domingo, 30 de abril de 2017

Desencantando sonhos

Mariana Moreira Professora Universitária e Jornalista


Karl Emil Maximilian Weber foi um intelectual, jurista e economista 
alemão considerado um dos fundadores da Sociologia.

Submersa na burocracia que a vida moderna nos presenteia e, sobretudo, nos impõe diariamente, pulula a minha frente, com uma recorrência estonteante, as imagens cientificamente proféticas elaboradas pelo sociólogo alemão Max Weber. Ainda nos derradeiros momentos do século XIX e primeiras décadas do século XX Weber constrói as figuras da “jaula de ferro” e do “desencantamento do mundo” na análise da vida moderna.

Segundo Weber, a racionalidade, a exigência da comprovação científica, a explicação racional das coisas, a ciência como parâmetro para conceber o mundo, orientar ações e condutas e pautar sentimentos transforma, paulatinamente, a vida numa prisão cujas grades e grilhões estão além da capacidade humana de serem rompidas apenas com sonhos.

A racionalidade que exige a autenticidade das coisas além da palavra.

As versões devem sempre conferir com a original, autenticadas por autoridades legitimamente reconhecidas.

Não basta você existir. Exige-se comprovação de sua existência em certidões, registros, cédulas, fotos. Não basta a fala, sem o carimbo que a oficialize como autêntica.

Weber vaticina, assim, que esta racionalidade exacerbada desencadeia um intenso processo de burocratização da vida que, além de nos aprisionar, nos rouba a capacidade do sonho, do devaneio, da quimera, na figura que ele constrói como o “desencantamento do mundo”.

O mundo liso, plano, iluminado pelo conhecimento, pelo raciocínio, pela verdade inquestionável não deixa brechas para ilusões.

Exorcizam-se sombras, dobras, malassombros, visagens. Soterram-se rezadeiras, videntes, profetas.

Classificam-se como burlesca as simpatias, as adivinhações, as estórias de trancoso. Aprisionam-se no patamar da irrealidade as visagens que, em minha infância, se projetavam nas paredes de tijolo aparente a partir da possibilidade criada pela bruxuleante luz das lamparinas de querosene enquanto, ao lavar os pratos do jantar, chegavam, do terreiro de Impueiras, difusos sons das prosas sobre mortos que apareciam, espíritos que amedrontavam transeuntes em oiticicas e casas abandonadas.

E, no turbilhão da racionalidade moderna, soterrei os mapas mentais das botijas que, na infância, cartografei nas ribeiras de Impueiras e Cipó. Botijas fartas em moedas, jóias, possibilidades, mas também obesas de estórias e narrativas de medo, de desconhecidos, de seres sobrenaturais.

Ora, descobri que a estes mapas falta, na temporalidade do hoje racional, o timbre que lhes confere autenticidade.

E me recolho a um canto da jaula de ferro e, pelas frestas das grades espio o mundo desencarnado de sonhos.

Apenas espio!



fonte: Diário do Sertão - Coluna da jornalista Mariana Moreira  

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Ator critica possível nomeação de padre na Secretaria de Cultura de Cajazeiras, defende nome de colega e pede diálogo com artistas






Demora em escolher um novo secretário para substituir 

Chagas Amaro tem causado descontentamento entre 

alguns segmentos da cultura cajazeirense.


O secretário executivo de Cultura de Cajazeiras, professor e radialista Chagas Amaro, entregou sua carta-renúncia ao prefeito José Aldemir (PP) no final do mês passado alegando incompatibilidade de horário. Porém, o prefeito solicitou que Chagas continuasse à frente da pasta até que um novo nome fosse escolhido. Como até agora este nome ainda não foi definido, o professor Chagas Amaro continua respondendo pela Cultura de Cajazeiras.

Este impasse tem causado descontentamento entre alguns segmentos da cultura cajazeirense. É o exemplo do ator e articulador cultural Beethoven Ulianov, que em entrevista à TV Diário do Sertão, lamentou a situação da Cultura na terra do Padre Rolim.

Além da demora em escolher um secretário que esteja inserido no movimento cultural e disposto a se dedicar à Cultura em tempo integral e durante toda a gestão, Beethoven reclama da falta de diálogo e apoio da secretaria ao segmento. Ele critica a possibilidade de um padre ser escolhido como próximo secretário e defende o nome do atual subsecretário executivo de Cultura Ricardo Lacerda, que também é ator, como o ideal para assumir a pasta.

“Apesar de algumas falhas que tivemos na gestão passada, tinha um diálogo aberto com a classe. Nessa gestão, tem 100 dias onde não teve uma reunião com a classe, não conversou com a classe. Eu acho que tudo parte de um diálogo; saber quais são as necessidades que a classe tem, e isso não houve até hoje”, declara Beethoven.

Por outro lado, o secretário de Articulação Política José Anchieta negou que a Secretaria Executiva de Cultura não esteja atendendo às demandas da categoria e ressaltou que Chagas Amaro continua à frente da pasta até que um novo nome seja escolhido em comum acordo com os segmentos culturais da cidade.

Para ilustrar o apoio que a secretaria tem dado ao movimento, ele citou a Paixão de Cristo e a Semana Municipal da Dança. “Não há nenhum problema em relação aos encaminhamentos da cultura. O secretário Chagas Amaro, juntamente com o subsecretário Ricardo Lacerda, tem recebido toda a demanda da classe cultural e tem feito os encaminhamentos necessários”, disse José Anchieta.





fonte: Diário da Sertão 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Cultura: Não tem sido um bom começo na gestão José Aldemir!

Cleudimar Ferreira





OPINIÃO:

A administração do Prefeito José Aldemir em Cajazeiras, passa por situação aguda no setor cultural.  Já não basta a recém-saída do Secretário Executivo de Cultura Chagas Amaro da pasta, agora foi a vez de um dos seus mais entusiastas e escudeiro defensor, o articulador cultural Joel Santana, que deixou surpreendentemente a administração do Centro Cultural Zé do Norte. A justificativa de Joel para o tão repentino ato, foi a de que estava trabalhando muito, sozinho e não suportando a sobrecarga dos três expedientes de trabalho, preferiu se afastar do cargo.

Mas será que o motivo foi esse mesmo? Quem sabe! O fato expõe que a direção da cultura em Cajazeiras, se já não foi lá essas coisas na administração anterior da prefeita Denise Carlinhos, imagine agora com essas baixas protagonizadas pelos afastamentos de Chagas Amaro e Joel Santana dessa pasta tão vital para as práticas artísticas, obviamente para o desenvolvimento da cultura no município.

O que se observa no momento desconstruído desse setor da administração José Aldemir, é que, tanto Chagas quando Joel, enfrentou as velhas barreiras intransponíveis da razão e da emoção, que a arte e cultura provoca quando se assume o dever de promover cultura numa terra tradicionalmente cultural como é Cajazeiras.

Chagas Amaro, apesar de vim de uma clã com dotes para as habilidades artísticas – seu pai me parece gostava de música e tem ainda dois irmãos, Edineusa e Jocélio como exemplo de sensibilidade para tal fim; não tem tanta caída para essa tão complicada missão de lidar com demandas, cuja prática, aponta para as articulações do fazer artístico. Seu forte mesmo é a paixão incomum pela história, pelo esporte e o rádio, ou seja, a crônica esportiva.

Como diretor do Teatro Íracles Pires - sua primeira investida nesse mundo cultural, nesse caso especifico, o da linguagem teatral, Chagas se sentia acanhado e um estranho num microfone de rádio. Resultado, não foi lá essas coisas com gestor da principal casa de cultura da cidade e acabou entregando o posto e saindo pela tangente. Agora, nessa segunda investida, viu que realmente não tem mesmo jogo de cintura para lidar com a difícil tarefa de se passar por um executor cultural.

O caso de Joel Santana é diferente. Joel tem vivência com a prática, com o fazer. Tem um trabalho no campo da dança que o credencia para exercer qualquer experiência administrativa no setor artístico. Talvez o excesso de confiança no lidar com a arte, não foi suficiente para perceber que fazer é diferente de administrar. Quem faz, está em constante movimento. É um ativista por excelência. Quem passa a delegar, se prende a sua condição de imobilidade. Isso para um artista é como cortar braços se for um pintor; é como cortar as pernas se for um dançarino; é como cortar a fala seu for um ator. Talvez tenha sido por isso, as razões que levaram Joel demandar e entregar a administração do Centro Cultural Zé do Norte ao Prefeito José Aldemir. 

Portanto, não tem sido um bom começo para gestão do Prefeito José Aldemir, no setor cultural. Resta agora a Prefeitura de Cajazeiras, escolher tanto para a Secretaria Executiva, como para Centro Cultural Zé do Norte, nomes que tenham as duas coisas. Que sejam artistas, vorazes comprometidos com o fazer, mas que também tenham tarimba para administração de eventos artísticos e de entidades culturais. Se Cajazeiras tem alguém como esse perfil, não sei, mas para um bom acolhimento da nossa cultura, precisa ter um agente assim, e olhe lá!   



6º GRITO DO ROCK 2017 CAJAZEIRAS.


E o 6º Grito do Rock 2017, chaga finalmente a Cajazeiras, trazendo consigo muito som, muita luz, muitas cores, muitas tribos, irreverencia, atitude e muito rock pesado. Será neste dia 22 de abril, coincidentemente, uma data em que acidentalmente ou não, um aventureiro português esbarrou nessa terra de gigante, não trocou comida por diamante, e ainda mais, provou do pecado do lado nativo de baixo do equador.

Data em que não haverá espaço para Fados e nem Pedros não vão sacar suas guitarras, mas sim, aquela outra geração barulhenta de cajazeirenses ou cajazeirados, membros da irmandade de Naldinho Braga, Osvaldo Moésia e Ionas Pê. Então, estão todos convidados. Será na Praça do Leblon - ao cheiro da água nova do Açude Grande, a partir das 22 horas.

Presença confirmada das bandas: Nossa Caza e Baião D’doido de Cajazeiras; Sistema Bruto e Incessante de João Pessoa, e mais a Banda Semiose do Distrito de Felizardo/CE. Que viver, estará lá com certeza. 




sábado, 15 de abril de 2017

AS DUAS PRIMEIRAS MULHERES ELEITAS VEREADORAS EM CAJAZEIRAS.


1. Rita de Cássia Assis Pereira - primeira mulher eleita com 321 votos 
2. Maria Anita Caetano - segunda mulher eleita com 215 votos. 



RITA DE CÁSSIA ASSIS PEREIRA 


Foi a primeira mulher eleita vereadora. Ela nasceu em Cajazeiras no dia 22 de maio de 1912. Era filha de Sabino Matias Coelho de Assis, primo carnal de Dom Moisés Coelho - 1º bispo da Diocese de Cajazeiras e de Dona Maria Isabel César de Assis, conhecida como Dona Neném, que se destacou na sociedade cajazeirense como a melhor modista de sua época.

Rita de Cássia casou-se com o também Cajazeirense José Pereira da Silva, que residia no Sítio Cava e possuía várias fazendas no município de Cajazeiras, destacando-se as da Serra do Vital, Oitis, Coxos e Beira do Rio, que ainda pertence aos seus filhos.

Desta união nasceram quatro filhos: Eudes de Assis Pereira, conhecido como “Mosquito”, tendo se revelado como jogador de futebol e foi também agente fiscal do Estado, já falecido; Zenaide, casada com um funcionário do Banco do Brasil; Ivo, trabalhou no Banco Itaú e Dayse. Dona Rita ficou viúva no ano de 1946.

Dona Rita Assis trabalhou durante dezoito anos na Cooperativa Banco Agrícola de Cajazeiras, em cuja época não era tão comum ver mulheres exercendo profissões. Era bastante conhecida na comunidade e exercia a sua atividade de bancária com muito zelo, eficiência e presteza. Rita foi a primeira mulher cajazeirense a exercer esta função.

O seu marido exercia e tinha uma influência marcante na vida política do município de Cajazeiras e ao lado de José Caetano, no distrito de Engenheiro Ávidos, faziam oposição e davam trabalho aos governantes de então. Com a morte de José Pereira, em 1946, Rita Assis não abandonou por toda a luta partidária que exercia o marido e ingressou na vida pública.

Rita de Cássia foi eleita vereadora com 321 votos, pela (UDN) União Democrática Nacional, no dia 12 de agosto de 1951, se constituindo na primeira mulher a ser eleita para a Câmara Municipal de Cajazeiras. Nesta eleição foram eleitos também pela UDN Dr. Waldemar Pires Ferreira, Nelson Rolim, Raimundo Leite Rolim e pelo PSD - Partido Social Democrático, foram eleitos José Paulino, Manoel Soares, Augusto Mendes Ribeiro, Nilton Simões e Hilário Moreira. Nessa mesma eleição foram eleitos o médico Otacílio Jurema, para Prefeito e o agropecuarista Acácio Braga Rolim, para vice-Prefeito. Era conhecida como uma mulher de fibra, de muita coragem e teve uma participação muito forte na vida política, social e econômica de Cajazeiras nos anos 50 e 60.

Além das qualidades pessoais dona Rita Assis, era conhecida também, na sua juventude, como uma das mulheres mais bonitas de Cajazeiras, que causava admiração nas pessoas, diante de seu encantamento e beleza. Foi símbolo e exemplo das aguerridas mulheres cajazeirenses, não só pela simbologia, pioneirismo e ineditismo, mas pela representatividade e valor da mulher na terra que lhe serviu de berço. Rita Assis, faleceu na capital do Estado, em 25 de novembro de 2004.


MARIA ANITA CAETANO 

Foi a segunda vereadora eleita, obtendo 215 votos, no dia 02 de agosto de 1959, pelo PSP - Partido Social Progressista, ou seja, conseguindo 3,96% dos votos apurados. Ela era a representante do Distrito de Engenheiro Ávidos. Anita ao lado de seu pai, José Caetano do Nascimento, sempre esteve no lado oposto da política, fazendo oposição aos governos constituídos da cidade.

Os demais vereadores eleitos nessa eleição, foram: Vicente Leite, que foi o mais votado, com 375 votos, Francisco Matias Rolim, Abdiel de Sousa Rolim, José Leite Furtado, José Palmeira Sobrinho, Dorgival Carolino Braga, José Donato Braga e Júlio Marques do Nascimento.

O prefeito eleito nesse pleito, foi Otacílio Guimarães, que obteve 2.755 votos e o vice Epitácio Leite Rolim com 2547 votos. Nesse ano, o município tinha 6.522 eleitores. Porem compareceram a eleição 5.435 votantes, com uma abstenção de 1.087 votos. Ou seja, 16,67%.

Nesta eleição outra mulher, Rita de Cássia Assis Pereira, que já tinha sido eleita no pleito anterior como a primeira mulher vereadora do município de Cajazeiras, concorreu, mas não foi eleita.




fonte: Prof. José Antônio de Albuquerque

quinta-feira, 13 de abril de 2017

GRUPO TOCAIA DA PARAÍBA EM SHOW COMPLETO NO PALCO DO TEATRO ICA. QUEM LEMBRA?
O show foi realizado para comemorar o lançamento do 1º Disco do Grupo.





domingo, 2 de abril de 2017

SOBRE A POLÊMICA FRASE DE QUE CAJAZEIRAS NÃO É MAIS TERRA DA CULTURA

Cleudimar Ferreira


Esse negócio de dizer que Cajazeiras não é mais terra da cultura, é algo apressado e recorrente a imprudência. Beirando, me parece, a um desvairado equívoco. Primeiro, a frase vez por outra, tem sido pronunciada por leigos no assunto, por desconhecimento da oralidade do termo. Por outro lado, o que é estranha, também por pessoas ligadas aos segmentos artísticos da cidade. Mas, o que venha ser cultura.

Bem vamos a explicação: É um processo ou efeito de criar e cultivar, comum nas sociedades, nos aglomerados e nas comunidades das mais próximas as mais distantes que possamos imaginar. Cultura pode significar ainda, todo um complexo que inclui o conhecimento de um povo, não só da arte, mas seu poder de criar suas crenças e suas leis; preservar seus valores morais, seus costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos, não somente no convívio familiar, mas nas irmandades sociais ou nos amontoados comunitários que está inserido um povo.

Cultura é algo apreendido e aprendido por um povo, que passa de gerações para gerações, através da relações sociais. Ela pode até ser dinâmica. Por esse viés, ela vai se transformando, perdendo e incorporando outros aspectos, ou seja, vai mudando constantemente conforme as mudanças sociais que ocorrer numa sociedade; num grupo social, procurando melhorar a vivência das novas gerações. É um estado em constate movimento e não pode parar. Mesmo que pare, sua essência não morrerá jamais. Cajazeiras é uma cidade como qualquer outra. Ela é viva e está produzindo continuamente cultura nas suas esquinas, pelas suas ruas, numa mesa de bar, na roda de conversa no fundo de quintal; nas conversas de sua gente na feira aos sábados; nos palanques; no seu estádio de futebol; nas suas praças, nas igrejas.

Enfim, onde estiver acontecendo nossas festas; nossas concertações de pessoas, são possíveis está ali, focos de produção cultural. Mas seus fundamentos podem estar nos comportamentos do povo cajazeirense; na forma de agir, de expor suas ideias e de colocar em prática; na maneira de conversar; de se expressar, nos jeitos e nos trejeitos de nosso povo nossa cultura estará presente sempre. Não precisa que as suas referências estejam ligadas somente as artes para ela existir. Não! Não é necessário.

Evidentemente, que para ela aparecer, a injeção das linguagens artísticas vem dar uma elevada na sua autoestima; vem fazer ela ser mais viva e evidente. Dizer que nossa cidade não mais terra da cultura, é o mesmo que dizer que seu povo foi amortizado, pois enquanto ele estiver evidente, pulsante, sua cultura estará viva junto com ele.

Agora o mais sensato seria dizer que as referencias de nossa cultura, que são as nossas produções artísticas, passa por uma crise existencial momentânea. Nossos valores artísticos envelheceram e não houve renovação. Ou seja, não surgiu novas revelações e na cidade há uma inercia aparente de surgimento de novos valores nas artes. Porque isso aconteceu? Os fatores são vastos, visivelmente perceptíveis. São conhecidos, já foram por demais questionados e discutidos nas salas e entre salas das reuniões de seus agentes culturais, nos últimos anos. 

Não foi culpa do poder público, que descumpriu sua função de promover; de repassar a parte de seu orçamento para as produções de suas expressões artísticas; não! Não foi só isso. A resposta para as falhas, nossos defeitos e inoperância com nossas raízes culturais, me parece vasta, profunda. Mais uma, talvez esteja no tempo, que direcionou nosso povo a trilhar por outros caminhos, que não seja o da arte. E isso inclui o comodismo, falta de ânimo e incertezas dos nossos artistas, com curso que tem percorrido a cultura de um modo geral no país, que esteve vulnerável nessas últimas décadas ao que a indústria cultural tem apresentado e direcionado aos nossos valores artísticos.

A mídia tem parcela sombria nesse processo. Também trabalhou em conjunto com a indústria cultural - principalmente a fonográfica, para promover o desmantelamento e enfraquecimento da qualidade da produção artística nacional em troca de um produto cultural de baixo custo e de qualidade duvidosa. E Cajazeiras não ficou de fora desse contexto.

Mas quais os valores visíveis a olho nu, que foram vitrines da nossa produção cultura no passado e que poderia dar uma força a esse embrulhado momento que passa a nossa produção artística, se fossem resgatados. Vamos expor aqui. O nosso Grupo de Reisado, que fim levou? Nossa adormecida Banda Cabaçal, porque toda cidadezinha ao redor de Cajazeiras, tem e nós não temos? Nossa Santa Cecilia - Bandas de Músicas masculina e feminina; Coral João de Deus, por que não resgatar; Conjunto de Câmara Mandacaru – poderia ter uma nova formação com alunos do Prima; Bloco do Jaraguaá – ressurgido das cinzas no carnaval deste ano; e nosso Carnaval Tradição. São referências arquivadas da nossa cultura, que uma parceira poder público e iniciativa privada e seguimentos culturais, poderia ser uma saída para tirar do anonimato com pouco custo, essas referências que marcou nossa arte e nossa cultura no passado não muito distante.

O que falta e iniciativa de seus agentes culturais, muitos sentados nos seus empregos públicos, esquentando cadeiras discutindo o que já foi discutido a séculos; mantados na falta de ação, que é o que mais o tem atrapalhado a produção artística de nossa cidade e que não interessa mais a cultura em Cajazeiras. Basta! Não há mais espaço para isso. Será que nossos futuros descendentes vão precisar, levar para seu tempo analises, discussões e questionamentos sobre como deve ser a cultura de Cajazeiras, já conversados por ancestrais de seus pais? É tempo de ação, e ação implica na concretude e na realização do Festival da Canção no Sertão; também na realização dos Festivais de Poesias; na realização do Salão Oficial de Artes Plásticas do Sertão, oficializado por Decreto Lei, em 1983, pelo então Prefeito Francisco Mathias Rolim e que nunca foi realizado.

Portando, essa missiva labial que escapa das bocas, que me parece mais um interesse político do que um lamento de quem perdeu a carona no zepelim prateado nos céus de Cajazeiras, tem procedência duvidosa e prazo de validade ultrapassado. O que precisamos é de determinação e de pessoas identificadas com o fazer, que sejam encorajadas a prática e não a teoria. Gente de sangue azul, com capacidade de dar vazão a nossa arte e que não fiquem a lamentar a morte de quem não morreu. 



Cleudimar FerreiraGraduado em Artes pela UFPB e Especialista em Cultura e Criação Artística.