domingo, 28 de agosto de 2011


Praça Coração de Jesus-Praça dos carros  
O que mudou?

Na busca de um passado
revirei os teus armários
e num sonho infinito
te vi no tempo a galopar.

Em meio a nuvens, neblinas...
olhei pra ti cidadela
modéstia, mudaste de luz
parece não ser mais a mesma

Os dias de (trás) passaram
a vida segue frenética
nas lembranças sucumbidas
tuas calçadas mofaram.

Quisera as gerações
inversamente opostas
na linha imaginária do tempo
povoasse os teus becos
reverenciasse suas fachadas.

Sobre risos, as poesias
falassem de sua história
cuidasse mais (sempre) de ti
amasse os seus poetas

por que a vida passa...
tudo passa,
tudo passa,
e atrás... segue o tempo
pois de nada
é para sempre.

sábado, 27 de agosto de 2011

Cajazeira plantada pelo Padre Inácio.

Para a família Rolim e habitantes do Sítio Serrote dos Cavalos, essa antiga cajazeiras (aparentemente mal cuidada e maltratada pela a ação do tempo), foi plantado no lugar pelo Padre Inácio de Sousa Rolim. Será verdade mesmo? Se for, merece ser cercada, adubada e bem regada, para que dure muitos anos. Afinal seria o único ser ainda vivo (entre nós) da época do Padre Rolim.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Para ti, Cajazeiras.

Escreveu Mariana Moreira

A festa celebra o nascimento de seu mais ilustre filho e ícone de fundação da cidade. Comemorações, atos administrativos, inaugurações, festas de reencontro, paradas militares e escolares. Tudo para reverenciar o Padre Rolim e o percurso histórico que a povoação iniciada pelo Comandante Vital Rolim e Ana Albuquerque seguiu nesses últimos séculos. De pequeno vilarejo dedicado a pecuária bovina e sob as sombras de um rústico colégio hoje Cajazeiras se destaca no interior da Paraíba como importante pólo urbano dedicado, sobretudo a prestação de serviços, destacando-se a educação. Inúmeras instituições de ensino, públicas e privadas, atraem para a cidade estudantes de diversos estados nordestinos e incrementam outras atividades econômicas, como o comércio, a construção civil.

Mas, que presente merece esta cidade. Por suas ruas e becos estreitos onde esgotos e terra batida são as marcas mais visíveis de urbanidade gentes de todas as idades se dissipam entre a fumaça dos cachimbos de crack. Por suas periferias e ruas centrais assume proporção de descontrole o tráfico e consumo de drogas. Meninas no desabrochar da adolescência se prostituem no embalo de xamegões e carnavais patrocinados como marca indelével da cidade e de sua capacidade de atrair a atenção turística. Por suas noites e madrugadas crianças perambulam entre trailers e quiosques no sobejo de um resto de sanduíche ou de uma carteira desavisada.

Nas ruas centrais da cidade, em dias de sábado, um resto de feira livre teima em manter aceso um passado que, a cada dia, se transfigura na modernidade dos grandes mercados, magazines e boutiques. Nos batentes de alguns armazéns e mercadinhos alguns chapeados pontilham a paisagem com personagens de um tempo ido. Em postes de iluminação lâmpadas e fios partilham território com caixas de som de resistentes serviços que resistem as novidades das FMs e dos modernos aparelhos de som com seus discos a laser. Em algumas esquinas da cidade ainda aparecem, em raras ocasiões, barracas de quebra-queixo. Nas primeiras horas da manhã ainda é possível ecoar o brado do vendedor de pão anunciando aos quatro ventos: pão de Saora.

Aos sábados, ao lado do Cemitério Coração de Maria ainda existe um arremedo de feira de animais onde os derradeiros cavalos, burros e muares tentam resistir ao avanço das motocicletas. Em outros pontos da cidade louceiras insistem em vender panelas de barro e outros apetrechos reciclados e atualizados pela dinâmica da vida. No final da Praça João Pessoa o fim da tarde ainda se espraia nas águas douradas de teu açude grande abastecido por esgotos, maus tratos, construções irregulares e a pretensão do Leblon.

Para esta cidade, em dia de festa, o presente é apenas nosso amor por uma terra que, afável, costuma acolher com generosidade todos os peregrinos. Um lugar que, pequeno, tem o enxerimento de se mostrar grande, aberta, receptiva as novidades e as modalidades da vida. Para ti, Cajazeiras, o desejo sincero de que continue quente e refrescante como o aracati que refrigera tuas mornas noites de verão.


quarta-feira, 17 de agosto de 2011


Foto publicada no Flickr-Yahoo! por Vale da Neblina

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Banda Cabaçal de Cajazeiras

banda de cabaçal de Cajazeiras,
em 18 de abril de 1938. Foto de Luis Saia 

As bandas cabaçais, também conhecidas como bandas de pífanos, são grupos com repertório de música popular instrumental. De formação variada, compõem-se tradicionalmente de quatro integrantes, com instrumentos de sopro e percussão: pífano, zabumba e caixa, sendo verificados também em alguns grupos tocadores de instrumentos como a sanfona, triângulo e os pratos, que se apresentam nas animações das festas religiosas e outros festejos comemorativos das suas localidades.

A imagem acima, registrada nos anos 50, é um importante documento histórico para se entender como se comportou a formação da Banda Cabaçal de Cajazeiras, uma tradição popular que rompeu preconceitos e adversidades do tempo e que por incrível que pareça, continua viva. A sua aparição ao público, mesmo que acanhada, se deu com mais frequência nos anos 80 com a instalação do antigo Núcleo de Extensão Cultural da UFPB, uma incubadora de promoção de cultura na região de Cajazeiras, que congregava uma Escola de Teatro, Atelier de Artes, Coral Universitário, Central de Artesanato e um extensivo trabalho de resgate de grupos folclóricos adormecidos que trouxe a tona entidades como o Grupo de Reisado, a própria Banda Cabaçal e
até Brincantes de Mamulengos da zona sul da cidade - mais precisamente do Bairro de Capoeiras.

De todos esses grupos patrocinados na época pelo NEC/UFPB, o que sem dúvida mais encantava e que permaneceu por um bom tempo na graça dos cajazeirenses foi a Banda Cabaçal. A mesma era chamada para animar feiras de artesanatos, festas religiosas, eventos importante como as várias versões das Semanas Universitárias de Cajazeiras e até visitas de autoridades do Es
tado na cidade. Com a extinção do órgão da UFPB, no final dos anos 80 e inicio dos anos 90, todos esses grupos passaram para o anonimato ou foram esquecidos pelo poder público. A Banda Cabaçal passou esporadicamente a se apresentar na sua própria comunidade, fora isso, há registro de sua reentrer, já como nova formação, na Noite de Cultura Popular no Centro Histórico de João Pessoa, durante o 1º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária como mostra a foto abaixo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Quase - todas as fotos do Coreto da Praça da Cultura



Nesses 148 anos de Cajazeiras, nossa homenagem aos fotógrafos - documentaristas do passado e presente de nossa cidade; e ao Coreto da Praça da Cultura, símbolo da resistência contra as intempéries provocado pelo tempo e as investidas dos que durante esses anos, tentaram (e ainda tentam) contra o patrimônio arquitetônico da cidade. 

A Praça da Cultura, oficializada como Praça Nossa Senhora de Fátima, é considerada a primeira Praça de Cajazeiras. Nos tempos iniciais da cidade, era apenas uma pequena artéria que tinha o nome de Rua do Cruzeiro, em referência a existência de uma velha cruz que havia no local. Ao longo de sua existência passou por várias reformas, mas foi em 1930, na gestão do então Prefeito Hildebrando Leal que foi transformada, de fato, em praça pública e teve erguido o Coreto que até hoje se encontra no centro da praça, enfrente ao adro da Igreja Nossa Senhora de Fátima.

De acordo com o professor Antônio de Souza na época a praça era: "o ponto chique da cidade, o local de atração do povo, o centro de manifestações cívico-religiosas e sociais da comunidade, onde se realizavam aos domingos, dias santos e feriados, alegres retretas, sob os acordes maviosos da banda de música local, com a presença elegante do mundo social cajazeirense." (SOUZA, 1981, p. 46




Foto da Cúria Diocesana de Cajazeiras ou Palácio do Bispo. Na época que a imagem foi registrada,
ainda não havia sido construída a capela-anexo que hoje fica no lado direito do prédio.



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cajá
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As recentes fotos ilustrativas de Edval Nunes Cajá no blog ac2Brasilia nos remetem a um período remoto, em que quase tudo era vigiado ou proibido. Um espaço no tempo onde o medo e terror dormiam e acordavam juntos com os pensamentos ideológicos de jovens militantes, artistas e intelectuais de esquerda que sonhavam e lutavam - mesmos as escondidas, por liberdade e mais democracia. Muitos desses jovens se entregaram de corpo e alma na defesa de uma sociedade mais justa (embora oprimida) e caíram sem preconceito na militância comunista. Chegaram a sentir o gosto amargo e a dura realidade da tortura e da falta expressão num Brasil dominado pelo ódio e por um governo opressor, ditatorial e antidemocrático. Um deles foi Edval Nunes Cajá.

Filho de camponeses de Bonito de Santa Fé, Cajá (como era chamado), hoje sociólogo pela UFPE, membro do Centro Cultural Manoel Lisboa e do Partido Comunista Revolucionário (PCR), ainda cultua os princípios ideológicos e políticos do marxismo. Foi ex-preso político, tendo sido seqüestrado, torturado e encarcerado do dia 12 de maio de 1978 a 01 de julhos de 1979 (no final do governo Geisel e início da era João Figueiredo), quando ainda era estudante universitário e membro da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife.

terça-feira, 2 de agosto de 2011




Imagens sambaquis de Cajazeiras, produzidas em 16 mm no ano de 1978 pelo Estúdio Pedro Onofre e remasterizada pelo laboratório Procimar Cine Vídeo, mostra trechos de nossa
cidade, do comércio, repartições públicas e até o interior da antiga
fábrica de refrigerante Tubaína. Uma viagem.



Feira Livre de Cajazeiras

Um vídeo postado no YouTube, com imagens produzidas na década de 80 pela Gordo Vídeo e sonorizado
com músicas de Erivan Araújo, Jocélio Amaro, Naldinho e Mário Filho, mostra imagens da Feira Livre
de Cajazeiras. No vídeo consta a participação do repentista e poeta popular João Amaro, do cordelista
e também poeta popular Antônio Batista além do folclórico vendedor ambulante Zé Bigodim.
A feira livre de Cajazeiras foi criada em agosto de 1848, por Padre Rolim juntamente
com seu cunhado, o tenente Sabino Coelho.
Vale apena ver.