sexta-feira, 28 de junho de 2013

Resultado da Nossa Enquete.


Durante mais de três meses, seguidores e público em geral simpatizantes ou não deste blog, teve a oportunidade de simular dentre os nomes indicados, qual era o mias representativo da nassa cultura e o que melhor representava o nosso jornalismo na capital paraibana. O público votou e o resultado foi o seguinte:

Na pergunta que fizemos sobre quem mais representava cultura, Zé do norte ficou em 1º lugar com 38%; em 2º lugar, Ubiratan Assis com 26%; em seguida, 3º colocação, Íracles Pires que obteve 23%; Cristiano Cartaxo na 4º colocação com 14% e na 5º colocação, Buda Lira com 11%.

Os nomes de Roberto Cartaxo, Marcélia e Ivan Bichara, obtiveram 8%. Telma Cartaxo, Raquel Rolim e Eliezer Rolim, receberam 5% e finalmente, Sôia Lira, Irismar de Lira e Bá Freire, com 2% dos votos. Não foram votados os nomes de Ana D´lira, Bertrand de Lira, Lúcio Vilar, Marcos Pê e Modesto Maciel.

Na pergunta sobre quem melhor representava o jornalismo de Cajazeiras em João Pessoa, 55% votaram em Nonato Guedes que ficou na 1ª colocação; Gutemberg Cardoso com 33% ficou a 2ª posição; na 3ª colocação ficaram empatados com 22% Linaldo Guedes e Cristina Moura. Já no 4º lugar, também houve um empate com 16% os nomes dos jornalistas Josival Pereira, Lena Guimarães e Otacílio Trajano. Por ultimo, na 5ª colocação com 5% de votos cada, os nomes de Nilvam Ferreira, Sales Fernandes, Lenilson Guedes e Edileide Vilaça. Os Nomes de Fabiano Gomes, Fábia Carolino e Jôse Aquino não pontuaram ou obtiveram menos de 1% do votos. Veja o demonstrativo da enquete.





Relembrar, Grupo Terra.

Sales, Marcelia, Salvinho, Nanego, Eliezer, Wilma, 
Sôia, Lincom, Paula, Doda, Everaldo... são os nomes que consegui lembrar na foto.


Recordar é viver. Importante documento da histórica do teatro em Cajazeiras. Foto que registra a participação do Grupo Terra no Festival Brasileiro de Teatro Amador em São Carlos/SP. O ano era 1984 e o espetáculo era “Beiço de Estrada”; texto e direção de Eliezer Rolim. A participação do Grupo Terra no festival deu inicio a turnê que o mesmo realizou por algumas capitais do sul do país, dentro do Projeto Mambembão realizado pelo Instituto Nacional de Artes Cênicas - INACEN. Há 29 anos atrás.


 Em Porto Alegre: Nanego, Salvinho, Wilma, (?...), Eliezer, Lincom, 
Paula, Zefa Ralem, Sôia, (?...), (?...), (?...),
Marcélia, Buda. Também são os nomes que consegui lembrar.





segunda-feira, 24 de junho de 2013

Poesia Estudantil - Parte II


RAIMUNDO NONATO GUEDES DE AQUINO

Jornalista autodidata com formação no rádio, Nonato sempre esteve presente nos movimentos culturais de Cajazeiras nos conturbados anos 70 e 80. Foi um dos fundadores do antigo Cineclube Wladimir Carvalho. Em declaração no livro “Raízes” o jovem jornalista na época afirmou que para ele a poesia era apenas mais uma extensão do seu trabalho. E afirmou: “Na verdade eu não sou poeta, mas um jornalista que faz versos nas horas vagas e quando vem à inspiração”. Sobre o poema “Vítima ou Réu” que escreveu em 1977, na época, o jovem Nonato declarou ser em memória de Geraldo Ludugero, teatrólogo cajazeirense assassinado friamente no sanitário do “Cajazeiras Tênis Clube”. No julgamento, o réu foi absolvido por sete a zero. No poema abaixo, Nonato questiona até que ponto houve justiça no julgamento.



VÍTIMA OU RÉU

Tu que julgas este réu
e condenas quem morreu
não negas, por acaso, o direito à vida
de quem na própria vida não viveu?

E tu que na hipocrisia desta imagem
vestes em roupas de paladino da justiça
e lutas a nú contra a liberdade
não estarás traindo o ofício
semeando a desigualdade?

E tu que choras pelo réu
abominas a dor da vítima
não temes, por acaso,
que os crocodilos se encarreguem dessas lágrimas
e as despejem neste vale de esperança?
para aguar a vitória de uma bonança

E tu que te consideras digno probo
cidadão honesto, íntegro e intocável
não temeste tocar com mãos sujas
a alma limpa de que foi injustiçado?

E por que ao sentaste nesta cadeira
para o julgamento dos outros
não usaste esta tribuna
e levantaste a honra
e proclamaste a vida
de quem, de fato mereceu viver?

Não sentes remorsos, então
de exterminar o ser puro
e enaltecer a frieza do bruto impuro
que ainda hoje anda livre e sossegado
a contrastar com a liberdade
de quem de fato foi usurpado?

Não sentes, pois vergonha
de virar a medalha do teu reverso
e cuspir esta face, este outro lado
no rosto do ofendido ou do humilhado?

Tens tuas razões, é verdade
pois do meio que te obriga e te comporta
só se pode esperar semelhante ação
pois que é uma justiça que não é justa
que mesmo injusta será justiçada
por quem ficou nesta caminhada.

E se do palco da vida
arrancarem o ator principal
não principies a cantar glória
que o palco real não está vazio
mas vazia deve estar a consciência
de quem quis esvaziá-lo inutilmente.

E se não queres crer na evidência dos fatos
bebe a sabedoria popular
para quem “um dia é da caça
outro do caçador”
e no amanhã que desponta justiceiro
não haverá lugar pra quem como tu
salvaste a própria pele
mas condenaste ou ajudaste a condenar
a vida de um irmão
como a querer sufocar o seu grito
e impedir seu refrão.

Em Pé: Dantinha, Bosco Amaro, Paulo, Itamar, Tático, 
Arruda Sobrinho, Zé Goreth, Normando Soracles, Josival Pereira.
 Sentados: Gutemberg Pereira, Nonato Guedes, Gutemberg Cardoso, 
Mário Alves, Otacílio Trajano e Zé Alves. 




GIOVANNY DE SOUSA LIMA.

No período compreendido entre os anos 70 e 80, foi ativista membro do movimento secundarista e universitário de Cajazeiras. Juntamente com teatrólogo Tarcisio Siqueira, teve participação direta nos eventos culturais da cidade, principalmente os da área de artes cênicas. Ilustrou o Livro “Reflexos” do Poeta Irismar de Lira e foi um dos coordenadores do extinto Grupo de Integração do Menor na Comunidade (GIMC). Em João Pessoa, Giovanny foi estudante do curso de Psicologia do antigo IPÊ e assessorou o Departamento de Imprensa da Câmara Municipal, além de exercer atividades na área Educacional. Os poemas abaixo produzidos por Geovanny entre os anos de 1976 e 1980 apresentam frases e palavras que constituem o comportamento do ser e sua função na sociedade.


MARCO ZERO

Redimido no prumo da infraestrutura,
de altura, dimensões moribundas,
Permaneço impaciente.
Ampara-me o mínimo
Além-mar
durmo,
danço,
deito no duro dardo real das contradições,
com artérias proletárias, pensando sempre.
Circulo ruas,
e setas, números, sinais, símbolos,
são anestésicos de possíveis diálogos,
palavras, gargalhadas.
Uivando sob comando de vermes em camadas,
acajazeiradas,
compreendo:
“Pobre é ser rico de misérias,”
mutiladoras,
arrastando-se por fases,
recompensado por corrente de fazes programadas,
anordestinadas, onde devagar marcha a massa amassada,
triturada,
assada por peritos cozinheiros com suas frenéticas
normas,
códigos,
Leis...
Leis?
Ora leis!

CACTOS

Vomitadas tarifas institucionalizadas,
carimbadas,
mascaradas,
violentam impunes:
sexo.
Bolsos
Consciências.
Fronteiras
Economia popular,
entre cruzes e cravos.
Sinto dó,
do código ficar em ré...
quando viva ainda está,
a indústria da seca
atormentando pedreiras humanamente sertanejas.

UM ANÔNIMO NO MATO

Safras e entusiastos mantos
piadas novas não aparecem.
títulos atrasados pra dois santos dias sociais,
ironia,
na mania emprestam-me,
vomitados pela atrevida liberdade do sangue.
treze cruzeiros no saco de farinha,
morna,
após semana endividada.
Ora,
urra,
ora, escavando precipitado o peito,
na esperança de umedecer
o espírito praga da língua pregada.
Mira-se,
murmura queimando que continua,
lubrificando o senso da sensual censura.
Pendurando mãos calejadas no bolso declarado,
semblante do dissabor,
escamoteia contradições e,
as dissimula, apenas na ponta de cartazes bem posicionados.

NOZES

Arregaçados talheres embriagados,
socialmente calados,
atestam o teto furado da fé farinha,
pisoteada por grilhos e galhos opulentos,
consequente do habitual “show”, casulo noturno.
Pronto está estrumado banquete,
face a face participam:
foices,
freios,
fiados frutos da previdência adiantada.
Cachorro e mulher retalhados no raso das fezes,
fazem festa nos cantos dos cactos,
no vento da terra,
por não estarem mais presentes.
Indenizo meu silêncio fundo,
pelas brechas do rural atrofiado.
o sol queima vidas,
enquanto sedento continuo tocando os instrumentos
da Banda Curral,
que o Cristo do meu sertão empresta.
Voto democraticamente para a volta do meu mundo e,
percebo mancando que somente a morte,
estranho fruto da vida,
contempla abstraída,
o sucesso permanente da monumental parada:
indústria da Seca.

VIDAS REAIS RADIOGRAFADAS

Ciclos de fardos descompassados,
higienicamente chicoteados
vomitados,
pensam a prática,
e, pensar é fundamental,
mesmo na tropicologia aflita,
injusta gruta,
com suas fendas,
fundas,
afundando:
feriados,
salários,
feridas sistemáticas,
paulatinas,
de têmpera miséria secular
choram guilhotinados,
oram subdesenvolvidos.
pela sobrevivência inglória
fumegante,
atiçada,
absurda,
tensa
ajuazeirada,
lutam pelas transformações concretas,
diretas, necessárias,
brindando suas vivencias,
conflitos essenciais.
Conscientemente “sorrindo”.

fonte: RAÍZES, Livro de Poesias. Cajazeiras, 1982

domingo, 16 de junho de 2013

Imagens da vida social de personagens da política cajazeirense.


O Deputado Federal Edme Tavares sendo entrevistado pelo Radialista 
J. Gomes em um dia de futebol no Estádio Higino Pires Ferreira.   
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Solenidade municipal com a presença do Prefeito Francisco Matias Rolim, 
Dr. Epitácio Leite, Dr Iemirton Braga, Vereador José Lopes-Dudu,   
Professor Antônio de Souza e os Radialistas Zeilton Trajano 
e Zenilton Alcântara.  


Prefeito Dr. Antônio Quirino de Moura e Diretor do Campus V da 
UFPB José Antônio de Albuquerque, sendo observado 
pelo Jornalista Antônio Malvino.  
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Almoço do Governador Ivan Bichara Sobreira e Secretários de Estado 
com Antônio Quirino de Moura e Francisco Matias Rolim. 
......
*As imagens foram tratadas e algumas recuperadas.   


sábado, 15 de junho de 2013

Homenagem a poesia estudantil do final dos anos 70 e inicio dos anos 80.



Este blog, a partir desta postagem, faz uma homenagem especial (com postagens que publicaremos a cada semana), à poesia estudantil cajazeirense, produzida no final dos anos 70 e inicio dos anos 80, isto é, entre os anos de 1976 e 1981. Nesse período, o aparelho repressor através da ação da censura, ainda sufocava a produção cultural no país. Em Cajazeiras, os estudantes dos principais colégios da cidade, a exemplo dos demais pelo país a fora, sonhavam como mais liberdade de expressão e com a queda do regime militar. Lutavam contra isso, ocupando os Grêmios Estudantis e os Centros Cívicos dessas unidades escolares, realizando eventos culturais de cunho político educativo, que no fundo era um chamamento da classe, para o confronte contra o regime opressor instalado pelos militares em 1964.

De muitos eventos realizados por essas entidades estudantis, os Festivais de Poesias realizados pelo Centro Cívico Olavo Bilac do Colégio Estadual, foi o que mais concentrou um grande número de estudantes comprometidos com ideais libertários. As poesias produzidas por esses jovens eram contemporâneas. Um verdadeiro turbilhão literário de versos fraseados que evocava o sentimento de uma classe diante da dura realidade política que país vivia e a necessidade mudanças. Bandeira que esses estudantes lutavam incessantemente, seja com a palavra ou na militância através das manifestações artísticas-culturais.




IVALDO PEREIRA DE SOUZA

Para esta primeira postagem vamos reproduzir os poemas produzidos por Ivaldo Pereira de Souza (in memória). Segundo o editor do livro RAÍZESARAÚJO, Luiz Alves. Cajazeiras/PB, 1982, o jovem poeta falecido prematuramente na época, vítima de afogamento, era talentoso: “muito cedo descobriu as causas das injustiças sociais a que estamos submetidos nessa sociedade capitalista.  Mas sempre soube unir a denúncia ao anúncio. Suas poesias mostram as contradições da atual ordem econômica, política social". Escreveu Luiz Alves.







IN - POSIÇÃO

A mesa com nada
o leito sem nata
o lixo sem lata
o enfermo sem maca
o livro sem capa
a mão com a faca
a vida paga
o governo e a massa
a massa com nada.

O futuro e o dinheiro
a carne sem tempero
o choro verdadeiro
o incêndio sem bombeiro
julho e fevereiro
o tiro certeiro
Deus justiceiro
o pobre romeiro
o rico dinheiro.

A verdade e o corte
o tiro e a morte
a foto e o recorte
não há quem suporte
o rico e a sorte
o dinheiro é o forte
a rainha e o consorte
a fome e o norte
o censor e o corte.

O sistema - a Ditadura
a verdade pura
nós e a censura
a moeda impura
o dialogo e a ruptura
o remédio e a cura
o pobre que não atura
a hipocrisia e a amargura
a gente mole e a dita dura.

A prestação e a cobrança
a caixa e a poupança
o instituto - a esperança
o abandono da criança
o atrito e a vingança
a morte e a herança
a televisão que casa
os 22 e a França
o depósito, a cobrança.

A renda e o imposto
o alimento sem gosto
a inteligência ou o rosto
o sucesso composto
o líder deposto
o golpe disposto
o líder reposto
a parada no posto
o imposto, imposto.

O NASCER DA FOME

E nasce mais um:
como todo humano, chorou.
E mamou,
como todo plebeu,
não o leite materno
mas a decepção paterna.
Deram-lhe qualquer líquido branco
ou ao menos algo
com tendências ao alvo.
E não comeu,
como qualquer plebeu
enganou a sua barriga
que simultaneamente o enganou,
deixando enganado seu pai
que foi enganado pela sociedade.
E ele cresceu,
isto é, cresceu sua idade
cresceu sua infantilidade
cresceu seu sofrimento,
mas não cresceu do mundo seu entendimento,
seu amadurecimento.
E saiu da infância
pensando ainda ser criança.
E passou pela puberdade
passando pela idade
de adulto,
e nunca foi alguém
sempre foi um vulto
sempre foi ninguém.
E sem o amor materno,
também sem o artificial,
e a barriga em flagelo,
diferente de muito animal,
nunca viveu,
como todo plebeu.
E como todo humano
morreu.






















RE - COLHIDA

Uma praça
na praça
um praça
na praça
caça
com raça
uma criança,
sem raça,
que passa
sem graça
entre a massa.

Que trapaça!
uma raça
traça
de graça
a desgraça
da massa
e ainda a massa!

DIA A DIA

Meio - dia,
barriga vazia,
agonia.

Desastre na via,
nenhuma melhoria,
só alegoria.

Mulher que jazia,
ninguém socorria,
mais uma Maria.

Criança sem regalia,
nas grades vivia,
utopia.
A hierarquia,
de baixo comia,
mordomia.

Aumento na mercadoria,
sistema aplaudia,
carestia.

Poucos na folia,
muitos na penitência,

hipocrisia.

fonte: RAÍZES, Livro de Poesias. Cajazeiras, 1982



quarta-feira, 12 de junho de 2013

Quatro imagens que nos faz voltar ao passado.

     Essa Imagem foi produzida em 1928. Mostra um trecho da   
   antiga estrada (hoje BR 230) que ligava Cajazeiras a Cidade de Sousa   

     Ponte de Cimento Armado da Estrada de Ferro da RFC -    
    Rede Ferroviária Cearense - Trecho entre Cajazeiras e Sousa   

   A fé do povo de Cajazeiras e a devoção pelos ícones da Igreja   
   Católica demonstrada em procissão com a presença de    
   Frei Damião pelas ruas da cidade nos anos 70.   

   Faixa colocada no centro da cidade anuncia o segundo ano de aniversário   
   da Difusora Rádio Cajazeiras. Os serviços radiofônicos da emissora,    
   começaram em 5 de agosto de 1938, através de Alto-falantes    
   instalados em postes estratégicos na cidade, sendo    
   oficializada depois, em 1° de maio de 1964.   


A arte de um cajazeirense em São Paulo


Cajazeiras sempre fez a diferença entre as cidades do sertão paraibano, quando o assunto é a produção artística cultural. Porém entre todas as linguagens da arte desenvolvidas na cidade, as artes plásticas e os seus agentes executores - os artistas, não tiveram o reconhecimento pública, por exemplo, como teve a dramaturgia e a música.

Mas isso não quer dizer que os motivos do não aparecimento da produção dessa linguagem, e da mesma não ter ofertado a cidade um volume de artistas, como ofertou o teatro, a musica e o cinema; tenha sido a causa da escassez de talentos nas artes visuais de Cajazeiras. Um argumento que cai por terra quando se vislumbra a produção de Mardem Rolim, Natércia Marques, Telma Cartaxo, Modesto Maciel, Marcus Pé, João Braz e Carlos Cardozo.

O problema é que as artes plásticas por ser uma linguagem menos popular do que o teatro e cinema e por se reservar ao interior das galerias e salões, não chegam facilmente ao público como as demais linguagens.  Entretanto, no caso de Cajazeiras as artes visuais sempre estiveram presentes como umas de suas manifestações mais autênticas de sua cultura.

É evidente que foi a partir de 1987, com realização do Salão Oficial de Arte Contemporânea e pouco mais tarde, com a criação do Atelier do NEC/UFPB e as sucessivas exposições realizadas por esse; que as artes plásticas cajazeirense começaram a aparecer na produção paraibana e como reconhecimento, passou ter mais espaço nas páginas dos jornais de maior circulação no Estado.

Mais isso é outra história que eu não quero estender, pois o que importa é que a cidade, com sua energia e atmosfera cósmica para arte, revelou e continua revelando e exportando talentos nessa linguagem. Uma prova disso é o Artista Plástico Carlos Cardozo.

Nascido em Cajazeiras, filho de um torneiro mecânico de umas das usinas de algodão que existia na cidade, Cardozo com oito anos de idade já dava os primeiro passo no desenho. Apegado às formas, o garoto observava as coisas, desenhava animas, paisagens e encarava as cores como alimento de suas criações primárias. Sobre as cores nesse período, o artista costuma dizer que: “dava vontade de comer”.

Em 1970, cinco anos após a morte de sua mãe Carlos Cardozo, depois de um longo período de recluso e falta de interesse pelo desenho, volta a desenhar, motivado pelo seu irmão que desenha também. Mas uma decisão em 1972, faz mudar tudo em sua vida, ele deixa a cidade de Cajazeiras ruma a São Paulo, seguindo o trajeto de seu irmão, que há dois anos já residia naquela cidade. Sua primeira moradia na "paulicéia desvairada" foi numa pensão na Rua Amaral Gurgel, no centro, numa localidade boêmia em que existe muitas boates. A chamada “boca do lixo”.

Em São Paulo, trabalhou como entregador de roupas, bancário e digitador.  Atividade que não tirou o gosto pela arte, pois sempre achava um tempinho para se dedicar ao desenho. Em 1974 foi morar no Rio de Janeiro. No Rio começou a frequentar cursos livres de pintura na escola de Belas Artes, três meses depois, já estava participando de exposições coletivas em locais como Palácio de Cristal em Petrópolis e em Hotéis da Zona Sul.

Empolgado com a produção que realizava e achando que poderia viver só da arte, saiu de um emprego que exercia na área de computação, para se dedicar só a pintura de quadros. Porém, diante de situações adversas que o mundo da arte proporciona, principalmente aos artistas em inicio de carreira, volta em 1976 para São Paulo e vai morar numa travessa na Rua Augusta e passa a frequentar as Galerias de Artes da região. Nesse mesmo período, Carlos Cardozo passa a levar seus quadros para a cidade de Embu das Artes, uma maneira encontrada de divulgação do seu trabalho.

No ano de 1978, Cardoso se encontrava numa agência de empregos, com vários quadros debaixo do braço, aguardando ser entrevistado para vaga de digitador, na cidade de Brasília. Ao ser chamado, o entrevistador, vendo os seus trabalhos de arte, nem fez entrevista, preencheu o verso de um cartão de visitas, com algumas recomendações ao seu amigo, que era o dono de uma Agência de Propaganda e pediu que fosse no dia seguinte se apresentar a esse amigo. Esse foi o seu primeiro serviço em que se sentiu feliz. Estava colocando em prática o que mais gostava: desenhar, criar e pintar, ganhando dinheiro. Tornou-se ilustrador, trabalhando em várias agências conceituadas de São Paulo e Salvador. Carlos Cardozo ganhou vários prêmios com ilustrador.

Depois de dois casamentos, o pintor cajazeirense, em 1992, decide morar com a sua família no Nordeste, na cidade de Recife, onde passou a trabalhou em agências de propaganda, ficando um ano. Entretanto por problemas de adaptação, o pintor volta em 1994 a São Paulo, onde até hoje se dedica exclusivamente a pintura.

Mais experiente e recuperado dos problemas renais que lhe incomodava, o artista já participou de exposições em locais importante da cidade de Osasco, como as de 2003 - no Osasco Plaza Shopping; 2004 e 2007, no Clube ACM e no Teatro Municipal de Osasco. Carlos Cardozo é um artista completo, pois é escultor, desenhista, pintor e caricaturista. Seu trabalho é um resultado de dedicação, perseverança e experimentalismo estético. Atitudes comuns em artistas comprometidos com a sua arte e com o prazer que esse lhe proporciona.   














fonte: www.facebook.com/carloscardozo.cardozo



Cordel político ao vivo

João de Manoelzinho e Chiquinho de Moisés - em "O Grande Duelo"

Vídeo postado no YouTUBE mostra o debate político, que parece bem um cordel da nossa folclórica politica do interior do Nordeste, realizado no ano de 1991 - há 22 anos atrás, no estúdio da Norte Publicidades Radiofônicas (NPR) entre João de Manoelzinho e Chiquinho de Moisés, pré-candidatos a vereadores de Cajazeiras. Este foi verdadeiramente um "duelo de titãs".



F i c h a  T é c n i c a:

Edição de Vídeo
HERACIEL DE SOUZA
Vídeo Original
LASER VÍDEO FILMAGENS
Gravado e realizado nos estúdios da NPR
1991

terça-feira, 11 de junho de 2013


A vila de Cajazeiras
Francisco Sales Cartaxo

A Paraíba possui hoje 223 municípios num território pequeno, superfracionado em comparação com os vizinhos Ceará e Pernambuco, bem maiores em extensão e com número muito menor de municípios. No ocaso do Império, tínhamos apenas 40 municípios, com suas vilas ou cidades como sede urbana. Criado em 1863, Cajazeiras foi o 21º município paraibano e o 6º do sertão, considerado aqui o espaço situado entre a Serra de Santa Luzia e a divisa com o Ceará. Neste sertão, Sousa, Pombal, Piancó, Catolé do Rocha e Teixeira são vilas mais antigas do que Cajazeiras, enquanto as nossas vizinhas São João do Rio do Peixe (1881) e São José de Piranhas (1885), são também do tempo da Monarquia.

E antes de ser vila? Como povoação, às vésperas de tornar autônoma, Cajazeiras já exibia ares de vila. Além do colégio de ensino secundário do padre Rolim, tinha escolas de instrução primária, uma concorrida feira semanal, subdelegacia de polícia e comissariado de instrução pública, além de “uma capela com proporção de matriz, um cemitério decente e murado, em cujo recinto existe outra capela”, segundo registrou em 1854 o presidente João Capistrano Bandeira de Mello no Relatório à Assembleia Legislativa. A paróquia de Nossa Senhora da Piedade foi criada em 1859.
A independência de Cajazeiras, desmembrada do município de Sousa, teve origem formal em projeto de lei do deputado João Leite Ferreira Júnior, advogado, filho de poderoso chefe político liberal do vale do Piancó. Genro de Felizardo Toscano de Brito, que foi presidente da província e chefiou o Partido Liberal na Paraíba, durante muitos anos, João Leite herdou também o comando daquele partido na Paraíba. Lembro isso para realçar que nossa autonomia político-administrativa sofreu a influência dos liberais, então chefiados em Cajazeiras pelo Comandante Vital Rolim. A emancipação trouxe de imediato a chance de ter um representante legítimo de Cajazeiras na Assembleia Provincial, já no ano seguinte à criação do município, com a eleição do bacharel Antônio Joaquim do Couto Cartaxo para a legislatura de 1864/1865.Foi ele o primeiro deputado a representar Cajazeiras.

Antes dele, porém, um cajazeirense, o bacharel Manuel de Souza Rolim, (irmão do padre Rolim), fora deputado provincial, mas representando o município de Sousa. Como assim? Simples. Após sua formatura, em 1839, ele foi ser professor em São José da Lagoa Tapada, onde casou com uma jovem da família Sá, filiando-se ao Partido Conservador, cujo chefe em Sousa era o Comandante da Guarda Nacional, José Gomes de Sá Júnior. Logo depois de Couto Cartaxo, outro bacharel, Manuel Rolim de Alencar representou Cajazeiras na Assembleia Provincial (1866-1867), também ligado à facção liberal. Como se nota, essas conquistas decorreram da criação da vila/município de Cajazeiras em 23 de novembro de 1863, data muito mais significativa do que a transformação da vila em cidade. 

Com a criação do município, Cajazeiras instalou a câmara municipal que então desempenhava funções administrativas; passou a ser termo judicial, ocupado por um juiz municipal; sediou uma delegacia de polícia com três subdelegacias: uma na vila, outra em Santa Fé e a terceira em São José de Piranhas. Em 1875, criada a comarca, teve seu primeiro juiz de direito, Manuel da Fonseca Xavier de Andrade. Todas essas conquistas aconteceram antes da elevação de Cajazeiras à categoria de cidade, em 10 de julho de 1876, no curto período de 13 anos.

fonte: diariodosertão.com.br



sábado, 8 de junho de 2013

Entrevista de Bosco Maciel


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Dois vídeos de Bosco Macil onde ele fala da Paraíba; de seus primeiros passos na música ainda em Cajazeiras; de sua primeira banda "Os Rebeldes"; sua ida a São Paulo; da cidade de Guarulho; do seu trabalho em defesa da cultura popular. Vale apenas ver.
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Quer saber mais sobre o trabalho desse cajazeirense? acesse o site:
 http://www.boscomaciel.com.br/



Patativa em Cajazeiras


UMA RARIDADE: Fotografia tirada no Coreto da Matriz Nossa Senhora de Fátima, mostra o poeta popular cearense Patativa do Assaré, considerado pelos estudiosos da poesia matuta, o maior de todos os poetas do gênero dos sertões do Nordeste.  Ladeado por Joel e pelos professores Elionita e José Antonio, a foto mostra o velho poeta autor do antológico “cante lá que eu canto cá” em um evento cultural realizado pelo antigo Campus V da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), durante as festividades da semana da cidade de Cajazeiras, ocorrida no dia 12 de agosto de 1979 - há a quase 34 anos atrás. Foi sem dúvida numa bela noite de poesias que encantou todos nós (eu estava lá) e demais pessoas que estiveram naquele momento único na Praça da Cultura.

fonte: Blog oultimodosmoicanos-claudiomar.blogspot.com.br