segunda-feira, 20 de maio de 2013

Opinião relevante do filho de Íracles Pires sobre a reforma do Teatro Ica.





O Teatro Ica
Pepé Pires Ferreira

Está acontecendo mais do que eu esperava, já mais de cinco, perto de dez pessoas andaram me perguntando se a família seria contra a demolição/reconstrução do Teatro Ica. Isso, sem contar os meus preocupados amigos Rivelino e Mainha, Agora, aproveitando o Dia das Mães e após cumprida uma visita cerimonial ao Cemitério Coração de Maria, onde repousam os restos mortais dela, assim como os antigos reis da América Pré-Colombiana, que suas múmias comandavam batalhas (e ainda temos o mito de El Cid, e Almirante Nelson, que morto derrotou Napoleão em Trafalgar) mesmo não tendo nessa visita, tido nenhuma experiência transcendental, vamos especular o que minha mãe se fosse viva e octogenária acharia dessa situação.

Uma exemplo que vivenciei dela foi a demolição do prédio da antiga Prefeitura Municipal, que se situava em frente a casa que morávamos na Rua padre Rolim. Primeiramente ela foi contra a demolição - prédio histórico, outros locais disponíveis, e outras coisas, e pediu aos pedreiros que preservassem pelo menos o Brasão da República que ornava a fachada, que como era muito grande, caiu e se desmanchou em poeira, isso ela presenciou e lamentou até às lágrimas.

Depois, como essa demolição foi para que no lugar fosse construído o prédio da Telpa, que colocou Cajazeiras em contato com o mundo, ela apreciava e achava de enorme utilidade e quando foi fazer morar e fazer tratamento no Rio, sempre que eu vinha de férias ela mandava presentes para as telefonistas, era como dissesse: Perdemos a história e ganhamos o progresso; isso segundo minha interpretação: Ela não viveu para saber que seria apenas uma sede provisória, e se fosse choraria novamente.

Primeiro ela sempre foi contra as demolições, pois seriam dois trabalhos, mas é assim que a coisa pública anda, racionalidade e Lei das Licitações muitas vezes entram em conflito, em especial tendo em vista a distância e a pouca importância que Cajazeiras representa para a Paraíba como um todo. Segundo ela perguntaria: Vão aumentar ou diminuir o teatro? As instalações vão ficar mais ou menos adequadas para o Teatro? Como a resposta é pelo que sabemos vai haver aumento e melhora nas instalações, ela (sempre segundo minha interpretação - não sou médium) no meu entender, não se oporia a essa obra, podendo até aprovar, irracionalidade nunca foi sua característica.

Agora, saindo dessa situação esotérica e vinda para a realidade atual, também temos que considerar, no meu desconfiado entender, que pelo fato de tanta gente vir me perguntar sobre essa situação, pode existir algum interesse sutilmente oculto, pois não falta político que queira homenagear aquele tio alcoólatra, aquela menina que morreu de acidente, ou outro personagem menor de nossa história ou mesmo de outra (o que fez Padre Monte na História de Cajazeiras para merecer dar nome ao prédio da Vara do Trabalho?), mesmo que desprezando mais de duas décadas de trabalho cultural, que ela representa (me lembro das querelas junto a D. Zacarias para alojar os artistas no Seminário - “Vão desvirtuar os alunos, Ica”), somente para citar um caso menor, mas Isso nos deu a oportunidade de assistir, por exemplo, Odorico Bem Amado mais de uma década antes da “Globo”. Naquele tempo, fazer cultura era bem mais complicado que hoje, muitas vezes tinha que fazer milagres, e ela e ouras pessoas de seu tempo, faziam, e tudo isso nos fez ter esse título, hoje não sei se merecido, de Terra da Cultura.

Outra coisa que me preocupa, e muito, é se depois que a demolição terminar, se não vai faltar verba para a construção. Deus queira que não, mas minha teoria da conspiração sempre fareja algum inimigo (sousense?), brecar as verbas e levar para outra obra, noutro canto; A maldade dessa gente é uma arte…

fonte: facebook.com/Gutemberg Cardoso.




Nenhum comentário: