terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

   Cadê o Respeito ?     


 o falso moralismo religioso  
  dos que mandaram e manda até  
   hoje na cidade de Cajazeiras,  
  está caracterizado nesta imagem 
 de Normando Sóracles,  
  postada como capa no blog  
  setecandeeiroscajá.  
 A morte anunciada do Cristo - 
 símbolo da fé e devoção  
  de nossa gente humilde  
  e nossprincipal atrativo  
  turístico. 

domingo, 17 de fevereiro de 2013


O ataque de Sabino Gomes

Francisco Cartaxo (da sua coluna no Diário do Sertão)


O ataque a Cajazeiras, comandado por Sabino Gomes, no dia 28 de setembro de 1926, teve enorme repercussão na imprensa, pela ousadia da investida contra uma cidade importante para os padrões da época: servida por estrada de ferro, polo agroindustrial algodoeiro, comercio expressivo, sede de bispado, centro cultural e de ensino reconhecido no Nordeste e outros fatores. A vida e a trajetória de Sabino Gomes permanecem nebulosas, muito embora tenha sido ele um destacado subchefe de grupo ligado a Lampião presente no noticiário da imprensa na década de 1920, auge o banditismo nordestino.

Talvez tenha partido da imprensa do Ceará, a primeira informação acerca daquela agressão a Cajazeiras. Digo talvez porque ainda não tive condições de realizar pesquisa mais ampla nos jornais da época. Mas é certo que o diário “O Nordeste”, órgão da diocese de Fortaleza, por exemplo, noticiou o fato logo no dia seguinte, ainda que com dados precários, sujeitos à correção, como se pode ler na matéria sob o título de “A próspera cidade de Cajazeiras, na Paraíba, é atacada pelo grupo de Sabino Gomes”, veiculada no dia 29 de setembro, a partir de informe telegráfico recebido de Lavras da Mangabeira:

“A cidade de Cajazeiras foi surpreendida, ontem, por um ataque de 38 cangaceiros, chefiados por Sabino Gomes, resistindo até às 22 horas, quando os bandidos, dando-se por vencidos, retiraram-se, tomando a direção do Cariri. Houve três mortes e duas casas incendiadas. Na Estrada de Ferro conseguimos colher os pormenores que se seguem enviados pelo telegrafista da estação da via - férrea Ceará/Paraíba, ali existente”. “Cajazeiras – 29. Ontem às 14 horas o bando do terrível Sabino Gomes, comparsa de Lampião, passou em Baixa Grande, a duas léguas daqui, em viagem para esta cidade, tendo ali assassinado pai e filho, Raimundo Casimiro e Francisco Casimiro, por não terem os mesmos a importância que os facínoras exigiram. Às 17 horas alcançaram a residência dos doutores Coelho Sobrinho e José Almeida, estando presente o doutor Abdiel, os quais, para garantia e honra das suas famílias deram jóias e dinheiro que somaram a mais de três contos de réis, incluindo o anel do engenheiro de um deles. Na mesma rua mataram o soldado Domingos Monteiro, o alfaiate Eliezer Alexandre e Cícero Corneteiro. Os prejuízos dos roubos e incêndios são superiores a 50 contos de réis. Na entrada do comercio mataram os bandidos uma criança de dez anos. Assaltaram depois a residência do coronel Sobreira, o qual, não se sujeitando à quantia exigida foi atacado à bala, reagindo, havendo forte tiroteio. Os bandidos não conseguiram entrar no comercio, devido à forte resistência da população”.

No dia seguinte, 30 de setembro, “O Nordeste” comenta que “A população defendeu galhardamente o comercio, resistindo e repelindo a ação dos bandoleiros que recuaram, conduzindo três companheiros feridos. Os doutores Coelho Sobrinho, Abdiel Ferreira e José Almeida foram as primeiras pessoas atacadas, sendo o segundo roubado em um anel de engenheiro no valor de oitocentos mil réis”.

No correr do mês de outubro de 1926, vários números daquele jornal continuaram a repercutir a ação dos bandoleiros, sempre ressaltando a audácia do ataque a Cajazeiras e a eficácia da resistência civil à investida dos homens de Sabino Gomes.



Documentário "O MENINO E A BAGACEIRA"


O Cajazeirense Sávio Rolim, ator mirim de "Menino de Engenho" também fez teatro e atuou como repórter de jornais paraibanos. De volta à Paraíba, passou a viver em cortiços e fazer bicos para sobreviver. Até a realização deste filme, o ator apresentava sérios problemas de saúde.


No verão
a chegada em Cajazeiras às 17h30m
haverá sempre uma agradável surpresa reservada por Deus para nossos olhos, como essa que a foto acima apresenta. Um lindo por do sol que só Cajazeiras tem.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013




Plano geral do novo corredor da folia do carnaval de Cajazeiras - pista do antigo Aeroporto Antônio Tomaz. Foto: Cavalcante Júnior.



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Curta metragem será exibido após o carnaval.



"Mudança"; curta metragem dirigido por Janduy Acendino e fotografado por Marcelo Paes de Carvalho é grande opção deste mês de fevereiro. Com exibição programada para o dia 24, às 19h00, no Centro Cultural Zé do Norte, instalado provisoriamente na Biblioteca Pública, o curta tem o roteiro baseado em fatos reais e conta a história de um adolescente que envolvido em drogas, acaba tendo sua vida literalmente salva através da arte, a dança de rua.

Ambientado na periferia de Cajazeiras, o filme conta com um eclético elenco de atores locais e das cidades de Cachoeira dos índios e Iguatu/CE, além das participações especiais dos Grupos de Danças de Rua Nossa Cara (Iguatu/CE) e MC´S de Cajazeiras.  Sem dúvida, o curta será uma boa atração para os cinéfilos cajazeirense  após o carnaval.
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Ficha Técnica:
Direção: Janduy Acendino
Fotografia: Marcelo Paes de Carvalho
Atores (Cajazeiras): Ronaldo Santos, Julimar Trajano, Glaydston Lira, Silvia Teixeira
Atores (Cachoeira dos Índios): Wesley Kayke, Eudismar Guedes e Luzineide Andrade
Atores (Iguatu): Cícero Batista, Natali Pereira, Damião Costa



domingo, 3 de fevereiro de 2013

Gutemberg, o quixotesco

(da sua coluna) Nonato Guedes



  Gutemberg Cardoso   tornou-se uma grife na imprensa paraibana a partir de Cajazeiras, onde iniciou trajetória semelhante à minha: como office-boy na Difusora. Nascido em Jacarezinho, no Rio de Janeiro, sempre foi irrequieto, polêmico, combativo. E idealista. Abraça as causas alheias como se fossem suas. Tem “feeling” para explorar fatos de repercussão. Quando veio para João Pessoa, onde inicialmente formou parceria com Josival Pereira e Ruy Dantas, já chegou dizendo a que tinha vindo. Sua sina é a do revolucionário. Foi assim na trajetória em Cajazeiras, onde além de atuar na imprensa falada e escrita, fez teatro e poesia. Foi o mentor do grupo “Boiada”. E uma de suas poesias, “Prisioneiro”, é um verdadeiro libelo contra a opressão. Foi sua forma de resistir, ainda adolescente, à ditadura militar. Ganhou o primeiro lugar num concurso em que fui premiado com “Contradições”, em posição intermediária.

Sua iniciação radiofônica tem traços coincidentes com a minha trajetória. Ainda imberbe, montou uma rádio improvisada na rua João Moreira, na terra da Cultura. Foi precursor das emissoras comunitárias que depois proliferaram por todo o país. Com 12 anos, disse à mãe que queria trabalhar numa rádio de verdade, e logrou seu primeiro emprego na Difusora de Mozart de Souza Assis, laboratório de formação de talentos. Enveredou pela função de operador de áudio, que na época se denominava sonoplasta ou controlista. Levei-o para a rádio Alto Piranhas, onde apresentou o programa “Olho Vivo”, de grande repercussão. Estivemos juntos no jornal alternativo “Tribuna Popular”, impresso em mimeógrafo em Cajazeiras. Militamos em grupos de esquerda.

Relembro tudo isso a propósito de mais uma guinada na sua carreira profissional. Ao desembarcar em João Pessoa, foi acolhido no Sistema Correio e liderou, com outros colegas, o programa do meio dia, que era imbatível em audiência. Seu estilo é o de cutucar a onça com vara curta. Faz o gênero denuncista, porque nunca se conformou com as desigualdades e nem se intimidou com os arreganhos dos poderosos de plantão, a quem desafia ostensivamente. Quando convivíamos juntos, era eu quem controlava os impulsos de Gutemberg, o seu afã de dizer verdades, de agir como um Dom Quixote. Controlava vírgula. Porque, na verdade, Gutemberg nunca se deixou levar por ninguém. Sempre lutou para se livrar das amarras. Notícia, para ele, é notícia. Tem que ser divulgada.

Ultimamente estava pontificando na 101 FM, do Sistema Paraíba de Comunicação, apresentando o “Polêmica Paraíba”, denominação apropriada ao estilo desse comunicador formado em Direito. Passou a enfrentar problemas com poderosos, o que era inevitável, pela linha de questionamento que sempre adotou. Gutemberg não é de engolir a primeira versão. Dono de uma imaginação fertilíssima, ele cria cenários para tentar explicar determinados fatos obscuros, com uma estratégia que acaba enredando os protagonistas desses episódios e rendendo-lhe a descoberta da verdade possível. Esse vascaíno que tem a mania de anotar tudo já furou bloqueios de segurança para entrevistar personalidades famosas como o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quando foi meu diretor na rádio CBN, no Sistema Correio, deu-me plena liberdade para entrevistar quem quer que fosse notícia, pouco se importando com as reclamações de diretores e de responsáveis pelo setor comercial. Para ele, o faturamento dos veículos sempre vem acompanhado da repercussão das atrações que uma emissora exibe. Um programa jornalístico tem que ser audacioso, para chamar a atenção, criar legião cativa de ouvintes, de admiradores.

Desde Cajazeiras, Gutemberg foi sempre o cara que lidera. Que prospecta os talentos emergentes e os leva para sua companhia por considerá-los indispensáveis no esquema de trabalho que o motiva. Só não tolera a burrice, o nhém-nhém-nhém de quem tenta virar estrela a todo custo. Ele lutou muito para chegar aonde chegou. Eclético, polivalente, polêmico. Mas profissional de mão cheia. O filho de dona Joana Cardoso também virou professor da Universidade Federal da Paraíba. Credenciais para tanto não lhe faltaram. Nunca lhe faltaram, aliás. Como não é de se acomodar, já perscruta projetos de impacto. Gutemberg é brasileiro, não desiste nunca, sobretudo no primeiro obstáculo. É mais do que um colega. É meu irmão, com orgulho.