sexta-feira, 27 de maio de 2016

GUERREIRO MAMBEMBE

Artigo escrito pela Jornalista Mariana Moreira e publicado no jornal "A União do dia 24 de novembro de 1985, Página 12 - Municípios.


Seu Otrope - Um dos primeiros exibidores
mambembe de Cajazeiras

Mariana Moreira

Rolos de filmes nas mãos e sonhos tantos que alimentavam cabeças de milhares de crianças e adolescentes embevecidos como os golpes de Karatê e a agilidade dos danatrãos bandidos e mocinhos do velho oeste americano. Todos eram Kung fu e Búfalo Bill naquele mundo mambembe que povoavam as nobres salas de cinema de São Gonçalo e Ipaumirim. Finais de semanas iluminados pela azulada luz de projetores e legendas parcialmente lidas por bocas semianalfabetas.

Este o universo do seu Otrope. De sobrenome: Cinema, como cinema foi também sua vida, iniciada no antigo Cine Moderno de João Bichara, onde aprendeu a técnica de manusear os projetores. Sua oficina era a própria cozinha de sua casa, assistido apenas por dois gatos de olhos espertos. Ali ele selecionava os filmes a serem exibidos, confeccionavam os cartazes e fazia os bancos da bilheteria, cada vez mais deficitária nesses tempos de Globo e Roque Santeiro; ladrões da capacidade do sonhar.

Conheci mais recentemente o seu Otrope, em matéria que fiz para A União no início deste ano. A vitalidade com que aquele velho de 60 anos me falava de cinema e de sua paixão pelos projetores e pelas abandonadas salas de exibição espalhadas pelas poeirentas cidadezinhas sertanejas era emocionante. Cinema cujo único conforto eram toscos bancos de madeira.



Como emocionante foi sua constatação de que a televisão estava engolindo o cinema. A tristeza que vi naqueles olhos, já cansados da aventura quixotesca de guerrear contra moinhos de ventos montados pela Rede Globo e toda estrutura de comunicação de massa, que patroniza o homem, limitando o raio de criatividade e sonhos. Para seu Otrope as nossas crianças estavam sendo furtada de sua potencialidade de reinventar o mundo a partir dos dramas cinematográficos exibido nas pobres, sujas e rotas telas.

Hoje, novos heróis da informática substituem a espada e revolver pelo raio laser. Cavalos e carruagens foram tragados pelas naves espaciais pelos veículos portentosos. Na velha torre do castelo não mais está a linda princesa atormentada pelo dragão, esperando a salvação de um Príncipe Valente. Sinhozinho Malta e Viúva Porcina são os novos efêmeros heróis nacionais, dividindo com He-Men as glórias e preferências.

E coração do guerreiro parou. Na tela apenas os créditos em preto e branco. O sonho termina e vira-se uma página bonita que não mais será reeditada. Quantos cresceram no alimento de suas limitadas telas. Hoje o velho projetor de seu Otrope está silencioso. A luz apagou-se e o único brilho azulado são televisores em nossas salas de estar. O nosso mambembe menestrel fechou os olhos para nossos sonhos. Enterrados estão todos eles, como Chaplin, Hitckcock, Wells.




OS PASSOS DO NOSSO (ANTIGO) TEATRO AMADOR

Cleudimar Ferreira


Os caminhos traçados pelos primórdios do teatro amador de Cajazeiras para chegar onde está na atualidade ou no que representa hoje, com seus atores semiprofissionais, afoitos, rompendo as cortinas dos teatros por aí a fora; sendo seus talentos expostos nas salas e as ecléticas massas culturais consumistas; justificados através dos brilhantes trabalhos feitos no cinema nacional e na TV; comprova que durante décadas, os persistentes  passos dados por esses artistas da representação só podiam desencadear na contemporaneidade, numa trilha de sucesso e de preenchido ego para história da dramaturgia cajazeirense.
Caminhos doravante duros, guardados em páginas amarelados de jornais, porém, compensadores nos dias atuas; revelam como foram as lutas, pelejas e dificuldades a fins dos nossos atores amadores. Nesse pequeno escrito por Francisco de Assis, publicado no jornal “A União” do dia 28 de agosto de 1980 - quarta-feira, página 6 - Interior, ele ensaia esse passado de lutas, quase que de forma apelativa, buscando tocar o sentimentalismo das nossas autoridades públicas da sua época.
No ordinário artigo de Francisco de Assis, nesse tempo, iniciante diretor teatral do grupo “Um Grupo”, que era formado pelo próprio autor do texto, e pelos atores amadores: Gleryston Oliveira - hoje radialista militante na imprensa cearense, Marcos de Andrade, Elizabeth, Danilo Moésia e Cleudimar Ferreira; Francisco de Assis, relata essas dificuldades e os sonhos da classe, impulsionados pelas lendárias apresentações dos dramas circenses, falta de espaços para ensaios, para apresentações e o não apoio financeira para as produções amadoras na cidade, por parte das instituições públicas. Veja o texto abaixo.

Encenação da peça: "397" - Grupo Cênica Boiada, 1980


O TEATRO NÃO PODE PARAR

Francisco de Assis Silva Oliveira

A saudade das coisas passadas nos faz buscar coisas novas. E é no passado onde fomos encontrar os melhores momentos nos palcos dos circos, anunciando artistas internacionais, leões africanos, gorilas, ciclistas e os “dramas” no final. “Coração de Luto”... “O Ébrio”, fazia cortar corações das mais jovens donzelas, aos mais carrancudos dos “cabelos grisalhos”. E público vibrava, aplaudia, chorava.... Delirava! A vinda de um novo “Circus” era uma curiosidade que provocava lero-lero, tudo girando em torno do qual seria o “Drama” de hoje. Todas as noites parecia que a lona iria desabar com toda aquela multidão chorosa, ansiosa por um novo espetáculo.

Estamos mais recentemente agora, há uns 10 anos atrás, onde já não mais os “Dramas” circenses não são tão procurados. O palco é outro. Um dos primeiros locais de encenação é onde hoje fica localizada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. E o Teatro Amador da Cajazeiras – TAC, é o mais destacado. Regularmente eram mostrados textos criados pelos próprios componentes do grupo, destacando entre eles Geraldo Ludgero, já falecido, Francisquinha Oliveira, Nazaré e outros. Depois nós mesmos criávamos e apresentávamos nossos próprios espetáculos. E o público começou a “assiduar”, a participar e a exigir mais apresentações. Cajazeiras não poderia mais parar por aí. Já não estávamos mais precisando de bons momentos de diversão vindos de fora. Nós já tínhamos nossas próprias apresentações.

Finalmente chagamos aos anos 80, depois de uma longa pausa. Os grupos teatrais de cajazeirenses já não mais são como antes. Os espetáculos já não são mais apresentados com frequência. Só nas amostras de Teatro Rápido, eles desentocam, saem do marasmo, e mostram trabalhos criados com muito esforço.

Conversando com um dos componentes do “Um Grupo” - Danilo Moésia, este me dia que “o problema é sério, pois as autoridades competentes em que nós devíamos encontrar todo apoio, a única coisa que encontramos é “cara-feia” e desinteresse. Essas pessoas deveriam ter ligação mais direta com o teatro e fazer algo para que realmente Cajazeiras possa se destacar fora, como uma cidade que faz Teatro Mesmo”.

Já, Marcos de Andrade, também do “Um Grupo”, falou a respeito dos atuas problemas enfrentado pelo grupo: “um deles é a falta de local para os ensaios, pois o local usado, o Colégio Diocesano é de propriedade privada”. Acrescentou ainda que: “no momento estamos preparando a montagem da peça “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de Plinio Marcos. Como não dispomos de dinheiro suficiente, enviamos oficio ao NEC – Núcleo de Extensão Cultural, aqui em Cajazeiras, requisitando verba no valor de Cr$ 7.835,00 para montagem do referido texto. Esse dinheiro se destinaria a construção do cenário, que é de vital importância para uma boa apresentação”. Indagado onde seria apresentada a peça, ele acrescentou ainda que “o melhor lugar, o Cine Teatro Apolo XI, dificilmente é cedido aos grupos”. Como se sabe o prédio pertence a Diocese local.

“Gostaríamos, na ocasião, de pedir ao Bispo de Cajazeiras Dom Zacarias Rolim Moura, que quando se fizer necessário, ceda o Apolo XI para apresentações, senão o teatro aqui nunca irá pra frente”. Como se ver, é um Drama se mostrar textos ao público cajazeirense.

Há um ano atrás, mais ou menos, o Sr. Governador Tarcísio de Miranda Burity, prometeu uma Casa de Teatro para nossa cidade e até o presente nada foi feito de concreto, enquanto isso os representantes do Grupo Boiada, Terra, Os Brasileirinhos, etc., continuam na expectativa, esperando uma medida séria, referente ao assunto.

Agora fico pensando: Nem os velhos espetáculos de circo temos mais.... Por onde eles andam? Será que o espetáculo vai parar?




quinta-feira, 26 de maio de 2016

AQUELA CASA DA PRAÇA DA MATRIZ


Francelino Soares


Diz um aforismo bastante conhecido: “Dize-me com quem andas, e te direi quem és”. Outro, bastante conhecido fala que “Por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher”. A estes, eu acrescentaria um terceiro, de minha própria lavra, e que tem muito a ver com a Coluna de hoje: Dize-me onde moras, e eu te direi quem és.

Segundo o meu raciocínio, este último tem tudo a ver com a preservação do patrimônio urbano de nossa cidade, que vai, aos poucos, desaparecendo. Não é apenas saudosismo: é o desejo de manutenção de certas habitações que, num passado recente, nos conduzia a associá-las aos seus proprietários.

Habituamo-nos a associar o habitat aos seus respectivos moradores. Assim é que nos é impossível contemplarmos a residência constante da ilustração da Coluna de hoje, sem associá-la ao casal Romualdo Braga Rolim, sua esposa Nerita (in memoriam) e aos seus filhos Suely e Sóricles. Romualdo, hoje já quase centenário, mostra-se ainda com todo o vigor, desfrutando, na Capital do Estado, daquilo que construiu ao longo de sua existência em nossa cidade. Sempre cuidadoso com Suely e com as netas – Márcia, advogada; Virgínia, odontóloga; e Marina, advogada – Romualdo se faz presente aos eventos que dizem respeito à sua cidade berço.

Em Cajazeiras, é reconhecido hoje como um cidadão que, sem se envolver em querelas políticas, sem disputar cargos eletivos, muito fez pelo progresso social e econômico da cidade e da região. Assim é que se dedicou a transações e intermediações que envolviam a compra e venda de algodão, enquanto o chamado “ouro branco” agitava a economia interiorana. Havia, então, na cidade, grandes firmas que se dedicavam a esta atividade: a SANBRA – Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro – e a CLAYTON – Anderson Clayton & Co. –, sendo que com esta última é que Romualdo movimentava a sua atividade comercial. Mas, foi no setor da construção civil que a firma Construtora Rolim, uma parceria dele com Otacílio Campos, impulsionou o desenvolvimento urbano da região, mormente com a construção de estradas de rodagem. Posteriormente, estabeleceu a sua firma na Capital do Estado, tendo prestado relevantes serviços na sua área por toda a Paraíba.

Os leitores, sobretudo os ausentes da cidade, certamente se lembrarão de sua majestosa residência, localizada na chamada Praça da Matriz, ainda hoje conservada como nos idos dos anos 60. Para isto, Romualdo insiste em conservá-la incólume e bela, deslumbrando as lembranças dos que a contemplam.

Que outros conterrâneos, independentemente da existência de um órgão que gerencie a conservação de prédios representativos da cidade, sigam o seu exemplo: não deixem que o progresso apague das gerações futuras o passado arquitetônico da nossa urbe. (Sim, para vaidade minha, no último encontro que mantivemos, lembrou-me Romualdo que foi o meu genitor, mestre José Soares, que a construiu).



sábado, 21 de maio de 2016

ARTES NO INTERIOR


Agnaldo Almeida
Artigo publicado no Jornal "A União", do dia 06 de setembro de 1985, Página 04, Opinião. Na época, o Jornalista respondia pela editoração geral do jornal.

Ilustração do Artista Plástico Cajazeirense, Marcos Pê.


A secretaria de Cultura decidiu, este ano, realizar o seu Festival de Artes em Cajazeiras. Não teria sido melhor sediá-la em João Pessoa mesmo? Qual o proveito que as artes e cultura terão, discutindo, no remoto interior, as suas propostas de renovação? Não seria mais útil debater a realidade artística e cultural da Paraíba no seu centro metropolitano, onde se localizam Universidade, Exposições, enfim onde se encontram as cabeças pensantes do que se pretende discutir e debater?
Aí está posto o dilema. Há os que pensam ser a Capital o único lugar onde as coisas podem acontecer, e, portanto, só daqui deveriam partir diretrizes não apenas nas artes e na cultura, mas em todo o resto das elucubrações do pensamento.
Ao contrário, entendem outros que a Paraíba, como aliás o Brasil, precisa de ser descobrir no interior. Na capital, junto de suas Universidades, de suas Faculdades de Letras e de seus Núcleos de Artes, estaria talvez um pensamento mais bem elaborado; se encontraria, é certo, a última notícia no campo das conquistas da linguagem e das técnicas no domínio das artes.         
Seria, porém, no Interior onde a cultura e as artes ainda poderão ser surpreendidas em estágio puro, prevalecendo a inquietação criadora sobre meros requisitos técnicas e formais.
Isolado com as suas tradições, o interior terá sabido resguardar uma cultura isenta de influências estranhas, comprometedoras de sua pureza singular, e, não dominando as técnicas formais, as suas manifestações artísticas ganharam em conteúdo.
Aqui se passa a mesma coisa que está hoje acontecendo nos grandes centros de apreciação de obra de arte e de cultura. A Europa está preferindo consumir literatura de outras artes do mundo, até aonde não ainda o grande equívoco das tiranias da forma e da técnica, exatamente por concluir que se exauriu a flama criativa de seus escritores, agora simplesmente dominados pelo virtuosíssimo técnico.
Ao revés, vivendo uma realidade original, livres dos modismos, artistas de outros quadrantes do mundo, isolados da efervescência tecnológica, estariam mais capacitados a oferecer uma visão francamente comovedora do fenômeno da obra de arte.
Ainda se poderia aduzir um outro argumento a justificar a decisão de deslocar um conclave de arte e cultura para o interior. É que precisamos de abandonar o vício antigo, já denunciado por escritor da Colônia, de os brasileiros ficarmos arranhando, como caranguejos, as rochas do Litoral em prejuízo do conhecimento das terras e das gentes interioranas. Vício que renasce até agora, pois a Universidade ainda não se faz presente, senão em momentos esparsos, nesse necessário encontro da hinterlândia. Desse vício também não estão isentos outros órgãos e serviços estaduais e federais com funções importantes, não apenas nos setores da arte e cultura, mas em outros de interesse imediato das populações interioranas, como agricultura e pecuária.
Assim, pois, o encontro de arte e cultura que se realiza em Cajazeiras, como outros que tiveram Areia por sede, atende, em parte, a necessidade de resgatar o Interior, colocá-lo na condição de participante da contemporaneidade, ainda que, no momento, não se dê conta da importância do que estão debatendo escritores e artistas, deslocados até sua acanhada vivência interiorana.



segunda-feira, 16 de maio de 2016

CENAS INDELÉVEIS Nº 142



"Fundação de Cajazeiras". Óleo sob tela. 1964. autor Waldemar José Solha 

A Fundação de Cajazeiras
Waldemar José Solha


O autor - Waldemar José Solha
Outubro de 64. Trabalhando na agência do BB de Pombal, li, no jornal “A União”, que Campina Grande estava completando seu centenário, com o que me lembrei das festas do tricentenário de Sorocaba, ocorridas 10 anos antes, inclusive com apresentação de um quadro sobre sua fundação, que figurava nas capas de todos os cadernos escolares. O amigo Dr. Queiroguinha, pombalense radicado em Campina, me disse que a cidade não tinha nada no gênero. Pesquisei, então a História da “Rainha da Borborema”, pintei um quadro usando colegas por modelos (Zé Bezerra, o escritor, que era caixa da agência, eu o fiz como um índio de baú na cabeça), e vendi a obra à Prefeitura de lá, através do próprio amigo médico. De imediato soube que Cajazeiras – que completara 100 anos de município no ano anterior – também não tinha sua “Fundação”. Sem livros disponíveis pra me inteirar de suas origens, fui lá e conversei muito com um intelectual de sobrenome Cartaxo – que era a cara de Einstein. Ele me levou ao açude onde tudo começara, falou do fundador – Rolim; de sua esposa - Sinhá Ana; do filho – que seria o famoso padre, educador, Inácio de Souza Rolim (que o Imperador chamaria de “O Anchieta do Norte”), e dos escravos que lá trabalhavam:

- O padre tinha poucos dias de nascido, quando os pais, Ana Francisca de Albuquerque e Vital de Souza Rolim, se mudaram pra gleba que tinham recebido do sesmeiro pai de Ana, como dote de casamento. Vital, mesmo, com os negros, construiu a casa e os currais, dando início à formação da fazenda das Cajazeiras, por causa desta árvores.

Pintei o quadro quase naïf, sem modelos, a não ser para o bebê, futuro padre: uma foto de Ana Valéria, filha dos grandes amigos Dr. Atêncio Bezerra Wanderley e Dona Cacilda, e que tornei um Inacinho feliz da vida ante o crucifixo que a mãe oscilava ante seus olhos. Dada a pintura por encerrada, botei-a em cima da carga de um caminhão e fui a Cajazeiras. O Prefeito se entusiasmou com a novidade inesperada, impressionou-se com o fato de que eu vendera obra equivalente pra Campina Grande, mas me disse que iria reunir um grupo de experts pra não dizer que fizera a despesa sem consulta. Cena indelével foi a da célebre encenadora Íracles Pires comentando o que via, revoltada:

- Tudo é falso nessa tela: olhem a grama verde – coisa que não tem nada a ver com o sertão, coisa da terra do moço que a pintou. Vejam a Mãe Aninha: ela era uma mulher horrorosa, e olhem só a beldade que aí está. E Rolim era um vagabundo, e o que temos aí?: um fundador da cidade todo disposto, e que não é nada mais, nada menos que o autorretrato do moço! Olhei a figura com espanto.“É mesmo!”

Apesar da crueza do discurso, o prefeito me pagou e a Prefeitura ficou com “A Fundação de Cajazeiras”, de que nunca mais ouvi falar. Íracles Pires tinha prestígio, com programa de grande audiência na rádio local, o que me faz pensar que a oposição deve ter conseguido desautorizar qualquer utilização do óleo – como eu tanto via em Sorocaba com o de sua fundação. Coincidência ou não, o mesmo se deu em Campina. O duplo desagrado me deixou um travo – indelével – de vigarista, oportunista, o que me leva a perguntar, nos dois casos, por quanto me venderiam, hoje, as “fundações” que fiz.



terça-feira, 10 de maio de 2016

Depois de 31 anos, Cajazeiras ganha uma nova escola estadual

José Antônio de Albuquerque


O pioneirismo de Cajazeiras no setor educacional é reconhecido pela ação e empreendimento do Padre Rolim e se faz merecedor por todos que se dedicam ao estudo da educação brasileira e o escritor, pesquisador e historiador Sebastião Moreira Duarte, assim escreve sobre este fato: “Poucos estabelecimentos de ensino, no Brasil do século XIX, terão tido a consagração que teve o seu colégio, encravado nos recantos perdidos do Sertão nordestino. Os seus alunos acorriam de partes as mais distantes do Nordeste e, como se verá, bom número deles deixou o nome a ombrear-se na História com o do seu mestre. A matrícula, no seu escondido educandário, corria paralela à do Liceu Paraibano, na Capital da Paraíba”.
Existem duas datas: 1836, com a Escolinha da Serraria e 1843, o Colégio do Padre Rolim, que ele instalou em Cajazeiras, que se torna iniciativa pioneira na cronologia dos estabelecimentos de Ensino da Região.
Com a morte do padre, em 1899, o colégio foi reaberto, por iniciativa da Diocese da Paraíba, no ano de 1903.
No dia 03 de março de 1918 foi criada a Escola Normal e sua primeira turma colou grau no dia 19 de março de 1922. A turma era composta de seis concluintes: eram três homens e três mulheres. A cidade se torna pioneira mais vez ao diplomar professores, fato de mais alta relevância na História da Educação Brasileira.
No ano de 1931, no governo do Interventor Antenor Navarro, foi criada a Escola Desembargador Boto, que este ano completa 85 anos de existência e se constitui como uma das escolas públicas mais antigas de Cajazeiras, que já mereceria ser instalada no majestoso prédio.
Em 1933, era criado o famoso Grupo Escolar Monsenhor Milanez, no governo do Interventor Gratuliano de Brito, que se constitui ao longo da história de Cajazeiras, por décadas, como a mais importante escola da cidade e por ela passaram alunos das mais tradicionais famílias da cidade, além de ter um corpo docente de renomados educadores.
Somente 18 anos depois, no ano de 1951, no governo de José Américo de Almeida, foi criada outra escola estadual: Dom Moisés Coelho, que a exemplo das outras escolas estaduais já existentes na cidade se destinava exclusivamente ao ensino primário.
Somente dez anos depois, no ano de 1961, quebra-se a hegemonia do ensino ginasial, até então somente ofertado pela rede particular de ensino, através dos colégios Padre Rolim e Nossa Senhora de Lourdes, ambos criados pela Diocese de Cajazeiras, era criado o Colégio Estadual de Cajazeiras, no governo de Pedro Moreno Gondim, uma luta do deputado estadual Acácio Braga Rolim e de outras lideranças da cidade, dentre eles Dr. Abdiel de Sousa Rolim.
Em 1975, a força política e a ação parlamentar do deputado estadual Edme Tavares, estavam em alta e fez com que o governador Ernani Sátiro construísse um novo modelo de escola que se espalhava pelo Brasil, denominadas de “Escolas Polivalentes”, que tinha como objetivo principal a formação inicial de mão-de-obra para os jovens e adolescentes, que recebeu o nome de Cristiano Cartaxo.
Em 1984, a luta de Edme Tavares, no Congresso Nacional, se fez vitoriosa e a cidade ganhava a segunda Escola Técnica Federal a ser instalada na Paraíba. Esta escola teve também a participação do senador Raimundo Lira e hoje se constitui um dos maiores orgulhos de todos os cajazeirenses, em função da qualidade de ensino que ela oferta aos seus alunos.
Em 1985, o governador Wilson Braga dava de presente, entre outras inúmeras obras, o Colégio Manoel Mangueira Lima, encravado numa importante área de expansão urbana da cidade.
Em 2016, a cidade será agraciada com uma Escola Técnica Estadual, cujos cursos serão objetos de reuniões, debates, audiências públicas, para serem definidos.

O que a sociedade espera é que estes cursos técnicos que serão implantados nesta nova escola possam atender as autênticas demandas do povo do sertão da Paraíba.




sábado, 7 de maio de 2016

Veja como foi o último dia de exibição de filmes no Cine Éden, nesse texto escrito pela Jornalista Mariana Moreira e publicado no Jornal "A União", do dia 14 de julho (Domingo) de 1985; Página 12 - Municípios. A quase, 31 anos atrás.



O Ocaso do Cine Éden
Mariana Moreira

Em matéria veiculada pelo Jornal A UNIÃO, em sua edição do dia 21 de outubro de 1984, sobre o título “Cinema em Cajazeiras: A Crise Ameaça uma Tradição”, alertava para no sério problema enfrentado pelos cinemas cajazeirense, onde a concorrência, até certo ponto desleal, da televisão estava roubando o público e ameaçando de fechamento tradicionais casas de exibição, cujas vidas se misturam e se confundem com a própria história da cidade.

E a previsão acontece. Hoje o Cine Éden, com mais de 50 anos de existência, fecha suas portas para o público e encerra uma história de vidas e de sonhos. Fundado em 1935, por José Lira, que decide criar em Cajazeiras um espaço requintado onde a população tivesse acesso aos filmes sonoros, que por essas bandas representava novidade e sofisticação o Cine Éden, instalado no Edifício OK, na época o que de mais moderno existia em construção na cidade, não suportou os altos custos da exibição cinematográfica no interior, aposenta seus projetores.

E a Televisão? Que culpa tem esse aparelho instalado no conforto de nossas casas com o fechamento do Cine Éden? Pode parecer lugar comum. Mas não é a Televisão pelo leque de opções que oferece, além de garantir a comodidade de se estar em casa, sem o desconforto de se deslocar até o cinema, arcando também com o preço do ingresso, desponta como fator primordial para que os cinemas, não apenas em Cajazeiras, mas em todo o país, não resistem as salas vazias.

Com isso vão desaparecendo de nosso cenário as casas de exibição onde, outrora, os casais de namorados sonhavam ao som dos musicais hollywoodianos e dos filmes românticos de Greta Garbo, Clark Gable, Vivian Lin, na ilusão de “E O Vento Levou”, ousando paqueras mais arrojadas como pegar na mão da namorada ou roubar um beijo rápido na boca, na penumbra da luz azulada refletida da tela.

O Cine Éden está fechado. A vendedora de bombons velará sua banca para outras paradas. Os cartazes não mais anunciarão a próxima grande estreia. Não mais veremos o atrasado Jornal do Canal 100 de Carlos Niemayer. Estaremos órfão de uma opção de lazer e cultura A subvenção oficial para salvar o cinema não veio. Um espaço ficará ocioso na área central da cidade.  Poderia ser aproveitada para exibições cinematográficas, palestras, debates, conferencias, etc., bastando que uma entidade oficial como a Universidade Federal da Paraíba ou o Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura encampasse a ideia.

Mas nada disso acontece. Afinal, nesse país cultura é mercadoria supérflua e aos homens é negado o direito de pensar.