terça-feira, 26 de julho de 2016



Rádio Alto Piranhas (1ª parte)
F r a n c e l i n o  S o a r e s



Na Coluna anterior, já lhes falei do meu regresso a Cajazeiras, em 1963, quando passei a atuar nas atividades de professor e funcionário do antigo DCT – Departamento de Correios e Telégrafos. Mas, tudo foi apenas um pretexto para adentrar às atividades radiofônicas, que desempenhei tanto da DRC – Difusora Rádio Cajazeiras – em 1964, nos tempos saudosos de Mozart e Adegildes, como na agora cinquentenária Rádio Alto Piranhas, em 1966.

Que me perdoem os meus leitores, se hoje estarei sendo um pouco mais saudosista. Mas, já lhes disse, aqui mesmo, que esta é a filosofia e o objetivo precípuo desta Coluna: trazer a vocês lembranças remissivas de um passado enraizado, mas que, eu temo, vá se esvaziando com o passar do tempo, ou como o nosso passar pelo tempo. Afinal, quem, porventura, não se recorda dos dias idos e vividos nesta longa caminhada pelos caminhos da vida!…

Antigo estúdio da Rádio Alto Piranhas, na Rua Victor Jurema, hoje Lar Sacerdotal.
O veículo da foto é a famosa Rural Willys verde, do padre Loureiro.

Não me quero fazer de personagem dessa história, apenas eu estou lançando mão, como disse antes, de um motivo plausível para lhes falar da nossa cinquentenária RAP, hoje de pé e firme em sua caminhada para novos cinquenta anos e modernizando-se cada vez mais.  Foi numa manhã, ao raiar do ano de 1966, que colocamos a emissora no ar. Eram 5:30 h quando, ao som da música “Luar do Sertão”, foi lido por Zenildo Alcântara o “termo de abertura” da Alto Piranhas.

O texto, se não me falha a memória, foi escrito por Dom Zacarias, e estávamos presentes no estúdio, ainda na Rua Victor Jurema, os padres Vicente e Loureiro, além deste que lhes escreve, diretor de programação, como era classificada a função que eu exercia.

Lembro-me bem de que, na noite anterior, tinha havido um baile nos salões do Tênis Clube, e os notívagos daquela festa vieram concluí-la na frente da emissora, o que serviu de bom alvitre, como se fosse o apoio que estávamos recebendo da comunidade. Desejo, nesta Coluna, prestar as minhas mais gratas homenagens àqueles que, talvez, tenham sido esquecidos pelos registros oficias.

Assim é que, a começar pelos programas líderes de audiência, mesmo sem pesquisa do IBOPE, tivemos “No Terreiro da Fazenda”, apresentado sempre das 17:00 às 18:00 h, com a tarimba de Aragão Júnior; O “Correio Musical”, apresentado por Vilmar Lima, sob o patrocínio de Jota Claudino, em duas edições: das 9:00 às 10:00 h e das 15:00 às 16:00 h; Paulo Saraiva, com o seu vozeirão, entrava das 20:00 às 21:00 h, logo após a “Hora do Brasil” e mantinha a audiência fechada; modestamente, eu entrava das 14:00 às 15:00 h, com os sucessos da jovem guarda, no programa “Os Brotos Comandam” que, dizem ainda hoje, também mantinha audiência fechada, sendo o programa que introduziu, na época e em toda a região, o atendimento aos ouvintes, por telefone, tornando-se uma espécie de coqueluche… Tocavam-se Roberto Carlos, Renato e Seus Blue Caps, Erasmo, Wanderleia, Demetrius, Wanderley Cardoso, Nílton César, Martinha, além dos consagrados astros internacionais: The Beatles, Rolling Stones, Nico Fidenco, Alain Barrière, Charles Aznavour, Gilbert Bécaud, Pepino de Capri, Rita Pavoni, Trini Lopez e tantos outros. O patrocínio, lembro bem, era da Camisaria Nogueira, que ditava a moda juvenil na cidade.

Claro que não se pode esquecer do “Correspondente Willys”, com redação nossa e apresentação do sempre presente, Zenildo Alcântara que, estivesse onde estivesse, “corria” para os estúdios para apresentar o noticiário patrocinado por Cavalcanti & Primo, e que ia ao ar de hora em hora, com notícias captadas e “copydescadas”, diretamente das emissoras do Sul, através de um potente rádio Transglobe, da Philco. Funcionava assim: por uma questão de reserva de direitos, eu ouvia as notícias do “Sul maravilha” e do mundo todo, dando a elas uma nova redação, para não ferir a legislação vigente. Estávamos, por meio desse processo, sempre antenados com o Brasil e com o mundo, havendo acompanhado, pari passu, a “Guerra dos Seis Dias”, ocorrida em Israel e no Oriente Médio e brilhantemente vencida pelas tropas de Jerusalém, sob o comando de Moshe Dayan. Não perdíamos nada… (Continua na próxima Coluna)

Antigo estúdio da Rádio Alto Piranhas, na Rua Victor Jurema, hoje Lar Sacerdotal. O veículo da foto é a famosa Rural Willys verde, do padre Loureiro.





Os Anos de Chumbo em minha memória (I)
Pepé Pires Ferreira

Nos tempos anteriores e no começo do que hoje conhecemos como o período militar, e naquele tempo conhecíamos como A REVOLUÇÃO DE 31 DE MARÇO, eu era um menino, e quase tudo que vou relatar são historias ouvidas e vividas amigos e familiares, além de em alguns casos, de relatos das pessoas que “sentiram na pele” o tratamento a que foram submetidos, então o que passo a descrever, não carece de exatidão histórica. Mas como inclusive já fui cobrado e minha saúde não está lá essas Brastemp’s, vou tentar fazer esse texto de o que vi e vivi, dentro do restrito ambiente que uma criança de dez anos ou menos se lembra. Com as vênias e escusas de quem busca apenas na memória e dentro da sociedade pequeno burguesa em que sempre estive e até agora faço parte dela.
O primeiro fato que eu me lembro foi que eu gostava muito de ouvir um disquinho impresso numa folha de papel, diferentemente daqueles acetatos pretos daquele tempo, que sobrou da campanha da Jânio Quadros tinham uns versos que muito me gravaram na memória: “Jânio vem aí/ não demora não/ Jânio vem aí? Com a vassoura na mão…”, que eu à época achava que Jânio, o ídolo de meus pais udenistas, iria varrer fisicamente o Brasil – Hoje se sabe que era porque se dizia que sobre Juscelino pairavam suspeitas de corrupção, e hoje e JK é quase divinizado, e essa corrupção deveria ser um átimo, se comparado ao que hoje vemos cotidianamente, pois Brasília, sua obra-prima foi executada, a transposição do São Francisco, e ferrovia Norte Sul, se gasta e nunca terminam. Minha avó D. Ceci Brocos, tinha na cristaleira de sua casa um adesivo de “JK 65”, indicando seu apoio àquela candidatura que os militares abortaram. O restante, a renúncia, o negócio de João Goulart assumir, o Comício da Central, somente vim a saber muito depois, já adulto.
Isso tudo visto pelos olhos de uma criança e somente hoje tenho a noção. Minha mãe foi fazer um tratamento no Rio de Janeiro (perdeu um rim), e nos levou para o apartamento da minha avó, e aí eu tive no fim da infância, começo de adolescência a oportunidade de assistir ao vivo, ou na TV, que por aqui ainda não chegava, o movimento de 68, o assassinato do estudante Edson Luiz, as passeatas da Av. Rio Branco, e o AI 5, no teatro onde se desenrolaram os principais fatos daqueles tempos, estava, meio sem saber, no olho do furacão de um dos períodos mais ricos e famosos de nossa história.
Minha mãe era aluna da Escola Nacional de Teatro, e uma coisa que me lembro foi que um dos seus colegas desapareceu e depois de bem um mês, tornou a escola e disse que todo mundo se cuidasse, que durante uma passeata tinha sido filmado, e pego pelos Órgãos de Segurança, foi torturado e entregou deus e o mundo: segundo esse colega de minha mãe, ele disse : “O que eles pediram para dizer, eu disse”, mas como não houveram prisões posteriores, os torturadores não devem ter acreditado muito nessa confissão.
Já por aqui, temos o caso de nosso amigo Saul Pessoa (nosso psicólogo), que foi torturado em João Pessoa, obrigado ficar de pé em latas de leite em pó abertas (com a Chycungunya que estou a passar, faço ideia do quanto foi doloroso), mas deixo para o próprio Saul dar a sua versão desse fato, como também de duas irmãs, nossas conhecidas que moravam na capital João Pessoa, Eridan e Mazinha, que a primeira está desaparecida, e a segunda sofreu horrores, segundo nos relatou, mas essa não a vejo há anos.
Teve o caso de Chico Coréia, de Sousa, que teve que fugir e se formou em Portugal (ele fazia parte do Diretório estudantil), e mesmo com a influência de seu pai, Luiz de Oliveira, um dos maiores usineiros de Sousa, teve de fugir do país.
Mais tarde, no secundário, quando fui morar em Recife, um dos maiores amigos de Cajazeiras que lá moravam era Custódio Amorim, que tocava violão desde os tempos dos passeios nos sítios que fazíamos nos fins de semana, era em 1973, secretário de D. Helder, e depois da festa do batizado de seu filho (Pablo – homenagem a Pablo Neruda), foi preso, e ao contatarmos com a Pastoral (eu sempre a reboque dos mais velhos, minha mãe, Zélio, Toinho, irmão de Carlos Alberto ex-secretário (nosso Luluzinha), Luiz Humberto), recebemos a noticia que seria mais conveniente que quem fosse procurar fossemos nós conterrâneos, já que se aparecesse alguém ligado ao movimento de D. Helder, seria preso também. Somente sua esposa foi recebida no IV Exército e o militar ao saber que ele estava desaparecido disse para sua esposa anunciar no Programa da TV pernambucana Jorge Chau, que podia ele ser encontrado. Mais de seis meses depois, Custódio apareceu, e parecia outra pessoa, de tanto que sofreu, e a gente não podia nem ficar comentando, tal o perigo a que estávamos expostos, até por tabela. Também depois teve o caso Edval Nunes, o Cajá, mas deixo para o próprio relatar sua versão, mas o jogo era pra valer: podia ser, como foi, traumatizante...
Eram tempos obscuros, devem ser registrados, e continuo na próxima semana se não for preso (ironicamente isso virou para mim uma espécie de bicho-papão).
Ainda hoje, mais de trinta anos depois ainda tenho receio.


quinta-feira, 21 de julho de 2016


Na ilustração, uma tomada da antiga sede dos Correios.

De passagem pelos Correios
Francelino Soares

Quando voltei a Cajazeiras, em 1963, depois de dez anos na Capital do Estado (1952/1962), para assumir o magistério, especificamente, ministrando aulas nas cadeiras de Língua Portuguesa, Latim e Francês, nos Colégios Diocesano Padre Rolim e Nossa Senhora de Lourdes, e no Seminário Nossa Senhora da Assunção,  estava me iniciando  numa vida autenticamente profissional: exercer a missão de professor, quando  formava um bloco uníssimo com companheiros mais idosos, porém com os quais, quase ainda adolescente, procurei me enturmar.

Assim é que convivi com os padres Vicente Freitas, Gervásio Fernandes, Luiz Gualberto; com os professores Domingos Sobreira (Dr. Dingo), Dr. Hernani, Dr. Cristiano Cartaxo, além de outros meus contemporâneos, como “Nego” Chico (Chico Venâncio, ou Francisco Venâncio, que havia voltado do Sul, dizendo-se marinheiro, e que passou a ser o instrutor da banda marcial do Diocesano), Antônio Batista, Dr. Abdiel, Assis de Donato, Walmick Andrade, Antônio (Chinesinho), Herculano, Maílson, Socorro Lima, Oneida, Neuman Soares (minha irmã), Valdenora, Zenaide, Marié, Landim e tantas e tantos outros.

Embora já fosse funcionário do antigo DCT - Departamento de Correios e Telégrafos – era na atividade do magistério que me sentia realizado. Desta eu colhi excelente experiência e convivi com alunos, não somente de Cajazeiras, mas de toda a região, inclusive do Ceará, com cuja convivência aprendi muito da vida. Foram e são pessoas com algumas das quais, ainda hoje, mantenho excelentes laços de amizade e fraternidade, buscando, rememorar, quando as encontro, fatos e passagens daqueles saudosos dias vividos na labuta diária de vida colegial.

Dos Correios, vêm-me à lembrança uma plêiade de velhos amigos e companheiros que tocavam os serviços da fluência de cartas, telegramas e encomendas, com uma prestimosidade e pontualidade que hoje já não se vê mais. Havia passado o tempo dos antigos funcionários – Oliveiros de Oliveira Fernandes, Zé Vilar, Daniel, Antônio Batista, entre outros, quando a agência ainda ficava na Rua Padre Rolim, onde funcionou a Escola do Comércio - e iniciava-se a fase comandada pelos velhos companheiros “decetistas”: Juarez Marques, Belinha, Nadir, Efigênio, Edrízio, Antônio Ferreira, Benu, Nicholson, Maria Ferreira, Lourdinha, Tim, Terezinha Timóteo, Ademir, Sales Figueiredo, Francisquinha (esposa deste último), Deusimar Cavalcanti, Nazuíla, Stela Alencar, Juracy, Iara Caju e tantos outros.

Mas, os Correios representavam para mim somente um caminho de passagem, uma vez que, em paralelo à minha atividade de professor, desabrochou a imensurável paixão pelo microfone, pelo radialismo, num momento em que nascia a nossa inesquecível DRC - Difusora Rádio Cajazeiras - nos idos de 1964, para onde fui levado pelas mãos e pela inteligência empreendedora de Mozart, Jessé e Zé Adegildes. Estes últimos eram remanescentes dos serviços de alto-falantes, onde pontificaram Zé Gonçalves, Aécio Diniz, Edmilson Feitosa, Rubem Farias, Antônio Augusto de Albuquerque (o Pinguim), Zenildo Alcântara e outros tantos cujos nomes o espaço não permite citá-los todos.

Aí, sim, depois de um breve retorno a João Pessoa, em 1966 voltei à minha terra, convidado que fui por Dom Zacarias, Padre Vicente e meu fraternal amigo José Loureiro, para enfrentar o honrado cargo de Diretor de Programação da Rádio Alto Piranhas, envolvendo-me novamente, com as atividades de funcionário dos Correios, professor e radialista. Aí, nasceu a RAP, agora cinquentenária, mas isto já será uma outra história que lhes procurarei contar na próxima Coluna.




domingo, 17 de julho de 2016




Anos de chumbo:
juventude em luta na terra do Padre Rolim (III)

Luiz Alves


Edival Nunes tinha muitas histórias pra contar do mundo do qual vivíamos isolados, especialmente quem, como eu, saindo em férias do Seminário, ia para a zona rural de São José de Caiana, onde meu pai sequer possuía um aparelho de rádio.  Ele passara o ano de 1967 morando e estudando em Cajazeiras, cidade antenada, e aí vivera um turbilhão de acontecimentos: o cinema, o teatro, a beatlemania, a jovem guarda, e o Movimento Estudantil. Eu tinha as histórias internas e lhe falei do “enforcamento” a que fora submetido, episódio que me havia marcado muito, especialmente por ter sido protagonizado por um padre e professor.

Com um breve sorriso, ele me falou que certamente não havia sido uma mera brincadeira; que Gervásio era um dos poucos padres progressistas da Diocese e havia feito uma manifestação simbólica contra a ditadura militar. Apesar de falarem “presidente Castello”, este era, de fato, um ditador imposto pelo golpe de estado de 1964, cuja finalidade foi impedir as reformas de base propostas pelo governo de João Goulart. As reformas agrária, urbana, educacional e bancária feriam interesses dos grandes capitalistas nacionais e estrangeiros. Esse fora o motivo da deposição de Goulart, e não o combate ao comunismo. A própria Igreja Católica se iludira com essa bandeira, mas, agora, já estava começando a mudar.

Exatamente na época da “brincadeira”, final de outubro de 1965, Castello Branco baixara o AI-2 (Ato Institucional número 2). Este Ato extinguiu os partidos políticos, permitindo a existência de apenas dois: A Arena, para ser o partido da situação, e o MDB, partido de oposição consentida, para simular que havia democracia. O presidente (ditador) poderia decretar estado de sítio, intervir nos estados e municípios por um período de 180 dias, sem aviso prévio ao Congresso, que também poderia ser fechado por decreto do general de plantão.  Estabelecia eleições indiretas para a Presidência (e vice-presidência) da República. Embora ainda não compreendesse direito tudo isso, fiquei mais satisfeito: sendo verdadeira essa interpretação, padre Gervásio não havia me usado para uma troça gratuita, mas para um ato sério, embora não pudesse deixar claro seu objetivo.



segunda-feira, 11 de julho de 2016

Anos de chumbo: juventude em luta na terra do Padre Rolim (II)

Luiz Alves

Desculpem a falha cometida em “Anos de Chumbo (I) ”. Na verdade, o amigo Edival Nunes ingressou no Seminário em 1968 e não no ano seguinte ao protesto simbólico do padre Gervásio. Em 1967, o Edival estudava na Escola Pedro Américo. Mês de agosto, início da segunda quinzena, passa na escola o líder estudantil Adalmir Coelho, um jovem dos seus 20 anos, convocando para uma manifestação no dia da emancipação da cidade, 22 de agosto.
Adalmir dizia que os bajuladores do imperialismo estavam insultando a consciência dos jovens. Explicou que era uma tradição, no dia da emancipação da cidade, os grêmios fazerem manifestações com protestos contra a ditadura e o imperialismo, além de apresentarem reivindicações. Nesse ano, os bajuladores dos Estados Unidos iriam desfilar e coroar a rainha da Cruzada ABC, uma campanha de alfabetização orientada pelos Estados Unidos da América do Norte (EUA). Era parte da Aliança para o Progresso1
Ele afirmou que os Estados Unidos viviam sugando as riquezas do Brasil e agora queriam se passar por bonzinhos. Disse que um acordo de educação estava sendo negociado entre os governos do Brasil e EUA (MEC/USAID); era um absurdo, e se fosse firmado, o ensino passaria a ser pago e só os ricos teriam acesso à educação, especialmente em nível superior. Então, a manifestação do dia 22 de agosto seria para se contrapor a isso. A Aliança para o Progresso, explicou, era uma farsa para fazer lavagem cerebral, mediante a distribuição de comida de péssima qualidade para o povo, apodrecida, cheia de gorgulho.
Dia 22, pela manhã, cerca de cem estudantes estavam reunidos para o Ato, junto a mil pessoas que esperavam o desfile passar na Praça Coração de Jesus. Os garotos estavam sem farda da escola, a pedido das direções, que não queriam comprometer seus estabelecimentos de ensino. Foram orientados na hora por Adalmir. Quando ouvissem um apito, partiriam para o ataque. Invadiram o carro alegórico da rainha da Cruzada ABC. Era uma bela jovem, filha de um comerciante conhecido. Tomaram a bandeira dos Estados Unidos e da Aliança para o Progresso e as queimaram. Adalmir fez um rápido discurso. Quando alguns estudantes arrancaram a faixa da rainha, a roupa veio junto e ela ficou somente com as peças íntimas. Foi um escândalo. A ação foi rápida, durou uns dez minutos.
Quando o Tiro de Guerra chegou, já haviam alcançado o objetivo. Houve grande repercussão na cidade inteira. Travou-se uma luta corporal entre os estudantes e uns 30 ou 40 soldados comandados pelo sargento Barbosa.  Alguns ficaram feridos, mas nada grave, e cerca de dez manifestantes foram presos e levados para a Delegacia de Polícia. Era meio dia.


Foram soltos pelas 22 horas, graças à interferência do monsenhor Vicente Freitas, diretor do Colégio Comercial, e de João Bosco Barreto, que terminara o curso de Direito em Recife, onde fora presidente do DCE da Universidade Católica (UNICAP) e estava começando a exercer a profissão de advogado e a carreira política em Cajazeiras.
No dia seguinte, os comentários nas emissoras de rádio eram todos contrários aos estudantes, pelo ato agressivo, afetando a honra de uma moça da sociedade (só que ninguém tocara nela; apenas ficou desnudada, por acidente, pois a intenção era somente retirar a faixa). Nenhum comentário a respeito do conteúdo do protesto.
Adalmir não estava entre os presos; passou um tempo foragido, procurado como incitador da “ação subversiva”. Sem o principal líder, o Movimento Estudantil refluiu e Cajazeiras não participou das grandes mobilizações juvenis de 1968. A atuação da esquerda no Movimento Estudantil seria retomada por nós no inicio da década de 70, sob a sombra do AI-5 e a espada do Decreto 477. Era "Ditadura Escancarada".




1 A Aliança para o Progresso foi um programa criado em 1961 pelo Governo dos Estados Unidos, durante a presidência de John Kennedy, para “ajudar” a América Latina. De fato, uma cartada visando a amenizar as condições de vida e atrair a simpatia dos povos do Continente para os Estados Unidos, a fim de evitar revoluções como a cubana em 1959, que aliara o país à União Soviética (URSS).

quarta-feira, 6 de julho de 2016

UMA CRÔNICA SOBRE A CIDADE DE CAJAZEIRAS E A SUA POSIÇÃO NO TEMPO E NA CONTEMPORANEIDADE.


Cajazeiras: uma cidade para morar e amar

Por José Antonio



A cidade de Cajazeiras já possui itens positivos que oferecem certa qualidade de vida, embora exista ainda muita “desurbanidade”.
Podem-se enumerar alguns itens que precisamos conquistar: 1. Rede de esgotamento sanitário, iniciado na década de setenta, ainda é insignificante. 2. Grandioso déficit habitacional. 3. Tensão no trânsito ocasionada pela falta de planejamento moderno e que possa atender ao enorme aumento de veículos. 4. Opções urbanísticas equivocadas, provocadas pela especulação imobiliária. 5. Inoperante prestação de serviços nos setores de água e energia, dentre outros têm sido fatores que contribuem para desumanizar a cidade.
Quantas ruas existem nesta cidade sem esgotos e calçamentos? Quantas avenidas e ruas sem saídas? O próprio centro da cidade é um caos urbano e como dói aos nossos olhos ver prédios abandonados, terrenos baldios cujos proprietários vivem da sanha imoral da especulação imobiliária.
Não estaria na hora de fazer um amplo seminário para se discutir o que significa crescer, morar e envelhecer nesta cidade e também, o que significa ser cajazeirense? O centro desta cidade está ainda muito distante de ser concluído do ponto de vista urbanístico e arquitetônico.
Qual o habitante desta cidade não gostaria de ver nela uma excelente iluminação pública, um completo sistema de abastecimento d’água, ruas, praças e avenidas completamente arborizadas e um amplo esgotamento sanitário. Com todas as suas avenidas, ruas e vielas calçadas a paralelepípedos ou asfaltadas. Um número maior de praças bem ajardinadas. Suas calçadas sem obstáculos e sem uma imensa leva de camelôs que obstruem com suas mercadorias os espaços dos pedestres, sem falar ainda na ocupação das mesmas pelos deseducados proprietários de veículos.
Esperar soluções destes problemas apenas pelo poder público é sonhar demais. É preciso que exista também uma determinação das pessoas de se engajarem em iniciativas que redundem na melhoria da qualidade de vida de nossa cidade. O visual urbano não agrada aos olhos.
“Cajazeiras meu amor, Cajazeiras, minha paixão”, foi um dos slogans que mais me empolgou, de todas as campanhas já feitas em Cajazeiras. Pela primeira vez um candidato a prefeito externou de forma clara e contundente o seu amor por Cajazeiras.
Carlos Antonio foi eleito prefeito de Cajazeiras sob a bandeira da renovação, mas o charme e a beleza da campanha e que provocava o delírio das multidões nos comícios era o “Cajazeiras, meu amor, Cajazeiras minha paixão! ”, mas que infelizmente este grito não ecoou no coração do povo desta cidade no sentido de transformá-la na cidade mais limpa e bela da Paraíba.
Dra. Denise tem conhecimento dos imensos problemas urbanos que existe nesta cidade. Tem solucionados muitos deles e de que terá um imenso trabalho para que sejam resolvidos. Todos estão sentindo uma mudança de atitude, cujo fundamento é no sentido de humanização da cidade que amamos, moramos e desejamos terminar os dias de vida nela.
Agora no mês de agosto estaremos comemorando os 153 anos da cidade e quem sabe conseguiremos tomar consciência e atitude para provocar uma mudança de postura educacional para a humanização da cidade que amamos e escolhemos para morar?
A Ordem do Carmelo e o novo bispo
A Congregação a que pertence frei Francisco de Sales chegou ao Brasil em 1580 quando reinava em Portugal o Cardeal D. Henrique que desejava difundir a fé de Cristo pela nova colônia conquistada e, para tanto, enviou alguns religiosos da Ordem do Carmo na esquadra que tinha por finalidade formar uma Colônia na Paraíba, especialmente para repelir os corsários huguenotes que infestavam o norte do Brasil. O capitão comandante dessa esquadra foi um fidalgo de sua casa, o renomado navegador Frutuoso Barbosa.
Portanto a “casa mãe” da Ordem do Carmo é originalmente paraibana e a Congregação das Irmãs Missionárias Carmelitas foi fundada em 25 de março de 1915, na Basílica do Carmo, em Recife, por Frei Casanova e logo em seguida fundaram a casa de Princesa Isabel (PB), que se tornou o berço da Congregação, sob o apoio do então bispo da diocese, Dom João da Mata. A segunda casa foi o Carmelo em Cajazeiras, criada em 23 de março de 1938 e em 29 de agosto de 1949 foi agregada à Ordem do Carmo pelo Decreto do Prior dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo e foi reconhecida como Congregação Religiosa por Dom Zacarias Rolim de Moura em 08 de outubro de 1960 e antes teve a aprovação da Santa Sé em 10 de agosto de 1960. Tem como missão Viver em Fraternidade Orante e estar disponível para atender aos pobres e excluídos da sociedade. Cajazeiras é a sede da “Curia Generalis” e tem como “Antistita Generalis a Soror Maria Sineide Almeida Ângelo, eleita pelo Concílio Geral em 13 de dezembro de 2010. Frei Francisco de Sales já pegou retiro no Carmelo de Cajazeiras.


fonte: Diário do Sertão

domingo, 3 de julho de 2016

Neste 1º de Julho a Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras comemora seus 49 anos de fundação.


Monsenhor Abdon Pereira  ao lado do deputado
Soares Madruga, corta a fita de inauguração da Rádio
Alto Piranhas no dia 1º de julho de 1966,
sendo irradiada pelo locutor
Zenildo Alcântara
Neste dia 1º de julho, a Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras, completa 49 anos de fundação. É o aniversário de uma história de sucesso, que começou em 1966, quando a cidade teve o privilégio de ganhar a concessão desse importante veículo de comunicação.
A emissora foi concedida a um grupo de religiosos, na época, constituído pelo bispo Dom Zacarias Rolim de Moura, monsenhor Abdon Pereira e monsenhor Vicente Freitas. Os três, representando a Diocese de Cajazeiras, foram os responsáveis diretos pela instalação e seu funcionamento. O Monsenhor Abdon foi o seu primeiro diretor administrativo.
Um fato marcante dessa trajetória aconteceu em 1983, quando a emissora deixou de ser mantida pela Diocese, com o seu controle passando para o empresário Francisco Arcanjo de Albuquerque, de saudosa memória, e hoje continua com os seus herdeiros, sob a orientação de José Antonio de Albuquerque.

No próximo ano a emissora completará 50 anos de existência de bons serviços prestados à causa do desenvolvimento político, social e cultural de Cajazeiras e do Sertão da Paraíba.
Estamos pretendendo para nesta data cinquentenário a inauguração de sua nova sede, cujo projeto já está em fase final de elaboração e que no início do mês de julho daremos início a construção.
Temos ainda dois projetos em andamento, mas que dependem do Ministério das Comunicações: o primeiro é a definição do sistema que o governo federal vai implantar no Brasil para melhorar a qualidade de som das emissoras de Ondas Médias, quando será necessário a aquisição de novos equipamentos e outro é o de aumentar a potência da emissora para o máximo que for permitido pela Anatel.
Na realidade a Rádio Alto Piranhas foi constituída no dia 21 de dezembro de 1961, mas só foi para o ar no dia 1º de julho de 1966, portanto cinco anos depois e este é um fato que marca o pioneirismo de Dom Zacarias Rolim de Moura, que é o seu verdadeiro fundador e autor da ideia, com “finalidades educacionais, cívicas e patrióticas”.

A emissora esteve sob o comando da Diocese de Cajazeiras durante 17 anos, para no ano de 1983 ser transferida a sua concessão para Francisco Arcanjo de Albuquerque, de saudosa memória, que foi seu diretor até novembro de 2002, para em seguida ter como diretora até os dias atuais Maria Antonieta Cavalcante de Albuquerque.
Ao longo destes 49 anos de existência esta emissora se constitui num importante veículo de divulgação de notícias, entretenimento e prestadora de relevantes serviços a todo o sertão da Paraíba, além de se irmanar às causas mais justas do povo e se destaca também na defesa intransigente dos interesses dos menos favorecidos da vida.
Rumando para o cinquentenário, voltamos a reafirmar o nosso compromisso de continuar honrando as melhores tradições religiosas, culturais e educacionais, informando, educando e divertindo.
Quero também destacar que os nossos sucessos vêm dependendo de todos os nossos ouvintes, além de nossos clientes, funcionários e colaboradores. Sintam-se convidados para as celebrações de nossos 50 anos de vida, da “Emissora de Cajazeiras que o Nordeste Conhece”, a Rádio do Povo.


Fonte: Portal do Alto Piranhas