sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

PROMOTORES DE CULTURA EM CAJAZEIRAS QUESTIONA "CIRCUITO CARDUME 2017"




Agentes representativos da classe artista de Cajazeiras, questionam a forma de inclusão dos grupos de teatro, dança e circo do Estado, no processo seletivo que os incorporou ao Circuito Cardume 2017. Segundo os promotores culturais cajazeirenses, a escolha das atrações do evento deste ano foi excludente, já que não incluiu as produções de outras regiões do Estado, em nenhuma dessas três linguagens. Declaram que o regulamento precisaria ser revisto, para corrigir esse equívoco, dando oportunidade para que os grupos de teatro do interior possam participar da mostra, expondo seus espetáculos para apreciação e julgamento do público que vai ao acontecimento todo ano.

Segundo o ator e articulador cultural Agnaldo Cardoso, o Circuito Cardume peca por não incluir e, por conseguinte não valorizar produções do interior: “Infelizmente os gestores paraibanos de cultura só valorizam a arte produzida em João Pessoa e Campina Grande e esquece o resto do Estado. ” E vai mais além: “Acredito que não é essa a política cultural do Governador Ricardo Coutinho, mas a culpa também caí em cima do mesmo por ele permitir artistas preconceituosos com o interior do Estado, no comando de órgãos públicos de cultura. ” E finaliza dizendo: “Vamos democratizar os recursos para toda a Paraíba e deixar de lado a política de cartas marcadas. ”

Por outro lado, o diretor teatral Francisco Hernandes se posiciona sobre a forma como é realizado o Circuito Cardume e ironiza: “Cheguei até a brincar com essa triste realidade, ao dizer que esse Cardume é formado só com peixes de água salgada e que se continuar assim, o nosso sertão nunca vai virar mar. E que viva Antônio Conselheiro. ” E volta a seriamente a discussão dizendo: “Meu posicionamento sobre o resultado do Circuito Cardume 2018, realizado pela FUNESC - Fundação Espaço Cultural da Paraíba:" "Sempre defendi a tese de que se deveriam contemplar também espetáculos de outras regiões do Estado, para ocupar espaços nesses programas, haja vista que os paraibanos gostariam muito de poder assistir e avaliar à produção artística nos diversos segmentos, promovendo assim uma política mais justa, mais participativa e inclusiva, até porque aqui no sertão, como também nas outras regiões do Estado, se produz bons espetáculos. ”

E finaliza afirmando do diretor teatral de “Trinca, Mais Não Quebra”, que o Circuito Cardume foi um evento realizado pela FUNESC com objetivo da ocupação dos teatros Santa Rosa e Paulo Pontes na Capital paraibana. E que entendia que essa não era a política de expansão cultural que o governador Ricardo Coutinho, acredita e defende para o nosso Estado da Paraíba.





sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

MEUS ANOS DOURADOS EM CAJAZEIRAS

Vilma Maciel






Tempos esquecidos para alguns, talvez engolido pela modernidade. Cajazeiras, hoje uma bela e próspera cidade universitária. Centro comercial desenvolvido e promissor, área habitacional de desenvolvimento galopante, cujas novos blocos arquitetônicos embelezam as Avenidas largas e modernas. Todo esse esplendor moderno não apaga as imagens de seu passado imorredouro que ficou em nossas memórias.

Naquela época a bela cidadezinha já nos surpreendia com atrações religiosas e culturais. Encantava meu coração sonhador de adolescente, com seus frenéticos Carnavais dos anos 50 e 60. Tudo era magia... Época que reinavam os confetes, as serpentinas, Pierrô e Alecrim, figuras alegoristas dos velhos Carnavais. Belas fantasias sonhadoras.... Transformava-nos em verdadeiras Fadas do destino, e em belas princesas do primeiro amor, do primeiro beijo. Era um verdadeiro Conto de fadas, e dos sonhos. Carnavais inesquecíveis, as Lança-perfumes eram liberadas livremente e os jovens não abusavam de seu uso. Uma juventude sadia, alegre e sonhadora. Longe da corrupção que desencadeou em todo mundo a perda dos valores morais.

Memória: Uma das diversões atraentes era a passagem dos grandes circos. Por lá, passaram nada menos que o Grande Circo Brasil, o Circo Garcia e nos anos 50 e 60, outras Companhias Circenses sentiram o entusiasmo da população cajazeirense pela arte, fato esse que se tornou um convite para a temporada de outros Circos como: Circo Orlando Orfei, O Gran Barollo Circo e outras atrações menores.

Época como essa jamais será esquecida. O Carnaval de Rua ficou no imaginário popular, Era a magia do Reino Encantado. Três dias de folia, alegria e descontração. As atrações Folclóricas traziam diversificados blocos de rua. Um dos mais interessante era   O bloco de Arrasta Jaraguá, para as crianças despertava medo, sua alegoria principal era Um Enorme Perna de Pau, vestido Chita estampada em cores vivas, cuja cabeça era de um animal, cuja arcada dentária exibia grandes dentes. Para os adultos despertava gargalhadas. Essa alegoria trazia uma simbologia primitiva.

Os Blocos requintados, quase sempre compostos por carnavalesco da Elite, exibiam luxuosas fantasias e tocavam as lindas, contagiantes machinhas, e as novidades do Frevo de Pernambuco. Velhos tempos, velhas lembranças, coisas que não voltam mais. 

..............................................................................................................................
Vilma Maciel Lira dos Santos é natural de Cajazeiras, radicada em Juazeiro do Norte, Ceará. 
é Escritora, Professora e Artista Plástica. Tem vários livros publicados em prosas, poesias, contos e 
assuntos relacionados a cultura regional nordestina.



domingo, 19 de novembro de 2017

Fuminc divulga resultado dos projetos culturais contemplados com recursos para 2018


 
foto: cena da peça "oh terrinha boa"


A Prefeitura Municipal de Cajazeiras, través da sua Secretaria Executiva de Cultura, divulgou os nomes dos projetos com suas respectivas cifras, que foram contemplados com Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FUMINC), para 2018. O município destinou o montante de R$ 130.000,00 (cento e trinta mil reais) para (vinte e um) projetos culturais, aprovados em seleção entre (sessenta e nove) concorrentes.

Os projetos agraciados definirão o perfil das atividades culturais da cidade para o ano de 2018, em diversas manifestações e linguagens artísticas refletidas a partir de produções literárias, espetáculos de dança, música e teatro; audiovisual, cultura popular e artesanato.
Segundo a comissão organizadora do fundo, os critérios adotados para a escolha dos projetos elencados abaixo, foram os de qualidade do projeto e sua organização; coerência entre os objetivos, justificativas, metas e ações; tempo previsto para realização e orçamento; proposta de maior abrangência, contrapartida social e currículo do responsável pelo projeto.

As particularidades que se observa no resultado, mostra mais uma vez, que nas artes plásticas não foram agraciados nenhum projeto. Outro ponto a ser observado, é que os projetos com menores recursos recebidos, foram os da área de cultura popular. Um, no valor de dois mil e duzentos reais (R$ 2.200,00) destinado a atividade da xilogravura com o titulo: Xilogravura - Memória e Tradição" e outro no setor de Artesanato, com o título: "Confecção de Cartões Postais em Miniatura". Os projetos com maiores montantes de dinheiro, foram os da área de audiovisual, música e arte cênica. Todos no valor de sete mil reais (R$ 7.000,00). 

Veja os projetos contemplados no quadro abaixo:






quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Museu Tropeiros do Sertão de Cara Nova


Um espaço de entretenimento e lazer, que inspira cultura e história; que congrega os elementos simbólicos, materiais e imateriais de um povo que cultua sua arte, suas tradições e seu folclore. Falo dos habitantes de Joca Claudino e do seu Museu Tropeiros do Sertão, instalado na cidade há poucos anos. O museu está de cara nova, passou por alguns reparos. Foram colocadas portas de vidros nas salas temporárias e permanentes, garantindo a segurança do acervo. Pintura e concerto na parte interna e aquisição de um expositor. Mas o trabalho de destaque da nova reforma do museu e talvez a mais importante, foi a produção de um mural que retrata as atividades dos antigos tropeiros, mostrando os mesmos conduzindo suas tropas de burros pelos sertões nordestinos e pelas terras do antigo município de Joca Claudino. O trabalho artístico - uma pintura pictórica,  figurativa, primitiva, grafitada em preto e branco, foi executada pelo artista plástico Francisco de Assis e mostra muito bem como se deu a origem desse município do alto sertão, no estremo norte paraibano. Parabéns ao povo de Joca Claudino e em particular a curadora do museu Jordhanna Lopes, pela dedicação e conservação desse espaço importante para a história da cidade e para a cultura de um modo geral dessa região da Paraíba. 














segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Réquiem ao velho casarão

Mariana Moreira



Por entre suas grossas paredes ainda ecoavam gritos e risos infantis de crianças de outrora. Atrás de portas e cortinas se encantavam suspiros e sonhos de sinhazinhas ingênuas esperando garbosos cavalheiros. O piso de mosaicos coloridos revelava a posição social de seus proprietários. Na sala de estar ainda pairava no ar sons de prosas, gargalhadas, cheiros e névoas de cigarros desfiados de homens decidindo negócios e sortes de gentes e bichos. Da cozinha, murmúrios de senhoras se misturavam com temperos e lamentos femininos enquanto, de lampejo, uma preta velha cruza a soleira com quitutes e rezas.

Sempre tive fascínio por casarões antigos. Atraem-me suas rugas, dobras e histórias sutis que deslizam por reentrâncias e silêncios como brisas suaves que enrodilham leves e secas folhagens de verão. Causa-me deslumbramento a criatividade humana em adornar beirais, frontispícios. Inebria-me grossas paredes e delicados traços. Causa-me forte impressão a visão dessas construções. Invade-me sempre um sentimento de alguém me espreitando por uma fresta de janela ou por entre trabalhadas treliças de pesadas e maciças portas. Alguém a querer revelar-me segredos de camarinhas ou segredar escândalos e desgraças familiares.

E o antigo casarão se apresentava imponente no alto de uma suave colina. Pesados portões de ferro fundido adornavam sua entrada. A sensação de abandono se expressava no mato que crescia abundante e aleatoriamente por entre espaços que, outrora, abrigaram roseirais e pés ligeiros de meninos em folguedos pueris. De uma velha árvore, bentevis e galos de campina entoavam melodiosas canções de tristeza e saudades. A noite uma tênue luz vazava por entre portas entreabertas revelando a presença de seu derradeiro morador. Um homem pujante, de voz e gestos arrebatadores, que reunia multidões na perseguição de uma esperança impossível em tempos onde esperar representava perigo. Um homem que, em sua solidão de moribundo enfermo, recebia o imaginário acalanto da mãe morta há anos. Uma mãe possível apenas em sonhos, a lhe aninhar no colo e embalar o sono tumultuado pela enfermidade.

Mais tarde o velho casarão desabitado foi criminosamente incendiado. As labaredas, com seus tentáculos poderosos e avassaladores, faziam arder a madeira do teto, o antigo mobiliário, portas e janelas. Entre nuvens de densa fumaça emergiam gritos e suspiros de ontens. No rescaldo apenas tortas paredes enegrecidas pela fuligem. Em um canto qualquer de uma sala uma velha fotografia chamuscada revelava olhos buliçosos como a lacrimejar a desditosa sorte de quem, no passado, resumiu opulência.

E agora, a truculência da máquina reduz tudo ao nada. Por trás dos robustos muros de tijolos batidos apenas terra aplainada pela lâmina insensível de quem, diferente de mim, vê lucro e negócio onde vejo beleza e história.

Do antigo casarão amareladas fotos e redemoinhos de passados.
Ou, apenas distintas janelas da realidade.


Mariana Moreira é Professora Universitária e Jornalista
Contato: altopiranhas@uol.com.br

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

PROJETO PRIMA SE EXPANDE E CONQUISTA RECONHECIMENTO

O secretário João Azevedo representou o Governo da Paraíba, 
na entrega do Prêmio Inova Iesp


# Guilherme Cabral

Criado pelo governo da Paraíba em 2012, o Programa de Inclusão Social da Música e das Artes (Prima) vem, ao longo desses cinco anos, num crescente movimento de expansão e consolidação de suas atividades, mas aliado, também, ao reconhecimento em âmbitos regional e, inclusive, nacional. Exemplo mais recente que comprova estar o projeto trilhando o caminho certo é o Prêmio Inova Iesp na categoria Cultura, que o Instituto de Educação Superior da Paraíba concedeu durante solenidade realizada na noite da última segunda-feira (6), na cidade de João Pessoa. E, para que se tenha uma ideia dessa constante ampliação, o Prima - que hoje tem 15 polos - estará, no total, com 20 polos espalhados por 14 municípios, a partir do próximo mês de fevereiro, quando se iniciará o primeiro semestre letivo de 2018.

“O Prêmio Inova Iesp é extremamente importante. Foi uma grata surpresa, não porque estejamos trabalhando para isso, mas porque significa o reconhecimento de que o trabalho é bem feito e tem sido realizado, ao longo dos cinco anos de sua existência, com seriedade, com alcance social, educacional e cultural, oferecendo oportunidades para jovens e adolescentes. É uma ferramenta que reafirma o sentimento de cidadania e ainda possibilita, se o aluno assim quiser, ter uma base para vir a se tornar um músico profissional. Um exemplo disso é que alunos que passaram pelo Prima estudam no Curso de Música na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), ou em outros cursos nessas instituições”, confessou para o jornal A União o diretor-geral do Prima, Milton Dornellas.

Milton Dornellas informou ainda que, a partir do primeiro semestre letivo de 2018, o Prima vai passar a contar com mais cinco novos polos, que se somarão aos 15 existentes no estado. Dois serão instalados nos municípios de Sousa e Monteiro, por meio de convênio - cujo valor é de R$ 400 mil - já assinado com a Fundação Banco do Brasil, enquanto os outros três funcionarão nas cidades de Bananeiras, Picuí e Pedras de Fogo, por convênio também celebrado com a Funarte, cujo processo de licitação para aquisição de instrumentos musicais está em andamento. Ele não pode estimar quantos estudantes poderão se inscrever no Programa, pois isso, conforme argumentou, vai depender do interesse do próprio estudante em querer participar das atividades desenvolvidas pelo projeto. Mas comentou ser importante que as prefeituras municipais manifestem desejo de firmar parcerias para a realização do trabalho.

O Programa de Inclusão Social da Música e das Artes, criado pelo governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), durante o seu primeiro mandato, tem se caracterizado por promover o acesso à educação musical de crianças e jovens na faixa etária entre 8 e 18 anos, que residem em áreas de vulnerabilidade social. Atualmente, o Prima está atuando em nove municípios, que são os seguintes: João Pessoa, Conde, Campina Grande, Santa Rita, Guarabira, Patos, Itaporanga, Catolé do Rocha e Cajazeiras, atendendo, no total, cerca de 1.500 estudantes. Na capital, por exemplo, as atividades são realizadas nos Bairros Alto do Mateus, Penha, Tambiá e Bairro dos Novais; e, em Campina Grande, nos Bairros das Malvinas, Bodocongó e Mutirão.

“O Prêmio Inova Iesp foi concedido ao Prima, na categoria Cultura, pelo trabalho que realiza pela responsabilidade social, pois oferece oportunidade para que as vidas de jovens e adolescentes sejam transformadas por meio da música. A escolha, muito acertadamente, do Prima foi unânime pelos 11 integrantes - que são professores, alunos e funcionários da instituição - da comissão técnica que analisou o mérito dos projetos indicados”, disse para o jornal A União a diretora-geral do Instituto de Educação Superior da Paraíba, professora Érika Marques. Ela lembrou que o evento - agora na 2ª edição - ainda concede premiação a outras duas categorias: Esporte, Ciência e Tecnologia.

A propósito, além do Prêmio Inova Iesp, o Prima foi selecionado - entre 170 projetos de todo o Brasil - como modelo de inovação para a educação brasileira pelo Movimento Mapa Educação, cujo objetivo é mostrar exemplos bem-sucedidos no campo educacional. Por causa dessa escolha, integrantes do Programa de Inclusão Social da Música e das Artes viajaram para Brasília, onde o apresentaram durante a Conferência Mapa Educação realizada no dia 29 de agosto de 2015.


fonte: Jornal A União.

sábado, 4 de novembro de 2017

CAJÁ ROCK, TERÁ VERSÃO COMEMORATIVA DE 20 ANOS EM DEZEMBRO PRÓXIMO.



As bandas: Baião d'Doido, Cajazeiras/PB; Semiose, Distrito de Felizardo - Ipaumirim/CE; Anarquia Organizada, Sousa/PB; Disunidos Punk Rock, João Pessoa/PB e mais todo uma logística organizada, tendo à frente Osvaldo Moésia e colaboradores como: Neném Mofado, Fumaça Silva e Marcos Lopes, preparam o cenário para o desembarco em Cajazeiras no dia 15 do mês de dezembro próximo, da energia contagiante, anárquica punk/rock/metal/elétrica, para marcar os 20 anos do Cajá Rock. Nesse ano de 2017, na sua décima oitava versão. O evento acontecerá, em um local que parece já feito para esse tipo de evento, a Praça Multicultural do Leblon, as margens do açude grande da cidade, a partir das 20 horas, fechando praticamente o ano cultural de Cajazeiras.

Para o organizador do evento, Osvaldo Moésia, Cajazeiras já tem uma marca registrada de grandes eventos de rock, sejam eles o Cajá Rock, o Grito Rock, e os eventos de rock lá do NEC (Núcleo de Extensão Cultural). “A gente não pode deixar isso morrer e sempre tem que estar consagrando; sempre tem que estar presente nos eventos de rock, aqui de Cajazeiras e da região, para fortalecer a cena do rock no nosso sertão. ” Justificou Osvaldo Moésia. Assinam como realizadores do evento o Coletivo Cultucar e o Cajá Rock, tendo como apoiadores culturais a Casa de Cultura Independente, Bar do Fonfon, Centro Cultural Banco do Nordeste e Soluções Limpeza.




quinta-feira, 2 de novembro de 2017

HÁ 50 ANOS ATRÁS





III Festival da MPB 1967 - A Grande Final 
Cleudimar Ferreira  

O amigo Pádua, vez por outra surpreende com seus e-mails. Ele mandou um, com esse vídeo acima, que representa um dos momentos mais significativos da nossa MPB. Um espetáculo apresentado uma única vez e que ninguém, jamais, ousará apresentá-lo outra vez. Pois foi o único e sendo o único, não haverá um outro com as mesmas características ou semelhanças musicográficas afins. 
Era outubro de 67, há 50 anos atrás, Gil, Sergio Ricardo, Caetano Veloso, Mutantes, Chico Buarque, Roberto Carlos, Edu Lobo, MPB 4, Marília Medalha, Nara Leão, Elis Regina, Jair Rodrigues e muitos outros, escreviam uma das páginas mais expressiva da nossa música, numa época que embora fosse oprimida por circunstâncias políticas, fora uma época também marcada por um país aculturado e alegre, não tão triste assim como o que musicalmente vemos. Uma vitrine de um Brasil real e não de um Brasil burlesco, fictício, empobrecido de boas canções e de jovens músicos politizados. 
De uma musicalidade inteligente e de uma gente consumista de qualidades. Que não vivia a mercê do tempo e nem do rito que os ponteiros do relógio caprichosamente traçam. Vivíamos a era do Fusquinha, do Carro Manguia, da TV Preto e Branco. Vivíamos ainda o calor da Bossa Nova, do Tropicalismo e da Jovem Guarda. 
É nesse cenário pop à brasileira, no Teatro Record, que fervilhava às emoções de moços e mocinhas; de músicos e cantores; de letras e canções e de públicos e plateias. Puxando a carroça do tempo, ao vivo e não morto, estava em 1967, o frenesi da boa canção do III Festival Record da Música Popular Brasileira. 
Excitava os presentes ao delírio no auditório do Teatro Record, Ponteio, Roda Viva, Alegria Alegria, Domingo no Parque e outras. Um marco na história da nossa música, que nos faz viajar no tempo, e se possível for, por um instante parar. Parar no tempo. Ficar no tempo e não voltar por um bom tempo. Contemplar esse momento tão bonito da nossa música.
"... Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião". Amigo, não lembro que lhe disse que eu era saudosista, mas de repente me deu uma saudade daquelas!











quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O que dizem as bocas da Paraíba na internet, sobre o pão de seu Saora:

O legitimo pão artesanal de Seu Saora

Miltom Dornellas: Já havia escutado muitas estórias sobre um senhor chamado Saora, que viveu em Cajazeiras/PB e que faz parte da memória do povo daquela cidade. Seu Saora deixou esse legado para o filho que continua fazendo o pão artesanal e que realmente é extremamente saboroso. Conversei com algumas pessoas que falaram sobre o processo de fabricação, onde funcionava, das andanças de seu Saora pelas ruas e sua forma peculiar de vender seu produto, as brincadeiras que fazia com que passava por ele. Encantador. Enquanto conversava com duas senhorinhas sentadas na calçada num final de tarde, uma delas gentilmente entrou em casa e presenteou com alguns pães. O proprietário do hotel em que estava hospedado ouvindo o interesse pelo pão e tudo o que girava em torno dele, as relações sociais, econômicas, culturais e que precisavam registrar de forma cuidadosa a trajetória desse patrimônio da cidade, então não contou conversa e se comprometeu que no dia seguinte no café da manhã ele serviria o Pão de Saora. E assim o fez. No café da manhã conversamos bastante sobre as memórias da cidade a partir desse pão. Em novembro estou voltando para continuar a conversa e saber como anda minha provocação. 

Bernadete Moreira de Moura: Tenho certeza que este pão faz parte da história de Cajazeiras, o pão era vendido nas manhas, chegava até funcionar como despertador pois com sua garganta forte ele passava pelas ruas a gritar o seu produto, e aí todas grande parte das casas saia com suas cestas ou vasilhas para pegar o pão que alimentou e alimenta muita gente na cidade. Quando era a tarde por volta das 15:00 estava lá seu Saora com seu balaio na cabeça a gritar pela cidade olha a bolinha de ouro do Saora, era um pão doce e dourado por cima, ah uma delícia, memória inesquecível.

Do antigo forno instalado no fundo do quintal e que funciona  
até hoje, Seu Saora fabricava um pão gostoso e delicioso

Buda Lira: Visitei recentemente a pequena fábrica de Seu Saora. O filho dele, Beré, que jogava bola comigo no campo de futebol, o Higino Pires Ferreira, foi quem me recebeu. Gostosura de pães!!! História fabulosa da economia e da cultura de Cajazeiras!

João Deon Silva: Qual o Cajazeirense que estando distante da terrinha não sente saudades​ gostosas assim como o pão de Saora, guardo muitas outras lembranças o banho na sangria do açude grande o Estádio Higino Pires Ferreira.
Cajazeiras de Amor de Mestre Carlos. 

Nanego Lira: Este pão de Saora marcou a infância nossa na rua Higino Rolim, onde começamos as nossas histórias no teatro. Nunca na minha vida comi pão tão saboroso, o cheiro de pão se espalhava pela rua entrando nas minhas ventas. Pão francês, jacaré doce, bolinha de ouro, a bolinha de ouro! Me arrepio só de pensar. “Oh pãozão de Arrouba!" Gritava seu Saora, na Higino Rolim com um balaio de pão na cabeça. Nem todas as vezes podia comprar. E eu ficava a olhar aquele homem passar com um balaio cheio de pão fresquinho, e os meus pensamentos de menino iam longe. Maravilha de lembrança.



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

FUNESC lança edital do Circuito Cardume 2018 para as áreas de teatro, dança e circo



O governo do Estado, por meio da Fundação Espaço Cultural da Paraíba lança, nesta segunda-feira (9) o edital de chamamento para a temporada 2018 do projeto Circuito Cardume - teatro, dança e circo. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas de 9 de outubro a 9 de novembro, pela internet.

O objetivo do chamamento é promover a seleção de artistas que tenham como objetivo a ocupação do Teatro Paulo Pontes e do Theatro Santa Roza com apresentação de espetáculos das artes cênicas. A concessão é válida para o período de janeiro e primeira semana de fevereiro de 2018, com a implementação a partir da divulgação dos contemplados e da liberação das pautas definidas pela presidência da FUNESC.

Estão habilitadas a concorrer ao Chamamento Circuito Cardume 2018 empresas de produções artísticas, companhias, grupos, microempresas e pessoa física que atue na área das artes cênicas. Cada proponente poderá concorrer com mais de 1 (um) projeto de ocupação, e poderá dependendo da demanda, e por decisão da comissão de seleção, ser contemplado com mais de uma proposta.

As apresentações dos espetáculos para adulto deverão iniciar às 20h e os espetáculos para a infância e juventude deverão iniciar às 17h. Caso o proponente sugira outro horário, deve ser informado na apresentação do projeto.

Inscrições - Serão aceitas inscrições pelo e-mail: cardume@funesc.pb.gov.br. Para se inscrever, é necessário enviar a ficha de inscrição preenchida; link na internet do espetáculo na íntegra, release, sinopse, mapa de palco, ficha técnica completa, necessidades técnicas, currículo do espetáculo e do grupo e informações adicionais, que possam acrescentar dados sobre o projeto. A partir desta segunda-feira (9), o edital estará disponível no site www.funesc.pb.gov.br.

Os projetos inscritos serão analisados por uma Comissão de Seleção não remunerada, formada pelos coordenadores de artes Cênicas da FUNESC e um representante de cada segmento artístico indicado pela classe, sendo eles teatro, dança e circo. Nenhum membro dessa comissão poderá estar vinculado a qualquer proposta apresentada nesse edital.

Sobre o projeto - Tomando como base a ideia de coletivo e a perfeita sincronia entre os membros de uma mesma equipe, os peixes que habitam os espelhos d’água do Espaço Cultural José Lins do Rego serviram de inspiração para o nome do projeto de ocupação lançado pela FUNESC na primeira semana de janeiro.

Intitulada “Cardume”, a ação reúne espetáculos de teatro, dança e circo. O projeto nasce da necessidade de ocupar esses locais durante o mês de janeiro, além de oferecer mais uma opção de lazer aos turistas que visitam a capital paraibana durante o período de alta estação.

O Cardume é uma iniciativa da FUNESC desenvolvida por meio das gerências de teatro (Suzy Lopes), dança (Ângela Navarro) e circo (Diocélio Barbosa), áreas envolvidas no projeto. Além de estabelecer uma consistente agenda de programação ao longo do mês de janeiro, o projeto dá acesso ao público em geral ao que está sendo produzido na cena paraibana.

CRONOGRAMA

Inscrições: 09/10 a 09/11 de 2017
Curadoria: 13/11 a 24/11 de 2017
Divulgação dos selecionados: 27/11/2017
Divulgação da programação completa: 08/12/2017

Mais informações: www.funesc.pb.gov.br


fonte: FUNESC

domingo, 8 de outubro de 2017

CAVALO MARINHO ESTRELA DA PARAÍBA FARÁ APRESENTAÇÃO EM CAJAZEIRAS DIA 12 DE OUTUBRO.



A cultura popular representada por uma de suas mais expressivas manifestações que é o Cavalo Marinho, vai está presente no encerramento da Festa de Nossa Senhora de Fátima. Falo do Cavalo Marinho Estrela da Paraíba, de João Pessoa, que será a estrela convidada, que brilhará e abrilhantará a população cajazeirense e os fies da nossa padroeira, com uma peça emblemática do nosso folclore, espelho das nossas tradições. A apresentação, será na própria igreja Nossa Senhora de Fátima, dia 12 deste mês outubro, a partir das 19h30. 

Expressão cultural do folclore da Região Setentrional da Paraíba e de Pernambuco, o Cavalo Marinho Estrela da Paraíba é um Auto Natalino inspirado nas Festas de Reis e tem como tema lendas e narrativas heroicas de figuras fantásticas e animais glorificados. O grupo é coordenado pelo Mestre Nélio Torres, agraciado com o Prêmio Culturas Populares, da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, no ano de 2007.  



fonte: Facebook de João Bosco da Silva (Bosco Maciel-Casa dos Cordéis)

domingo, 1 de outubro de 2017

POR ONDE ANDA A FPTA - FEDERAÇÃO PARAIBANA DE TEATRO AMADOR

Cleudimar Ferreira

Ruínas do antigo Teatro da Juteca em João Pessoa

Uma informação postada por Orlando Maia, na caixa de mensagens da Nona Região de Cultura, em Cajazeiras, sobre o interesse do ator campinense Álvaro Fernandes, de reativar a antiga Federação de Teatro Amador - a saudosa FPTA, me fez refletir sobre essa entidade, que nos anos 70 e 80, foi a única atuante organização classista do teatro amador paraibano e uma das mais representativas do gênero no Nordeste.

Aliás, no início desse ano, um dos seus últimos dirigentes, o Sr. Antônio Martins, que faleceu a meses atrás, andou articulando essa ideia no meio teatral de João Pessoa. A sua emersão poderia sim, servir para implantação de uma política pública de incentivo e amparo na formação de novos atores e grupos, com a promoção de cursos, encontros e festivais de teatros pelo interior do Estado.

Embora a ideia seja antiquada, dado o grau de profissionalismo que espelha a dramaturgia paraibana de hoje, onde os atores parecem não precisar mais do romantismo dos cursos de teatro; demonstram a ambiguidade do autodidatismo - já nascerem atores por mérito materno; são técnicos e disciplinados por nascença ou por interesses financeiros, ou talvez, não o da arte pela arte; o soerguimento da FPTA no cenário assim, tenderia a não brilhar tanto como nos áureos tempos da efervescência amadora do nosso teatro.

O que é certo é que a FPTA não morreu, simplesmente sai de cena, vive adormecida por traz de uma empanada de mistérios. Escondida nas coxias enigmáticas das salas de espetáculos espalhados pela Paraíba a fora. Seu acervo fotográfico, seus impressos publicitários e documentação que conta sua trajetória de mais de quatro décadas de representatividade do teatro paraibano, que poderia servir de subsídios para um estudo mais aprofundado do nosso teatro, poderia ser usado como argumentos para artigos acadêmicos e outros afins, mas pouco coisa ou quase nada de trabalhos assim, se ver sobre essa ótica.

Afinal, por onde anda a FPTA? Em qual baú está a sua memória; quem os esconde; quem os prende; a troco de que vale a sua saída de cena; seu anonimato e suas cortinas fechadas.




sábado, 23 de setembro de 2017

MEMÓRIA DO TEATRO EM CAJAZEIRAS

       Quem lembra? 




Em dezembro deste ano fará nove anos que o 3º CajazeirATO, foi realizado. Nessa versão, o CajazeirATO também chamado de Festival Estadual de Teatro de Cajazeiras, foi realizado entre os dias 19 e 21 de dezembro de 2008, e ofereceu ao público das artes cênicas de Cajazeiras e das cidades circunvizinhas, além da mostra de teatro - com peças em diversos estilos, também uma mostra de cinema, oficinas técnicas sobre a linguagem teatral, debates e muito discussão sobre o rumo da politica oficial - municipal e estadual, para esse setor na região sertaneja. O evento foi realizado pela ACATE - Associação Cajazeirense de Teatro e teve como local o ponto de cultura Arte Para Todos - Centro de Múltiplo Uso.      




sexta-feira, 22 de setembro de 2017

MARCÉLIA CARTAXO EM ALTA.


   RECORTE RECORTE RECORTE   





Espetáculo cajazeirense ‘Trinca, mas não quebra’ encerrará Festival Nordestino de Teatro em Guarabira no próximo dia 30 de setembro.

  Com informações: ACATE  





A ACATE– Associação Cajazeirense de Teatro está ultimando os preparativos do espetáculo de Rua “Trinca, mas não quebra” para participar do Primavera do Teatro (Festival Nordestino de Teatro em Guarabira), que acontecerá no período de 23 a 30 setembro. A peça tem na direção o teatrólogo cajazeirado Francisco Hernandez e texto do cajazeirense Eliezer Rolim. 

O "Trinca, mas não quebra" será o último trabalho a ser apresentado no evento no próximo dia 30, encerrando assim o Festival Nordestino de Teatro. Cerca de 20 pessoas, entre atores técnicos, maquiadores e cenógrafos, estão envolvidas na montagem desse espetáculo que faz um resgate das tradições nordestinas. 

Antes do grupo de teatro da ACATE embarcar para Guarabira para participar do Festival serão realizadas duas apresentações do ‘Trinca, mas não quebra’ para o público cajazeirense, oportunizando assim os amantes das artes cênicas da terra do Padre Rolim ver o espetáculo. Uma das apresentações acontecerá dentro da programação do XV ENCA (Encontro Acadêmico) da Faculdade Santa Maria, uma das patrocinadoras do grupo. 

Foram selecionados para participar do Festival Nordestino de Teatro de Guarabira 25 grupos, sendo 08 na categoria Infantil, 07 na categoria Teatro de Rua e 10 na categoria Adulto. O evento vai contar com espetáculos dos estados da Paraíba, Ceará, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A Paraíba contém o maior número de espetáculos dentro do festival.

SINÓPSE DO ESPETÁCULO

Trinca, mas não quebra é uma festa de casamento na noite de Santo Antônio no interior do Sertão, mesclando superstições e recordações lúcidas dos fogos de artifícios nas amarras de uma desesperada paixão entre dois adolescentes. A peça é um drama de fogueira no sítio Umburanas, quando Terezinha, uma noiva de 15 anos, descobre morrer de amor por seu ex-namorado que se faz penetra para resgatar publicamente o sentimento que o sufoca. 

Criando uma colagem de danças folclóricas e folguedos populares, 'Trinca, mas não quebra', é antes de tudo uma festa com cheiro de tragédia, daquelas contadas nos versos de literatura de cordel. 

Influenciado por ele, o espetáculo é um conto de São João com cheiro de milho assado, onde tudo pode acontecer desde o corriqueiro incêndio de balão ao absurdo dos motes de cordel.




domingo, 17 de setembro de 2017

Um canto de amor para Cajazeiras

MARIANA MOREIRA



Um redemoinho buliçoso espalha nuvens de poeira sob o azul céu sertanejo de setembro. De algum recanto de rua restos de flores ganham asas e tingem o infinito de pequenos objetos incorporando o sonho humano de voar. A desidratada paisagem se acanha em espinhos e troncos retorcidos na constituição da reserva de sobrevivência, emoldurando nossas periferias com novelos de fumaça que abundam em queimadas e insanidades. 

O calor asfixia e reclama uma frondosa sombra de oiticica que murcha entre paralelepípedos, muros e paredes da cidade agigantada por suas próprias pernas e lucros, invadindo espaços, soterrando riachos e córregos onde outrora serelepes meninos se faziam meninos em bancos de areia e filetes de águas invernais. Um solitário banco improvisa uma praça sombreada por plantas estrangeiras que afugentam e matam tuas abelhas de arapuás, teus maribondos. 

Em tuas calçadas irregulares e geometricamente disformes o movimento de cadeiras de balanço no embalo do aracati são abafados por motos, carros, barracas de ambulantes, oficinas mecânicas, pontos de moto taxi. Desbotados, emergem tímidos traços das “amarelinhas”, ou “academias”, onde meninas de traça e vestido de chita sonham vidas em saltos sistematizados e olhares de ontens. 

A noite uma frondosa lua cheia rasga o céu na espreita de uma sinhazinha que lhe enamore pelas frestas de uma discreta janela. Sinhazinhas são somente memórias e janelas para as ruas se escondem atrás de pesados muros ou grossas grades que traduzem falsa segurança ou imuniza da modernidade violenta e pecaminosa. E a lua míngua ofuscada pelo clarão artificial de tuas lâmpadas e luzes e recolhe-se atrás de desgarrados filetes de nuvens que se apressam para lugar nenhum. 

Em tuas ruas, becos, avenidas circulam apressados corpos que, na peleja cotidiana da vida, se curvam e não vislumbrar horizontes, telhados, imensidões. Não enxergam o beiral de um antigo casarão que, carcomido, resiste ao tempo, a modernidade e a especulação traduzida em cimento, vidro e mesmice. A miopia dos nossos tempos nos acostuma a ver o belo somente no que pode ser traduzido e explicado pela lógica, pelo cálculo, pela racionalidade. E os derradeiros sonhos da cidade se dissipam nas pás dos tratores que demolem e aplainam as rugas, os recônditos, os enigmas. 

Do alto de teu morro um Cristo esgueira-se entre a parafernália tecnológica na busca de um horizonte da cidade que lhe acolhe como protetor. Das locas e fendas de tuas rochas exala fumaça do tráfico. De tuas encostas construções desafiam o equilíbrio e as teorias da física e se avolumam espantando onças, lagartixas e matos. 

E a cidade caminha para o futuro, que se espelha nas barrentas e poluídas águas de teu açude grande que reflete a beleza do por do sol e inebria turistas e nativos, indiferentes ao odor que mata teu oxigênio e te usurpa a vida.


fonte: Colunistas - Diário do Sertão 

V Festissauro homenageia cineasta do Alto Sertão da Paraíba

A homenagem é um reconhecimento a um importante realizador audiovisual da Paraíba que foi o precursor do cinema no Sertão paraibano.



A 4ª edição do Festival de Cinema de Sousa – FESTISSAURO prestará homenagem ao cineasta Laércio Filho. Grande homenageado da edição 2017 do Festival, Laercio Ferreira de Oliveira Filho tem quase trinta anos de militância cultural, com significativas passagens pelo teatro, poesia, música e cinema. A homenagem é um reconhecimento a um importante realizador audiovisual da Paraíba que foi o precursor do cinema no Sertão paraibano.  

Nascido em Pombal/PB, o cineasta, professor e ativista cultural é radicado em Aparecida/PB, onde atualmente exerce o cargo de secretário municipal de cultura. Iniciou sua carreira cinematográfica em 2005, quando teve o seu primeiro filme “Memória Bendita” selecionado pelo projeto “Revelando os Brasis”. Deste então, Laercio tem roteirizado e dirigido sete produções e feito Produção Executiva em outras três, sob direção de Diassis Pires.  

Laércio já ganhou várias premiações. Seu primeiro filme de ficção “Antoninha” circula em festivais nacionais e internacionais e ganhou diversos prêmios. A estatueta mais recente do curta, é o de melhor filme da categoria Cinema Independente da Mostra Pequi de Audiovisual realizada em Montes Claros/MG. 

Além do pioneirismo no cinema, Laercinho, como também é conhecido o diretor aparecidense, foi responsável pela primeira animação produzida no Sertão da Paraíba usando a técnica de desenho 2D tradicional. “Uma Aventura na Caatinga” teve estreia em janeiro deste ano em Aparecida e vem sendo selecionado para importantes festivais de cinema na região sul do país e recentemente, foi indicado ao troféu “Cacto de Ouro” em seis categorias no Encontro Nacional de Cinema e Vídeos dos Sertões de Floriano/PI.  

Na década de 90 o cineasta fundou, ao lado de vários artistas e militantes culturais de Aparecida, a Acauã Produções Culturais, uma ONG Cultural que ao longo dos seus 27 anos de existência, conseguiu construir um belo currículo resultante da intensa produção cultural. 

A entidade é responsável pela efervescência artística da cidade sertaneja, atuando em vários segmentos como o teatro, a música, a literatura, as artes plásticas, a comunicação e o audiovisual. Laércio é também idealizador e coordenador da Mostra Acauã do Audiovisual Paraibano, evento realizado na Fazenda Acauã, município de Aparecida há sete anos. 

O coordenador do FESTISSAURO, Leonardo Alves, considera importante a homenagem para mostrar às novas gerações a luta e o engajamento do primeiro realizador cinematográfico do interior da Paraíba. “A escolha se deu em virtude de um esforço do Festissauro, em também reconhecer o árduo trabalho de quem produz filmes aqui na região, ” destacou.



fonte: Diario do Sertão - Por Luzia de Sousa