segunda-feira, 25 de abril de 2016

DE COMO CAJAZEIRAS VIROU MACONDO

Aldo Lopes
Artigo publicado no Jornal A União, em 1984, dia 20 (sexta-feira), Segundo Caderno, pág. 09. 





Como na cena do filme Viridiana, de Luiz Buñel, onde mendigos invadem uma casa abastada, e a mesa, reinventam uma última ceia pelo avesso, assim os atores do Grupo Terra, invadiram a capela do Colégio Padre Rolim, tomaram os microfones e abriram oficialmente o IX Festival de Artes da Paraíba. “Esses meus companheiros de sonhos, vendedores de ilusões, estão cansados de esperar”, disse o andrajoso líder dos anciões, encarnado pelo ator Eliezer Filho. A intervenção surpreendeu a todos pela perfeita plasticidade e ideal caracterização dos tipos.
Pródigo se mostrou o festival em intervenções dessa natureza. A mais espetacular delas ocorreu no teatro Íracles Pires, quando era mostrada a peça Um edifício chamado 200, de Paulo Pontes. Tudo começou quando o juiz da cidade, embriagado de direito e de fato, interrompeu a peça e ficou com o Ibope da noite. Pulverizou a plateia como o discurso que sempre sonhou desengasgar um dia. Berrou ser o espetáculo atentatório a moral e aos bons costumes. Os atores pararam, as luzes se acenderam e os aplausos espoucaram para e melhor intervenção teatral da semana.
A porção erótica e mulher de Eulajose Dias de Araújo, foi mostrada por Maria da Bethânia, num teatro de sombras. Um espetáculo capaz de fazer gargalhar, “a triste noiva do faquir”. O poeta e também barbeiro, é um desses veteranos de festival, e agora, descambando da casa dos 50 anos, afirmou ter chegado a uma fase de erotismo exacerbado. E o livro Diluvio de palavras, lançado durante o festival, é uma prova disse. A menina soube captar nesses cataclismas eulajoseanos as mais densas e compactas nuvens poéticas.
Um dia a cidade amanheceu repleta de cartazes: “Olhem para o Cristo as 17 horas”, apregoavam eles. Um grupo ia apresentar uma dança com lençóis. Tudo pronto, mas eis que apareceu um bêbado, arrebentou alguns panos e subindo no Cristo, os deixou esvoaçantes, atados aos braços da estátua, um descontraído rapaz, tentando recuperá-los, galgou apenas a base do Cristo e não teve mais coragem de subir o resto. Então ele triunfalmente resolveu não desperdiçar a plateia desabotoando a bermudinha jeans para mais uma demonstração (nota-se que foi o mesmo cara que tirou no Bar da Estação e no Colégio Padre Rolim) “Esse é o pior straip que já vi” reclamou uma garota passando mal e jurando se atirar serrote abaixo se o desacorçoado consumasse o ato. Quem olhou pro Cristo àquela hora, com certeza se arrependeu.
O açude de Cajazeiras, escaldante sob um sol que é a caldeira do padre eterno, está a merecer poemas de um Paulo Vieira local. Ali onde sangra os esgotos os pequenos viventes suburbanos tchinbungam para um banquete de verminose, mas crescem sadios e viris como uma vingança poética. “Os sertanejos são antes de tudo um forte”, como bem disseram F. Magalhães e Euclides da Cunha, “ele como rapadura e não contai nada, nem AIDS”.  Por falar nisso, a tal questão foi levantada para uma bicha na rua. A boneca se torceu, se torceu, se armou e deu uma botada: “meu filho aqui em Cajazeiras é mais fácil eu pegar um bucho”.
O que escapava a vista de muitos, era captado e registrado sob as mais variadas formas. Um jornalzinho mimeografado circulou pelos alojamentos durante a semana. Nada fugia a pena esculachava, aidosa e bem-humorada do cartunista, Cristovam Tadeu que afixava seus escrotológicos desenhos nas paredes do Padre Rolim. Improvisada ao sabor do momento, muitos dessas atitudes não foram projetadas pelos burocratas do Festival de Artes, e não foi preciso nenhum alvará para isso, porque o evento é do povo e deve ser multifacetado como ele é. Majestoso e chulo, sagrado e profano, como Erendira e sua avó desalmada, recriadas no cinema por Ruy Guerra e estampadas na tela do Cine Éden. Após sua projeção, público certamente cismou que se deve destruir aquilo que constrange e oprime, aquilo que os impede de enxergar as linhas de suas próprias mãos, como a moça da película. Uma seção tão Brasil, tão Sertão, tão América Latina!
Durante o dia o malvado sol expulsava a gente para as sombras dos pés de fícus e algarobas. À noite, Deus assoprava o Aracati e os forasteiros encantavam a cidade. O teatro, o cinema e a praça espumavam de gente. Quem não rolava por esses lugares biritavano bar da Estação ou no bar do Tetéu. O Tetéu é o único cristão da cidade que não dorme desde que montou o estabelecimento a quase dez anos. Ao invés de troféus e títulos, como recompensa pelos seus eméritos serviços prestados a comunidade, deram-no um apelido por causa de suas duas enormes olheiras que retém a insônia de precisamente 9 anos, 185 dias e algumas horas.
Como os ciganos que frequentemente invadiam o Macondo de Cem Anos de Solidão e instauravam na consciência da população o fascínio pela magia e pelo desconhecido, os participantes do IX Festival de Artes da Paraíba levantaram acampamento na então escaldante Cajazeiras, e, as barbas do Padre Cícero, prepararam um espetáculo descomunal.




quinta-feira, 21 de abril de 2016

O Centenário Açude Grande – Início das obras, conclusão e desapropriações.




IV. – Início das obras e conclusão

Iniciadas a 27 de dezembro de 1915, ficaram as obras definitivamente concluídas a 15 de abril de 1916; sendo que, para maior segurança da antiga barragem de alvenaria, que ficou à jusante da nova barragem de terra construída, foi deliberada, depois de organizado o projeto, a construção de 3 gigantes de alvenaria na parte externa da referida muralha.

V. – Desapropriações

Conforme havia sido determinado, desde que foram atacadas as obras de construção do açude, tratou, desde logo, o engenheiro encarregado da desapropriação das terras, que deveriam de ser ocupadas pelas águas da respectiva bacia hidrográfica.

É sempre essa, no interior do nosso país, tarefa das mais difíceis e penosas, por causa do desconhecimento completo, por parte dos proprietários da extensão exatas de suas terras e da falta quase absoluta de documentos comprobatórios de posse por parte daqueles que se apresentam como verdadeiros donos. Tais dificuldades repetem-se em quase todas as obras; e – sendo sempre preferível liquidar, desde logo, amigavelmente as desapropriações a deixá-las para depois de prontas a obras, ou obtê-las por meio de demoradas questões judiciais, – é bem possível que nem todas tenham feitas com o devido cuidado.

No açude Cajazeiras, era a das desapropriações uma das mais intrincadas questões. Apresentavam-se muitos possuidores de terras a desapropriar e deixavam de acudir aqueles que maior extensão possuíam. Não podendo permanecer a comissão indefinidamente à espera destes, foi liquidando os casos que iam acudindo ao apelo do engenheiro encarregado; de modo que, concluído o açude, estavam ainda por desapropriar as terras pertencentes aos Srs. Padres Nonato Pitta e Fructuoso Rolim, que – residindo fora do Estado da Parahyba, não puderam ser atendidos a tempo, e as do Sr. Antônio de Souza, que recusara-se a qualquer acordo amigável.

Essas três desapropriações ainda a concluir não deverão exigir mais duns 6:000$000, que – adicionados aos 15:847$ pagos aos proprietários, mencionados no termo de entrega da obra ao Estado da Parahyba, abaixo transcrito – elevarão a 21:847$000 a importância total das desapropriações; – quantia que, apesar dum pouco elevada, não parece exagerada, desde que se leve em consideração o fato de estar o açude encravado na própria cidade de Cajazeiras e em excelente local para maior e melhor desenvolvimento das culturas que já aí floresciam.

Placa de Inauguração

Proprietários expropriados e importâncias que receberam:



·         Raymundo Sezinando Coelho…………………        6:000$000
·         Chrispim Sezinando Coelho……………………        1:377$000
·         Olidon Pereira Campos………………………....       1:000$000
·         Dom Moysés Coelho……………………………           600$000
·         Sabino Gonçalves Rolim e outros………………         418$000
·         Cezário Duarte Rolim…………………………              504$000
·         João de Souza Rolim e outros………………           5:000$000
·         Epiphanio Gonçalves Sobreira Rolim…………           415$000
·         Chrispim Sezinando Coelho (benfeitorias)…              533$000
·         Total………………………………………….........    15:847$000






fonte: Coisa de Cajazeiras (blog do Cristiano Moura)

terça-feira, 19 de abril de 2016

Conspiração das raparigas

José Antônio de Albuquerque

Ex-prefeito de Cajazeiras, Otacílio Jurema


Nos idos de 1954, era prefeito de Cajazeiras, o médico Otacílio Jurema, solteirão, que apreciava fazer visitas noturnas aos “inferninhos” da cidade.

Dom Zacarias Rolim de Moura, Bispo da Diocese de Cajazeiras, sempre gostou da presença do frade capuchinho Frei Damião de Bosano na cidade de Cajazeiras para pregar as santas missões.

Verdadeiras multidões acompanhavam silenciosamente as suas palavras vibrantes e fortes, principalmente quando ele falava sobre as raparigas e os amancebados e a cada vez que Frei Damião vinha à cidade, muitos casais amasiados se casavam na Santa Madre Igreja, dezenas abandonavam o protestantismo e milhares de pessoas faziam confissões e participavam de suas caminhadas nas madrugadas pelas ruas da cidade.

Numa destas visitas de Frei Damião a Cajazeiras, o frade, do púlpito, instalado no patamar da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima, deu um ultimato a Otacílio Jurema e a cidade de Cajazeiras: “só volto aqui quando retirarem o cabaré que fica atrás do Cemitério Coração de Maria”.

Mal o frade terminou o sermão, as beatas, as mulheres de vida livre, os “homens diferentes”, os vicentinos, os padres, os vereadores, os outros políticos, as mocinhas candidatas à miss, a turma do vuco-vuco, as próprias mariposas do cabaré do cemitério e o povão em geral se entreolharam espantados. E agora, onde é que Dr. Otacílio vai colocar o cabaré?

No dia seguinte uma comitiva já estava a postos, pastorando a passagem do prefeito, no seu diário passeio, entre a sua residência, na Rua Dr. Victor Jurema e a Rua Padre José Tomaz, onde, na porta do mercado central, José de Sousa, engraxava seus sapatos todos os dias e em torno deles ficavam os seus “assessores” informando-lhe das novidades.

Dr. Otacílio que nunca foi de ir a igreja rezar (dizem que ele não casou com medo de entrar numa igreja), não tinha ouvido o sermão da noite anterior proferido por Frei Damião, mas já havia sido informado na mesma noite, por um correligionário.

Otacílio estava entre a cruz e a espada. Não podia privar o povo religioso de Cajazeiras da palavra de Frei Damião e se encontrava à frente de um dilema, já que não queria “desgostar as meninas”, que ele tanto conhecia e queria bem. Na prefeitura, reuniu os amigos e recebeu uma comitiva tendo a frente as dirigentes da poderosa Liga Feminina Católica de Cajazeiras. Colocaram o problema para Otacílio e deram um tempo ao mesmo para uma solução.

Nesta mesma noite Otacílio fez uma visita ao Cabaré que ficava atrás do cemitério, conhecido também como “ferro de engomar”. No salão rolava uma dança, uns bebiam num balcão, outros em mesas e o sanfoneiro tocava um xote gostoso de dançar. Quando o prefeito pôs o pé no salão, todos pararam e logo queriam uma resposta do mesmo a respeito do ultimato de Frei Damião.

Otacílio com sua tradicional cortesia e educação, sentou-se num tamborete e começou a ouvir as opiniões e lá no canto do salão estava a veterana das raparigas de Cajazeiras, a velha Baroa, que deve ter “iniciado” na vida pregressa, a metade dos meninos da cidade, só ouvia. Foi quando Otacílio pediu a sua opinião. E ela sem pestanejar soltou o verbo: a mercadoria que nós vendemos ela é procurada em qualquer lugar. Tanto faz ser aqui atrás do cemitério ou na frente da prefeitura, os homens vem atrás de nós. Valeu a palavra de Baroa e Otacílio saiu mais aliviado, porque as mais novas e bonitas não queriam ficar tão longe do centro da cidade, porque nem todos tinham carro, se o bordel ficasse longe. Algumas já pensavam até em fazer uma greve de sexo contra os correligionários do prefeito e até contra o mesmo. Uma conspiração se instalava no centro nervoso da cidade.

Pouco tempo depois Otacílio comprou um terreno, ao sudeste da cidade, que ficou conhecido como “a palha”, construiu moradias para todas as mulheres, fez um enorme salão para dança, um bar e pequenos quartos para aquelas que não tiveram “direito” as casas e Lilia era quem comandava uma parte da turma e o salão.

Logo que tomou conhecimento da atitude do prefeito, Frei Damião voltou a Cajazeiras e fez uma procissão do Cemitério Coração de Maria até a frente da “Palha”, onde instalou um cruzeiro em cima de uma pedra, que foi batizada de “Pedra do Galo”, rezou e celebrou uma missa e rogou aos céus para que aquelas “infelizes mulheres” deixassem a vida da prostituição.

Outro dia relembrando este fato com um velho amigo, ele saiu com esta: se fosse hoje estava difícil de Frei Damião andar em Cajazeiras, porque em cada esquina existe um “inferninho”. Haja reza. Enquanto isto, as mariposas circulam livremente pelas ruas de nossa cidade, fato que não acontecia na década de 50, porque estas mulheres eram discriminadas pela sociedade e principalmente pela Liga Católica Feminina. A história registra ser a prostituição uma das mais antigas profissões do mundo, não reconhecida. Hoje só saudades do querido e inesquecível Frei Damião. Quando ele vinha a Cajazeiras, a cidade pecava bem menos e até as “meninas” de Lilia cruzavam as pernas.



sábado, 9 de abril de 2016

O conceito de arte é o mesmo em Paris, New York, João Pessoa ou Cajazeiras.




Cleudimar Ferreira


O conceito de arte é flexível e sua definição tem suas desencadeantes a partir do entendimento e da vivência de quem a ela está próximo, intimamente ligado. A sua legitimidade não tem fronteiras e nem tão pouco, limites. Lembro muito bem um fato que ocorreu quando na década de setenta, durante a primeira Gincana Cultural - Descubra a Paraíba, um grupo de artistas de Cajazeiras, depois de ter vencidos todas as etapas do evento, fizeram sua culminância no Liceu Paraibano, numa grande coletiva que reuniu artistas de todo Estado.

Pois bem, naquela ocasião, um crítico com acesso diário as páginas dos jornais locais, ao observar uma das obras de um dos artistas de nossa cidade, deixou escapar verbalmente a seguinte frase: "isso é de Cajazeiras? Cajazeiras ainda não tem capacidade de fazer isso." Naquele instante, a representante dos artistas, a artista plástica Telma Rolim Cartaxo que estava próximo do crítico, respondeu: "Porque não, não é só João Pessoa que tem capacidade de produzir coisas bonitas".


Para muitos, o conceito de arte é algo limitado. Dependo da situação social, política em que o seu produtor está inserido e que os seus elementos de expressão composto no seu trabalho, incorpora uma temática em consonância com o retrato do ambiente em que o artista vive. Isto é, para o crítico, a arte representativa de Cajazeiras na exposição, por incapacidade de seus produtores, teria que ter uma perfil acadêmico figurativa com temas concretos como seca, fome, vegetação morta, cangaceiros, religiosidade, feiras, repentistas e não de temática contemporânea abstrata ou geométrica, demonstrada por alguns artistas cajazeirenses na exposição do Liceu Paraibano.

Os pintores George Braque, Vincent Van Gogh, Tarsila do Amaral, Iberê Camargo e Fernand Léger, com certeza não são contemporâneos, viveram em épocas distintas, em ambientas socioculturais diferentes e opostas, produziram uma arte repleta de elementos novos e conceitos diferenciados do que o consenso permitia no tempo em que vieram. Braque, foi afinado com a construção de imagens, abusando da fragmentação e da sobreposição de elemento geométricos. Caprichosamente, definia muito bem o tema que trabalhava - o cubismo. Van Gogh, era intuitivo, perseverante e provocador. A insistência em retratar imagens do cotidiano usando traços curtos, pinceladas grotescas e nervosos, Van Gogh, abusou nos detalhes cheia de elementos visuais expressivos, de linhas sinuosas, criou um técnica própria não comum nas tendência da arte do seu tempo.


Com traços temáticos inspirados na cultura africana e o uso de formas primitivas ligadas aos costumes dos povos indígenas brasileiro, Tarsila do Amaral, através de suas contundentes pinceladas planas e lisas, usou de determinados formatos geométricos para definir o fundo de suas telas. A pintora não diferenciou o seu estilo de pintura das tradicionais formas de criação do seu tempo. Porém, se levado em consideração os procedimentos adotados, alternando as características do original, criando formas estilizadas a partir de elementos de uma concepção figurativo; ela demonstrou maturidade com a técnica e com a temática; empregou e incorporou muito bem no seu trabalho o espírito modernista de sua época.


O trabalho do pintor Iberê Camargo, pauta por caráter transitório e num estado de constante busca dos seus limites muitas vezes materializados em sua arte. A idéia da criação para o artista, está caracterizado em um ação infinitamente experimental, levado por um permanente impulso obstinado e busca de sentido existencial. Por ser um artista abstrato, intuitivo, as vezes obsessiva, Iberê constrói suas formas a partir de estrutura que não estejam no consenso do mundo que percebemos.


Já o caráter geométrico da obra do pintor francês Fernand Léger, está evidenciado nas formas concebidas a partir das relações que o artista tem com elementos da abstração, tão comum na arte, que são o ponto, linhas, planos e volumes. Suas obras apresentam semelhança com o que chamamos de pós cubismo ou pejorativamente, cubismo moderno. A temática é quase a mesma do cubismo de Braque e Picasso. Entretanto, o artista para esconder a essência cubista de sua arte, reveste os seus personagens, dando nova forma de concepção das figuras, que apresenta um perfil mais volumoso e maciço, posicionadas na tela de forma rígidas e majestosas. Nesse caso, a expressividade e o equilíbrio, são fatores gerados através da conciliação de contrates de cores e de formas.

Assim como os artistas citados, que criaram e produziram suas obras com perfis diferenciados, em épocas remotas e distintas entre ambos, também poderia ocorrer com os artistas de Cajazeiras, pois a arte é uma manifestação individual e universal e sua concepção renovadora está facultada a qualquer ser humano deste planeta.




Imagens que Ilustram o texto, são de trabalhos de artistas de Cajazeiras
1. Seu Adalberto (in memoriam)
2. Marcos Pê
3. Cristina Moura
4. Fernando Carvalho
fonte: www.coresprimarias.com.br ( ZIELINSK, Mônica. Camargo, Iberê: da técnica a poética) www.opapeldaarte.com.br/iberê Camargo

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Súplicas Sertanejas

José Antônio de Albuquerque

















“Súplica Cearense” é uma composição de Gordurinha e Nelinho. A música ficou eternizada na voz de Luiz Gonzaga e foi gravada por Elba Ramalho, Wagner, Vanusa, Carmélia Alves entre tantos outros. Esta belíssima canção é uma oração que retrata o sofrimento causado pela seca e que fez muito sucesso na década de 60.


Seus versos: “Ó Deus, perdoe esse pobre coitado/ Que de joelhos rezou um bocado/ Pedindo pra chuva cair sem parar. Ó Deus, será que o senhor se zangou/ E só por isso o sol se arretirou/ Fazendo cair toda a chuva que há. Senhor, eu pedi para o sol/ Se esconder um tiquinho/ Pedi pra chover/ Mas chover de mansinho/ Pra ver se nascia/ Uma planta no chão”, espelha o atual momento em que vivemos no interior do sertão nordestino. O sertão, depois de três anos de seca, vê seus açudes tomarem água e seus campos cobertos do verde, cor da esperança.


As chuvas abundantes varrem as terras do sertão, alcançam as catingueiras, a inundação, em algumas áreas, cresce e atinge os cascalhos, mata os bichos, ocupa grotas e várzeas. Até os tabuleiros estão atolando. O trovão ronca no espaço e rompe o silêncio da noite iluminada pelo brilho do relâmpago, mostrando as nuvens carregadas de chuvas e acompanhadas de muitos ventos que arrancam as sucupiras e as imburanas e deita pelo chão o milharal, plantado em dezembro.


Nas bacias de alguns açudes não deu tempo arrancar das vazantes as batatas e colher os jerimuns e muitos não suportando o volume das águas vomitaram e deram vida aos leitos dos rios secos e a Acauã, que vivia cantando, durante o tempo do verão, “no silêncio das tardes agourando, chamando a seca pro sertão”, do alto da aroeira, silenciosa, se protege das chuvas e dos ventos e ouve a alegria do inverno com o canto do sapo, da jia, da rã, da peitica e do bacurau que anunciam mais chuvas no sertão.


O pasto cresce no campo, as árvores se enfeitam, o gado fica com o pelo brilhando, os bodes ficam berrando e a cachorra baleia, de rabo cotó, latindo no terreiro de casa, acompanhada pelo canto das guinés e o cocoricar das galinhas. Estas imagens tornam o sertanejo muito feliz e alegre e o faz também cantarolar a música de Luiz Gonzaga: “Ai, São João/ São João do Carneirinho/ Você é tão bonzinho/ Fale com São José/ Fale com São José/ Peça pra`le me ajudar/ Peça pro meu mio dar/ Vinte espigas em cada pé”.


A chuva representa para o sertanejo o maior e mais belo espetáculo da natureza. O sertão de amargo e esturricado, com as chuvas, passa a ser doce e florido, a noite escura se enfeita com vaga-lumes, as manhãs são rompidas pelo canto dos pássaros, pelo relinchar do jumento, pelo cantar do sapo anunciando a desova, pelos gaviões rompendo o céu atrás da juriti.


Já imaginou se o nosso sertão fosse sempre assim, com chuvas regulares, sem a seca braba que afugenta os seus filhos para rincões distantes, causando saudade, dor e sofrimento, a exemplo do que canta Luiz Gonzaga em Asa Branca: “entonce eu disse, adeus Rosinha,/ guarda contigo o meu coração.../ Hoje, longe, longe muitas léguas,/ numa triste solidão,/ espero a chuva cair de novo/ pra mim vortá pro meu sertão.../ Quando o verde dos teus óio/ se espaiá na prantação/ eu te asseguro, num chore não, viu/ que eu vortarei, viu, meu coração...”


A seca fez muitos sertanejos desertarem de sua terra. Uns se deram bem, outros se lascaram, outros tantos foram lembrados nos versos e na música “Paraíba”, de Luiz Gonzaga: “quando ribaçã de sede/ bateu asas e voou/ foi aí que vim m`embora carregando a minha dor/ Hoje eu mando um abraço pra ti, pequenina Paraíba, masculina, muié macho sim senhor...”


Os rios e os riachos do sertão estão transbordando e suas águas saem do leito, e exemplo do Rio Nilo, vão deixando adubadas as suas ribanceiras para uma colheita maior e melhor. O sertão é assim, imprevisível, cheio de surpresas e quando a chuva chega, mesmo dando muitos prejuízos, os sertanejos transbordam de felicidade, mas suas súplicas continuam: “Ó Deus, se eu não rezei direito/ o senhor me perdoa/ eu acho que a culpa foi/ desse pobre que nem sabe/ fazer oração.../ pedi pra chover/ mas chover de mansinho...” a questão é, como diz o matuto, calejado de tanto sofrimento: “quando Deus manda, manda sobrando”.


sábado, 2 de abril de 2016

Os atores DUDA MOREIRA e UBIRATAN DI ASSIS serão apresentados a dramaturgia nacional.






A cidade de Cajazeiras não tem jeito mesmo. Vez por outra o seu teatro surpreende e mesmo estando letárgico, como está nos últimos meses, com sua produção praticamente parada, o seu legado histórico sempre resguarda um momento, para num momento oportuno fazer surpresas para seu público e para cultura cajazeirense.

Parece ser um compromisso, um caso de amor até. No geral, com a artes cênicas essa "ferida que arte e não se ver" é antiga e tem dado bons frutos. Mostra que o tempo vai indo e não consegue levar consigo essa tradição que vem desde a efervescência do seu teatro amador. Uma apoteose remota que fez história e vez por outro, por mais adormecido que esteja, sempre vem à tona.

Nesse curso cultural, que sua arte tem trilhado; o teatro de cajazeiras já deu para a dramaturgia nacional, nomes como Sávio Rolim, Nanego Lira, Soia Lira e Marcélia Cartaxo. Agora, depois de rápidas passagens de Raquel Rolim no programa de humor Zorra Total, aparece na mídia noticias da estreia de Ubiratan di Assis e da até então desconhecida atriz Duda Moreira, na novela Velho Chico. 



Marcélia Cartaxo, que é figurinha conhecida nos bastidores da Globo,  já estava confirmada. Agora a produção da novela Global, presenteia a cidade, incorporando ao elenco da trama o talento do veterano ator Ubiratan di Assis e da nova estrela da nossa dramaturgia, a atriz Maria do Carmo Furtado Moreira - Duda Moreira.

No caso de Ubiratan di Assis, a produção fez o convite (segundo matérias veiculadas nas redes sociais), após assistir suas apresentações no programa Papo, Prosa e Poesia da TV Diário do Sertão. Ubiratan incorporar a figura de um político deputado nordestino denominado de Plínio. Segundo a ator as cenas de sua participação na novela já foram gravadas e provavelmente irão ao ar no 25º capitulo. A biografia de Ubiratan no teatro paraibano é vasta, bastante conhecida do público e na história da dramaturgia paraibana.

Já atriz Duda Moreira (que talvez não seja tão desconhecida do público cajazeirense), atuou no cinema nacional em filmes como "O Sonho de Inacim" e trabalhou ao lado do humorista Tom Cavalcante. Ela irá atuar fazendo o papel da esposa do coronel Silas, amigo do Coronel Afrânio, personagem interpretado pelo ator Antônio Fagundes. A sua participação já havia sido anunciada anteriormente como integrante do elenco da novela.

Portanto, público cajazeirense, fiquem atentos nos próximos capítulos da novela e prestigie a atuação dos nossos atores. Afinal, chegar a ser estrela de uma novela Global, não é fácil, e não é algo que não se consegue da noite para o dia, demanda sorte e muito anos de dedicação e ralação pelos palcos da vida.