domingo, 23 de dezembro de 2012

CINEMA - ACONTECEU.


Festival selecionou para mostra, filme paraibano que tem atores cajazeirenses no elenco.

Os atores Nanego Lira, Marcélia Cartaxo e Agatha Barbosa
O filme Antoninha, do diretor paraibano Laercio Filho, foi selecionado para o VIII Festival Latino-Americano de Curta Metragem de Canoa Quebrada - Curta Canoa, que aconteceu no período de 11 a 15 de dezembro, na vila litorânea de Canoa Quebrada, município de Aracati. CE. O festival faz parte do calendário de festivais e mostras do Brasil e da América Latina.

O filme Antoninha foi rodado no município de Aparecida sob a produção da Acauã Produções Culturais e da Pigmento Cinematográfico, e conta no elenco com os atores cajazeirense Marcélia Cartaxo (A Hora da Estrela, Madame Satã, O Sonho de Inacim) e Nanego Lira (Tempo de ira, Depois da Curva, O Plano do Cachorro). Participa também do filme o ator W. Solha e um grupo de atores locais com destaque para a atriz Agatha Barbosa que estreou no cinema interpretando Antoninha - a protagonista do filme - premiada como melhor atriz no 4° Curta Taquary em Taquaritinga do Norte - PE e no Festival da Fronteira em Bagé - RS.

A história contada no filme se passa em uma fazenda sertaneja num longo período de seca verde, momento em que o seu proprietário resolve vender as terras e mandar todos os seus moradores embora provocando assim uma reação da menina Antonina que num gesto de ousadia resolve roubar a imagem de São José da casa do coronel para fazer chover, causando todo o desenrolar do filme.


Festival homenageou o cineasta cajazeirense Bertrand Lira

Bertrand Lira

O cineasta cajazeirense Bertrand Lira foi homenageado na abertura do 11ª edição do NÓIA - Festival de Cinema Universitário no cinema do Benjamin Abrahão, da Casa Amarela Eusélio Oliveira, em Fortaleza, que ocorreu entre os dias 18 e 21 deste mês. Além do Bertrand, o festival também homenageou também o trabalho da cineasta carioca Cavi Borges.  

Na abertura foram exibidos os documentários “O Diário de Márcia”, da cineasta carioca e “O Senhor do Engenho” de Bertrand Lira. O festival reuniu 19 curtas-metragens produzidos por universitários de todo o país.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Só pra lembrar Expedito Sobrinho. Repentista, violeiro e poeta popular.

Expedito Sobrinho - O rádio, sua segunda paixão
Repentista, poeta popular e violeiro afamado, respeitado em todo Nordeste pela capacidade que tinha de improvisar versos nas ocasiões em que lhes foi dada durante os encontros que teve com outros repentistas amigos de viola; Expedito Sobrinho deixou um legado na poesia popular nordestina. Sobretudo pela facilidade para o improviso e o talento que dispunha para compor versos sem preparação prévia, como nesse disputado "galope a beira-mar" com o também poeta e parceiro de cantoria Lourival Pereira:

Perguntei o nome da mercadoria
Ele disse aqui a gente traz de tudo
Mostarda estrangeira que o grão é miúdo
Petróleo, amianto e tapeçaria
Pedras preciosas que o povo aprecia
Brilhante ametista pra fazer colar
Ouro português pra quem quer comprar
Pedra opala e amazonita
Berilo, ouro branco, prata e tantalita
Pra fazer negócio na beira do mar

(Expedito Sobrinho)

Eu cheguei um dia na beira do cais
Admirei muito o seu movimento
Navios fazendo descarregamentos
Pacotes maneiros, pesos desiguais
De dez toneladas, de vinte e de mais
E a um marinheiro peguei perguntar
De onde é que vem pra descarregar
Ele disse: da Bélgica, Egito e Hungria
Da Síria, da Pérsia, da Angola e Turquia
Trazendo isso tudo pra beira do mar

(Lourival Pereira)
  
Capa do disco lançado ao lado do poeta Lourival Batista
Expedito Sobrinho e Barbosa da Silva

Expedito Alves da Silva era autêntico, humanista. Seu nome pode ser lembrado não só pelos discos que foram lançados ou em poemas escritos; mas pelos seus atos e virtudes e principalmente na lembrança de todos aqueles que viram e ouviram atuando, que conheceram e apreciaram o seu trabalho, que não foram poucos, pois a sua memória perdura intensamente até a atualidade. Era natural da cidade de Baixio - Ceará, mas escolheu a cidade de Cajazeiras como seu segundo lar, onde era radicado e exerceu sua carreira de repentista, como também, a de radialista e homem público.
Com amigos

No clipe abaixo, Expedito Sobrinho canta o poema 
"Saudades" de sua autoria.



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Cidade submersa em Cajazeiras a 76 anos, reaparece.



Boa parte dos grandes açudes do interior do Nordeste, construídos nas primeiras décadas do século passado ficava próximo a pequenas cidades ou em vilas e povoados em formação. Esses aglomerados urbanos com suas populações tiveram que ser deslocados para outros locais, já que a águas acumuladas nesses reservatórios ocupava a zona urbana, inundando e submergiu-os por completo.

Um exemplo bem conhecido dos nordestinos foi que aconteceu no Arraial de Canudo que teve o povoador engolido na sua totalidade pelas águas do Açude Cocorobó. Em épocas de grandes secas as águas desses açudes secam e as formações urbanas antes submersas reaparecem como fantasmas trazendo lembranças e histórias de um passado remoto.

A seca deste ano - considerada pelos estudiosos do assunto é uma das maiores dos últimos quarenta anos. Uma de suas conseqüências é o esvaziamento dos reservatórios d’água aflorando cidades inteiras antes mergulhadas em suas águas.

Uma matéria que foi publicada no dia 17 deste mês, no Diário do Sertão, dá destaque à antiga cidade de Piranhas Velhas, hoje município de São José de Piranhas, que foi coberta pelas águas do açude de Engenheiro ávidos (Boqueirão) e que por motivo da estiagem que assola a Paraíba inteira, reaparece do nada. 

A noticia do reaparecimento da antiga cidade de Piranhas foi destaque nas TVs da Paraíba e secundo o pescador Francisco de Sousa a seca é assustadora, e afirma: “Eu nasci e me criei aqui, mas estou impressionado com essa seca.”

VEJA NA ÍNTEGRA A MATÉRIA DO DIÁRIO DO SERTÃO.

Uma cidade, coberta pelas águas no ano de 1936 está totalmente à vista.

Com o longo período de estiagem no Sertão paraibano, os açudes e reservatórios de água começam a desaparecer. Em Cajazeiras um fato curioso é possível observar com o mínimo de água que se encontra no açude de Boqueirão.

Uma cidade, coberta pelas águas no ano de 1936 está totalmente à vista. A sede do município de São José de Piranhas, antiga Piranhas Velha, pode ser visualizada com o baixo nível de água do reservatório.

As casas, prédios e antigas estruturas, inclusive uma Igreja estão praticamente em ruínas, pois há 76 anos estão cobertos pela água, e somente este ano foi possível visualizar o cenário.

O pescador Francisco de Sousa, contou que em Piranhas Velha tinha uma cadeia, uma Igreja, um Cemitério e um Coreto.

No local, ainda existe de pé uma estrutura de um túmulo, com aparência de uma torre e alguns números inscritos, que não dá para identificar.




domingo, 16 de dezembro de 2012

Edifício sede da Prefeitura Municipal de Cajazeiras.
A 1ª imagem, o prédio visto por taz com a praça.
Na 2ª, o prédio ainda em construção.

sábado, 8 de dezembro de 2012


Pela luz dos nossos dias e pela lente objetiva de Galdino Vilante 
os vários ângulos dos templos sagrados de fé e religiosidade do nosso povo.
O primeiro (plano geral) Convento,Colégio Diocesano e igreja Nossa Senhora Auxiliadora; o segundo (mais aberto), Matriz Nossa Senhora de Fátima;
o terceiro (mais fechado), Catedral de Nossa Senhora da Piedade.
(click nas fotos acima e veja as belas imagens)



sábado, 1 de dezembro de 2012

A Literatura Regional da Cajazeirense Vilma Maciel

A Escritora na Bienal do Livro em São Paulo


Foto antiga de Vilma Maciel
Natural de Cajazeiras, mas radicada em Juazeiro do Norte/CE onde mora a muitos anos, a escritora, professora e artista plástica Vilma Maciel Lira dos Santos, é uma mistura de talento e sensibilidade que inclui o interesse por cultura popular nordestina, literatura e artes de um modo geral. Até parece algo especial se ela não viesse de uma aldeia cujas raízes foram plantadas sobre um chavão de "terra da cultura e que ensinou a Paraíba ler". Cajazeiras têm esse sacrário que influi, adestra e estimula a alma dos seus conterrâneos a se enveredar por esse caminho multiplicador da cultura e das artes onde Vilma Maciel é parceira e ilustríssima figurante. 

Nascida entre nós em 01 de novembro de 1944 - atualmente com 68 anos, a escritora e artista plásticas, com especialização em língua portuguesa e planejamento Educacional, publicou trabalhos em prosa e ficção, poesia e contos no livro "Reflexões Poéticas e Análise Textual" lançado em 1994. Juntamente com Célia Magalhães, lançou o ensaio "Nordeste Místico Império da fé", um aprofundamento sistemático das questões envolvendo as manifestações da religiosidade popular no folclore e do sincretismo religioso  Nordestino. A literatura testemunhal também foi experimentada por Vilma Maciel, quando a mesma editou os romances: "Lampião Luta Sangrenta", em 1997 e "O Inferno da Guerra Étnica em Kosovo", em 2001. Ainda em 2001, lançou a história regional "Os Fuzilados do Leitão". No campo da literatura infanto-juvenil, lançou o livro "Cadê Nosso Espaço", em 1997 e os textos para teatro: "Milagre" e "O Auto do Leitão".  

A produção literária da escritora nascida em Cajazeiras, porém Juazeirense de coração é algo especial e a sua capacidade para essa atividade é inquestionável. A sua importância no contexto da literatura regional do cariri cearense lhe rendeu em agosto desse ano um convite para participar da Bienal do Livro de São Paulo, onde autografou no Stand da Biblioteca 24 hora da feira, suas recentes edições dos livros: "Caminhos Femininos" e "Lampião Luta, Sangue e Coragem" para os visitantes presentes. 

Talvez poucos sejam os cajazeirenses que conhecem sua obra ou muitos que ao contrário, ignoram a sua trajetória na literatura regional caririzeira. A sua ausência, a falta de laços afetivos com a cidade e o esquecimento do seu nome na produção literária local é algo compreendido, muitos são os nossos conterrâneos que nos deixaram e voaram para outros centros a procura de uma melhor adaptação para mostrar seus trabalhos no campo cultural. Se assim foi com Vilma Maciel, também foi com Aldo Lins, radicado em Recife/PE, que tem um trabalho poético-literário reconhecido pelo público e pela critica daquela capital pernambucana ou com Bosco Marcial, atualmente radicado em Guarulhos/SP, que fez da música seu instrumento de trabalho e dirige uma ONG de pesquisas sobre a musicalidade na cultura popular brasileira.

Maria Bonita, pintada por Vilma Maciel


Sinopse de dois Livros da Escritora

"Os Fuzilados do Leitão, Uma Revisão Histórica", aborda aspectos relacionados com o cangaço no sul do Ceará e Oeste de Pernambuco - vale do Cariri/chapada do Araripe e áreas circunvizinhas. Relata um fato ocorrido com os "Irmãos Marcelinos" num local denominado Alto do Leitão na cidade de Barbalha na madrugada do dia 5 de janeiro de 1928, onde foram mortos Miguel e Pedro Miranda, João Marcelino e Manoel Toalha, além do mais famoso deles, o cangaceiro "Lua Branca", que percorreram a região cometendo crimes cruéis. A autora narra com conhecimento e lucidez de detalhes, os assassinatos e sepultamentos dessas cinco pessoas os demais fatos que aconteceram naquela noite - madrugada, no Alto do Leitão.
"Lampião: Luta, Sangue e Coragem" É um romance histórico regional de primeira linha, em que a autora criou as falas fictícias para os personagens reais, pois Antônio, José Ferreira, Livino, José Saturnino, os Nazarenos, Corisco, Maria Bonita e demais personagens fazem parte da vida do Cap. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Essa obra demandou milhares de horas de trabalho e recebeu uma atenção e zelo todo especial da autora, pois foi cuidadosamente elaborado, obedecendo à seqüência cronológica da vida e ações do rei do cangaço. O romance inicia com a história de José Ferreira e Maria Lopes, os pais de Lampião; segue narrando os primeiros desentendimentos dos irmãos Ferreiras com Zé Saturnino; a mudança para Poço do Negro e depois para Alagoas; continua com a morte dos pais de Virgulino e sua entrada definitiva no cangaço, fazendo parte dos grupos de Antônio Matilde, dos Porcinos e depois de Sinhô Pereira.

Fonte:











terça-feira, 6 de novembro de 2012

A festa da vitória irritou o bispo

Francisco Frassales* Cartaxo 
Frassales é cajazeirense residente no Recife.

A festa da vitória deu uma confusão tremenda em Cajazeiras. Calma, gente, não foi este ano, faz muito tempo. Na euforia da comemoração da eleição de José Américo de Almeida para governador, em 1950, as putas se juntaram às moças da sociedade. O vigário, padre Américo Sérgio Maia, não gostou nada do que soube, assumiu as dores e lavrou veemente protesto público.

Conto como foi. José Américo, fundador da UDN em 1945, pouco tempo depois reorganizou na Paraíba o Partido Libertador (PL), encarregando o amigo Veloso Borges de arregimentar correligionários para seu novo partido Juntou gente na Paraíba inteira. De Cajazeiras, entre muitos, ingressaram na nova sigla Ivan Bichara Sobreira, os irmãos Otacílio e João Jurema, o prefeito Arsênio Araruna, Juca Bonifácio e outros admiradores cajazeirenses. Então Zé Américo se uniu ao PSD de Rui Carneiro, formando a Coligação Democrática Paraibana para enfrentar o que restou da UDN. E não era pouco: Argemiro de Figueiredo, João Agripino, os Ribeiro Coutinho, os Sátyro e outros, que se coligaram com o PR de Pereira Lira, o homem do cachimbo, amigo do presidente Gaspar Dutra.

Em Cajazeiras, a turma do PSD (Manuel Lacerda, Tota Assis, os irmãos Holanda, Acácio Braga, Eudes Cartaxo e muito mais gente) criou alma nova, e saiu a empunhar a bandeira da Coligação Democrática. Não deu outra. José Américo, pai dos pobres, salvador do Nordeste, orador ferino, venceu o pleito abraçado a Rui Carneiro. O povo de Argemiro quedou-se mais amarelo do que sua bandeira de campanha...

E a festa da vitória? Aqui passo a palavra ao Correio do Sertão (ano 2, nº 16, novembro/1950), mensário da diocese de Cajazeiras, que nessa época tinha como redator-chefe padre Américo Sérgio Maia, primo e aliado de João Agripino, que assim se expressou, sob o título “Repulsa”:

“Ponto negro constituiu o baile popular da grande Festa da Vitória, em Cajazeiras, dia 5 deste mês. Em nome da democracia, dele fizeram parte as infelizes mundanas da ponta da rua!... A coisa foi tão revoltante que, apesar da vertigem do triunfo, as senhoras de bem e as moças da sociedade imediatamente se colocaram à margem da dança. Isso, porém, não basta. Deixando a salvo as considerações político-partidárias, aqui está o Correio do Sertão, devidamente autorizado pelo Sr. Bispo diocesano, para gritar bem alto um protesto, uma maldição contra essa democracia que perdeu a noção da profilaxia social, que renegou a nobreza de nossa vocação cristã para chafurdar na lama da imoralidade. Se democracia é rebaixamento moral, de bom grado renunciaremos a ela. Se democracia é cabaretização das famílias e da sociedade, que desapareça do Brasil cristão. Será que os responsáveis por esse ultrajante acontecimento pensam que o governador José Américo se julgará honrado com o afeto aviltante dessas pobres desviadas, que são ao mesmo tempo as vítimas e as provocadoras da corrupção social? Será que a presença das mundanas derrama luz e fulgor sobre a grande vitória do novo governador?”

“Saibam os que assim procederam que este não é o modo de pensar da imensa maioria dos eleitores que sufragaram, com esperança mais nobre e promessas mais dignas, o nome do herói da seca de 32. Dele esperamos uma Paraíba progressista, cristã e moralizada.”

E mais não disse, porém, muito se falou à boca pequena, tanto que as orelhas de Otacílio Jurema arderam à beça...


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Prédio da antiga usina de energia


Fotografia antiga da atual Praça João Pessoa vendo aos fundos o prédio onde funcionou (encostado na parede do Açude Grande) a usina de geração de energia elétrica da cidade. O prédio foi construído em 1925 pelo então Prefeito Cel. Sabino Gonçalves Rolim. (1923-1928) Como em Cajazeiras nada é eterno em se tratando de conservação de patrimônio histórico, o mesmo foi demolido dez anos depois pelo Prefeito Joaquim Matos Rolim, para alargamento do trecho e melhoramento do espaço urbano. A imagem é realmente um cartão postal e uma viagem no tempo. Pena que foi demolido. Se os mandatários de Cajazeiras tivessem o discernimento e a preocupação com a preservação da nossa arquitetura antiga e com a história da nossa cidade, talvez ainda hoje estivesse no local, onde poderia funcionar um centro cultural ou servir como sede de um museu temática contando a história da energia elétrica na cidade, desde os primórdios até os dias atuais. Um exemplo parecido com o que é a Usina Cultural Energisa, em João Pessoa. 

Inauguração do prédio do gerador de energia
Antigo gerador de energia da usina