quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Igreja guarda antigas pinturas que talvez seja de autoria do Padre Rolim.

Cleudimar Ferreira


Imagem atual da Igreja de Cococi/Ceará, construída em 1771.

O historiador cajazeirense Deusdedit Leitão, dedicou em “O Educador dos Sertões”, um capítulo aparte para desmistificar a precipitada, embora bem intencionada frase: “Padre Rolim era também pintor”, citada pelo Padre Heliodoro Pires, no seu livro “Padre Mestre Inácio Rolim”, que é considerado um dos primeiros arquétipos de ensaio biográfico sobre a vida e obra do Padre Rolim.

No livro que foi editado pela primeira vez em 1916 e reeditado com uma versão mais atualizada, em 1990, por Sebastião Moreira Duarte, o Padre Heliodoro Pires, com a sua direcionada frase, quis elevar mais ainda do que já era naquela época, o nome do Padre Rolim, ascendendo uma polêmica ao assegurar que informações colhidas junto ao Padre Silvano de Sousa, na época vigário de Tauá/Ceará, que o Padre de Cajazeiras depois de sucessivas viagens a Cococi, também no Estado do Ceará, tinha feito pinturas na igreja daquela cidade; e que as referidas pinturas tinha sido preservadas por ele, após sucessivas reformas feitas na citada igreja.

Essas são as únicas gravuras preservadas, existente 
na igreja de Cococi/CE, que segundo confidenciou 
Padre Silvano de Sousa ao Padre Heliodoro Pires,  
talvez teriam sido feitas por  Padre Rolim. 

Outro autor a acrescentar também a figura do Padre Rolim, devaneios dons para habilidade artística, foi o Cônego Florentino Barbosa, que em um artigo escrito sobre as relíquias deixada pelo Padre Rolim, descreveu que em um missal confeccionado e deixado pelo padre e manuseado por ele, encontrou um quadro pintado a lápis executado pelo referido sacerdote, cuja temática religiosa explorada, representava a morte de Cristo, assistido por São João e Nossa Senhora.

Cauteloso com essas afirmativas, Deusdedit em “O Educador dos Sertões”, foi objetivo ao tratar do assunto: “Não podemos, conscientemente, atribuir ao Padre Rolim esse mérito artístico de pintor”. E acrescenta “Poderia ele (se referindo ao Padre Rolim) quando muito, ter se dado a trabalho rudimentares na falta de profissionais que executassem as tarefas circunstancialmente exigidas em sua atividade de educador e capelão”.

É evidente que tanto Heliodoro Pires como Florentino Barbosa, por falta de uma maior vivência e de conhecimento do que seja o processo de criação artística; principalmente no caso do Cônego Florentino, que devia perceber que pintura não se faz com lápis e sim com tinta e pincel, e que com lápis só se faz desenho; tenham se arriscado em atribuir ao Padre Rolim, esse feito, esse dom, em um tempo em que a Paraíba, o muito que se produzia nessa linguagem, era as elementares pinturas de retratos, executadas por isolados artesões da fotografia, atuantes principalmente nos centros mais desenvolvidos do Estados. Fora isso, os poucos trabalhos de pinturas elaboradas prioritariamente nas Igrejas pelo interior da Paraíba, são quase todas de autorias de aventureiros artistas vindos de fora.

Imagem antiga da Igreja.
Não é de se contestar, que durante eras e tempos se tem achado na população de Cajazeiras, um notório vocacionado pelas letras e artes. O próprio Padre Rolim é um exemplo desse antídoto que se parece ter o sangue dos cajazeirenses. A sua história é uma prova disso, mas como afirma o preciso historiador Deusdedit Leitão, os pretensos Remígios de pintor que por ventura havia no padre, talvez tenha inclinado o mesmo a aventurar por essa habilidade. E assim, soberbamente, o padre tenha escolhida a igreja de Cococi/CE, como espaço para expressar esse sentimento. Ação comum daqueles que por curiosidade se arrisca pela primeira vez a explorar o seu lado artista.

Se essa foi a vontade do Padre Rolim, de querer experimentar a execução de uma tarefa que ele achava que naquele momento estava apto a fazê-la, foi solidária a sua atitude e merece dentro da história o seu registro, mas assegurá-lo o título de artista, ou de pintor como quis o Padre Heliodoro, é no mínimo uma atitude visionária e descabível dentro do conceito que se tem, sobre o que é um ser um artista.

Na busca de informações que teste ou não a frase escrita pelo Padre Heliodora Pires no seu livro, procurei pesquisar sobre a existência da Igreja de Cococi/CE e das tais pinturas atribuídas ao Padre Rolim. De fato, a Igreja construída em 1771, ainda existem, embora a cidade tenha sida extinta por força de um decreto federal. No interior da mesma há umas gravuras de estilo não definido, de temática religiosa – percebe-se claramente ser imagens de anjos, que parece não ser recentes, já que a coloração dos desenhos inclina para um tingimento antigo, desgastados pelo tempo, impregnado em um reboco que já absorveu várias camadas de cal.

Observando bem as imagens, é visível que o interior da igreja passou por várias reformas e pinturas durante décadas e que as gravuras existentes no seu interior, parece terem sidas preservadas. Se esses são os tais desenhos atribuídos ao Padre Rolim, só uma investigação mais apurada no local, poderá afirmar se os mesmos foram feitos ou não pelo mesmo, na época em que era vivo.

Visão geral da nave da Igreja.

OUTRAS IMAGENS DA IGREJA DE COCOCI/CE











referencias:
Vida e Obra do Padre Rolim. Edição Comemorativa aos 200 anos de nascimento do Padre Inácio de Sousa Rolim. Senado Federal, Brasilia, 2000.
Deusdedit Leitão. O Educador dos Sertões.  Gráfica Estado do Piaui, Teresina, 1991.
Pe. Heliodoro Pires. Padre Mestre Inácio Rolim. 2ª ed. atualizada por; Sebastião Moreira Duarte. Gráfica Estado do Piaui, Teresina, 1991.

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