terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Litteratura: Aldo Lins

di Eduardo Garcia - escritor, jornalista, membro da UBE.


Aldo Lins é natural de Cajazeiras na Paraíba, filho de José Ferreira Lins e Dulcimar Tavares Lins. Iniciou sua trajetória literária em João Pessoa, onde cursou a Faculdade de Direito. Os seus primeiros escritos foram publicados pelo Sebo Cultural da capital paraibana. Em 2002, já residindo no recife, publica pela Editora Universitária da UFPE, a 1ª edição de Alma de Vidro. Em 2004, no período em que organizava o antológico recital Hospício-Poético, é selecionado entre vários nomes da poesia independente do Recife, para compor a Coletânea Marginal Recife, publicada pela Fundação de Cultura da Cidade. Em 2009, depois de ter ministrado oficinas literárias pela FUNDARPE e também ter feito parte da equipe organizadora do recital Canta Boa Vista, começa a articular a partir de uma ideia inédita a Antologia Poesia Paraibana no Recife, e neste mesmo ano publica pela Editora Paés a 2ª edição do seu, Alma de Vidro... É criador de um dos mais importantes saraus do Recife: “Sarau da Boa Vista” que acontece mensalmente no último sábado de cada mês na Rua do Hospício.

Poesias:

SÚPLICA

Ensinai
A cavalgar os mares do teu corpo
Sereia de cactos e juazeiro
De mãos de seda e de marfim
Cabelos soltos graúnas
Nos cata-ventos bálsamo de alecrim
Iluminai
Oh! Rosa linda, o meu olhar
Porque guardo na algibeira o teu retrato
A casa nua na montanha
A estiagem nos pastos da aldeia
Que nem a tristeza estridente de um faquir
Com os seus ruídos enegrecidos de agonia
Apagará em mim teu brilho

REGRESSO

Devolvam-me
Meu castelo, minha espada, meu anel
E as fotografias amarelas guardadas
Na minha cômoda de cristal
Devolvam-me
O credo para atravessar fronteiras
E o espelho d'água entre as dunas
Onde eu fazia a lua para brincar
Devolvam-me
A minha tabuada mágica
E as histórias de um vento azul
Que traziam anjos às madrugadas
Devolvam-me
Meu uni-verso, suspiro poéticos e saudades
De andar a pé, olhar o céu, cantar um fado
No Pátio das Flores, no Arco das Portas do Mar.

EU, A ROSA E A LUA
A Luana Karla

Sorrindo canto a rosa e a lua
A rosa que foi minha um dia
E que feliz capturou o João de barro.
A caprichosa rosa, alvorecer
No prelúdio dos raios encantatórios
Acalanta a tão bela e crescente lua.
A lua sem variações de sorrisos
Nas transitórias formas do segredo
Na madrugada fala sonâmbulas palavras.
Eu, refém do abstrato, ao entardecer
No esplendor dos mares vividos
Faço versos silenciosos do meu grito.
A lua na mágica janela, vestida
Com os olhos cristalinos, sem máscara
Bate-me à porta sem receios.
Sou luar do sertão seco, mas beijo
A lua que é filha dos meus sonhos
E a rosa hoje quase sem perfume.




fonte: 
liberarti.com
Social Reader Writer Artist

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A terra da cultura; a sucessão no município e a questão de liderança

Pepé Pires Ferreira

Chagas Amaro - Secretário Executivo Municipal de Cultura

Há pouco tempo, vi um texto de nosso, como me disse Ana Goldfarb, historiador, Agnaldo Rolim, em que ele tece várias críticas à condução da cultura de cajazeiras. Como vivenciamos uma sucessão no município, e tendo em vista a indicação do nome de Chagas Amaro para o que deveria ser, mas não tem sido importante posto de Secretário Executivo da Cultura, e pelo que conheço de Chagas, que tem méritos indiscutíveis, mas também deméritos, como por exemplo, ler esse lixo que escrevo e o fato de que apesar de se propalar aos quatro ventos que aqui é a Terra da Cultura, e do pouco que se tem agido no sentido de merecer esse epíteto.  Que se fosse verdadeiro deveríamos nos orgulhar.

Mas o problema, como acho que Chagas, como historiador gostaria que começássemos tem raízes histórias, e elas começam bem antes de a gente fosse nascido. O Padre Rolim, aquele cidadão que no início do século XIX, teve a ideia de apesar de celebrado professor na Capital Pernambucana, voltar a seu sertão de origem para ensinar aos filhos dos seus vizinhos a matutos, e retirar esses da escuridão da ignorância, é um feito que merecia e merece contar em nossos anais inclusive na História do Brasil. Foi um dos pioneiros na interiorização da educação e mereceu; como merece, as medalhas das ordens da Rosa e de Cristo, com muito mais honras que a grande maioria desses corruptos que ao lado da grana, também ostentam outras distinções inclusive assento na ABL, A obra geral de Sarney, seria um escritor de algum talento, que mesmo sendo Presidente da República, enterrou seu estado para os piores índices de desenvolvimento humano do Brasil, Renan, e outros salteadores do erário ostentam ordens distintivas, mas pouquíssimos tem a obra do Padre Mestre, está de uma distinção difícil de igualar.

Agora, em vida o Padre Rolim, entregou ao futuro Desembargador Boto, suas medalhas, com medo que seus parentes desqualificados culturalmente as vendessem, o que já aponta para a situação atual.

Corte. Começos da década de cinquenta. Uma geração diferenciada teve algumas ideias que até hoje vivemos suas consequências: O TAC - Teatro de Amadoras de Cajazeiras, cujo primeiro presidente era ninguém menos que Dr. Christiano Cartaxo, e seu Diretor era Dr. Hidelbrando Assis, e quem os sucederam na década de 60, foi ninguém menos que D. Iracles Pires, que até hoje, mas existem projetos para que esse nome mude, espero, até como filho que sejam mal sucedidos, essa história por si só já se explica. Pessoas do maior nível da cidade, com liderança e moral para angariar os fundos e as condições para que a cultura como um todo funcionasse por aqui.

Se o Governo negasse, e naquele tempo, o governo estava muito longe, eles, se viravam e davam sequência aos seus projetos, até conseguir o que se queria. O maior exemplo seria hoje o Tênis Clube, que não tem quadra de tênis, mas recebeu algumas verbas para que tivesse esse no nosso caso, sem cumprir, e se divulgasse o tênis no Brasil: Dr. Hidelbrando foi lá e conseguiu. Fizemos o maior e melhor clube social da região. Foi durante muito tempo o palco para as apresentações do TAC que dirigido por minha que também se precisasse alguma coisa, dava um jeito e conseguia. Tempos depois, minha mãe já falecida, o Então governador da Paraíba que conhecia e acompanhava o seu trabalho, em várias frentes, que cito como exemplo o Hospital Infantil de Cajazeiras, em que Júlio Bandeira, Ica, Wilson Braga e Edme Tavares conseguiram instalar aqui, foi outro feito extraordinário. Até Salão de artes do Sertão, se conseguiu montar por aqui.

Infelizmente, essa’s gerações de pessoas ligadas à cultura e com liderança e respaldo foram sucedidas por outras, que chamaríamos, dando algum valor, de medíocres inferiores seria um termo mais exato. Por exemplo, que poderíamos citar vários. No final do governo Zerinho, o secretário de Cultura foi Lúcio Vilar, hoje professor universitário em João Pessoa, que entre outras coisas trouxe Luiz Caldas, então nome de prestígio do carnaval baiano, para se apresentar aqui, com o sucesso que poderia se antever, um feito.

Assumiu Epitácio, e Lúcio não foi nomeado com a desculpa de que ele usava brinco na orelha. Uma piada de mau gosto, e quem foi nomeada foi minha amiga que tenho o maior carinho, e principalmente por ser amiga de minha mãe. Agora, ser amiga de minha mãe, e até como eu sou filho, quer dizer que essa pessoa quer por relacionamento e até por genética, induz que se absorva a liderança de uma Ica.

Então o que podemos fazer. O caso do atual Secretário de Cultura, Aguinaldo Cardoso, vai numa direção semelhante, ótimo ator, grande amigo, pessoa humana maravilhosa, mas, como eu carecedor do carisma de que tem liderança, então vai fazendo o mesmo que os outros; conseguiu a reforma do prédio da Banda de Música, as semanas de cultura, mas o museu, que seria a masterpiece do governo Denise, não foi à frente, fizemos algumas reuniões na última compareceram três gatos pingados, a ficou para o futuro.

O que podemos fazer para reverter esse quadro? O mesmo que os japoneses fazem: um engenheiro brasileiro é mais competente isoladamente que um japonês, mas eles juntam vinte engenheiros, fazem diretrizes e botam todos esses junto à para o objetivo a ser alcançado. Não precisa comentar o sucesso do Japão. Aqui juntarmos nossas mediocridades, e sob a liderança do homem da vez, Chagas Amaro, que tem méritos, esqueçamos as nossas diferenças, e vamos ver o que é possível tocar com relação a Cultura.

Ou então suportar a cultura em massa dos forrós eletrônicos, do neo brega, as bobagens televisivas, etc. HOJE CAJAZEIRAS EFETIVAMENTE NÃO É A TERRA DA CULTURA.

Precisamos virar o jogo, temos outra oportunidade. Vamos ver se temos capacidade de aproveita-la.




fonte: Jornal Gazeta do Alto Piranhas, Ed. 946, Pág. Opinião 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Programa "Papo Cultural" deste Sábado (28), será ao vivo no Restaurante Mansão

Papo Cultural com Raquel Rolim

O Programa “Papo Cultural” do próximo sábado, dia 28 de Janeiro, apresentado por Raquel Rolim, será realizado no Restaurante Mansão, a partir das 19 horas. Essa versão está turbinada de atrações com muita música, dança, entrevistas, literatura e muito papo cultural com: Coletivo Nossa Casa, Lucineide do Acordeon e Banda, Banda CR2, Clebton Duarte, Forró a 1000, Tamires Roberto - Voz e Violão, Sanfona Nordestina, Eduarda Brasil, Willame Loureço, Cia. FreeStyle, Cia de Dança Arabesco e uma entrevista com Carlos Gildemar. Como se ver, quem for ao Restaurante Mansão, terá a satisfação de está in loco, junto dessas estrelas, prestigiando nossos talentos e contribuído para promoção de nossa cultura. 

Veja abaixo as imagens das estrelas programadas para noite de Sábado, dia 28. 
















quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Escola Piollin mexeu com a cena cultural há 40 anos!

Silvio Osias

O ano era 1977. Eu e Everaldo Pontes fomos à casa do representante da EMI, em busca do novo LP de Gonzaguinha, quando ouvi do jovem ator que ele e Luiz Carlos Vasconcelos estavam ocupando - sim, ocupando! - uma área abandonada por trás da Igreja de São Francisco e que, ali, fundariam uma escola de teatro.
Foi assim que nasceu a Escola Piollin. Hoje, o Centro Cultural Piollin, há muito instalado ao lado da Bica, comemora seus 40 anos.
Posso dar o testemunho porque sou contemporâneo do nascimento e da consolidação do projeto: a Piollin mexeu (e também incomodou!) profundamente com a cena cultural paraibana quatro décadas atrás. E como mexeu!
Havia o trabalho formador de atores, havia o pequeno teatro, o circo, havia a circulação de público e de gente que representava as mais diversas áreas da nossa produção cultural. Não era pouco!
Vimos os irmãos Lira (Soia, Nanego) crianças, já atuando. E Marcélia Cartaxo. E Eliezer Rolim. Todos, e tantos outros, participando de um grande encontro anual de teatro feito para garotos e garotas.
Resultado de um desses encontros, o espetáculo Os Pirralhos tinha uma força e uma beleza comovedoras. Vejam a foto. A garota em cena é Soia Lira.


O palhaço criado por Luiz Carlos a dialogar com a comunidade do Roger. Everaldo Pontes iniciando uma trajetória que o conduziria dos palcos para o cinema. O cineclube exibindo Nelson Pereira dos Santos. O show do Grupo Água, do Chile, numa noite mágica e inesquecível. Tadeu Mathias, Ivan Santos e Firmino a arrebatar o público. Elba Ramalho, começando, com Ave de Prata.
Logo, a ocupação da área foi questionada. Patrimônio e Governo entraram em cena e encontraram em Luiz Carlos Vasconcelos o homem que comandou a luta pela preservação da escola de teatro. Não era uma causa fácil, porque havia uma ocupação, mas prevaleceu o entendimento de que era importante manter a Piollin.
A questão foi parar no gabinete de Eduardo Portella. O intelectual, ministro da Educação do general Figueiredo, se fez aliado.
O desfecho veio com a transferência da Piollin para um velho casarão ao lado da Bica. Cobri, como repórter, a solenidade em que o governador Tarcísio Burity assinou a cessão. Luiz Carlos estava cheio de sonhos e responsabilidades.

Na nova Piollin, surgiu Vau da Sarapalha. Nunca vi nada igual!


Com a transferência, o projeto cresceu, mas tenho sempre a impressão de que perdeu algo de sua mística.
De todo modo, o Centro Cultural Piollin está aí, comemorando a marca dos 40 anos.
A luta continua!



postagem publicada: Jornal da Paraíba, Blog do Silvio Osias

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

CAJAZEIRAS TEM FUTURO? TEM! BASTA ELA QUERER... E FAZER.

Cleudimar Ferreira

Wellington Souza quer ser arquiteto, mas gosta mesmo é de pintar 

Seu sonho é ser arquiteto. Porém, se esse sonho virar realidade, diz o jovem: "não penso deixar as artes plásticas, pois é uma atividade que gosto muito e já faço desde os sete anos quando comecei na escola." A afirmação dessas palavras não é minha e nem de outra pessoa, é do cajazeirense Wellington Souza, autor dos trabalhos que as imagens abaixo mostra.

Wellington pelo tom da sua oralidade, é um sonhador com tantos outros da sua idade, são. O rapaz demonstra apego a uma atividade que para ele transmite tudo que ele necessita, para trazer a paz interior e se firmar no meio onde vive. E é, pois a arte que busca é capaz de provocar mudanças, moldar e preparar para a vida, aqueles que a buscam.

De origem humilde, Wellington é um cajazeirense como tantos outros, que nasceu com sensibilidade e vontade de ter a arte como referência para sua razão de viver. “A pintura nasceu dentro de mim; sinto essa vontada. Quanto mais eu pinto, mais vontade tenho de pintar. É como se fosse uma coisa que me acalma. É uma inspiração. Uma coisa boa que vem e a gente não quer sair dela.” Afirmou em entrevista ao um repórter de uma TV Online local.  

Como todo esse pensamente, Wellington ainda é um principiante, entretanto, como muita força de vontade para crescer, pois a arte é um universo amplo e para seu resultado ser compreendido e aceito como arte, seu agente provocador, o artista, precisa ter muito tempo de vivência e experiência, para produzir um produto com condições de ter seu espaço no mercado exigente de arte. Bagagem que o jovem Wellington, me parece, está buscando numa cidade arredia a essa realidade; que pouco tem oferecido aos seus artistas.

E é nessa realidade; nesse contexto difuso social, que Wellington Souza paira; se contorce e se mexe para conseguir recursos que dê a ele o direito de sonhar, de produzir sua arte e de crescer como artista. Que possa elevar o nome de sua cidade a um patamar de destaque, como centro produtor de artes visuais, como já foi no passado com as ações encampadas pelo antigo Atelier Cajazeirense de Artes Plásticas e pelo o empenho isolado de alguns nomes, como: Telma Cartaxo, Modesto Maciel e Marcos Pê. 

Produzindo um ecletismo que mistura desenhos, pinturas e caricaturas, Wellington, ainda não tem uma temática definida. Desenha e pinta o que vier na mente e é categórico ao afirmar que sente vontade de materializar o que pensa, na tela em branco. Uma clara evidência de quem ainda não definiu o que quer fazer com a arte, ou está buscando um tema que possa se fixar e decolar definitivamente. Mas o processo é esse mesmo. Ele existe para o artista adquirir experiência e se firmar como grande conhecedor do trabalho que executa.

Exemplos como o de Wellington Souza, pode está anonimamente espelhados pelos quatros cantos de Cajazeiras. Uma terra fértil para o campo das artes, que pouco importância, ou quase nada, foi dado pelo poder público municipal, que com pouco recursos, poderia compensar essa carência, destinando uns desses prédios da Prefeitura que se encontram fechados, sem uso, para funcionar uma atelier de artes.

Poderia o novo Secretário Executivo de Cultura, Chagas Amaro, a partir da abnegação de Wellington, criar condições para que isso se torne realidade. Se não há receita para tal iniciativa, busca-se parceria com o comércio, com  instituições do gênero. A prefeitura nesse empreitada, asseguraria as instalações e os professores. Há bons professores ensinado antes nas escolas municipais, que poderia ser aproveitados. Caberia tão somente as parcerias, a destinação dos materiais de trabalho, como as telas, as tintas, os pinceis e os cavaletes.

Não vamos deixar que o sonho do jovem pintor Wellington Souza e de tantos anônimos que ainda não conhecemos a sua oralidade, se perca no futuro. Pois a cultura de uma cidade, depende muita da arte para que essa cultura possa ser vista. A produção artística nesse caso, é algo imprescindível para a materialização da cultura. É a última fronteira que subsidia a cultura. Deixar a arte morrer, desaparecer em uma cidade como Cajazeiras, é apagar definitivamente os resquícios de cultura que ainda temos.   








fonte: (entrevista) wellington valêncio-sertãodaparaiba.com.br

sábado, 14 de janeiro de 2017

PAPO CULTURAL COM RAQUEL ROLIM: A HORA E A VEZ DOS TALENTOS SE APRESENTAREM.

Cleudimar Ferreira

Raquel Rolim - apresentadora do "Papo Cultual"

UMA PALAVRINHA: O público de Cajazeiras tem agora como opção para saída da cansada e da saturada repetitiva programação das redes de TVs tradicionais; os vlog´s, que cresce por todo país em grande número; ou as mini TVs Online, que oferece uma programação que vai na contra-mão do que é visto nas telinhas comerciais, hoje. Com base no improviso, no jeitinho, na criatividade e muito força de votada, esses programas tem demonstrados que tem poder. Que pode fazer público e que pode muito mais; pode fazer diferente do que se tem visto nos canais de TVs que conhecemos e que nos acostumamos há anos.

Na Paraíba, esse tipo de programa já popularesco também na internet, é considerado um calor de quarenta graus, que não há frio que amenize. Um calor que é do bem, e que é bem vindo, pois possibilita o acesso na grande rede, através de canais e das redes sociais, de talentos anônimos, que antes escondidos, passam a ser reconhecidos e suas atividades - seja ela cultural ou artística; aflorada em questão de minutos nos olhos do grande público. Um achado para quem quer alcançar a fama a curto prazo.  

Cajazeiras por esse viés, tem tradição, pois é do conhecimento daqueles mais distantes, que nas décadas de 70 e 80, havia nos finais de semanas, programinhas parecidos que arrebanhava para o Cine Éden calouros e bandas que faziam a festa nas matinés de domingos. Mas agora o tempo é outro e o trem também; e o “Papo Cultural” comandado pela apresentadora Raquel Rolim, se materializa e cria corpo a cada edição. Passa a se tornar em uma alternativa para quem quer mostrar seu talento e sua arte. Aplausos, mais aplausos para Raquel Rolim e para TV PBem – geradora das imagens, pela boa iniciativa.

O Programa “Papo Cultural” pelo sentido do título, poderia ser simplesmente um programa de entrevista. Mas fugindo da regra e da mesmice que se tem visto nas grandes redes de TVs, não é! É um Talk Show apimentado com muita música e outras coisinhas mais. Um Talk Show, é claro, na versão beiradeIra-sertaneja-cajazeirense, mas realizado sob a ótica do que rege o pensamento do mundo digital. Por ele desfilam atrações musicais, que mistura apresentações de bandas de rock, de forró eletrônico, forró de pé-de-serra; quadros criativos de humor, prêmios, pegadinhas, entrevistas e interatividade. Há entretenimento melhor do que esse? Uma saladinha sertaneja, gostosa até demais, de fazer inveja as mais criativas mentes da internet. Todo esse chacrinhado sob o comando do carisma; da descontração; e da sensibilidade da apresentadora Raquel Rolim. Realizado no ambiente descortinado da Praça do Leblon e acintilado pelo espelho das águas do Açude Grande.   

Mas quem é Raquel Rolim. Ela é simplesmente uma cajazeirense que tem experimentado quase tudo no ramo da comunicação. Como atriz que é, atou no teatro sertanejo e paraibano no seguimento comédia, atividade que o levou a participar como figurante, de algumas edições dos programas “Zorra Total” e "A Grande Família" da TV Globo. Foi repórter do Programa Ênio Carlos da TV Diário de Fortaleza. Criou e produziu em 2015, o I Festival de Cinema de Cajazeiras. Como se ver, ela vai mais além, já que sua atuação em vários segmentos da comunicação, sempre com profissionalismo, ousadia e competência, o credencia para conguista com destaque, de novos ares nesse seguimento, na TV Paraibana. Quem viver, verá.




Com informações: www.pbemfoco.com.br

domingo, 1 de janeiro de 2017

O Inicio dos anos 70 e a movimentação do TAC sob a direção de Íracles Pires.

Cleudimar Ferreira

Íracles Pires (in memoriam) - Dirigiu do TAC entre os anos 70 e 80

A teatro em Cajazeiras saía dos anos 60, com a perspectiva de crescimento do Grupo de Teatro Amador de Cajazeiras - GRUTAC. O novo grupo cênico, despontava por traz das cortinas do improvisado Teatro Diocesano, já na dianteira da nova vanguarda das artes cênicas do interior do Nordeste, sob a direção de Geraldo Ludgero e Ubiratan Di Assis. Nessa expectativa, a década de 70 surgia, com a imprensa paraibana destacando o regresso do Rio de Janeiro, da diretora do Teatro de Amadores de Cajazeiras – TAC, Íracles Pires. 

Afastada por um certo período da cidade, ela voltava; e ao chegar a aldeia dos Rolins, retomou as suas atividades no TAC, passando em seguida a movimentar o principal grupo de teatro amador cajazeirense, cujas encenações na sua biografia, eram quase sempre pautadas nos clássicos gregos e na temática regional nordestino. O TAC nessa época, gozava de um certo prestigio e segundo a imprensa, era apontado pela comunidade teatral da região, como um dos mais homogêneo do sertão paraibano.

Enquanto isso, o GRUTAC construído sob o impulso das atividades estudantis e dos movimentos de resistência ao golpe militar - repressor, que marcava a sociedade civil de modo geral através da censura, se consolidava quanto grupo teatral, encenando textos políticos, educativos que despertava no público um avivado envolvimento com as questões sociais, políticas, ideológicas e culturais que passava o país nos anos 70. Íracles Pires, nesse contexto, com todo seu ecletismo - era além de teatróloga, também radialista e relações públicas da Difusora Rádio Cajazeiras; se mostrava distante desa estrutura politica, porém atenta aos fotos de sua época. Irrequieta e determinada, Íracles não media esforços quando o assunto era a promoção e a produção de arte na cidade, seja em que linguagem fosse.

Ao chegar do Rio nos primeiros anos 70, trouxe consigo ideias novos e passou a mudar o foco das encenações do TAC com texto de autores contemporâneos, embora ainda presa a mandala dos velhos clássicos gregos e a temática regional nordestina, tão bem representada nas peças escritas pelo teatrólogo paraibano Ariano Suassuna. As mudanças incrementadas no TAC por Íracles, possibilitaram a construção de textos variados como foi o caso de “Fui eu, mais não espalhe”, que aglutinou um picotado texto com trechos de autores, como Camões, Shakespeare, São Francisco de Assis, Augusto dos Anjos, Florbela Espanca, Gonçalves Dias, Vinicius de Moraes, Pompílio Diniz, Rubem Braga, Augusto Frederico Schmidt, Bach, Strauss, Jorge Ben Jor, Martinho da Vila e Roberto Carlos. Uma verdadeira salada poética-musical de autores, de causar impacto e estremecer o as bases do teatro sertanejo.

Na segundo metade de 1971, Íracles Pires, saiu do aspecto musical que caracterizou a montagem de “Fui eu, mais não espalhe” e voltou ao classicismo dos textos consagrados, e monta uma adaptação de sua autoria do texto: "A Dama do Camarote" de Castro Vianna. A peça preencheu o ego do resumido meio teatral cajazeirense, e ao levantar asas, foi pousar sem nenhum receio ou preconceito, no palco do Teatro Santa Roza, em João Pessoa, entre expectativas e curiosidades do público pessoense, que aguardava com vivo interesse, a visita do Grupo de Teatro Amador de Cajazeiras - TAC na capital. Pouco dias depois, o TAC e Íracles Blocos Pires, seguiram em direção até a cidade de Alagoa Grande. onde a convite da direção do Festival de Teatro do Brejo Paraibano, mostrou ao público daquela cidade e da região do brejo, a performance do teatro amador sertanejo.  .

"Fui eu, mais não espalhe" primeira apresentação no Cine Teatro Apolo XI. 
Elenco: Jandira, Luiz, Toinha, Jú Coelho, Valdenez, Nogueira, 
Luzinete, Lamércio, Reginaldo, Do Céu e Lidemar.



fonte: Jornal A União