sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Para ti, Cajazeiras.

Escreveu Mariana Moreira

A festa celebra o nascimento de seu mais ilustre filho e ícone de fundação da cidade. Comemorações, atos administrativos, inaugurações, festas de reencontro, paradas militares e escolares. Tudo para reverenciar o Padre Rolim e o percurso histórico que a povoação iniciada pelo Comandante Vital Rolim e Ana Albuquerque seguiu nesses últimos séculos. De pequeno vilarejo dedicado a pecuária bovina e sob as sombras de um rústico colégio hoje Cajazeiras se destaca no interior da Paraíba como importante pólo urbano dedicado, sobretudo a prestação de serviços, destacando-se a educação. Inúmeras instituições de ensino, públicas e privadas, atraem para a cidade estudantes de diversos estados nordestinos e incrementam outras atividades econômicas, como o comércio, a construção civil.

Mas, que presente merece esta cidade. Por suas ruas e becos estreitos onde esgotos e terra batida são as marcas mais visíveis de urbanidade gentes de todas as idades se dissipam entre a fumaça dos cachimbos de crack. Por suas periferias e ruas centrais assume proporção de descontrole o tráfico e consumo de drogas. Meninas no desabrochar da adolescência se prostituem no embalo de xamegões e carnavais patrocinados como marca indelével da cidade e de sua capacidade de atrair a atenção turística. Por suas noites e madrugadas crianças perambulam entre trailers e quiosques no sobejo de um resto de sanduíche ou de uma carteira desavisada.

Nas ruas centrais da cidade, em dias de sábado, um resto de feira livre teima em manter aceso um passado que, a cada dia, se transfigura na modernidade dos grandes mercados, magazines e boutiques. Nos batentes de alguns armazéns e mercadinhos alguns chapeados pontilham a paisagem com personagens de um tempo ido. Em postes de iluminação lâmpadas e fios partilham território com caixas de som de resistentes serviços que resistem as novidades das FMs e dos modernos aparelhos de som com seus discos a laser. Em algumas esquinas da cidade ainda aparecem, em raras ocasiões, barracas de quebra-queixo. Nas primeiras horas da manhã ainda é possível ecoar o brado do vendedor de pão anunciando aos quatro ventos: pão de Saora.

Aos sábados, ao lado do Cemitério Coração de Maria ainda existe um arremedo de feira de animais onde os derradeiros cavalos, burros e muares tentam resistir ao avanço das motocicletas. Em outros pontos da cidade louceiras insistem em vender panelas de barro e outros apetrechos reciclados e atualizados pela dinâmica da vida. No final da Praça João Pessoa o fim da tarde ainda se espraia nas águas douradas de teu açude grande abastecido por esgotos, maus tratos, construções irregulares e a pretensão do Leblon.

Para esta cidade, em dia de festa, o presente é apenas nosso amor por uma terra que, afável, costuma acolher com generosidade todos os peregrinos. Um lugar que, pequeno, tem o enxerimento de se mostrar grande, aberta, receptiva as novidades e as modalidades da vida. Para ti, Cajazeiras, o desejo sincero de que continue quente e refrescante como o aracati que refrigera tuas mornas noites de verão.


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