quarta-feira, 23 de abril de 2014

Chico Amaral, GTE e o Teatro Comunitário de Cajazeiras dos anos 80

por:  C l e u d i m a r    F e r r e i r a


GTE - Grupo Teatral Esperança, 1985/86, peça: O Casamento de Maria Feia.

A memória do teatro amador de Cajazeiras pode também ser lembrada, tendo como base nas características das células que ajudaram a entender como se formou o perfil do seu movimento na cidade.

No início do século 20, as primeiras células desse movimento, por exemplo, centralizavam-se na Casa da Câmara, onde a vida social da cidade era pulsante, com seus saraus dançantes, sessões cívico-literais e encenações teatrais. 

Com o passar do tempo, aportamos nos anos 50 com o teatro clássico dirigido por Hildebrando Assis; depois nas décadas 70 e 80, com Ica Pires, Ubiratan Assis, Tarcísio Siqueira, Eliezer Rolim e o teatro popular periférico de Francisco Amaral e Antônio dos Anjos.

Francisco Amaral (Chico Amaral) foi um desses intuitivos dirigentes de grupo que usou fazer seu teatro de forma independente, distante da estética teatral que se via em cena, protagonizada por diretores como o próprio Ubiratan Assis (GRUTAC), Tarcísio Siqueira (METAC – depois CAJÁ) e Eliezer Rolim (TERRA).


Acostumado ver os dramas clássicos exibidos nos tradicionais palcos giratórios, montados pelos pequenos circos que baixava em Cajazeiras, bem como, as próprias apresentações teatrais feitas no centro pelos grupos de vanguarda, Chico Amaral mesclou as suas dificuldades com os limites de seu entendimento cênico e a difícil vida social de sua comunidade – O Bairro da Esperança, e começou a fazer um teatro que representava a resistência de uma juventude, distante dos cursos oferecidos, na primazia por Ica Pires e anos depois por Ubiratan Assis a frente da direção do Teatro Ica.  

A sua perseverança o fez crescer e influenciar no surgimento de outros grupos na comunidade, como foi o caso da formação do Grutepazeu, e mais tarde, o Grupo Teatral Esperança (GTE) dirigido pelo próprio Amaral, todos integrados por adolescentes, assim como foi o Grupo de Teatro Terra. Imaginamos aqui, se um desses grupos tivesse o destino que o Grupo Terra teve - que foi apadrinhado na sua essência por integrantes da chamada vanguarda teatral de João Pessoa! Talvez a memória do nosso teatro fosse vista sob outro ângulo e a sua história tivesse outra forma de ser contada.

A resistência cênica da zona sul, liderada por Chico Amaral, foi marcante para fundação da primeira associação de teatro na cidade - a antiga Associação de Teatro Amador de Cajazeiras(ATAC); na junção dos grupos Brasileirinhos, GTE e Grutepazeu; que culminou na realização da primeira montagem da Paixão de Cristo ao ar livre, no morro do Cristo Rei e na formação da identidade do teatro comunitário de Cajazeiras, nos anos 80.  
          

        









Um comentário:

Cultura e Artes disse...

Outro dia me mostraram uma revista que falava da historia do teatro de Cajazeiras e nessa historia nós em nenhum momento fomos mencionados, é como se agente não tivesse feito parte dessa historia por isso quero lhe parabenizar por esta maravilhosa matéria meu amigo por que a historia do teatro de Cajazeiras não se limita apenas aos grupos de teatro dos burguês de Cajazeiras, mais sim do teatro autêntico feito por nós lá na periféria por mim, por você, por nezinho por Toinho dos Anjos enfim por todos nós que acreditavámos no nosso sonho de fazer teatro.