domingo, 22 de abril de 2012

História: Padre Rolim.


      Vida Longa a Memória       
      do Nosso Mestre     
........................................................................................ Texto escrito por Gilvan Santos

Foi no dia 22 de agosto de 1800, no sítio Serrote, extremo oeste da capitania da Paraíba, que nasceu aquele que foi cognominado pelo imperador Dom Pedro II de "O Anchieta do Norte". Trazia nas veias o sangue ilustre de Jerônimo de Albuquerque - fidalgo português colonizador de Pernambuco - amalgamado ao do médico francês Isidoro Mons. Rolim, iluminista de Marselha. Na pia batismal, o menino recebeu o nome de Inácio de Souza Rolim. 

Contava poucos dias de vida quando seus pais, Ana Francisca de Albuquerque e Vital de Souza Rolim, passaram a residir na gleba de terra que receberam do sesmeiro Luís Gomes de Albuquerque pai de Ana como dote de casamento e onde Vital acabara de construir casa e currais, dando início a formação da fazenda das Cajazeiras. Pode-se dizer que Inácio e Cajazeiras nasceram juntos, e a ela ligou seu destino ao longo de todo o século XIX. Na primitiva fazenda das Cajazeiras, passou sua infância, ao lado dos irmãos mais velhos e os que vieram após ele, entregue às brincadeiras simples de menino da roça e exercitando-se nos trabalhos agrícolas. 

Desde muito cedo, o menino Inácio demonstrava vivo interesse pelas Letras. Aos dezesseis anos, já falava fluentemente o Francês e dedicava-se ao estudo do Grego e do Latim, o que levou Ana e Vital a encaminharem, a convite de D Bárbara de Alencar, o filho à cidade de Crato, no Carirí cearence, onde permaneceu, pôr quatro ou cinco anos, fazendo os estudos preparatórios para o ingresso no Seminário de Olinda.

    Ordenação Sacerdotal  l

Inácio de Souza Rolim ingressou no Seminário de Olinda a 3 de setembro de 1822. Seu avô, Luís Gomes de Albuquerque, doou a propriedade Serra Vermelha, para patrimônio de sua ordenação sacerdotal. O seminário de Azeredo Coutinho era celeiro de mentes brilhantes. Mas, a genialidade de Inácio Rolim logo o destacou entre os demais. No decorrer do curso, exerceu as atividades de censor e bedel, integrando, posteriormente, o corpo docente do seminário, como professor de Grego, idioma no qual foi versadíssimo. 

O brilhante exercício do magistério, no seminário de Olinda, credenciou-o, alguns anos depois, ao convite do Governador de Pernambuco para instalar a cadeira de Grego no Ginásio Pernambucano, quando teve oportunidade de realizar um dos seus mais acalentados sonhos: a edição da sua Gramática Grega, obra impressa no ano de 1856, em Paris. 

No ano de 1825, a 30 de julho, o menorista Inácio de Souza Rolim recebeu a primeira tonsura e, no dia 31 de julho, as ordens menores, em cerimônia realizada na Igreja da Congregação do Oratório do Recife. No dia 15 de agosto do mesmo ano, foi ordenado subdiácono, recebendo o diaconato a 25 de setembro, na capela do Palácio Episcopal, em Olinda. No dia 2 de outubro de 1825, foi sagrado Presbítero. Ordenado sacerdote, não pôde voltar de imediato, à sua terra natal como desejava. Por algum tempo, permaneceu em Olinda, como professor de Seminário, atividade que exerceu paralelamente aos encargos de Reitor.

     O primeiro colégio da Paraíba   

Em 1843, a obra do padre Rolim já repercutia em quase toda região sertaneja e nas províncias de Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, levando-o a transformar seu estabelecimento de ensino em colégio de instrução secundária. Era o primeiro colégio da Paraíba! Essa primazia levou ao grande tribuno Alcides Carneiro a cognominar Cajazeiras de a cidade que ensinou a Paraíba a ler. 

Em 1853, o presidente da Província, Dr. Antônio Coelho de Sá Albuquerque, em sua mensagem à Assembléia Legislativa, fez entusiásticos elogios ao seu edificante trabalho: A moralidade e ilustração bem conhecidas desse distinto paraibano, e o assinalado serviço que presta à sua Província merecem a presente demonstração do meu reconhecimento. Em torno do colégio, foi crescendo o lugarejo, com tamanho progresso que, em menos de cinqüenta anos, passou de simples povoado à condição de vila, sede de comarca e cidade. Amado e adorado por todos, o Padre Mestre fora o mentor de tudo. 

Padre Rolim fizera-se um nome de projeção, consagrando-se em todo o Nordeste como um sábio. Poliglota, falava fluentemente francês, inglês, alemão, italiano, espanhol, latim, sânscrito, hebraico, tupí-guaraní e grego. A ciência teve nele um prosélito. Fez da História Natural seu campo de predileção, cujos segredos perscrutava, desvendando o que ela tinha de impenetrável. Publicou, já aos 82 anos, o Tratado de História Natural . Além desse e da Gramática Grega, escreveu ainda uma gramática da Língua Portuguesa, um tratado de Filosofia e outro de Retórica.

       A Árvore da Sabedoria    

Se é pelos frutos que se conhece a árvore, podemos destacar, entre outros, os inúmeros alunos do Padre Rolim: Padre Cícero Romão Batista, o Santo de Juazeiro; Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcante, o Cardeal Arcoverde; Desembargador Peregrino de Araújo, Governador da Paraíba; Deputado Estadual RN e Deputado Federal PB; Dr. João Gualberto Gomes de Sá; Dep. Provincial e Juiz de Direito; Dr. Leonardo Salgado Guarita; advogado, promotor e Desembargador do Tribunal de Apelações do Rio Grande do Sul; Padre Manoel Mariano de Albuquerque; Dep. Provincial e Dep. Constituinte; Dr. Joaquim Bilhar , magistrado e professor da Faculdade de Direito do Ceará; Dr. Francisco de Paula Primo, Dep. Provincial, Dep. Geral, Presidente do Partido Liberal e Presidente do Conselho da Intendência; Cel. Gustavo Augusto de Lima; Prefeito de Lavras da Mangabeira-CE. Presidente da Assembléia Legislativa do Ceará e vice-governador daquele estado; Tenente Sousa Assis, prefeito e juiz de paz; Desembargador José Manoel de Freitas, Juiz de Direito, Presidente das Províncias de Piauí, Maranhão e Pernambuco. Era sogro de Clovis Bevilacqua; Mons. Antero José de Lima, Dep. Provincial, presidente do Legislativo cearense, vice-presidente da Província do Ceará e senador; Dr. Joaquim Antônio do Couto Cartaxo, deputado provincial no Ceará, representou a Paraíba como deputado à Assembléia Nacional Constituinte de 1891; e Padre José Tomás de Albuquerque, entre dezenas de outros alunos que, igualmente, se projetaram nos cenários político cultural e social do país.




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