terça-feira, 25 de novembro de 2014

Griguilin e a Jovem Guarda em Cajazeiras.

Cleudimar Ferreira 



"Os Brazinhas" (principio da formação do Super Som Sete)
Rômulo Alencar, João Vianney (guitarra), Billa,
Griguilin e Olivan Big Boy (bateria)

No inicio dos anos setenta, a Jovem Guarda mesmo parecendo chegar ao fim, ainda era um movimento musical presente no dia-a-dia e um modelo de vida a ser seguido pela nossa juventude. Toda forma de agir, pensar, vestir e cantar, tinha com referência estética, esse modelo musical, comportamental, lançado pela indústria fonográfica dos anos sessenta, o qual facilmente a nossa sociedade absorveu e teve como principal consumidor a sua juventude.

Cantores como Roberto, Erasmo, Wanderléia, Jerry Adriano, Vips; Bandas de grandes sucessos, a exemplo de  Renato e seus blue caps e The Fevers, alucinavam corações com suas canções e lançava nas ruas das grandes cidades deste país, um jeito novo de vestiu a cabeça e o corpo dos jovens, bem como, das demais pessoas que se achavam identificadas com a sua música e com as atitudes que esses cantores assumiam no cotidiano dos programas de TVs e nas revistas sociais de grande circulação no mercado editorial brasileiro.

Se essa nova estética social, embutida na música lançada pela Jovem Guarda, se tornara uma febre tão quente assim no seu berço - Rio e São Paulo, imagine só como seria ela numa cidade a exemplo de Cajazeiras, que facilmente a temperatura chega aos trinta e oito graus; tão distante dos grandes centros urbanos, encravada nas cercanias territoriais da Paraíba com o Ceará. Nesse sentido, não é de se ficar abismado em dizer que Cajazeiras sempre foi cosmopolita e que por ser assim, facilmente poderia ser contaminada com o estado febril envolvente, que o clima da Jovem Guarda proporcionava aos Jovens daquela época. 

Super Som Sete. Olivan Big Boy (Bateria), Nenem de 
Iraídes (Guitarra),Griguilin (Vocal), Nael (Guitarra),
Zezin de Jorge (Baixo) e João Robson (Percussão).

Que a sua juventude sempre sonhou e sempre procurou está à frente do seu tempo, e por isso, a Jovem Guarda foi tão bem assumida e “curtida” pela sua rapaziada, é um fato que qualquer um que viveu esse tempo, pode confirmar.  Uma rapaziada feliz, que ao som das músicas de Roberto, Renato e Fevers, ousaram e formaram bons conjuntos musicais, a começar pelo conjunto "Os Brasinhas" ou os exemplos de bandas como: “Super Som Sete”, “Os Bembens” e tantos outras que animaram as festinhas dos colégios; das matinês de domingo e das festas de debutantes, nos anos em que a Jovem Guarda reinou também em Cajazeiras.

Essas bandas, com seus músicos e jovens vocalistas, ajudaram a difundir esse momento musical da nossa música e alimentou o sonho, o encantamento e o romantismo da juventude cajazeirense. Com isso, começou a surgiu os nossos primeiros ídolos cantores. Jovens vocalistas, que se não dispunha de técnica vocal apurada para canto, mas tinha a simpatia do público adolescente, o que era suficiente para continuar cantando; tentando aperfeiçoar a voz e a suas performances nas interpretações das principais músicas de sucesso, muitas ouvidas no rádio e na TV.

No oportuno exemplo desse momento da Jovem Guarda de Cajazeiras, destacamos os nomes de Griguilin, Jocélio Amaro e Rômulo Alencar. Jovens engajados, comprometidos e alienados com esse movimento musical, que se não fizeram história na música de Cajazeiras, mas deixaram saudade de um tempo mágico que fez pulsar o sangue e alimentou o libido de muitas garotinhas e garotões.

Super Som Sete - Griguilin (vocal)

Desses pequenos vocalistas citados, Griguilin era o que mais mexia com os corações das meninas e com a inveja dos meninos. Simpático, desinibido, morador da Rua Epifânio Sobreira, ele se vestia muito bem - a caráter da Jovem Guarda, tinha cabelos compridos, uma voz grossa e postada. Curtia e cantava não só os grandes sucessos da Jovem Guarda, mas os principais hits da musica internacional  da época, interpretados por cantores e bandas como: Santana, Beatles, Bee Gees e Billy Paul. Era realmente uma “brasa mora” das meninas quando se apresentava.


Instituto Profissional Monte Carmelo

“Lembro muito bem, de uma de suas apresentações no Instituto Monte Carmelo, durante a comemoração dos festejos juninos daquela escola. Após os rituais da festa ter terminado, a Irmã Joana D’Arc – na época Madre Superiora daquele educandário, facultou uns trinta minutos para apresentação de Griguilin. Quando o garoto pegou no microfone e começou a cantar, o Carmelo inteiro começou a tremer, pois a tietagem; o estado de gritaria e histerismo das garotas (digo, dos brotinhos), assustou quem estava presente, afugentando a disciplina rígida e conservadora da Madre Superiora, obrigando a religiosa, mandar parar a barulheira e acabar com festa.”

Griguilin, mesmo com as limitações impostas para quem escolhe a música como meio de se firmar socialmente, foi um daqueles garotos sonhadores que simplesmente procurou viver um momento. Buscou com essas limitações, fazer aquilo que sabia e que aprendera, apesar das dificuldades técnicas que todas bandas de cidade interior tem. Porém, mesmo assim foi um dos principais vocalistas da cidade, seja como integrante do conjunto "Os Brasinhas", da banda Super Som Sete ou como um daqueles jovens, identificado com a passagem da Jovem Guarda por Cajazeiras.

Outras Imagens Griguilin:


 Ozenay - Griguilim, falecido em 1993


Os Brazinhas-1970: Nonato Guedes (camisa estampada),
Olivam Pereira (big-boy) - Bateria; Rômulo de Seu Nô - Vocalista; 
Ozenay (Griguilim) - Vocalista; João Vieney - Guitarra;
Neném - Baixo. Local: provavelmente no Cine Eden ou Cine Apolo XI.

Ozenay - Griguilim, Stuart, Glicélia, Teodoro Roosevelt


Outras Imagens dessa época
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Anos setenta. Banda Show "Os Bembens"
Jovens animam manhãs de domingos no Tênis Clube
O jovem Griguilin (no centro, deitado) entre amigos.
Programa de Domingo "Você faz o Show". Carlos Alberto
Albuquerque na bateria (da Jazz Manaíra)
e Danilo Holanda no piano.
O jovem cantor Jocelio Amaro
como vocalista da Banda
Super Som Sete




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