terça-feira, 22 de dezembro de 2015

MEMÓRIA

O DISTRITO DE ENGENHEIRO ÁVIDOS E A CONSTRUÇÃO DA CAPELA DE NOSSA SENHORA APARECIDA




por: José Antonio de Albuquerque


O reinicio da construção do Açude Piranhas, em 20 junho de 1932, sendo o engenheiro Silvio Aderne, pertencente aos quadros do IFOCS – Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, foi causa rápida do aumento da população do povoado e várias iniciativas foram tomadas para atender os desejos e necessidades do povo.

Além do hospital e do cemitério, construídos em função da epidemia de 1932, Dona Celina Aderne, esposa do Engenheiro responsável pela obra, Silvio Aderne, encetou uma campanha para a construção de uma capela neste mesmo ano.

Conseguiu com a firma todo o material, além dos operários, mestres de obras, pedreiros e o responsável pela construção do altar foi o marceneiro Zé Cabral.

Dona Celina cotizava os operários que tinham melhores salários, os comerciantes e os proprietários de terras para ajudar a comprar o que faltava no almoxarifado da Inspetoria.
O terreno para a construção foi doado pela família Coura e ainda hoje a igreja usufrui as rendas deste terreno, do que sobrou para construir a capela que pertence ao patrimônio, através de foros e laudêmios.

Não se tem conhecimento de quem foi a iniciativa para ser Nossa Senhora Aparecida como padroeira da capela e no dia da chegada da imagem da Santa todos os carros que trabalhavam na construção, além dos demais carros pertencentes a particulares fizeram um grande acompanhamento e uma enorme festa com a participação do povo foi realizada.

O sino doado pela Inspetoria, que foi retirado da cafuringa, nome dado ao trem que transportava pedras para a construção do Açude, ainda hoje é o mesmo que badala para chamar os fiéis para as celebrações religiosas e principalmente para anunciar o falecimento de alguém da comunidade.

No ano da conclusão do açude, em 1936, a capela foi alvo de uma das maiores manifestações de fé e religiosidade do povo do Distrito, quando foi celebrada a primeira Missão, celebrada por Frei Damião, que além de atrair toda a comunidade, vieram muitos católicos de outros municípios.

Frei Damião voltou outras vezes ao Distrito para celebrar missões e era uma das áreas da Diocese de Cajazeiras, que sempre freqüentava, mesmo vindo fazer pregações em outras paróquias da cidade visitava a Vila onde foi sempre muito bem acolhido por sua população e era comum fazer visitas aos sítios vizinhos da vila.

Esta capela tem um significado muito importante na vida de nossa família: foi nela que foi celebrado o casamento de meus pais, Arcanjo e Mãezinha, no ano de 1945, por Monsenhor Abdon Pereira e foi nela que no ano de 1946 eu fui batizado pelo padre José Linhares e aonde também, em 1955, fiz minha primeira comunhão.

Alguns fatos relacionados a esta capela nunca os esqueci e os guardo com muito carinho nas minhas lembranças: quando das celebrações noturnas eu era escalado para retirar todos os sapos, a bico de sapato, do patamar da igreja por que as mulheres tinham muito medo deles. Depois da missão cumprida fazia o que mais gostava: tocar o sino para avisar ao povo que a novena ia começar. O repicar do sino fazia eco no boqueirão da serra e para quem teve a oportunidade de trabalhar na construção do açude, a exemplo de meu pai, e de muitos outros habitantes da Vila, deveriam se lembrar da velha cafuringa, soltando fumaça pelas ventas, com suas caçambas carregadas de pedras e o maquinista tocando o sino anunciando a sua chegada.

Por quem este sino dobra? Dobra, principalmente, pelos muitos operários que morreram na construção do açude que hoje mata, com as águas do Rio Piranhas aprisionadas, a sede dos cajazeirenses.

Imagens do Distrito de Engenheiro Ávidos

 
 




fonte: coisa de cajazeiras 

Um comentário:

Iran Lucas disse...

Que riqueza de história. Muito obrigado, nesta capelo eu fui batizado e crismado por Frei Damião. Amo muito esse lugar.