domingo, 16 de fevereiro de 2014

Um crítico perplexo diante da tela que veio do sertão.



(Há 30 anos atrás). Em 1984, durante a realização da Gincana Cultural Descubra a Paraíba, evento promovido pelo antigo MOBRAL em parceria com o Governo do Estado, que aglutinou artistas anônimos, desconhecidos com atuações nos mais longínquos lugares da Paraíba, a equipe de Artistas Plásticos do atelier de artes do extinto NEC/UFPB/Cajazeiras, competia com demais artistas do Estado.

Vencendo todas as etapas, o atelier cajazeirense foi a final em João Pessoa com os nossos artistas (Eu-Cleudimar, Marcos Pê e João Braz) participando da grande coletiva nas dependências do Liceu Paraibano. No glamour da vernissage que abriu a exposição dos novos ignorados artistas visuais da arte na Paraíba-década de 80, um crítico (que eu não vou citar o nome por questões éticas) bastante conhecido da imprensa paraibana e do movimento cultural da época; com coluna semanal em vários jornais; ao ficar diante do trabalho acima disse a seguinte frase: “não acredito que haja no interior do Estado, artistas com capacidade de produzir esse tipo de trabalho, com esse tipo de temática.”

A coordenadora do Atelier de Cajazeiras, Telma Cartaxo Rolim estando naquele momento próximo desse jornalista especializado em artes, rebateu dizendo: “porque não, você acha que é só os artistas daqui da capital que tem capacidade de produzirem coisas novas? Algo diferente?” O interpelado crítico, diante da resposta de Telma Cartaxo, fez uma pausa e voltou com uma pergunta: “É de lá de Cajazeiras esse artista?” Depois da afirmação de “sim” de Telma, ele, o crítico, saiu de fininho e continuou olhando os demais quadros da coletiva.

A arte paraibana do interior sempre foi marginalizada, sempre foi colocada em segundo plano pelos nossos veículos de comunicação. Nos jornais há mais matérias promocionais com artistas de João Pessoa do que com os artistas do interior. Os nossos críticos de artes parecem que desconhecem ou por ignorância não sabem que há produção artística nas cidades paraibanas do sertão, do cariri, do curimataú, do brejo e das cidades do Vale do Piancó.

Esse desconhecimento foi muito mais gritante no passado, mais aos poucos vai diminuindo e o comportamento dos nossos críticos de artes, vai também mudando a contragosto diante do talento que tem os artistas do interior. A tela acima fez parte de uma sequência de três telas, com mesma temática, que eu pintei para concorrer no certame promovido pelo Mobral e Governo do Estado. Das três, duas foram vendidas a uma senhora de Patos e essa que vemos acima, foi vendida a um primo meu de São Paulo.         

       


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