sexta-feira, 22 de julho de 2011


Eugênio Alencar, Rubismar Galvão, Dep. Jeová Campos, Sabino Guimarães,
Mariana Moreira, Dr. Abdiel de Souza Rolim e Justino.

Olhando esta foto,
algo me faz voltar ao passado.
E pra matar a saudade,
você que foi comunista
ou então subversivo
só Roda Viva de Chico.
Fechamos nossos olhos
e em um instante letárgico
Viajemos neste túnel
Vamos fazer de conta

que tudo ainda é presente
e se achar no "Rival"
"Arena" e "Tablado".
Fazer teatro amador
Vender "Tribuna Operaria"
"Luta & Prazer" e "Em Tempo"
Fazer piquete na "Usp"
Gritar por mais liberdade
Se esconder dos repressores
Viver na clandestinidade

Sonhar com um novo dia
e como disse o Políbio
"...Palavras são amputadas,
a razão de ser, inusitada."




segunda-feira, 18 de julho de 2011


Duas fotos do interior da Catedral de Nossa Senhora da Piedade
Nave central do templo e altar com uma belíssima pintura decorativa


Teatro Íracles Blocos Pires-Ica
Cajazeiras-PB


domingo, 17 de julho de 2011

Folheto conta história da Romaria de Bosco Barreto a Juazeiro do Norte

Na eleição para prefeito de Cajazeiras em 1972, onde concorreram ao cargo Antonio Quirino de Moura, João Bosco Braga Barreto e Acácio Braga Rolim; o postulante João Bosco Braga Barreto prometeu aos seus eleitores que se fosse ou não eleito, realizaria uma romaria a cidade de Juazeiro do Norte - Ceará para agradecer ao padre Cícero os votos que recebera. A romaria foi realizada e um folheto de cordel, bastante interessante, foi produzido, onde narra do início ao fim toda história do infamélico (para os não habituados em caminhada) trajeto de Cajazeiras a Juazeiro, feito pelos romeiros de Bosco. Os versos foram criados por Maria Auxiliadora Almeida e impresso, na época, pela já extinta Tipografia Rio do Peixe.

EU FOI A ROMARIA DE BOSCO
AO PADRE CÍCERO

-Pág.01
Peço a Deus poderoso
Para dar-me mais memória
Pra falar da romaria
Que a de ficar na história
Depois desta romaria
Cantar contando a vitória

Inspirai-me lira santa
Mãe de toda inspiração
Pra contar esta história
Que se passou no sertão
De Bosco com seus romeiros
Ao padre Cícero Romão

No ano de 72
Realizou-se a eleição
Na cidade de Cajazeiras
Cidade de tradição
Candidatos a prefeitos
Acácio Quirino e João

João Bosco Braga Barreto
Homem de bom coração
Entregou sua campanha
Ao padre Cícero Romão
O protetor dos romeiros
Mensageiro do sertão

Depois das apurações
Dr. Quirino ganhou
Fez a festa da vitória
Que a arena triunfou
João Bosco ao Juazeiro
No dia três viajou

-Pág.02
Mas antes de viajar
Ouviu a celebração
Na igreja de São João Bosco
Era grande a multidão
Dos irmãos e irmãzinhas
Em forma de procissão

O vigário abençoou-os
Jogou água benta e disse
Sigam em paz meus irmãos
Sem ódio magoa ou tolice
Que uma romaria desta
Não ouve ainda quem visse

Dr. João Bosco partiu
Com fé em Deus Jeová
Na estrada como quem
Ia para Jatobá
Na frente seguiu na pista
Que segue pra o Ceará

Atrás seguiram os romeiros
Sem dar passadas a toas
Uns cantando outros rezando
E alguns dizendo loas
Iam aproximadamente
Umas sete mil pessoas

Velhos com chapéus de palhas
Palito e matulão
Bengala e cabeça d’água
Outros levando um bastão
Velhos fumando cachimbos
Outros com velas na mão

-Pág.03
Jipes e camionetas
E opalas especiais
Motocicletas lambretas
Vinham buzinando atrás
Muitas bandeirolas verdes
Sinal de esperança e paz

Muita gente foi até
A saída da cidade
Voltava lá do contorno
Pois tinha necessidade
De trabalhar mais ficava
Para morrer de saudade

Dr. Bosco ia guiando
A caravana altaneira
Por cima do asfalto preto
Que até parecia cera
E não faltava presença
De seu Raimundo Ferreira

Com destino ao Juazeiro
O povo contente andava
Pelo solado dos pés
O preto asfalto esquentava
Mas se a fé era tão grande
Que ninguém se comodava

Partiram de Cajazeiras
Todos andando a pé
Faltava quinze prá onze
Chegaram em São José
Já tinha velhos pedindo
Bolacha pão e café.

-Pág.04
Lá descansaram um pouco
Pois havia precisão
Com poucos minutos logo
Chegou Geraldo Brandão
Trazendo tambores d’água
Fez a distribuição

O povo bebeu a água
Dr. Bosco disse agora
Meus irmãos e irmãzinhas
Saiamos de estrada afora
É grande a nossa viagem
Meus irmãos vamos embora

Em Cachoeira dos Índios
Era grande a animação
Veio uma camioneta
Trazendo alimentação
Uns bebendo outros comendo
Carne rapadura e pão

A uma e meia da tarde
O povo se acomodou
Rapaz sentado no chão
Muita gente se deitou
Para tirar o enfado
Das pesadas que pisou

Das duas horas em diante
João Bosco disse, eu avanço
O povo disse, eu também
Já terminei o descanso
Ai se encaminhou
Com destino ao balanço

-Pág.05
No balanço Bosco disse
Vocês me prestem atenção
Mulheres dormem na igreja
Que é lugar de oração
Nós homens vamos dormir
Reunidos no galpão

Ficou a turma dos homens
Das mulheres separadas
Dona Zéfa uma velhinha
Disse eu não estou cansada
Com tapete da igreja
Forrou a sua bengala

Às sete horas da noite
Houve a distribuição
Do jantar para os romeiros
Que iam para o romeirão
Teve velha que comeu
E botou mais no matulão

Zé Elizeu comeu tanto
Que ficou desconfiado
João Soares este sim
Junto com Cícero Conrado
Jantou tanto nesta noite
Que amanheceu empanzinado

Bosco bebeu duas fantas
Uma coca-cola e meia
Mais de um quilo de arroz
Quem comeu foi Zé Baleia
Comeu tanto que ainda
Anda aí de cara feia

-Pág.06
Lá estava uma velhota
Chamada dona Lili
Comeu muito bebeu mais
Disse “agora eu vou drumi
Tô cum pena do meu veio
Pru que num tá puraqui”

Assim passou-se a noite
Toda gente dormiu bem
De manhã cedo saiu
Para o Barro sem porém
Lá o prefeito já estava
Esperando e mais alguém

Lá no Barro seu prefeito
Estendeu a sua mão
Deu apoio ao Dr. Bosco
Com aquela multidão
Soltaram fogos de vista
Para o líder do sertão

Almoçaram muito bem
No Barro não faltou nada
Toda prazer que reinou
Nesta longa caminhada
Ficou na nossa memória
Como uma bíblia sagrada

Bosco agradeceu no Barro
Ao seu ilustre prefeito
Todo povo da cidade
Ficou muito satisfeito
Por ouvir Dr. João Bosco
Um orador sem defeito

-Pág.07
Saíram todos os romeiros
Agradecidos demais
D. Nicinha Holanda
E outras mulheres iguais
D. Maria de Lourdes
Com muitas moças atrás

Chegaram atardizinha
Por volta das cinco e meia
Na serra do Euricuri
Serra que nunca foi feia
Se acamparam na fazenda
Do senhor José Correia

Velho de barriga cheia
Provou ser bom brasileiro
Homens dormindo no alpendre
Da casa do fazendeiro
Outros já muitos enfadados
Se deitaram no terreiro

Arrumou para as mulhres
Uma casa reservada
No alto tinha outra casa
Que estava desocupada
Dormiu o resto do povo
Sem aperreio de nada

O nosso Antônio Lisboa
Fez logo a instalação
Por ser bom eletricista
Que vive da profissão
Quem vinha no pé da serra
Via no alto o clarão

-Pág.08
Chegou Arnaldo do banco
O nosso amigo Zezinho
Também Raimundo Ferreira
E Expedito Sobrinho
Com a viola e cantou
Pra toda turma um pouquinho

Foi quando chagou Danzinho
Provando que é de bem
Veio de lá de Milagres
Se oferecer também
Disse pra Bosco e seu povo
Lá agente tudo tem

Então no Euricuri
Toda noite repousaram
Dormiram muito tranqüilos
Bem cedinho viajaram
Sem sacrifício nem um
Pra Milagres caminharam

Antes de irem a Milagres
Chagaram na cabeceira
Lá não faltou cobertura
Do senhor João Pereira
A todos os amigos
Que habitam aquela ribeira

Fizeram o acampamento
De baixo de uns mangueirais
O vento soprava brando
No folha dos vegetais
E o sol ia transmontando
Nos espaços siderais

-Pág.09
Se ouvia lindas notas
Dos passarinhos cantando
Rugitava na areia
A brisa fresca soprando
O Zé Filó embalava as redes
Dos romeiros descansando

Mário de Zé Elizeu
Trouxe a alimentação
Gritava alto meu povo
Atenção muita atenção
O boião está presente
Vamos pegar o boião

Depois do almoço o povo
Outros descansos ainda fez
Agradece a João Pereira
E outros amigos mais
Fica somente a saudade
De baixo dos mangueirais

Nestas alturas o sol
Estava na viração
Os ventos surdos ainda
Beijavam o colo do chão
O sol sapecava a pele
Dos romeiros do sertão

Quando chegaram em Milagres
Seu Orlando o prefeito
Ao lado de Danzinho
Acolheu bem satisfeito
Dr. Bosco e seus romeiros
Com amor paz e respeito

-Pág.10
Bosco deu muito abrigado
A seu Orlando e Danzinho
Saiu prá o Café da Linha
Junto com o povo todinho
Chegando lá tardinha
Porque não era pertinho

Lá não fez acampamento
Por que havia um galpão
Dormiu todo o pessoal
Com Deus no seu coração
Já sonhando com trono
Do padre Cícero Romão

Dormiu em Café de Linha
A noite era meia fria
Bem cedo pra Missão Velha
Seguiu toda romaria
Chagando aquela cidade
Às oito horas do dia

O povo de Missão Velha
Deu prova que tem valor
O nobre Chico Coité
Que é dali o coletor
Saudou os caravaneiros
E Bosco o nosso doutor

Passou o povo ali
Quase todo o dia inteiro
Não faltou comidoria
Água cigarro e dinheiro
Com a presença do senhor
José Fernandes Granjeiro

-Pág.11
Às três e meia da tarde
De Missão Velha partiu
Para entrar em Barbalha
Com a mesma garantia
Bosco assim estava ficando
De fazer o que dizia

Ao chegar em Barbalha
Nada faltou pra ninguém
João Coelho Neto prefeito
Acolheu e tratou bem
Por que conhece o prestigio
Que Bosco Barreto tem

Bosco alí fez um discurso
De abalar coração
Dizendo estamos mais perto
Do padre Cícero Romão
Teve gente que chorou
Devido tanta emoção

Foi mesmo que ouvir Homero
Falando na Odisséia
O povo grego entendendo
Como era a sua idéia
E Bosco provando que é
Tribuno em qualquer planeta

Na manhã outro do dia
Entraram no Juazeiro
Prefeito Orlando Bezerra
Junto com seu povo ordeiro
Estava esperando Bosco
Com tudo que era romeiro

-Pág.12
Mais de vinte mil pessoas
Só no Juazeiro estavam
Foguetões voavam altos
No espaço pipocavam
Saudando aos paraibanos
Que no Juazeiro entrava

Às oito horas a missa
O povo todo assistia
Depois da missa João Bosco
Grande discurso fazia
Em nome do padre Cícero
Coluna da romaria

Juazeiro estava cheio
De gente por todo canto
Mulher usando mantilha
Beato com seu manto
Depois foram para o horto
pináculo do padre santo

De cima do horto o povo
Fazia a exclamação
Via todo o Juazeiro
Cidade da Oração
Beijava os pés da estátua
Do padre Cícero Romão

E ao descer do horto
Todo romeiro fiel
O bom Orlando Bezerra
Desempenhava um papel
Oferecendo um almoço
E um grande coquetel

-Pág.13
Ninguém sabe agradecer
Ao exignio prefeito
Lá do velho Juazeiro
Por tudo quanto tem feito
Em fim todos cearenses
Tanto amor tanto conceito

Assim João Bosco cumpriu
Tudo quanto fez
E se houver bom inverno
Agora em setenta e três
Bosco promete que irá
Ao Juazeiro outra vez

AGRADECIMENTO

João Bosco agradece aqui
A Deus por que foi feliz
Ao Raimundo Ferreira
Que fez tudo quanto quis
E a seu Luiz o dono
Lá do hotel São Luiz

Agradece a Zé Batista
A Zerinho e a Zé Ção
Célia e seu Luiz Paulo
Cícero Conrado e João
Soares com seus amigos
Pela consideração

Para Geraldo Brandão
E nosso amigo Nestor
José Pedro e Narciso
E Dr. Rui grande Doutor
Por tudo quanto fizeram
A bem do nosso favor

-Pág.14
Agradece a seu Mozar
Gerente da Pioneira
A Dom Zacarias Moura
Zeilton que é de primeira
E ao Dr. Otacílio Jurema
Grande a bandeira

AGRADECIMENTO

Ao Dr. Júlio Bandeira
Vai nosso muito obrigado
Seu Clodoaldo do Banco
Por nós é sempre abraçado
Dr. Jesus e Moacir
Dário que muito prezado

Acácio ex-deputado
E Romualdo Rolim
Senhor Vicente Barreto
Eu agradeço por mim
A Iônas e Edmilsom
Que são bons até o fim

A Celso da lanchonete
Que mostra muito valor
Ninguém pode se esquecer
Do velho amigo Walmor
Que mandou muito sorvete
No tempo de mais calor

Ao grande Capitão Kleber
Que comanda a companhia
Que foi com sua família
Ver quando a turma saía
Recebe agradecimento
De Bosco e da romaria

-Pág.15
A Dedé da Cruz Vermelha
Ao amigo Zé Diniz
Dr. Aldo da farmácia
E Lonzinho que agente diz
E Henrique um dos melhores
Que temos neste país

Seu Vicente do mercado
Agradeço sem talvez
E Zé Duite Gonçalves
Por tudo quanto ele fez
Vamos ficar esperando
Outra campanha outra vez

Dei os agradecimentos
A todos os cavalheiros
Senhoras e senhoritas
Velhos e rapazes solteiros
Da classe dos motoristas
Engraxates e barbeiros

Poetas e violeiros
Jornalistas e locutores
Imprensa escrita e falada
Fazendeiros e criadores
Das lavadeiras de roupa
A todos os agricultores

Agradeço a Hildebrando
Lá da panificação
Ao Dr. Inácio Leite
Zé Regino nosso irmão
Ao velho amigo Germino
Que é bom de coração

-Pág.16
Tenente Pedro Moreira
Nosso grande delegado
A Francisco Diassis
Afonso Lira obrigado
A Zé Bezerra do alto
Belo Horizonte adequado

Maria Auxiliadora
Poetiza especial
Que fez todo apanhado
Na romaria normal
Me ajudou poetizar
Com este material

Aos que são eleitores
Vão considerações minhas
Estes velhinhos casados
E também estas velhinhas
Para todos os meus irmãos
E as minhas irmãzinhas

Agradeci todo mundo
Que acompanhou a gente
E quem não acompanhou
A nossa forte corrente
Pode acompanhar na outra
Campanha futuramente

Aqui eu fecho o folheto
Formando a página final
Se eu não agradeci
A todo bom pessoal
João Bosco do coração
Agradeço de antemão
A todo povo em geral




domingo, 3 de julho de 2011


Pintura de um medalhão com o brasão de instalação da Diocese de Cajazeiras, executada no
interior da Catedral de Nossa Senhora da Piedade, já mostra os anos (1914 - 2014)
que subtraídos anuncia o "centenário" de sua fundação.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Tênis Clube e Chico Rolim


Escreveu Francisco Cartaxo

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Francisco Matias Rolim foi figura importante em Cajazeiras. Nascido em Olho d’Água do Melão, ali perto da divisa do Ceará com a Paraíba, Chico Rolim afirmou-se, rapidamente, no comércio de tecidos, na sociedade e na política. Vereador, presidente da câmara municipal e prefeito duas vezes, eleito em 1963 e 1976, foi beneficiado por duas prorrogações de mandatos, no tempo da ditadura, governando o município por 11 anos.

Antes do sucesso na política, Chico Rolim já era festejado no meio social, graças a seu jeito de lidar com as pessoas, sua animação nos badalados clubes daquela época: o 8 de Maio e o Primeiro de Maio. Por isso, teve participação ativa na criação do Cajazeiras Tênis Clube, o ponto da elite cajazeirense daquele tempo. Aliás, pretensiosa elite, a começar pelo nome dado ao clube, sem que houvesse sequer raquete de tênis, muito menos quadra para a prática do esporte... Até aí, tudo bem. Pior foi o Tênis Clube nascer violando a história. Mais tarde, muito depois, Chico confessou seu erro, como está registrado na página 97 do livro “Miolo do Sertão - A história de Chico Rolim contada a Sebastião Moreira Duarte”:

“Pois bem, devo ter sido a segunda pessoa mais influente em Cajazeiras, no propósito de botar abaixo a casa de Mãe Aninha, para ali se construir o Cajazeiras Tênis Clube. O meu amigo dr. Hildebrando Assis, presidente do 8 de Maio, tratou, antes de tudo, de convencer seu vice-presidente de que deveríamos mudar não só o nome de nossa associação, mas também o local, e em toda a cidade nenhum espaço seria mais privilegiado para o clube mais requintado de Cajazeiras do que aquela área entre os dois baldes do açude.”

E assim fizeram. Prevaleceu a vontade dos defensores do “progresso” contra os que se apegavam à “tradição”, como se propagou então, inventando-se a falsa polêmica do “avanço” versus o “atraso”. A casa era marco da fazenda Cajazeiras, pertencente aos fundadores da cidade. Para destruí-la, havia outra razão, guardada a sete chaves. Parte da elite “progressista” envergonhava-se da antiga morada do padre Inácio de Sousa Rolim. Por quê? Porque a casa era de taipa. Portanto, indigna para servir ao grande educador do sertão, o padre-mestre, o santo. A casinha depunha contra a grandeza do padre Rolim, diziam. Não invento. Apenas recordo. Menino, quase rapaz ouvi semelhante asneira, dita no alpendre do casarão onde nasci. E lembro quem usava esse argumento, sob o olhar triste de meu pai, Cristiano Cartaxo, inconformado com a derrubada da centenária casa de Mãe Aninha. Onde, aliás, um século depois, residiu o avô de Chico Rolim. Chico está aí, lúcido, para confirmar.

Valeu a pena? Com menos de 50 anos de inaugurado, o Tênis Clube já se tornara um trambolho. Por um triz não virou sucata imobiliária, até que, graças ao denodo de Rubismar Galvão e outros abnegados, resolveram salvá-lo em nome da tradição. Que ironia! Tradição desdenhada nos anos de 1950, quando se pôs abaixo um patrimônio histórico de Cajazeiras. Tão importante quanto o acervo imaterial legado por Deusdetit Leitão à UFCG. Acervo que precisa sair das caixas onde se encontra. Do contrário terá o mesmo destino do Museu da Diocese.

Antiga casa (demolida para dá lugar ao Tênis Clube) onde viveu
os pais do fundador de Cajazeiras.



    

     

Quatro fotografias da antiga Cajazeiras.

1. Rua Barão do Rio Branco - popularmente conhecida como Rua dos Ricos
2. Início da Rua Coronel Epifânio Sobreira
3. Coreto da Praça Nossa Senhora de Fátima - batizada nos anos 80 de Praça da Cultura
4. Ladeira do Cemitério Coração de Maria - Hoje Av. Padre José Tomaz


João de Manezim, o brincante.





João de Manezim é um personagem que fazia de tudo para aparecer e convencer qualquer público que (em épocas passadas) estivesse em sua volta. Um sujeito inteligente, disposto a fazer de sua inteligência um jeito fácil de viver e um (seu) meio de vida com simplicidade e honestidade. De carnavalesco a folclorista passando pela política e as atividades esportistas, ele fez de tudo um pouco. Foi dono de time futebol - o São Cristóvão, criou charangas, troças, Escolas de Samba e o irreverente bloco "O jaraguá"- queixada de um jumento pintada, com um corpo em forma de boneco que puxava um grupo de foliões esfarrapados nos carnavais pelas ruas de Cajazeiras nos anos 70 e 80. Andou nas cidades circunvizinhas fazendo apresentações e presepadas circenses. Fundou na época das discotecas um clube social no bairro de Capoeiras e para mostrar suas habilidades costumava fazer exibições em praça pública se equilibrando em uma bicicleta.

As fotografias acima mostram umas dessas apresentações. Nas duas imagens em ângulos diferenciados, João expõe seu talento com a bicicleta na Praça Camilo de Holanda, com direito a banquinho e bacia para recolher o dinheiro doado por voluntários. O nosso desenrolado personagem fez uma dessas apresentações para marcar o alargamento da Avenida Padre José Tomaz - trecho da Praça Coração de Jesus a 1ª Igreja Batista. Nessa aparição, ele passou mais de 12 horas, sem parar, pedalando, alegrando os curiosos e circulando no pedaço de rua alargado.

Por tudo que tem feito pela cultura popular de Cajazeiras, o nosso maior "brincante" bem que podia ter em vida (porque não?) uma estátua em praça pública. Uma justa homenagem as suas peripécias folclóricas que alegraram e animaram durante anos gerações de cajazeirenses e cajazeirados.