sábado, 9 de abril de 2016

O conceito de arte é o mesmo em Paris, New York, João Pessoa ou Cajazeiras.




Cleudimar Ferreira


O conceito de arte é flexível e sua definição tem suas desencadeantes a partir do entendimento e da vivência de quem a ela está próximo, intimamente ligado. A sua legitimidade não tem fronteiras e nem tão pouco, limites. Lembro muito bem um fato que ocorreu quando na década de setenta, durante a primeira Gincana Cultural - Descubra a Paraíba, um grupo de artistas de Cajazeiras, depois de ter vencidos todas as etapas do evento, fizeram sua culminância no Liceu Paraibano, numa grande coletiva que reuniu artistas de todo Estado.

Pois bem, naquela ocasião, um crítico com acesso diário as páginas dos jornais locais, ao observar uma das obras de um dos artistas de nossa cidade, deixou escapar verbalmente a seguinte frase: "isso é de Cajazeiras? Cajazeiras ainda não tem capacidade de fazer isso." Naquele instante, a representante dos artistas, a artista plástica Telma Rolim Cartaxo que estava próximo do crítico, respondeu: "Porque não, não é só João Pessoa que tem capacidade de produzir coisas bonitas".


Para muitos, o conceito de arte é algo limitado. Dependo da situação social, política em que o seu produtor está inserido e que os seus elementos de expressão composto no seu trabalho, incorpora uma temática em consonância com o retrato do ambiente em que o artista vive. Isto é, para o crítico, a arte representativa de Cajazeiras na exposição, por incapacidade de seus produtores, teria que ter uma perfil acadêmico figurativa com temas concretos como seca, fome, vegetação morta, cangaceiros, religiosidade, feiras, repentistas e não de temática contemporânea abstrata ou geométrica, demonstrada por alguns artistas cajazeirenses na exposição do Liceu Paraibano.

Os pintores George Braque, Vincent Van Gogh, Tarsila do Amaral, Iberê Camargo e Fernand Léger, com certeza não são contemporâneos, viveram em épocas distintas, em ambientas socioculturais diferentes e opostas, produziram uma arte repleta de elementos novos e conceitos diferenciados do que o consenso permitia no tempo em que vieram. Braque, foi afinado com a construção de imagens, abusando da fragmentação e da sobreposição de elemento geométricos. Caprichosamente, definia muito bem o tema que trabalhava - o cubismo. Van Gogh, era intuitivo, perseverante e provocador. A insistência em retratar imagens do cotidiano usando traços curtos, pinceladas grotescas e nervosos, Van Gogh, abusou nos detalhes cheia de elementos visuais expressivos, de linhas sinuosas, criou um técnica própria não comum nas tendência da arte do seu tempo.


Com traços temáticos inspirados na cultura africana e o uso de formas primitivas ligadas aos costumes dos povos indígenas brasileiro, Tarsila do Amaral, através de suas contundentes pinceladas planas e lisas, usou de determinados formatos geométricos para definir o fundo de suas telas. A pintora não diferenciou o seu estilo de pintura das tradicionais formas de criação do seu tempo. Porém, se levado em consideração os procedimentos adotados, alternando as características do original, criando formas estilizadas a partir de elementos de uma concepção figurativo; ela demonstrou maturidade com a técnica e com a temática; empregou e incorporou muito bem no seu trabalho o espírito modernista de sua época.


O trabalho do pintor Iberê Camargo, pauta por caráter transitório e num estado de constante busca dos seus limites muitas vezes materializados em sua arte. A idéia da criação para o artista, está caracterizado em um ação infinitamente experimental, levado por um permanente impulso obstinado e busca de sentido existencial. Por ser um artista abstrato, intuitivo, as vezes obsessiva, Iberê constrói suas formas a partir de estrutura que não estejam no consenso do mundo que percebemos.


Já o caráter geométrico da obra do pintor francês Fernand Léger, está evidenciado nas formas concebidas a partir das relações que o artista tem com elementos da abstração, tão comum na arte, que são o ponto, linhas, planos e volumes. Suas obras apresentam semelhança com o que chamamos de pós cubismo ou pejorativamente, cubismo moderno. A temática é quase a mesma do cubismo de Braque e Picasso. Entretanto, o artista para esconder a essência cubista de sua arte, reveste os seus personagens, dando nova forma de concepção das figuras, que apresenta um perfil mais volumoso e maciço, posicionadas na tela de forma rígidas e majestosas. Nesse caso, a expressividade e o equilíbrio, são fatores gerados através da conciliação de contrates de cores e de formas.

Assim como os artistas citados, que criaram e produziram suas obras com perfis diferenciados, em épocas remotas e distintas entre ambos, também poderia ocorrer com os artistas de Cajazeiras, pois a arte é uma manifestação individual e universal e sua concepção renovadora está facultada a qualquer ser humano deste planeta.




Imagens que Ilustram o texto, são de trabalhos de artistas de Cajazeiras
1. Seu Adalberto (in memoriam)
2. Marcos Pê
3. Cristina Moura
4. Fernando Carvalho
fonte: www.coresprimarias.com.br ( ZIELINSK, Mônica. Camargo, Iberê: da técnica a poética) www.opapeldaarte.com.br/iberê Camargo

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