domingo, 28 de fevereiro de 2016

Com ator de Cajazeiras no elenco; filme produzido por Pedro Almodóvar, disputará Festival de Cannes.



Depois da Reza a Lenda, o ator cajazeirense Nanego Lira volta à cena cinematográfica, desta vez com “Zama”, filme Argentino dirigido por Lucrécia Martel e produzido pelo conhecidíssimo diretor Pedro Almodóvar, autor de trabalhos como “Fale com Ela” e “Carne Trêmula”. A película concorrerá a 69º Festival de Cannes, entre os 11 a 22 de maio deste ano.
Em maio de 2015, o ator cajazeirense, se juntou ao ator carioca Matheus Nachtergaele e se deslocaram para as regiões de Formosa e Corrientes, para gravarem o longa-metragem. No filme, Nanego vive a personagem de um militar e para tanto, o ator cajazeirense teve aulas de equitação e espanhol.
“Zama” conta a história de um funcionário da monarquia espanhola, Dom Diego de Zama. Mostrando toda sua angústia após ser transferido para distante da colônia onde é obrigado a prestar seus serviços públicos, em uma pequena cidade argentina do século XVIII. O filme é uma adaptação do romance homônimo do escritor Argentino Antonio Di Benetto.




Marcélia Cartaxo lança no Cine Banguê o curta Redemoinho.





O curta-metragem REDEMOINHO, dirigido pela atriz e diretora cajazeirense Marcélia Cartaxo e produzido por Heleno Bernardo, foi lançado este mês no Cine Banguê, em João Pessoa. O curta foi gravado na cidade de Triunfo, Paraíba, na belíssima paisagem do Sítio Cantinho, cujo cenário principal foi a residência da família Moreira.

O filme conta a história de uma família em decadência, onde a Mãe Catarina Macrina, interpretada pela atriz Eleonora Montenegro, tenta explicar para o filho Leonardo Bezerra, interpretado pelo ator Daniel Porpino, que seu irmão mais velho morreu e que sua esposa o largou para ir embora com um grupo de ciganos que passou pala região. Inconformado e confuso, Leonardo tenta de todo jeito descobrir se essa história é verdadeira ou não e assim começa uma grande crise entre ele e sua mãe, tendo assim um final trágico.

Considerado pelos cinéfilos presentes ao Banguê como mais um belíssimo trabalho de Marcélia Cartaxo, o curta  teve o apoio do Fundo de Incentivo à Cultura – Augusto dos Anjos, do Governo do Estado da Paraíba e da Prefeitura da Cidade de Triunfo e deverá participar já nesse semestre, do Festival de Cinema de Gramado/RS.

O curta-metragem, será exibido oficialmente para população de Triunfo, nos dias 04 e 05 do mês junho, dentro das festividades do Triunfest 2016. Na ocasião, a cidade condecorará a diretora Marcélia Cartaxo e os atores Daniel Porpino e Eleonora Montenegro, com a medalha Rosilda Cartaxo.




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Cajazeiras é assim:

DE SAÓRA EM RITMO DE FREVO A MULHER QUE VIRA PEIXE. 

Dois trabalhos criados pelo músico, compositor e articulador cultural Naldinho Braga,  homenageia e enaltece com méritos e com todos os simbolismos possíveis, duas figuras de destaque da vida social de nossa cidade. O primeiro é o personagem maior do nosso carnaval - o Carnavalesco (que também era folclorista) João de Manezim; e a segunda, o simpaticíssimo Padeiro Saóra que nos acordava bem cedinho, enriquecendo nosso café da manhã, com seus deliciosos pães sovado, aguado e jacaré (mais eram gostoso demais!). Vamos relembrar!








terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Velhos Carnavais

Francelino Soares para o Gazeta do Alto Piranhas




Carnavais… Ah! Os Carnavais doutrora, dos nossos tempos, do meu tempo… Quando ainda o uso dos lança-perfumes não fora proibido, ele era usado livremente nos desfiles carnavalescos, tanto por adultos como por crianças, em bailes carnavalescos realizados nos clubes e nos desfiles, conhecidos como corsos, pelas principais vias da cidade.

A título de curiosidade, o uso do solvente químico de poder entorpecente teve início em 1904, na Argentina, sendo incorporado ao Carnaval do Rio de Janeiro, em 1922, quando da instalação da fábrica Rhodia, em São Bernardo dos Campos-SP, que passou a produzi-lo em escala comercial, em ampolas de vidro – mais modestas – e/ou de metal, a Rodouro, destinadas a um público de maior poder aquisitivo. Inicialmente, o lança-perfume era lançado nos carnavalescos que se inebriavam tanto pelo seu agradável odor, como pela euforia que causava no ambiente, porém, quando passou a ser inalado, às vezes até ingerido junto com bebidas, o seu uso começou a provocar vários e sérios problemas. Foi Flávio Cavalcanti, antigo apresentador de TV, que recomendou ao presidente Jânio Quadros, em 1961, a sua proibição, que foi de pronto aceita, exatamente pela ocorrência detectada de extrema dependência emocional e de saúde naqueles que a inalavam, o que, algumas vezes, chegou a resultar em mortes.

Nos anos 40/50/60, o Carnaval em Cajazeiras ficava restrito a três frentes: os bailes no Cajazeiras Tênis Clube e no 1º de Maio – pela manhã, destinados ao público mirim e, pela noite, aos adultos; os famosos corsos, que passaram a ser proibidos quando de uma grave crise ocorrida no abastecimento de petróleo; e os “blocos de sujo”, estes direcionados ao grande público, o que hoje se diria “povão”, que, de maneira saudável e divertida, eram organizados por foliões de primeira linha. Mas, o que nos deixa saudades são os corsos: originavam-se e tinham como seu “quartel general” na Praça Presidente João Pessoa: jipes, caminhões e outros veículos circulavam a praça, e os seus componentes, ao som de charangas, eram saudados com confetes, serpentinas e lança-perfumes.

Às vezes, o desfile estendia-se pelas ruas centrais da cidade, inclusive estendendo-se por onde houvesse um público assistente. Não era sem razão que os boêmios mais atrevidos organizavam os seus corsos, partindo da Rua do Dr. Coelho e indo em busca do Posto dos Veados, saída para o Ceará, para retornarem pela chamada Rua do Frege… Sim, aquela mesma, por detrás do cemitério, onde se encontravam as “mulheres de vida fácil” que, de fácil, só tinham mesmo o nome, mas que, à sua maneira, faziam o seu Carnaval. Tirando esta parte, os corsos e os desfiles de blocos faziam a alegria daqueles que os acompanhavam, num tempo em que reinava a paz e em que não havia a violência descabida que hoje campeia pelas ruas. Bons tempos aqueles!…





segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

As bodegas de Cajazeiras


Francelino Soares - para o Gazeta do Alto Piranhas.



Está aí, em foto da época, o retrato fiel do movimento na “feira livre”,
no centro da cidade.


Bodegas… Ah! As bodegas, termo oriundo do lexicogênico latino – o acusativo da 1ª declinação aphotecam – do qual se geraram os termos botica/boticário e bodega/bodegueiro e significa pequena venda/pequeno armazém A quantos elas, ainda hoje, conduzem um exercício de memória. Em Cajazeiras, fazendo-as circular pelas lembranças de outros tempos, elas eram muitas, distribuídas pelas ruas ou pelos bairros citadinos.
Quando ainda não se falava nos modernos supermercados, era nelas que se faziam, durante os dias da semana, as pequenas compras para suprirem-se as necessidades domésticas. Sim, nos dias da semana, porque, aos sábados, o movimento se concentrava na “feira livre”, que se realizava na Praça dos Carros – Praça Coração de Jesus –, esparramando-se pelas ruas Juvêncio Carneiro, Epifânio Sobreira, Padre Manoel Mariano e Tamarina, para onde acorriam os feirantes (vendedores e compradores), aqueles advindos dos sítios localizadas nas circunvizinhanças, e estes, dos mais distantes pontos da cidade.
O fato é que, das 4 h da manhã às 5 h da tarde, o movimento era enorme: espalhados pelo calçamento, viam-se sacos e mais sacos de feijão, milho, arroz, além de carne seca (hoje, carne de sol), carne de jabá (depois, rebatizadas de “carne ceará” ou carne de charque), toucinho. galinhas, patos, capotes e até bacorinhos, fumo de rolo, goma, tapioca, beiju, tubérculos (batata doce, inhame e macaxeira), rapadura, batida, alfenim, méis (ou meles) de engenho e capuxu, chouriço e as mezinhas empregadas nos “remédios caseiros”: aroeira, quixaba, eucalipto, quebra-pedra, andiroba…
Era uma verdadeira “feira de mangai”, como diria Sivuca e Glorinha Gadelha: desde folhetos de cordel e bonecas de pano, até melancia, caju, cajá e cajarana… e aquilo que fazia a alegria da meninada: pitomba, groselha, romã, tamarindo, macaúba, jatobá, rosário de coco, castanha assada, amendoim in natura, doce quebra-queixo, pirulito, rolete de cana, cavaco chinês e as deliciosas “raspadinhas”.
Deve-se dizer que, além de tudo isso, ainda havia os famosos jogos de bacará ou de carteado, ali, à luz do dia, sem que ninguém viesse incomodar, Ah!, sim: a feira de muares: cavalos, éguas, jegues e afins realizava-se, também aos sábados, bem próximo do cemitério, exatamente no oitão da residência do Prof. Antônio de Souza (amado mestre-escola).
Quanto às bodegas, ainda me lembro de algumas que povoaram a minha infância e que eram conhecidas pelos nomes dos seus proprietários, nomes respeitados no comércio cajazeirense de antanho: ali mesmo, nas proximidades da “feira livre”, negociavam Ioiô, Braguinha, Juvenal Ricarte; descendo pela rua Padre Manoel Mariano: Gino (o do jogo do bicho), Jacinto Ricarte, Antônio Ricarte, Estelício Diniz, Trajano Lopes, (beneficiamento de arroz), Arcanjo (primeiro armazém atacadista da cidade); já pelas confluências da rua Juvêncio Carneiro e de sua travessia: Chico Mamede, Zé Travassos, Chico Pereira, Décio Saraiva; na rua Bonifácio Moura: Raimundo Limeira, Sinfrônio; em busca da Siqueira Campos e da rua que era chamada dos Dez Chalés: Zenaide, Maria Catolé, Zé de Moça, Zé Biquinho; na chamada rua da Tamarina: Andriola, Zecão, Zuca Ribeiro; já pelos caminhos do Alto Cabelão: Joca Claudino (que, inclusive, mantinha a entrega de leite fresquinho e quentinho, vindo de sua vacaria, localizada nas proximidades), Zuca/Luca Ludgero, Cherim e, quem souber mais que me informe, ajudando-me a preservar esta página que vai dedicada àqueles que, cada um à sua maneira, ajudaram a desenvolver o hoje profícuo comércio cajazeirense naquilo que era chamado o comércio dos secos e molhados ou, mais romanticamente, das estivas e cereais.




fonte: Blog do Christiano Moura