sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

MICRO CONTO

Cleudimar Ferreira


Foto: Reinaldo Canato/UOL

Pelas ruas nuas, Odethe andava sem preconceito. Via as vias da cidade com suas luzes avermelhadas embaraçar seus olhos de vidro esverdeados, aquebrantados de sentimentos. Sabia que aquele dia poderia ser o último, mas poderia ser o mesmo dos outros que já passaram, pois, a fome, apesar de incomodar, não parecia ser mais a dor principal de todas que sentia na sua consciência. Inocente, pura, sem vaidade nenhuma, tocava a vida com as mãos e os minguados sons que tirava do pandeiro amigo - a única razão que sobrou do seu entusiasmo pela música. Apesar da rotina leve e solta que levava, sentia o peso da vida dura que as condicionantes dela lhes presenteavam a cada segundo das horas, muitas passadas ao lodo de Dodge, um companheiro fiel, porém fujão, que sempre a deixava desamparada nas noites frias e violentas do Varadouro. Dodge, nunca demonstrava o afeto que ela esperava que ele tivesse para arrancar um sorriso de seus lábios sedente de paixão. Por isso, não esperava tanto do companheiro ausente. Refletia ela em meio aos olhares dos transeuntes: “tudo bem, seja em que plano estiver estará bem, espero! ” Não tinha outra forma de ser feliz, se as lembranças do companheiro de estrada não saíam da pequena agenda em farrapos, ainda manchada de sangue da tragédia que viveu. Sentia-se um lixo andante, podre e nojento, qual foi a sina preparada pelo mundo injusto e excludente. Elevava ao alto a cabeça como se tivesse pedindo socorro ao além, contando uma por uma as migalhas de nuvens que cruzavam o céu azul, enquanto arrastava pelas calçadas da Integração um destino incerto. Olhava os trapos em retalhos a sua volta; acostumara com o cheiro azedo da vergonha que humildemente conduzia em dois sacos de estopas. Mal sabia ela que, o seu destino estava nas poucas moedas que ganhara e na ponta de uma lâmina de estilete que lhes sufocava a garganta. Mal sentia ela que, tudo aquilo ia terminar em poucas horas. 




quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O ENCONTRO

Cleudimar Ferreira



Em umas das sextas-feiras de dois mil e nove, despendia as horas no Ponto de Cem Reis - centro de João Pessoa, olhando curiosamente naquela tarde de céu azul; naquele espaço público; marcado por jogadores de dama em ação; e assim, esperando o tempo passar e os ponteiros do relógio marcar dezoito e trinta, número simbólico do permissivo horário determinado pelo meu subconsciente, que seria o ponto da minha partida a pé, até o destino final - à Escola Santos Dumont, situada na colina fria que acenava para a Ilha do Bispo e o Cemitério Senhor da Boa Sentença. Cidade baixa, região do Varadouro.
É... Tudo transcorria bem e jogo também, quando aquele objeto móvel fez barulho em minha bolsa. Abri o zíper, apertei a tecla e escutei a mensagem: “Cleudimar, não haverá aula hoje na escola. Uma pane elétrica provocada por um objeto metálico jogado no registro provocou um apagão”. Dizia assim Aldafran, gestora daquela unidade escolar. Fiquei aliviado, pois era de praxe fazer sempre esse percurso a pé, todas sextas-feiras, a contragosto das pernas, só pela necessidade de economizar uns trocados do transporte coletivo, que quase sempre não dava para chegar ao final do mês.
Decerto que a minha sina naquela sexta não era mais a sala de aula daquela escola; aproveitei a oportunidade para mudar o meu programa naquela noite. Defini que o meu ponto final seria o Teatro Santa Rosa para ver Fernando Teixeira em “Esparrela”, que segundo o próprio ator era um texto simbolicamente filho de outro monólogo “um tomate esmagado por um carro”, também de sua autoria. Como o Ponto de Cem Reis era poucos minutos daquela casa de espetáculo e sendo aficionado pelo jogo de dama, deixei aproximar às vinte horas, que era o tempo previsto do início de “Esparrela”.
Quando vi que as luzes acesas da cidade já não mais clareavam como a luz daquele fim de tarde, olhei para o meu “technos”, e vi que às horas tinha passado despercebida, e no tic-tac da máquina, estava faltando pouco menos de trinta minutos para as vinte. Naquele instante, deixei aquele lugar e apressado me desloquei ao Teatro Santa Rosa pela Rua Pelegrino de Carvalho - parte que antigamente se chamava “Beco da Misericórdia”. Quando me aproximei da Igreja da Misericórdia, e já imaginava o tamanho da fila que me esperava, ouvi uma voz sussurrante chamar: “Cleudimar”. O som era como se alguém estivesse próximo de mim. Imediatamente, olhei para trás e não vi ninguém além dos jogadores lá na praça e de alguns garis que recolhia entulhos das portas das lojas, bem mais distante já próximo ao Paraíba Palace Hotel.
Achei algo estranho naquilo que meus ouvidos me denunciavam. Apresei mais o passo e pela Rua Pelegrino de Carvalho o meu caminho tracejei. Em um instante, pude perceber que a ausência de pessoas na área era total. Quando em passos largos chegava à esquina da Biblioteca do Estado, iniciei o cruzamento da Rua General Osório; olhei a direita e nesse instante um senhor que vinha em minha direção, perguntou: “Tá apressado? ” Sem dar muita importância ao desconhecido, diminui as passadas e perfilhando para aquele senhor, respondi: “Não! O velho que não parou e nem diminui um só instante a sua forma de andar; em cima da hora respondeu: “Não precisa ter presa, pois o seu tempo vai chegar e o que ti espera, não vai sair de lá”.
Vendo que o misterioso velho queria conversa; parei, iniciei um sorriso, virei o pescoço e perguntei: “por que o senhor está dizendo isso? E assim, aquele senhor que já deixava o cruzamento da Rua Pelegrino de Carvalho e se deslocava ao Grupo Escolar Cilaio Ribeiro, assim me deu a resposta: “não precisa ter presa, você vai chegar e ele estará te esperando”. Meio encabulado, achando tudo aquilo muito estranho, não dei mais importância ao que o velho havia me respondido, e assim segui. Olhei para frente e continuei no meu caminho, porém curioso e pensativo com as palavras que acabara de ouvir. Imediatamente voltei a olhar para trás para observar melhor aquele senhor. Porém, qual foi a minha surpresa; o ancião havia desaparecido repentinamente.
Parei, olhei melhor em direção à esquerda e a direita da Rua General Osório e nada daquele ascético senhor, avistei. Assustado com o que acabara de passar; o medo imediatamente se apoderou do meu coração, que já pulsava com rebeldia em frequência evolutiva. Sim, o medo tomou conta de mim e os pelos dos braços se verticalizaram. Imediatamente, iniciei uma carreira em disparada pelo trecho em ladeira da Rua Pelegrino de Carvalho. A velocidade que imprimi para fugir daquele inesperado momento foi tão grande que não conseguia sentir onde estava pisando. E assim, cheguei a Praça Pedro Américo em meio a prostitutas e pretendentes que me olhavam confusos e curiosos.


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

MARCOS PÊ E SUA ARTE





MARCOS PÊ
cleudimar ferreira


Não há como explicar a paixão de um artista por seu trabalho. Também não há como entender o sentido material e emocional que há entre uma obra de arte e o seu criador. Quando você se propõe a dedicar parte de sua vida a arte, você investe sem perceber na formação da sua sensibilidade, no seu caráter e na sua afirmação num mundo civilizado, onde a arte tem papel importante como objeto transformador de pessoas. Marcos Pê se insere nesse contexto como um artista que trabalha a sua arte com esmero, pensando no fazer como ferramenta de busca do prazer estético e transformador. Paraibano de Cajazeiras, mas radicado em Teresina - Piauí, preocupado com os rumos que a cultura de sua terra tem percorrido nesses últimos anos, Marcos é um artista otimista. Focou sua trajetória cidadã pelo caminho da arte e até esse momento, tem sido fiel ao que escolheu fazer para viver. Expressivo por natureza; enraizado na cultura do seu lugar; apegado aos ritos de sua gente e na temática exposta que evoca o sentimento popular nordestino; ele vai moldando o tempo trabalhando a arte com criatividade, seja com o pincel e a tinta, seja como xilógrafo. E assim vai conquistando espaços, fazendo amigos, trilhando por um caminho onde todo artista percorre. Durante dias, meses e anos, ele vai experimentando, buscando novas técnicas. Usando materiais diversificados ele vai trabalhando sua arte sem necessidade de olhar o futuro. Eu particularmente tiro meu chapéu, e tiro em repleta alegria. Cajazeiras efêmera na criação de expressões artísticas e por produzir cultura, bate palmas e reverencia seu fiel artista. Parabéns, Cotó!



sábado, 16 de dezembro de 2017

Em entrevista a TV Diário, Marcelia Cartaxo falou sobre Cajazeiras, cinema, TV e política

Por Jocivan Pinheiro


Marcélia, troféu de melhor atriz no Festival de Cinema de Brasilia


A atriz cajazeirense recebeu a maior honraria do campus local 
da UFCG, que pela primeira vez foi entregue a uma personalidade 
que não faz parte da universidade. 

Durante visita a Cajazeiras, onde recebeu nesta semana a maior honraria do campus local da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a comenda Monsenhor Luís Gualberto (pela primeira vez entregue a uma personalidade que não faz parte da universidade), a atriz cajazeirense Marcélia Cartaxo prestou entrevista exclusiva à TV Diário do Sertão, onde bateu um papo com o repórter José Dias Neto sobre sua vida pessoal, sua carreira e a relação com sua terra-natal.

Na quarta e quinta-feira, o GAEL (Grupo Avançado de Estudos Literários) do curso de Letras da UFCG realizou vários eventos em alusão aos 40 anos de lançamento do romance “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, e Marcélia não poderia ficar de fora das homenagens, já que ela interpretou no cinema a protagonista da história, Macabea, papel que lhe rendeu o Urso de Prata, prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Berlim. A cajazeirense foi a primeira atriz brasileira a ganhar um prêmio internacional de cinema.

Nessa entrevista descontraída na casa de familiares, Marcélia reconta a sua trajetória desde os primeiros grupos de teatro amador dos quais fez parte em Cajazeiras até o desafio de partir para o Sudeste - enfrentando preconceitos por ser nordestina - onde foi observada no teatro pela diretora de cinema Suzana Amaral e escolhida para interpretar a icônica personagem Macabea no filme “A Hora da Estrela”, que foi lançado em 1985. Na época, a atriz tinha apenas 19 anos.

“Eu me percebi uma pessoa extremamente corajosa por enfrentar coisas que a minha família não enxergava. Eu sou uma representação muito forte do Nordeste”, diz Marcélia ao ressaltar os desafios que teve que enfrentar.
Apesar de residir em João Pessoa há muitos anos, a atriz tem visitado Cajazeiras com mais frequência e percebido o crescimento da cidade. Quando está longe, leva consigo lembranças de cenários que marcaram sua infância, como o céu azul do Sertão ensolarado, o pôr do sol do Açude Grande, o morro e a estátua do Cristo Rei, a Catedral Nossa Senhora da Piedade e a Rua Higino Rolim, onde nasceu e cresceu.
Veja a entrevista no link abaixo


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

PROMOTORES DE CULTURA EM CAJAZEIRAS QUESTIONA "CIRCUITO CARDUME 2018




Agentes representativos da classe artista de Cajazeiras, questionam a forma de inclusão dos grupos de teatro, dança e circo do Estado, no processo seletivo que os incorporou ao Circuito Cardume 2018. Segundo os promotores culturais cajazeirenses, a escolha das atrações do evento deste ano foi excludente, já que não incluiu as produções de outras regiões do Estado, em nenhuma dessas três linguagens. Declaram que o regulamento precisaria ser revisto, para corrigir esse equívoco, dando oportunidade para que os grupos de teatro do interior possam participar da mostra, expondo seus espetáculos para apreciação e julgamento do público que vai ao acontecimento todo ano.

Segundo o ator e articulador cultural Agnaldo Cardoso, o Circuito Cardume peca por não incluir e, por conseguinte não valorizar produções do interior: “Infelizmente os gestores paraibanos de cultura só valorizam a arte produzida em João Pessoa e Campina Grande e esquece o resto do Estado. ” E vai mais além: “Acredito que não é essa a política cultural do Governador Ricardo Coutinho, mas a culpa também caí em cima do mesmo por ele permitir artistas preconceituosos com o interior do Estado, no comando de órgãos públicos de cultura. ” E finaliza dizendo: “Vamos democratizar os recursos para toda a Paraíba e deixar de lado a política de cartas marcadas. ”

Por outro lado, o diretor teatral Francisco Hernandes se posiciona sobre a forma como é realizado o Circuito Cardume e ironiza: “Cheguei até a brincar com essa triste realidade, ao dizer que esse Cardume é formado só com peixes de água salgada e que se continuar assim, o nosso sertão nunca vai virar mar. E que viva Antônio Conselheiro. ” E volta a seriamente a discussão dizendo: “Meu posicionamento sobre o resultado do Circuito Cardume 2018, realizado pela FUNESC - Fundação Espaço Cultural da Paraíba:" "Sempre defendi a tese de que se deveriam contemplar também espetáculos de outras regiões do Estado, para ocupar espaços nesses programas, haja vista que os paraibanos gostariam muito de poder assistir e avaliar à produção artística nos diversos segmentos, promovendo assim uma política mais justa, mais participativa e inclusiva, até porque aqui no sertão, como também nas outras regiões do Estado, se produz bons espetáculos. ”

E finaliza afirmando o diretor teatral de “Trinca, Mais Não Quebra”, que o Circuito Cardume foi um evento realizado pela FUNESC com objetivo da ocupação dos teatros Santa Rosa e Paulo Pontes na Capital paraibana. E que entendia que essa não era a política de expansão cultural que o governador Ricardo Coutinho, acredita e defende para o Estado da Paraíba.





sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

MEUS ANOS DOURADOS EM CAJAZEIRAS

Vilma Maciel





Tempos esquecidos para alguns, talvez engolido pela modernidade. Cajazeiras, hoje uma bela e próspera cidade universitária. Centro comercial desenvolvido e promissor, área habitacional de desenvolvimento galopante, cujas novos blocos arquitetônicos embelezam as Avenidas largas e modernas. Todo esse esplendor moderno não apaga as imagens de seu passado imorredouro que ficou em nossas memórias.

Naquela época a bela cidadezinha já nos surpreendia com atrações religiosas e culturais. Encantava meu coração sonhador de adolescente, com seus frenéticos Carnavais dos anos 50 e 60. Tudo era magia... Época que reinavam os confetes, as serpentinas, Pierrô e Alecrim, figuras alegoristas dos velhos Carnavais. Belas fantasias sonhadoras.... Transformava-nos em verdadeiras Fadas do destino, e em belas princesas do primeiro amor, do primeiro beijo. Era um verdadeiro Conto de fadas, e dos sonhos. Carnavais inesquecíveis, as Lança-perfumes eram liberadas livremente e os jovens não abusavam de seu uso. Uma juventude sadia, alegre e sonhadora. Longe da corrupção que desencadeou em todo mundo a perda dos valores morais.

Memória: Uma das diversões atraentes era a passagem dos grandes circos. Por lá, passaram nada menos que o Grande Circo Brasil, o Circo Garcia e nos anos 50 e 60, outras Companhias Circenses sentiram o entusiasmo da população cajazeirense pela arte, fato esse que se tornou um convite para a temporada de outros Circos como: Circo Orlando Orfei, O Gran Barollo Circo e outras atrações menores.

Época como essa jamais será esquecida. O Carnaval de Rua ficou no imaginário popular, Era a magia do Reino Encantado. Três dias de folia, alegria e descontração. As atrações Folclóricas traziam diversificados blocos de rua. Um dos mais interessante era   O bloco de Arrasta Jaraguá, para as crianças despertava medo, sua alegoria principal era Um Enorme Perna de Pau, vestido Chita estampada em cores vivas, cuja cabeça era de um animal, cuja arcada dentária exibia grandes dentes. Para os adultos despertava gargalhadas. Essa alegoria trazia uma simbologia primitiva.

Os Blocos requintados, quase sempre compostos por carnavalesco da Elite, exibiam luxuosas fantasias e tocavam as lindas, contagiantes machinhas, e as novidades do Frevo de Pernambuco. Velhos tempos, velhas lembranças, coisas que não voltam mais. 

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Vilma Maciel Lira dos Santos é natural de Cajazeiras, radicada em Juazeiro do Norte, Ceará. 
É Escritora, Professora e Artista Plástica. Tem vários livros publicados em prosas, poesias, contos e 
assuntos relacionados a cultura regional nordestina.



domingo, 19 de novembro de 2017

Fuminc divulga resultado dos projetos culturais contemplados com recursos para 2018


 
foto: cena da peça "oh terrinha boa"


A Prefeitura Municipal de Cajazeiras, través da sua Secretaria Executiva de Cultura, divulgou os nomes dos projetos com suas respectivas cifras, que foram contemplados com Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FUMINC), para 2018. O município destinou o montante de R$ 130.000,00 (cento e trinta mil reais) para (vinte e um) projetos culturais, aprovados em seleção entre (sessenta e nove) concorrentes.

Os projetos agraciados definirão o perfil das atividades culturais da cidade para o ano de 2018, em diversas manifestações e linguagens artísticas refletidas a partir de produções literárias, espetáculos de dança, música e teatro; audiovisual, cultura popular e artesanato.
Segundo a comissão organizadora do fundo, os critérios adotados para a escolha dos projetos elencados abaixo, foram os de qualidade do projeto e sua organização; coerência entre os objetivos, justificativas, metas e ações; tempo previsto para realização e orçamento; proposta de maior abrangência, contrapartida social e currículo do responsável pelo projeto.

As particularidades que se observa no resultado, mostra mais uma vez, que nas artes plásticas não foram agraciados nenhum projeto. Outro ponto a ser observado, é que os projetos com menores recursos recebidos, foram os da área de cultura popular. Um, no valor de dois mil e duzentos reais (R$ 2.200,00) destinado a atividade da xilogravura com o titulo: Xilogravura - Memória e Tradição" e outro no setor de Artesanato, com o título: "Confecção de Cartões Postais em Miniatura". Os projetos com maiores montantes de dinheiro, foram os da área de audiovisual, música e arte cênica. Todos no valor de sete mil reais (R$ 7.000,00). 

Veja os projetos contemplados no quadro abaixo:






quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Museu Tropeiros do Sertão de Cara Nova


Um espaço de entretenimento e lazer, que inspira cultura e história; que congrega os elementos simbólicos, materiais e imateriais de um povo que cultua sua arte, suas tradições e seu folclore. Falo dos habitantes de Joca Claudino e do seu Museu Tropeiros do Sertão, instalado na cidade há poucos anos. O museu está de cara nova, passou por alguns reparos. Foram colocadas portas de vidros nas salas temporárias e permanentes, garantindo a segurança do acervo. Pintura e concerto na parte interna e aquisição de um expositor. Mas o trabalho de destaque da nova reforma do museu e talvez a mais importante, foi a produção de um mural que retrata as atividades dos antigos tropeiros, mostrando os mesmos conduzindo suas tropas de burros pelos sertões nordestinos e pelas terras do antigo município de Joca Claudino. O trabalho artístico - uma pintura pictórica,  figurativa, primitiva, grafitada em preto e branco, foi executada pelo artista plástico Francisco de Assis e mostra muito bem como se deu a origem desse município do alto sertão, no estremo norte paraibano. Parabéns ao povo de Joca Claudino e em particular a curadora do museu Jordhanna Lopes, pela dedicação e conservação desse espaço importante para a história da cidade e para a cultura de um modo geral dessa região da Paraíba. 














segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Réquiem ao velho casarão

Mariana Moreira



Por entre suas grossas paredes ainda ecoavam gritos e risos infantis de crianças de outrora. Atrás de portas e cortinas se encantavam suspiros e sonhos de sinhazinhas ingênuas esperando garbosos cavalheiros. O piso de mosaicos coloridos revelava a posição social de seus proprietários. Na sala de estar ainda pairava no ar sons de prosas, gargalhadas, cheiros e névoas de cigarros desfiados de homens decidindo negócios e sortes de gentes e bichos. Da cozinha, murmúrios de senhoras se misturavam com temperos e lamentos femininos enquanto, de lampejo, uma preta velha cruza a soleira com quitutes e rezas.

Sempre tive fascínio por casarões antigos. Atraem-me suas rugas, dobras e histórias sutis que deslizam por reentrâncias e silêncios como brisas suaves que enrodilham leves e secas folhagens de verão. Causa-me deslumbramento a criatividade humana em adornar beirais, frontispícios. Inebria-me grossas paredes e delicados traços. Causa-me forte impressão a visão dessas construções. Invade-me sempre um sentimento de alguém me espreitando por uma fresta de janela ou por entre trabalhadas treliças de pesadas e maciças portas. Alguém a querer revelar-me segredos de camarinhas ou segredar escândalos e desgraças familiares.

E o antigo casarão se apresentava imponente no alto de uma suave colina. Pesados portões de ferro fundido adornavam sua entrada. A sensação de abandono se expressava no mato que crescia abundante e aleatoriamente por entre espaços que, outrora, abrigaram roseirais e pés ligeiros de meninos em folguedos pueris. De uma velha árvore, bentevis e galos de campina entoavam melodiosas canções de tristeza e saudades. A noite uma tênue luz vazava por entre portas entreabertas revelando a presença de seu derradeiro morador. Um homem pujante, de voz e gestos arrebatadores, que reunia multidões na perseguição de uma esperança impossível em tempos onde esperar representava perigo. Um homem que, em sua solidão de moribundo enfermo, recebia o imaginário acalanto da mãe morta há anos. Uma mãe possível apenas em sonhos, a lhe aninhar no colo e embalar o sono tumultuado pela enfermidade.

Mais tarde o velho casarão desabitado foi criminosamente incendiado. As labaredas, com seus tentáculos poderosos e avassaladores, faziam arder a madeira do teto, o antigo mobiliário, portas e janelas. Entre nuvens de densa fumaça emergiam gritos e suspiros de ontens. No rescaldo apenas tortas paredes enegrecidas pela fuligem. Em um canto qualquer de uma sala uma velha fotografia chamuscada revelava olhos buliçosos como a lacrimejar a desditosa sorte de quem, no passado, resumiu opulência.

E agora, a truculência da máquina reduz tudo ao nada. Por trás dos robustos muros de tijolos batidos apenas terra aplainada pela lâmina insensível de quem, diferente de mim, vê lucro e negócio onde vejo beleza e história.

Do antigo casarão amareladas fotos e redemoinhos de passados.
Ou, apenas distintas janelas da realidade.


Mariana Moreira é Professora Universitária e Jornalista
Contato: altopiranhas@uol.com.br

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

PROJETO PRIMA SE EXPANDE E CONQUISTA RECONHECIMENTO

O secretário João Azevedo representou o Governo da Paraíba, 
na entrega do Prêmio Inova Iesp


# Guilherme Cabral

Criado pelo governo da Paraíba em 2012, o Programa de Inclusão Social da Música e das Artes (Prima) vem, ao longo desses cinco anos, num crescente movimento de expansão e consolidação de suas atividades, mas aliado, também, ao reconhecimento em âmbitos regional e, inclusive, nacional. Exemplo mais recente que comprova estar o projeto trilhando o caminho certo é o Prêmio Inova Iesp na categoria Cultura, que o Instituto de Educação Superior da Paraíba concedeu durante solenidade realizada na noite da última segunda-feira (6), na cidade de João Pessoa. E, para que se tenha uma ideia dessa constante ampliação, o Prima - que hoje tem 15 polos - estará, no total, com 20 polos espalhados por 14 municípios, a partir do próximo mês de fevereiro, quando se iniciará o primeiro semestre letivo de 2018.

“O Prêmio Inova Iesp é extremamente importante. Foi uma grata surpresa, não porque estejamos trabalhando para isso, mas porque significa o reconhecimento de que o trabalho é bem feito e tem sido realizado, ao longo dos cinco anos de sua existência, com seriedade, com alcance social, educacional e cultural, oferecendo oportunidades para jovens e adolescentes. É uma ferramenta que reafirma o sentimento de cidadania e ainda possibilita, se o aluno assim quiser, ter uma base para vir a se tornar um músico profissional. Um exemplo disso é que alunos que passaram pelo Prima estudam no Curso de Música na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), ou em outros cursos nessas instituições”, confessou para o jornal A União o diretor-geral do Prima, Milton Dornellas.

Milton Dornellas informou ainda que, a partir do primeiro semestre letivo de 2018, o Prima vai passar a contar com mais cinco novos polos, que se somarão aos 15 existentes no estado. Dois serão instalados nos municípios de Sousa e Monteiro, por meio de convênio - cujo valor é de R$ 400 mil - já assinado com a Fundação Banco do Brasil, enquanto os outros três funcionarão nas cidades de Bananeiras, Picuí e Pedras de Fogo, por convênio também celebrado com a Funarte, cujo processo de licitação para aquisição de instrumentos musicais está em andamento. Ele não pode estimar quantos estudantes poderão se inscrever no Programa, pois isso, conforme argumentou, vai depender do interesse do próprio estudante em querer participar das atividades desenvolvidas pelo projeto. Mas comentou ser importante que as prefeituras municipais manifestem desejo de firmar parcerias para a realização do trabalho.

O Programa de Inclusão Social da Música e das Artes, criado pelo governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), durante o seu primeiro mandato, tem se caracterizado por promover o acesso à educação musical de crianças e jovens na faixa etária entre 8 e 18 anos, que residem em áreas de vulnerabilidade social. Atualmente, o Prima está atuando em nove municípios, que são os seguintes: João Pessoa, Conde, Campina Grande, Santa Rita, Guarabira, Patos, Itaporanga, Catolé do Rocha e Cajazeiras, atendendo, no total, cerca de 1.500 estudantes. Na capital, por exemplo, as atividades são realizadas nos Bairros Alto do Mateus, Penha, Tambiá e Bairro dos Novais; e, em Campina Grande, nos Bairros das Malvinas, Bodocongó e Mutirão.

“O Prêmio Inova Iesp foi concedido ao Prima, na categoria Cultura, pelo trabalho que realiza pela responsabilidade social, pois oferece oportunidade para que as vidas de jovens e adolescentes sejam transformadas por meio da música. A escolha, muito acertadamente, do Prima foi unânime pelos 11 integrantes - que são professores, alunos e funcionários da instituição - da comissão técnica que analisou o mérito dos projetos indicados”, disse para o jornal A União a diretora-geral do Instituto de Educação Superior da Paraíba, professora Érika Marques. Ela lembrou que o evento - agora na 2ª edição - ainda concede premiação a outras duas categorias: Esporte, Ciência e Tecnologia.

A propósito, além do Prêmio Inova Iesp, o Prima foi selecionado - entre 170 projetos de todo o Brasil - como modelo de inovação para a educação brasileira pelo Movimento Mapa Educação, cujo objetivo é mostrar exemplos bem-sucedidos no campo educacional. Por causa dessa escolha, integrantes do Programa de Inclusão Social da Música e das Artes viajaram para Brasília, onde o apresentaram durante a Conferência Mapa Educação realizada no dia 29 de agosto de 2015.


fonte: Jornal A União.

sábado, 4 de novembro de 2017

CAJÁ ROCK, TERÁ VERSÃO COMEMORATIVA DE 20 ANOS EM DEZEMBRO PRÓXIMO.



As bandas: Baião d'Doido, Cajazeiras/PB; Semiose, Distrito de Felizardo - Ipaumirim/CE; Anarquia Organizada, Sousa/PB; Disunidos Punk Rock, João Pessoa/PB e mais todo uma logística organizada, tendo à frente Osvaldo Moésia e colaboradores como: Neném Mofado, Fumaça Silva e Marcos Lopes, preparam o cenário para o desembarco em Cajazeiras no dia 15 do mês de dezembro próximo, da energia contagiante, anárquica punk/rock/metal/elétrica, para marcar os 20 anos do Cajá Rock. Nesse ano de 2017, na sua décima oitava versão. O evento acontecerá, em um local que parece já feito para esse tipo de evento, a Praça Multicultural do Leblon, as margens do açude grande da cidade, a partir das 20 horas, fechando praticamente o ano cultural de Cajazeiras.

Para o organizador do evento, Osvaldo Moésia, Cajazeiras já tem uma marca registrada de grandes eventos de rock, sejam eles o Cajá Rock, o Grito Rock, e os eventos de rock lá do NEC (Núcleo de Extensão Cultural). “A gente não pode deixar isso morrer e sempre tem que estar consagrando; sempre tem que estar presente nos eventos de rock, aqui de Cajazeiras e da região, para fortalecer a cena do rock no nosso sertão. ” Justificou Osvaldo Moésia. Assinam como realizadores do evento o Coletivo Cultucar e o Cajá Rock, tendo como apoiadores culturais a Casa de Cultura Independente, Bar do Fonfon, Centro Cultural Banco do Nordeste e Soluções Limpeza.




quinta-feira, 2 de novembro de 2017

HÁ 50 ANOS ATRÁS





III Festival da MPB 1967 - A Grande Final 
Cleudimar Ferreira  

O amigo Pádua, vez por outra surpreende com seus e-mails. Ele mandou um, com esse vídeo acima, que representa um dos momentos mais significativos da nossa MPB. Um espetáculo apresentado uma única vez e que ninguém, jamais, ousará apresentá-lo outra vez. Pois foi o único e sendo o único, não haverá um outro com as mesmas características ou semelhanças musicográficas afins. 
Era outubro de 67, há 50 anos atrás, Gil, Sergio Ricardo, Caetano Veloso, Mutantes, Chico Buarque, Roberto Carlos, Edu Lobo, MPB 4, Marília Medalha, Nara Leão, Elis Regina, Jair Rodrigues e muitos outros, escreviam uma das páginas mais expressiva da nossa música, numa época que embora fosse oprimida por circunstâncias políticas, fora uma época também marcada por um país aculturado e alegre, não tão triste assim como o que musicalmente vemos. Uma vitrine de um Brasil real e não de um Brasil burlesco, fictício, empobrecido de boas canções e de jovens músicos politizados. 
De uma musicalidade inteligente e de uma gente consumista de qualidades. Que não vivia a mercê do tempo e nem do rito que os ponteiros do relógio caprichosamente traçam. Vivíamos a era do Fusquinha, do Carro Manguia, da TV Preto e Branco. Vivíamos ainda o calor da Bossa Nova, do Tropicalismo e da Jovem Guarda. 
É nesse cenário pop à brasileira, no Teatro Record, que fervilhava às emoções de moços e mocinhas; de músicos e cantores; de letras e canções e de públicos e plateias. Puxando a carroça do tempo, ao vivo e não morto, estava em 1967, o frenesi da boa canção do III Festival Record da Música Popular Brasileira. 
Excitava os presentes ao delírio no auditório do Teatro Record, Ponteio, Roda Viva, Alegria Alegria, Domingo no Parque e outras. Um marco na história da nossa música, que nos faz viajar no tempo, e se possível for, por um instante parar. Parar no tempo. Ficar no tempo e não voltar por um bom tempo. Contemplar esse momento tão bonito da nossa música.
"... Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião". Amigo, não lembro que lhe disse que eu era saudosista, mas de repente me deu uma saudade daquelas!











quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O que dizem as bocas da Paraíba na internet, sobre o pão de seu Saora:




Miltom Dornellas: Já havia escutado muitas estórias sobre um senhor chamado Saora, que viveu em Cajazeiras/PB e que faz parte da memória do povo daquela cidade. Seu Saora deixou esse legado para o filho que continua fazendo o pão artesanal e que realmente é extremamente saboroso. Conversei com algumas pessoas que falaram sobre o processo de fabricação, onde funcionava, das andanças de seu Saora pelas ruas e sua forma peculiar de vender seu produto, as brincadeiras que fazia com que passava por ele. Encantador. Enquanto conversava com duas senhorinhas sentadas na calçada num final de tarde, uma delas gentilmente entrou em casa e presenteou com alguns pães. O proprietário do hotel em que estava hospedado ouvindo o interesse pelo pão e tudo o que girava em torno dele, as relações sociais, econômicas, culturais e que precisavam registrar de forma cuidadosa a trajetória desse patrimônio da cidade, então não contou conversa e se comprometeu que no dia seguinte no café da manhã ele serviria o Pão de Saora. E assim o fez. No café da manhã conversamos bastante sobre as memórias da cidade a partir desse pão. Em novembro estou voltando para continuar a conversa e saber como anda minha provocação. 

Bernadete Moreira de Moura: Tenho certeza que este pão faz parte da história de Cajazeiras, o pão era vendido nas manhas, chegava até funcionar como despertador pois com sua garganta forte ele passava pelas ruas a gritar o seu produto, e aí todas grande parte das casas saia com suas cestas ou vasilhas para pegar o pão que alimentou e alimenta muita gente na cidade. Quando era a tarde por volta das 15:00 estava lá seu Saora com seu balaio na cabeça a gritar pela cidade olha a bolinha de ouro do Saora, era um pão doce e dourado por cima, ah uma delícia, memória inesquecível.

Do antigo forno instalado no fundo do quintal e que funciona  
até hoje, Seu Saora fabricava um pão gostoso e delicioso

Buda Lira: Visitei recentemente a pequena fábrica de Seu Saora. O filho dele, Beré, que jogava bola comigo no campo de futebol, o Higino Pires Ferreira, foi quem me recebeu. Gostosura de pães!!! História fabulosa da economia e da cultura de Cajazeiras!

João Deon Silva: Qual o Cajazeirense que estando distante da terrinha não sente saudades​ gostosas assim como o pão de Saora, guardo muitas outras lembranças o banho na sangria do açude grande o Estádio Higino Pires Ferreira. Cajazeiras de Amor de Mestre Carlos. 

Nanego Lira: Este pão de Saora marcou a infância nossa na rua Higino Rolim, onde começamos as nossas histórias no teatro. Nunca na minha vida comi pão tão saboroso, o cheiro de pão se espalhava pela rua entrando nas minhas ventas. Pão francês, jacaré doce, bolinha de ouro, a bolinha de ouro! Me arrepio só de pensar. “Oh pãozão de Arrouba!" Gritava seu Saora, na Higino Rolim com um balaio de pão na cabeça. Nem todas as vezes podia comprar. E eu ficava a olhar aquele homem passar com um balaio cheio de pão fresquinho, e os meus pensamentos de menino iam longe. Maravilha de lembrança.

O legitimo pão artesanal de Seu Saora


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

FUNESC lança edital do Circuito Cardume 2018 para as áreas de teatro, dança e circo



O governo do Estado, por meio da Fundação Espaço Cultural da Paraíba lança, nesta segunda-feira (9) o edital de chamamento para a temporada 2018 do projeto Circuito Cardume - teatro, dança e circo. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas de 9 de outubro a 9 de novembro, pela internet.

O objetivo do chamamento é promover a seleção de artistas que tenham como objetivo a ocupação do Teatro Paulo Pontes e do Theatro Santa Roza com apresentação de espetáculos das artes cênicas. A concessão é válida para o período de janeiro e primeira semana de fevereiro de 2018, com a implementação a partir da divulgação dos contemplados e da liberação das pautas definidas pela presidência da FUNESC.

Estão habilitadas a concorrer ao Chamamento Circuito Cardume 2018 empresas de produções artísticas, companhias, grupos, microempresas e pessoa física que atue na área das artes cênicas. Cada proponente poderá concorrer com mais de 1 (um) projeto de ocupação, e poderá dependendo da demanda, e por decisão da comissão de seleção, ser contemplado com mais de uma proposta.

As apresentações dos espetáculos para adulto deverão iniciar às 20h e os espetáculos para a infância e juventude deverão iniciar às 17h. Caso o proponente sugira outro horário, deve ser informado na apresentação do projeto.

Inscrições - Serão aceitas inscrições pelo e-mail: cardume@funesc.pb.gov.br. Para se inscrever, é necessário enviar a ficha de inscrição preenchida; link na internet do espetáculo na íntegra, release, sinopse, mapa de palco, ficha técnica completa, necessidades técnicas, currículo do espetáculo e do grupo e informações adicionais, que possam acrescentar dados sobre o projeto. A partir desta segunda-feira (9), o edital estará disponível no site www.funesc.pb.gov.br.

Os projetos inscritos serão analisados por uma Comissão de Seleção não remunerada, formada pelos coordenadores de artes Cênicas da FUNESC e um representante de cada segmento artístico indicado pela classe, sendo eles teatro, dança e circo. Nenhum membro dessa comissão poderá estar vinculado a qualquer proposta apresentada nesse edital.

Sobre o projeto - Tomando como base a ideia de coletivo e a perfeita sincronia entre os membros de uma mesma equipe, os peixes que habitam os espelhos d’água do Espaço Cultural José Lins do Rego serviram de inspiração para o nome do projeto de ocupação lançado pela FUNESC na primeira semana de janeiro.

Intitulada “Cardume”, a ação reúne espetáculos de teatro, dança e circo. O projeto nasce da necessidade de ocupar esses locais durante o mês de janeiro, além de oferecer mais uma opção de lazer aos turistas que visitam a capital paraibana durante o período de alta estação.

O Cardume é uma iniciativa da FUNESC desenvolvida por meio das gerências de teatro (Suzy Lopes), dança (Ângela Navarro) e circo (Diocélio Barbosa), áreas envolvidas no projeto. Além de estabelecer uma consistente agenda de programação ao longo do mês de janeiro, o projeto dá acesso ao público em geral ao que está sendo produzido na cena paraibana.

CRONOGRAMA

Inscrições: 09/10 a 09/11 de 2017
Curadoria: 13/11 a 24/11 de 2017
Divulgação dos selecionados: 27/11/2017
Divulgação da programação completa: 08/12/2017

Mais informações: www.funesc.pb.gov.br


fonte: FUNESC

domingo, 8 de outubro de 2017

CAVALO MARINHO ESTRELA DA PARAÍBA FARÁ APRESENTAÇÃO EM CAJAZEIRAS DIA 12 DE OUTUBRO.



A cultura popular representada por uma de suas mais expressivas manifestações que é o Cavalo Marinho, vai está presente no encerramento da Festa de Nossa Senhora de Fátima. Falo do Cavalo Marinho Estrela da Paraíba, de João Pessoa, que será a estrela convidada, que brilhará e abrilhantará a população cajazeirense e os fies da nossa padroeira, com uma peça emblemática do nosso folclore, espelho das nossas tradições. A apresentação, será na própria igreja Nossa Senhora de Fátima, dia 12 deste mês outubro, a partir das 19h30. 

Expressão cultural do folclore da Região Setentrional da Paraíba e de Pernambuco, o Cavalo Marinho Estrela da Paraíba é um Auto Natalino inspirado nas Festas de Reis e tem como tema lendas e narrativas heroicas de figuras fantásticas e animais glorificados. O grupo é coordenado pelo Mestre Nélio Torres, agraciado com o Prêmio Culturas Populares, da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, no ano de 2007.  



fonte: Facebook de João Bosco da Silva (Bosco Maciel-Casa dos Cordéis)

domingo, 1 de outubro de 2017

POR ONDE ANDA A FPTA - FEDERAÇÃO PARAIBANA DE TEATRO AMADOR

Cleudimar Ferreira

Ruínas do antigo Teatro da Juteca em João Pessoa

Uma informação postada por Orlando Maia, na caixa de mensagens da Nona Região de Cultura, em Cajazeiras, sobre o interesse do ator campinense Álvaro Fernandes, de reativar a antiga Federação de Teatro Amador - a saudosa FPTA, me fez refletir sobre essa entidade, que nos anos 70 e 80, foi a única atuante organização classista do teatro amador paraibano e uma das mais representativas do gênero no Nordeste.

Aliás, no início desse ano, um dos seus últimos dirigentes, o Sr. Antônio Martins, que faleceu a meses atrás, andou articulando essa ideia no meio teatral de João Pessoa. A sua emersão poderia sim, servir para implantação de uma política pública de incentivo e amparo na formação de novos atores e grupos, com a promoção de cursos, encontros e festivais de teatros pelo interior do Estado.

Embora a ideia seja antiquada, dado o grau de profissionalismo que espelha a dramaturgia paraibana de hoje, onde os atores parecem não precisar mais do romantismo dos cursos de teatro; demonstram a ambiguidade do autodidatismo - já nascerem atores por mérito materno; são técnicos e disciplinados por nascença ou por interesses financeiros, ou talvez, não o da arte pela arte; o soerguimento da FPTA no cenário assim, tenderia a não brilhar tanto como nos áureos tempos da efervescência amadora do nosso teatro.

O que é certo é que a FPTA não morreu, simplesmente sai de cena, vive adormecida por traz de uma empanada de mistérios. Escondida nas coxias enigmáticas das salas de espetáculos espalhados pela Paraíba a fora. Seu acervo fotográfico, seus impressos publicitários e documentação que conta sua trajetória de mais de quatro décadas de representatividade do teatro paraibano, que poderia servir de subsídios para um estudo mais aprofundado do nosso teatro, poderia ser usado como argumentos para artigos acadêmicos e outros afins, mas pouco coisa ou quase nada de trabalhos assim, se ver sobre essa ótica.

Afinal, por onde anda a FPTA? Em qual baú está a sua memória; quem os esconde; quem os prende; a troco de que vale a sua saída de cena; seu anonimato e suas cortinas fechadas.