro do nosso ilustre conterrâneo, porém, é apenas uma amostra do que ele recolheu em suas cuidadosas pesquisas. Existem dezenas de artigos publicados em jornais como o Correio do Sertão, O Observador, A União, ou em revistas como Letras do Sertão, Revista do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba. Essa produção literária dispersa merece ser resgatada por tratar de pontos essenciais para o conhecimento de nosso passado.

De igual importância é o acervo cultural que ele deixou: livros, revistas, jornais documentos, cartas e, sobretudo, anotações colhidas em cartórios, paróquias, jornais antigos. Ele reunia essas anotações manuscritas em cadernos, alguns deles, aliás, eu pude compulsar em 2006, quando recolhia informações para o livro Do Bico de Pena à Urna Eletrônica. Esses cadernos são relevantes pistas para pesquisadores.

Após a morte de Deusdedit Leitão, esse acervo foi doado pela família à UFCG, campus de Cajazeiras. O rico material carece de tratamento profissional especializado. Devidamente catalogado, precisa ser mantido em local apropriado à consulta da clientela acadêmica. E não acadêmica, também. Agora mesmo, cumprindo recomendação de dom José González, os padres Andrade e Raimundo Honório realizam minuciosa pesquisa a respeito do padre Rolim.

Quem sabe, o acervo de Deusdedit, hoje em mãos da UFCG, ofereça novos elementos para complementar o Relatório sobre a vida, a obra e as andanças do padre Mestre. O diretor do campus, professor Cezário Almeida, precisa disponibilizar, com urgência, o acervo herdado de Deusdedit Leitão. Isso é a contrapartida mínima que se pode esperar da Universidade pelo privilégio da posse de tão precioso patrimônio cultural.

Francisco Cartaxo - Diário do Sertão

domingo, 19 de junho de 2011

Boa Idéia





Não é o interior de uma dessas antigas casas de sítio que ainda encontramos quando andamos pelos confins desse nosso Nordeste, nem também os ambientes do Museu Regional de Cajazeiras é apenas a decoração junina da Biblioteca Pública Municipal Castro Pinto.
As fotos foram divulgadas no
blog do furão.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Fogueiras da Cultura começa por Cajazeiras.


Com objetivo de resgatar os costumes juninos do povo paraibano e valorizar as suas tradições populares, levando a praça pública shows com grupos de forró pé-de-serra, coco de roda, ciranda, tocadores de pífanos, cantadores de viola, aboiadores e emboladores; o projeto Fogueiras da Cultura chega a Cajazeiras neste sábado (18), com a expectativa de beneficiar, por onde o projeto passar, cerca de 25 mil pessoas, com apresentação de 29 artistas. A logística do projeto consta de caminhão-palco equipado com uma estrutura composta de som e luz que vai percorrer diversos municípios com apresentações de artistas e grupos da tradicional cultura paraibana. O projeto abre a sua programação em Cajazeiras na Avenida Presidente João Pessoa, às 19h, com shows de Tico do Brejo, Trio Jeito Nordestino e Chico Amaro. O intento é uma iniciativa da Secult - Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com o Banco do Nordeste, responsável pela contratação dos grupos e a Associação Balaio Nordestino, que vai auxiliar na produção do evento.