segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Pontos Pitorescos de Cajazeiras



Pedra do Galo, hoje na Rua Vitória Bezerra.
Pedra do Galo: Antiga pedra arredondado com cruzeiro. O cruzeiro possui uma armação de metal com formato de galo e uma seta abaixo. O objeto artesanal é uma réplica do galo que decora as torres dos conventos da ordem religiosa dos franciscanos. Ficava na antiga estrada - saída de Cajazeiras para a cidade de Jatobá - São José de Piranhas, atualmente bairro de São Francisco. Segundo o historiador José Antônio da Albuquerque, nos idos de 1950, houve embate entre as Ligas da Mulheres Cristãs de Cajazeiras e o poder público municipal a frente o prefeito Otacílio Jurema, com o objetivo de retirar o cabaré de Cajazeiras que ficava por trás do Cemitério Coração de Maria, na época conhecido como Ferro de Engomar. Essa querela inflamou mais ainda, com o grito de Frei Damião que declarou que só voltaria a pregar as Santas Missões em Cajazeiras depois que o prefeito mudasse velho meretrício de local. Acrescente José Antônio, que para comemorar a vitória da luta pela retirada do cabaré das imediações do Cemitério, foi celebrada uma missa por Frei Damião. A comunidade católica tomou como base uma pedra existente mesmo em frente ao novo local do cabaré da cidade, que ficou conhecido como “A Palha” e construiu uma cruz e no seu ápice colocou um galo. Por muito tempo a Pedra foi um ponto de espera de transportes para as pessoas que se deslocavam ao Município de Jatobá, atual São José de Piranhas. Com o crescimento da cidade, esse ponto foi sucumbido pela urbanização e o cruzeiro com o galo foram transferidos para a Rua Romualdo Rolim e depois levados para a Rua Vitória Bezerra, onde passou a ser visitado por quem vêm a cidade. Todos os anos, a Pedra do Galo é o ponto de referência para partida da tradicional Via Sacra que tem como término a Igreja de São João Bosco, na Praça Camilo de Holanda. Um poema intitulado "Pedra do Galo" do poeta Irismar di Lyra, descreve as particularidades desse objeto urbano de Cajazeiras.

Pedra do Galo - Irismar di Lyra

Que poesia há na estrada de Jatobá,
além do lúgubre das faces desdentadas
gentes e roupas desbotadas
vícios, ócios e duros ofícios!

A Pedra do Galo, inerte, contrasta
com o ruge-ruge dos cabarés,
o frenesi das mariposas,
o zum-zum nervoso dos cafés.

Os Sete Candeeiros resistem à luz elétrica
Uma, quem sabe, Dora esquelética
por um talvez, Beto sifilítico
mata-se a golpes de faca peixeira. 

Suposições suscitadas ante o fato:
ciúmes ou coisa de quem perde a estribeira?
Como diria Zefinha de Alfredo:
- vã filosofia, coisa sem eira nem beira

Furna da Onça - Localizada no morro do Cristo Rei.

Furna da Onça: Os mais antigos habitantes da cidade costumava contar que por volta do século XVIII e começo do século XIX, vivia no local uma onça feroz do serrado que atacava as pessoas que passava nas proximidades, até que certo dia um senhor de nome Zé Preto, caçador bastante conhecido na cidade, juntamente com o seu irmão,capturaram e mataram a mesma. Não há comprovação oficial dessa história ou se a onça existiu. Porém a lenda permanece viva até os dias hoje. A furna da Onça é caracterizada por três pedras escoradas e está localizada no morro do Cristo Rei, antigamente chamado de Serrote do Jatobá.

Conjunto de residências onde funcionou os Sete Candeeiros

Sete Candeeiros: Era o antigo bordel de Cidade, vulgarmente folclorizado de “Frejo”. Os Sete Candeeiros funcionava em um conjunto de sete casas conjugadas, formadas por botecos e ponto de prostituição. Praticamente isolado do plano habitacional da cidade, o local quase não havia luz elétrica. A maioria das sete casas que compunha os sete candeeiros eram iluminadas por candeeiros e as demais, luz elétrica vermelha. Numa remota Cajazeiras onde os índices de violência eram praticamente zero, os Sete Candeeiros vez por outra quebrava o silêncio com ocorrencias de violência, geralmente divulgadas nas emissoras de rádios da cidade. Os Sete Candeeiros localizava-se nos arredores do bairro de Capoeiras, saída para a cidade de Jatobá - São José de Piranhas.


Parte do que restou dos "Deischalé"

Os Deischalé: (10 chalés) Conjunto de dez pequenos chalés conjugados situados na Rua Sebastião Bandeira de Melo, próximo ao centro da cidade. As pequenas casas conjugadas eram habitadas por pessoas de baixa renda e artífices como sapateiros, marceneiros, flandeiros e feirantes. Com o passar do tempo veio o crescimento da cidade e "Os Deischalé” foram desaparecendo, dando lugar a construções de residências mais modernas e pontos comerciais.


Trecho do"Alto Cabelão" - hoje Bairro Belo Horizonte

Alto Cabelão: Nos finais dos anos 60, a moda ainda era ter cabelos compridos. Seguindo essa moda, comenta-se que esse nome surgiu, pelo fato de residir no lugar um folclórico cidadão que tinha os cabelos bastantes compridos; e que por conta disso, a artéria teria sido batizado pela população de Alto Cabelão. O alto Cabelão era uma média de 300 casas, construídas em duas fileiras e uma larga avenida no meio, que se deslocava sobre uma colina indo até a zona rural da cidade. Por ter também essas características e parecer com um cabelo comprido, muitos acham que a população folclorizou o espaço urbano batizando com o nome de “Alto Cabelão”. Por iniciativas do senhor Emídio da Cunha Rolim, comerciante estabelecido no local, o trecho urbano passou a se chamar depois de Alto Belo Horizonte. Nos anos 70, houve um crescimento rápido da cidade na direção da zona norte. Ruas foram abertas e a urbanização se alastrando. Para firmar esse feito, o poder público construiu no local um conjunto habitacional em uma área de terra que ficava por trás do Colégio Diocesano e Estádio Igino Pires Ferreira. Descaracterizando o traçado geográfico que havia antes.   




Vista aérea do Rabo da Gata ainda em formação

Rabo da Gata: Conjunto urbano que se formou na região nordeste da cidade ao longo da antiga estrada de ferro. As terras pertencentes à união (RFC - Rede Ferroviária Cearense), foram invadidas no final dos anos 70 por comunidades de sem teto e humildes famílias de agricultores, que fugindo da seca, deixaram suas terras na zona rural para morar na cidade. A formação do Rabo da Gata começou entre o Cemitério Coração de Maria e a velha estrada de trem que ligava a cidade de Cajazeiras ao vizinho Município de São João do Rio do Peixe, seguindo o trajeto da desativada linha férrea, indo em direção à zona rural.



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