sábado, 31 de março de 2012


   Direto do fundo do Baú   
A Catedral de Nossa Senhora da Piedade 
ainda sem o tradicional Relógio.


TAC - Teatro de Amadores de Cajazeiras. 
Cartaz comemorativo dos 50 anos de fundação
 
Em 1º de agosto de 1953, ocorria com sucesso no Cine Teatro Éden, a estréia do TAC 
com o espetáculo “O HOMEM QUE FICA” sob a direção artística de Hildebrando Assis. 
Um ano depois, em 18 de junho de 1954, o TAC já era reconhecido como utilidade 
pública através de projeto-lei nº 2954 de autoria do então deputado 
cajazeirense (o escritor) Ivan Bichara Sobreira.

   UM RECADO CONTUNDENTE   

O recado vem da Banda de Rap cajazeirense, Street Life Mc`s
aos usuários do Crak. Veja o vídeo da música "O crak n traz a paz" 
e tire suas conclusões.






sexta-feira, 30 de março de 2012


 Anos 50  
Imagem da oficina da sede do DER em Cajazeiras.
A repartição estadual funcionava na Rua Erenice Ferreira.
O registro importante de imagem:
O maestro Milton Cabrinha é o primeiro da esquerda (com a mão na bagagem da bicicleta).




domingo, 25 de março de 2012

No dia do teatro, teatro Ica tem espetáculo de Mossoró.


 

                  Com espetáculos gratuitos espalhados por toda Paraíba, o Governo do Estado celebrará nesta terça-feira, 27 de março, o Dia Internacional do Teatro.  A iniciativa premiará treze municípios do Estado com vários espetáculos teatrais. São vinte peças de variados gêneros e de diversos estados do Brasil, encenadas em teatros, escolas e praças públicas. As cidades contempladas serão: João Pessoa, Campina Grande, São João do Rio do Peixe, Cabedelo, Maranguape, Bananeiras, Alagoa Grande, Areia, Cuité, Monteiro, Pombal, Sousa e Cajazeiras. 
                  Em nossa cidade, será apresentada a partir das 20h00 no Teatro Íracles Pires - Ica a peça “Sem Palavras” produzida pelo o grupo “Pessoal do Tarará” da cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte. “Sem Palavras” é um espetáculo de mímica com direção de Dionízio do Apodi e elenco formado pelos atores Maxson Airton e Antonio Marcos.



sexta-feira, 23 de março de 2012

Enfim, a nossa Orquestra de Câmara.


 Apresentação da Orquestra no Teatro Ica

O cajazeirense que gosta da boa música deve está com o coração palpitando e renovado (O meu já está), sorrindo a toa, como o que podemos chamar (sem receio nenhum) de “a mais grande invenção dos últimos tempos” em nossa terrinha; o surgimento da Orquestra de Câmara de Cajazeiras. Nada me parece mais importante do que esse feito, tendo vista que a cidade por tradição viveu harmoniosamente sobre a batuta de grandes mestres incentivadores da música instrumental, como foram os maestros Esmerindo e Milton Cabrinha, Mozat Assis e Rivaldo Santana.
  
O despontar da Orquestra de Câmara “Rouxinol” é sem duvida nenhuma o afloramento de um trabalho feito por estes abnegados músicos, que viveu para música estimulando a juventude, seja via Banda de Música Santa Cecília - na sua formação Masculina e feminina, como também nas Fanfarras organizadas nas escolas da cidade; passando pelo trabalho do NEC - Núcleo de Extensão Cultural, através do Coral João de Deus tão bem dirigido nos seus primeiros anos de formação pelo saudoso maestro Rivaldo Santana e ultimamente, com os bem sucedidos acordes do regente Jucerlando a frente da recém formada orquestra.  

Filho de um modesto artesão de violino - seu pai fabrica violino, o talento do maestro Jocerlando foi sendo moldado neste meio, no aprendizado das aulas de violino e de canto do Coral João de Deus; das experiências abraçadas e vividas com muito esmero como instrutor de Bandas Marciais das Escolas de Cajazeiras - especialmente a Fanfarra do Colégio Diocesano onde atuou como regente; do interesse em crescer como músico sinfônico e ver no futuro sua obra ser reconhecimento e aplaudida pelos seus conterrâneos.
    
O programa da Orquestra presa pela qualidade sonora e trilha pela história da música clássica, onde peças de Bach, Beethoven, Mozart, Ravel e do compositor austríaco Josef Strauss, são bem arranjadas e executadas pelos onze músicos - sua maioria jovem talentosos.

O desempenho da nossa Orquestra não deve e não difere das demais que já conhecemos, porém tem um gosto a mais, ela tem o tempero de ser cajazeirense. Terra da cultura, cidade que ensinou a Paraíba a ler, onde o por do sol é um poema e uma sinfonia.

 Ensaio do maestro com os músicos da Orquestra


quinta-feira, 22 de março de 2012

Desempenho da atriz cajazeirense Sôia Lira em "O Quinze".
Filme do cineasta Jurandir Oliveira, paraibano de Catingueira 
cidade da região do Vale do Piancó. 



   DoseDupla  
Uma caprichada receita de Cultura feita com muita arte e simpatia, 
por "elas"; as nossas queridas atrizes Sôia Lira e Marcélia Cartaxo
Quer degustar? Click na imagem abaixo.   




segunda-feira, 19 de março de 2012

Documentarista cajazeirense Bertrand Lira grava ficção na região do Congo/PB.



                         A angústia de um homem que tem fome de mundo, querendo desbravar os segredos dos lugares longínquos, que fogem do seu cotidiano no universo alojado na sua casinha no meio do nada. O cordão umbilical que prende o protagonista como uma camisa de força é a condução do primeiro curta-metragem realizado pelo cajazeirense Bertrand Lira, "Na Poeira", que já está sendo gravado no município do Congo, no Cariri da Paraíba.

Com documentários premiados até no Japão, como é o caso de "Bom Dia, Maria de Nazaré" (2003), Bertrand uniou o seu desejo de realizar uma ficção com a obra do paraibano Geraldo Maciel, morto há dois anos. "Escolhi (o conto) A Poeira dos Pequenos Segredos para minha primeira ficção porque é uma narrativa muito sugestiva de imagens e sons", justifica Bertrand. "Geraldo Maciel escreveu um conto muito sugestivo. Cabe ao leitor apreender as imagens e os sentimentos propostos pelo escritor. O desafio é transpor isso para a tela."

Para adaptar o conto, que faz parte do conto Inventário das Pequenas Paixões (2000), Bertrand contou com a consultoria do paulista Di Moretti, roteirista responsável por assinar as histórias Cabra Cega' (2004), de Toni Venturi, e Filhas do Vento (2004) de Joel Zito Araújo. "Mostrei a Moretti meu segundo tratamento do roteiro e ele fez algumas sugestões, dando algumas dicas de formatação. Di é muito generoso."

Com o projeto financiado pelo Fundo Municipal de Cultura (FMC), produção executiva de Heleno Bernardo, fotografia de João Carlos Beltrão e som de Bruno de Salles, o elenco conta com Verônica Cavalcanti e Nanêgo Lira, que trabalharam juntos no longa "O Grão" (2008), de Petrus Cariry.

"Sempre quis dirigir meus irmãos num filme, mas adiei o projeto. Vou começar com Nanego", revela o diretor. "Gosto do trabalho de Verônica. Ela tem uma interpretação contida que vai cair bem na personagem Otília, a mulher do protagonista Santiago".

De acordo com Bertrand, além do casal, o cotidiano é o outro personagem do "Na Poeira". "O cotidiano, o presente, o subjetivo, o passional, a emoção vividos de forma contida. É a vida reconhecida nos pequenos atos, todas as facetas da existência diária em sua sutileza, sem que os personagens se deem conta."

"Falo pros amigos que se não der certo, volto para o documentário. Aliás, não deixarei de fazê-lo", avisa. "Estou curioso e ansioso para saber como é dirigir atores. Até o momento só tenho dirigido personagens reais (risos)", finalizou Bertrand.


Com reportagem de Audaci Júnior para o Jornal da Paraíba

domingo, 18 de março de 2012

 
  Sou forte, sou BoscoBarreto.

Cartaz da Campanha  de Bosco Braga Barreto ao Senado.
Boscco ficou na suplência mas o seu partido, o MDB, que o tinha como um dos políticos
mais atuante e um dos grandes nomes da legenda no Estado, nunca deu oportunidade
 ao nosso eterno "meus irmãos e minhas irmazinha também" de assumir uma vaga no Senado Federal. Será que foi traição? ou medo que o partido tinha de Bosco
 (com seus discursos inflamaveis) bater de frente com regime militar
que governava o país a troco da repressão e censura. 


Antiga Rodoviária em Três Tempos.



 

                   Imagens em três tempos do antigo Terminal de Passageiros de Cajazeiras. A 1ª, mostra o terreno com a placa indicatória da construção do Edifício Antônio Ferreira - anexo ao terminal. A fotografia foi registrada do local onde era (na época) o posto texaco, vendo-se aos fundos a antiga sede dos correios (que já foi demolida). A 2ª, mostra o terminal de passageiro e as bases do edifício em construção. A 3ª, o complexo, hotel, lojas e o terminal já concluído. Com plataforma de embarque e desembarques, passageiros e ônibus estacionado. O terminal rodoviário, denominado de edifício Antônio Ferreira, foi umas das primeiras construções verticais do alto sertão paraibano. 



sábado, 17 de março de 2012

Flâmulas

                      
              As flâmulas deixaram marcas na história da publicidade. Até os anos 80 elas foram de maneira simples e barata uma forma de divulgação das campanhas políticas, eventos sociais e institucionais. Aqui dois exemplos do seu uso na cidade de Cajazeiras. A primeira, uma mini flâmula de bolso (que era fixada com ajuda de um alfinete no bolso da camisa)  de uma das campanhas de Bosco Barreto a prefeitura de nossa cidade. A segunda um free lance que marcou a fundação do Cajazeiras Jovem Clube em 20/01/1970. Recordo-me muito bem do seu uso em "guidom" de bicicletas, em retrovisores, "boléias" e nas antenas de rádios dos automóveis da época. Eram simpáticas, geralmente feitas de forma artesanal em serigrafias. Porém, com o advento das novas formas de impressões, como os prótons, esse modelo de difusão foi substituído pelos modernos banners e adesivos.

domingo, 11 de março de 2012

O tesoureiro Otílio Guimarães


Tantino Cartaxo, Cristiano Cartaxo, Arruda Neto e Otílio Guimarães

.............................................................................................................Escreveu, Francisco Sales Cartaxo - Frassales

Otílio Ferreira Guimarães foi tesoureiro da prefeitura de Cajazeiras por muitos anos. Entrava prefeito, saia prefeito, e ele, firme, a emprestar seu nome, sua honestidade, dedicação e seriedade às finanças municipais. Sem apego a bens materiais, só duas coisas absorviam sua energia intelectual: os deveres de servidor público e a leitura. Adquiria livros por meio do reembolso postal. Chegou a manter com Editora Agir, do Rio de Janeiro, uma espécie de contrato mediante o qual, uma vez lançada nova publicação, “seu” Otílio a recebia pelos Correios. E enquanto não chegavam os livros, ele devorava o dicionário.

Ainda criança, ao voltar da escola de
Carmelita Gonçalves, próxima à estação ferroviária, quando havia trem em Cajazeiras, eu encontrava vez por outra “seu” Otílio a caminhar, sisudo, da prefeitura para sua casa. Tempos depois, já estudando no Ginásio Salesiano, eu o via aproveitar o resto da claridade solar, em fim de tarde, concentrado na leitura, junto à entrada do casarão, onde morava. Carrego até hoje essa imagem. Imagem de um devorador de livros.

O casarão fica no começo da Rua Padre Rolim, com a frente voltada para a Rua Padre José Thomaz, na esquina das oiticicas que, agora, dão sombra a mototaxistas. Nesse casarão morou o coronel
Sabino Rolim, o político mais poderoso do começo do século 20, fiel seguidor de Epitácio Pessoa, chefe da mais forte oligarquia paraibana da República Velha. O coronel Sabino era casado com Maria Leopoldina Cartaxo Rolim, filha do bacharel Antônio Joaquim do Couto Cartaxo, o primeiro deputado federal nascido em Cajazeiras, e irmão mais velho do tenente João Cartaxo, assassinado no célebre e sempre lembrado conflito eleitoral de 18 de agosto de 1872.

Otílio Guimarães era genro do coronel Sabino (foto abaixo), casado que foi com Odília Rolim Guimarães. O casal Otílio e Odília mudou-se da casa onde morava na Rua Padre Manuel Mariano, para o casarão do coronel Sabino, quando sua esposa, dona Leopoldina, adoeceu, ficando impossibilitada de cuidar da casa, do marido, de si mesma. Assim, dona Odília, como filha mais velha do coronel, assumiu o comando dos afazeres domésticos no casarão.
Cel. Sabino Rolim 
Otílio Guimarães não completou os estudos formais, como o fizeram, por exemplo, seus contemporâneos Cristiano Cartaxo e o sobrinho Otacílio Jurema, ambos formados no Rio, quase 100 anos atrás. Mesmo assim, “seu” Otílio discutia horas a fio com seus filhos, o advogado José e o médico Sabino Rolim Guimarães. Conversavam sobre literatura, política, história. O velho Otílio levava a melhor, quase sempre, porque além de memória privilegiada sua carga de leituras lhe dava argumentos para dobrar seus filhos ilustres.

Ex-prefeito Otacílio Jurema
Otílio Guimarães faleceu em 24 de abril de 1975, aos 83 anos. Do seu longo desempenho à frente da Tesouraria da prefeitura de Cajazeiras, nunca ouvi nada que indicasse o mais leve traço de desonestidade. Qualquer insinuação relacionada com Secretários de Finanças de municípios, hoje em dia, fica por conta da maledicência do leitor.




quinta-feira, 8 de março de 2012

Vídeos dos carnavais e de personagens da cidade.

 O   primeiro , uma entrevista feita na Fazenda Serraria, com o inesquecível 
Tenente Barbosa. O   segundo , uma conversa descontraída do agente cultural 
Ubiratan Assis com o maestro Milton Cabrinha.



O  terceiro,  imagens produzido pela antiga Gordo Vídeo, 
mostra Elias do Picolé sambando no carnaval do Tenis Clube. O  quarto  vídeo, 
uma propaganda institucional da Faculdade Santa Maria.



              Quatros vídeos sobre o nosso carnaval. O  primeiro,  folia no antigo Jovem Clube em 1990; O  segundo  mostra carnaval no Tênis Clube com imagens do ex-funcionário do Cine Pax e depois Bradesco, Cícero Alves;  O  terceiro , Júnior Terra cantando "Mascara Negra" ao lado do homenageado do carnaval 2012 Milton Cabrinha e o  último , os repórteres Olivan Pereira - Big boy e George Sandro entrevistam o Prof. Rubismar Galvão, Escritor Tatino Cartaxo, os Músicos Deoberto e Julimar, Ex-prefeito Carlos Antônio e Gê do Pagodão S.A.  durante o Baile da Saudade no Tênis Clube. 









segunda-feira, 5 de março de 2012

Homenagem a uma grande atriz; Sôia Lira.


"Fiquei muito feliz por saber que serei homenageada dia 06 de março, 
na Assembléia Legislativa da Paraíba, dentro das comemorações 
do dia Internacional das Mulheres. Isso é maravilhoso 
ser reconhecida na minha terra."
Sôia Lira

               Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher a Assembléia Legislativa da Paraíba homenageará nesta terça-feira, dia 06/03/2012, a atriz cajazeirense Sôia Lira. Homenagem mais que merecida a uma mulher guerreira, sensível, amiga e simples; que tudo que tem feito até o momento foi só para engrandecer a nossa arte, nossa cultura, nosso cinema. Mas quem é ela; como surgiu na dramaturgia paraibana; seus primeiros trabalhos; sua re-entrer no cinema brasileiro; principais filmes realizados e experiência adquirida  com a arte de representar.

   Maria Auxiliadora Lira de Souza     nasceu em Cajazeiras, Paraíba, no dia 6 de março de 1962. Mas foi como Sôia Lira que ela se tornou uma das mais aclamadas atrizes de nosso estado e com projeção nacional. Quem a viu no teatro em "Vau da Sarapalha", do Grupo Piollin, com direção de Luiz Carlos Vasconcelos, jamais se esqueceu de sua interpretação arrebatadora - e foram platéias de várias cidades brasileiras e também da Espanha, Alemanha, Inglaterra, Portugal e, Bélgica: "eu não tinha noção de que esse espetáculo e também o meu personagem fariam esse grande sucesso. Depois que a gente estreou em João Pessoa, a primeira vez que saímos com o “Vau” foi para o Festival de São José de Rio Preto, no interior de São Paulo. E ganhamos todos os prêmios, porque na época o festival tinha premiação para Melhor Ator, Melhor Atriz, e o espetáculo arrebatou todos os prêmios - Melhor Direção, Melhor Espetáculo. Eu ganhei Melhor Atriz Coadjuvante, porque no espetáculo eu não sou a atriz principal. E voltamos para João Pessoa com esses prêmios todos, e aí começou aquele bochicho de que o espetáculo era muito bom e entramos em cartaz em João Pessoa com a casa lotada. Porque antes de viajar a gente ficou em cartaz durante dois meses e não dava ninguém no teatro. A gente apresentava para duas pessoas". Sôia Lira começou a carreira artística no teatro ainda criança, ao lado dos irmãos Buda Lira, Nanego Lira e Bertrand Lira, "Eu comecei a fazer teatro lá, em Cajazeiras, nessa cidadezinha, desde criança e com outras pessoas da minha idade. A gente começou a brincar, era como se fosse uma brincadeira, a gente não tinha uma pretensão que isso poderia chegar onde chegou". O encontro com o ator e diretor Luiz Carlos Vasconcelos foi fundamental: "O Luiz Carlos começou a fazer um trabalho com a gente, ele ficou tão fascinado, porque eram crianças fazendo espetáculo para adulto, e a gente tinha uma garra tão grande que ele ficou admirado". Duas décadas depois, com o espaço no teatro já conquistado, foi à vez de Sôia Lira ser projetada também no cinema como Ana, a mãe de Josué (Vinícius Oliveira), em "Central do Brasil", de Walter Salles: "Eu me lembro que quando eu cheguei lá eu era a Ana mesmo, porque eu cheguei tão acanhada. Eu já tinha mais de 20 anos de teatro, mas mesmo assim eu fui sem acreditar que eu ia trabalhar com a Fernanda Montenegro. Era um sonho, que eu não acreditava, mas que ao mesmo tempo, eu falava, “não, mas eu faço teatro, eu vivo isso”. E quando você chega perto dessas pessoas, porque você tem uma imagem pela televisão que invade sua casa, você vê que são pessoas como você, os mesmos medos, as inseguranças".
 
Foto 1. Peça "Quebra Quilos" Foto 2. "Val da Sarapalha"

               No final de setembro e início de outubro de 2009, Sôia Lira conversou com representantes do Site Mulheres do Cinema Brasileiro, no Palácio das Arte em Belo Horizonte/MG A nossa atriz falou sobre os primeiros tempos no teatro, no Grupo Mickey, Grupo Terra, Piollin e do fenômeno "Vau da Sarapalha". Falau também dos trabalhos no cinema e de diretores como Luiz Fernando Carvalho e Walter Salles. Dos filmes: "Central do Brasil" e "O Quinze". Veja abaixo trechos da entrevista.

  Mulheres:    Você começou sua carreira artística no teatro, ainda em Cajazeiras. Como foi esse começo?

  Sôia Lira:   Eu comecei a fazer teatro lá, em Cajazeiras, nessa cidadezinha, desde criança e com outras pessoas da minha idade.  A gente começou a brincar, era como se fosse uma brincadeira, a gente não tinha uma pretensão que isso poderia chegar onde chegou. Era doze crianças, uma faixa etária de oito a 13 anos, e a gente começou a brincar de fazer teatro no quintal da casa de Eliezer Rolim, que era o diretor do grupo na época. Ele passou um tempo fora estudando em uma cidade vizinha, porque era um colégio interno e ele estudava lá, e aí quando voltou para Cajazeiras ele formou esse grupo. E era assim, a gente não fazia só teatro, a gente dublava música, era época do Silvio Brito, Marcélia Cartaxo era quem dublava. A gente fazia uma mistura de dança com teatro, a gente nem sabia o que era teatro, a gente falava  drama, não tinha bem essa coisa de teatro na cabeça da gente. A minha influência foi dos meus irmãos, o Buda Lira e Nanego Lira, e outro irmão, Bertrand Lira, que faziam “A Paixão de Cristo”, que era o grande evento da época em Cajazeiras.  Era o grande teatro, representar a história de Cristo na Semana Santa. E eu, criança, assistia aquilo. Para mim era um grande espetáculo, era na rua, ao ar livre, e essa influência foi indo, foi indo, e a gente acabou formando esse grupo de jovens. O que a gente fazia era a trajetória de vidas reais, todo ano chegava um bando de ciganos na cidade, e a gente ia pesquisar, ia visitar esses ciganos que ficavam na periferia. Daí a gente começava a escrever sobre a história desses ciganos. Então botava no papel e do papel no palco. E sempre tinha uma cabeça que era o Eliezer, que escrevia os textos. A gente falava sobre a seca, pegava uma música de Luiz Gonzaga, “A Triste Partida”, e escrevia e fazia uma peça de teatro. Então isso foi indo e o grupo, na época, chamava-se Grupo Mickey porque a gente via muito aquelas histórias, Mickey, Tio Patinhas. Eu me lembro que numa época tinha um festival lá em Cajazeiras, que era o Festival Universitário, e Luiz Carlos (Vasconcelos) foi dar um curso lá.

  Mulheres:    Esse período que você relatou antes do Luiz Carlos entrar em cena foi que época?

   Sôia Lira:    Quando a gente começou a fazer teatro foi em 1973, por aí. Quando a gente conheceu o Luiz Carlos foi em 1976. Ele foi a Cajazeiras, onde tinha um grande festival, que era o Festival Universitário, e ele foi dar um curso. Só que a gente não podia assistir, quem foi é o diretor, o Eliezer. Ele foi fazer esse curso de uma semana e falou para o Luiz Carlos sobre a gente, e ele disse que queria “conhecer esses meninos”. E acabou vindo no outro dia. O Luiz Carlos começou a fazer um trabalho com a gente, ele ficou tão fascinado, porque eram crianças fazendo espetáculo para adulto, e a gente tinha uma garra tão grande que ele ficou admirado. Ele não acreditou e correu para outra sala para chamar outro diretor, que na época era o Fernando Teixeira, que é um dos grandes diretores da Paraíba, para presenciar aqueles meninos fazendo aquela coisa grandiosa. Depois de ganhar um prêmio de Melhor Ator em um festival na Bahia ele voltou para João Pessoa, onde criou um festival infantil. Eu me lembro que nós fomos à João Pessoa durante cinco anos, todo ano tinha esse festival. A gente participava e todo ano a gente levava um espetáculo, montava e levava. E aí a gente começou a amadurecer, já estávamos com 13, 18, 19 anos. E a gente mudou de Grupo Mickey para Grupo Terra. Eu me lembro que o Luiz Carlos perguntou “mas o que vocês querem, é teatro?” Porque a gente fazia mil coisas, não era só um espetáculo. Aí a gente começou a tomar consciência do que gente fazia. Eu me lembro que ele dizia assim “vocês tem o mesmo procedimento de Eugênio Barba, que Grotowski faz”, e a gente não sabia, não conhecia, na época a gente não estudava, não tinha noção de quem eram esses grandes mestres. A gente morava no interior, estudava ainda em colégio, mas aí a gente começou a tomar consciência. E foi aí que nesses festivais, que a gente ia todo ano, que a gente começou a tomar consciência da responsabilidade do que a gente tinha em mão. Eu me lembro que depois de Cajazeiras e João Pessoa, a gente começou a viajar para fora da Paraíba.

  Mulheres:    “O Beiço de Estrada” já é direção do Luiz Carlos?

  Sôia Lira:    Não, era de Eliezer. Só que quando a gente ia para esses festivais juntavam vários grupos do interior, tinha gente de Pombal, Souza, Patos, da faixa etária da gente. Eu me lembro que o Luiz Carlos invadiu um mosteiro que tem lá em João Pessoa, uma igreja do século passado, e a gente se hospedava lá. Era ele, Everaldo (Pontes), Buda já morava em João Pessoa, tinha outros diretores, esses professores davam aula para a gente. Luiz Carlos assistia aos espetáculos que a gente levava e dava uns toques no que podia melhorar o trabalho. Eu me lembro que, na época, no Inacen, Instituto de Artes Cênicas, tinha um cara que veio do Rio de Janeiro, o Marcelo. Ele foi para a Paraíba, assistiu “O Beiço de Estrada” e adorou. O Inacen fazia um circuito em cada região e fazia um intercâmbio, e daí os espetáculos daqui do sudeste iam para o nordeste e a gente vinha para cá, Rio e São Paulo. Eu me lembro que a primeira vez, a gente tinha 19, 20 anos, e viemos para São Paulo, Rio, Curitiba, e o espetáculo foi o maior sucesso. A crítica em São Paulo fez o maior elogio ao espetáculo e foi aí que a Suzana Amaral viu a Marcélia Cartaxo e a convidou para fazer “A Hora da Estrela”. Eu me lembro que a gente veio aqui para Minas, em Ouro Preto, com esse espetáculo, “Beiço de Estrada”. E depois teve “Até Amanhã”, que foi o último espetáculo que o grupo fez, já tem 12 anos isso.  E foi aí que Marcélia saiu do grupo. Teve uma confusão, a gente era tão inocente, porque a gente achava que Marcélia teria que trazer a gente para o sul. Marcélia ganhou o prêmio em Berlim, aquela confusão toda, e o grupo se desfez. Eu voltei para Cajazeiras. Eliezer ficou em São Paulo; outras pessoas foram para João Pessoa. Meus irmãos Nanego, Buda e Bertrand já ficaram em João Pessoa. Eu me casei e passei cinco anos sem estar nos palcos.  Eu tinha 22 anos na época. Eu sofri muito, toda vez que ia ver um espetáculo eu chorava, ficava emocionada, porque queria estar ali naquele tablado, representando. Depois de um tempo, o Luiz Carlos foi embora para o Rio, e aí voltou com a idéia de montar “Vau da Sarapalha”. Eu me lembro que já estava com um filho de dois anos e meio e ele chegou e disse, “Soia, estou com um espetáculo legal, vamos montar?” E eu disse “mas eu estou casada, estou com filho, estou morando no interior”, e ele “ah, vamos montar esse trabalho.” E acabou que eu fiquei em João Pessoa.

Foto: Filme "Central do Brasil"

  Mulheres:  Antes do “Central do Brasil”, o seu primeiro longa foi o com a Jussara Queiróz, ”A Árvore de Marcação” (1995), não é?

   Sôia Lira:   Eu me lembro que Marcélia morava em São Paulo, e Jussara Queiróz, que é do Rio Grande do Norte, morava no Rio. Ela estudava cinema e o primeiro filme dela foi o “Árvore de Marcação”, que ela foi fazer lá no interior do Paraíba. Foi a minha primeira experiência, eu não sabia nada da linguagem do cinema, eu não entendia o que era o cinema. Eu me lembro que eu fazia a louca da cidade, era uma vilazinha, e eu fazia muito teatral. Ela dizia “não é teatro”, só dizia isso, e eu não sabia, e ela não explicava o quê que não era teatro. Eu sofria, ela gritava “não é teatro, não é teatro”. Eu estava representando e no cinema você não precisa você não representa. Depois eu fui convidada para fazer outro filme, uma produção lá na Paraíba, que foi com o Marcus Vilar, que é um curta, “A Árvore da Miséria” (1998). Luiz Carlos era o assistente de direção. E aí eu fui entrando nessa linguagem do cinema, entendendo mais ou menos o que era. E o “Central do Brasil” já estava fazendo o maior sucesso. “A Árvore da Miséria” foi o terceiro filme, depois do “Central”. E teve essa experiência na televisão com o Luiz Fernando Carvalho, que tem uma linguagem bem teatral, a gente passou um mês ensaiando com ele. Ele queria realmente o teatro na televisão.

  Mulheres:    Antes de entrarmos em “O Quinze”, vamos recuperar o “Central do Brasil”, do Walter Salles, que foi o filme que te projetou nas telas.  Como foi o trabalho nesse filme?

  Sôia Lira:   Eu tive que pesquisar um pouco, ver cinema, estudar um pouco a linguagem do cinema, e o Sérgio Machado, que era o assistente do Walter, ele foi me preenchendo, estudando comigo o personagem. Eu jamais imaginei que ia passar, porque ele não fez testes só na Paraíba, ele fez testes na Bahia, em Recife, em Fortaleza, muita gente fez esse teste porque foi muito divulgado. Eu tive esse privilégio dele ter me escolhido. Eu acredito que tem muito a ver também com o momento, o momento que você está. Na época em que fui fazer o teste eu estava em um momento muito bem na minha vida, então foi tão sereno o teste que eu fiz, foi tão legal. É tanto que Luiz Carlos acha que foi melhor o teste que a filmagem. Se bem que eu gosto muito. Quando eu cheguei para as filmagens, assim meio assustada, jamais imaginava que eu estaria fazendo um filme de grande produção. Trabalhar com Walter Salles, Fernanda Montenegro, isso me deu um medo tão grande. Engraçado que quando a gente estava ensaiando, eu, ela e o Vinicius, teve uma hora que eles repetiam muito, repetiam muito a cena, e eu achava que eu não estava legal. E aí teve uma hora que eu caí no choro, e disse “não, deixa eu volta para a minha casa, eu não sei fazer isso não, chamem outra pessoa pra fazer” (risos). E o Walter “que isso Soia, tá ótimo, tá ótimo”. Porque esses diretores quando pegam eles sugam, né, eles espremem você até tirar a última. Eu me lembro no “Uma Mulher Vestida de Sol”, a gente ensaiando numa sala, o Luiz Fernando Carvalho ensaiando, ensaiando, repetindo a mesma cena, e quando a cena realmente ficou legal ele disse “é isso aí, a gora você chegou na Teresa”, que era o nome da minha personagem. Aí a gente vai entendendo realmente o que os diretores querem, não é só representar, você tem mesmo que ver, porque sou eu que estou ali, estou entregando o meu corpo, a minha alma, meus sentimentos, não tem que representar.

  Mulheres:   Como é que foi essa produção?

  Sôia Lira:     Eu estava no Rio fazendo o “Woyzec”, uma produção de Matheus Nasctergaele, foi uma parceria da Piollin com o Matheus. Eu já conhecia o Jurandir (de Oliveira), ele fez “A Árvore da Miséria” junto comigo. Na época, eu conheci Jurandir em João Pessoa. Ele foi lá ver a peça e me convidou para fazer “O Quinze”. Eu tinha acabado de fazer a temporada no Rio, aí voltei para João Pessoa, e com um mês fui para o Quixadá. Foi outra experiência, como eu já estava com a história do cinema, já entendendo mais, foi muito bom, passei dois meses no Quixadá. Para mim foi um orgulho muito grande fazer um dos personagens da obra de Rachel de Queiróz. O Jurandir fez a adaptação do livro e também atuou, além de ser o diretor e o produtor também, foi uma loucura (rs). Foi uma parceria muito legal, o filme ficou bonito, eu gosto muito do filme, uma obra de arte, eu guardo com muito carinho. Foi lançado em alguns festivais, a gente foi para Gramado com este filme. E fomos para o Cine Ceará, onde ganhei o prêmio de Melhor Atriz.

  Mulheres:   E como foi dar vida a esse personagem? “O Quinze” é um clássico da literatura brasileira e muito lido. Ele está muito no imaginário de várias gerações.

   Sôia Lira:   Quando o Jurandir me chamou eu ainda não conhecia o livro, aí fui ler. Eu me lembro que meu pai e minha mãe falavam muito da seca, porque nós somos do sertão, e eles passaram por uma seca, não a de 1915, mas acho que uma nos anos 60. Eles falavam muito sobre isso. Meu personagem é a Cordolina, a mulher que sai da fazenda com o marido e os quatro filhos e vão para Fortaleza a pé. E no meio do caminho eles vão perdendo os filhos foram dois meses de puro sofrimento, porque eu lembro que a gente acordava às quatro da manhã para sair a cinco para filmar, a gente chegava ao set de filmagem e voltava à noite. E o personagem é muito sofrimento, ela andava léguas e léguas para chegar, e vai perdendo os filhos. É uma magia a gente entrar nesse universo de Rachel de Queiróz, eu aprendi bastante com toda essa equipe, com essa história.

  Mulheres:   Você começou no cinema sem saber o que era aquela linguagem e tempos depois acaba ganhando um prêmio de Melhor Atriz de cinema. Como é isso para você?

  Soia Lira:  É, porque aí eu já estava mais madura. É algo novo, cada coisa que você faz é uma novidade, esse tempo todo que a gente vem trabalhando. E, todo trabalho que eu faço, quando acontece de eu ganhar um prêmio ou fazer sucesso, de ter um reconhecimento, isso é muito bom, é muito rico para mim como atriz.

  Mulheres:   E o “Pedra do Reino”?

  Sôia Lira:    A produção foi para o nordeste fazer testes, eles já tinham feito no Rio. Na verdade, eu não passei no teste, eles fecharam o elenco e eu acabei não entrando. Eu ia fazer um filme em Fortaleza, com o Petrus Cariry (“O Grão” - 2007), e estava tudo certo de eu fazer. E uma coisa importante a dizer é que o Petrus fez a obra dele pensando em uma atriz, e ele tinha pensado em mim E quando estava tudo certo o Luiz Fernando (Carvalho) me chama para fazer “A Pedra do Reino”. Eu lamentei muito em não fazer o filme, mas na verdade a televisão te pega um pouco Eu fui substituir uma atriz da Bahia, a Rita Assemany, que é uma puta de uma atriz de Salvador, mas que não agüentou o personagem porque tem um trabalho físico, ela não suportou, talvez pela idade. Foi muito difícil para mim porque quando eu cheguei já tinha um mês que as pessoas estavam tendo um preparo, tinham três professores, fazendo trabalho físico. O Luiz Fernando já estava trabalhando com todo o elenco e eu tive que entrar  nesse processo, e entrei meio como um peixe fora d´água. Eu não conhecia o livro, comecei a ler, mas não deu tempo de ler tudo, só a minha participação. Não tive quase muito contato com o Luiz Fernando porque quando cheguei ele já tinha trabalhado com o pessoal durante um mês, eu trabalhei com uma preparadora, e me encontrei com ele nas filmagens. Mas eu já me sentia forte e dona do terreno. Porque é assim, você vai adquirindo experiências. É claro que cada trabalho é novo, é um desconhecido, mas é como se você tivesse propriedade daquilo, você não fraqueja mais. Foi muito bom ter feito, a gente passou dois meses em Itaperuá. Ele fez um grande cenário, muito lindo, enorme, que está lá, como museu, uma equipe enorme. Que pena que não teve um respaldo na mídia e não é todo mundo que conhece Ariano Suassuna, que é uma leitura difícil. Que pena que não teve muita audiência, mas é muito lindo o que ele fez, o cenário, a luz, é tudo muito rico.

  Mulheres:    E por último, qual mulher do cinema brasileiro, de qualquer época e área, que você quer homenagear aqui na sua entrevista?

   Sôia Lira:    Olha, eu sempre cito a Marcélia Cartaxo. Eu gosto e acho que é uma mulher guerreira, para mim é mulher nota dez, pela garra, pela vontade de furar o cerco de tudo. É muito difícil, ela está nessa batalha. Então para mim é Marcélia Cartaxo.

   Mulheres:    Muito obrigado pela entrevista.

   Sôia Lira:     Obrigada a você.
 fonte: Site: Mulheres do Cinema Brasiliro.