segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

ENGENHO DO CATOLÉ DOS CONÇALVES





Cleudimar Ferreira

O Engenho do Sitio Catolé dos Gonçalves, foi no passado, juntamente com a cultura do algodão, uma das principais alternativas de fontes de renda dos pequenos agricultores daquele lugar sertanejo. Por esse período, passaram com destaques pelas cercanias do centanário engenho, os agricultores que sempre moraram na região; os de passagem e os que na contemporaneidade, ainda moram nas suas adjacentes. 

As imagens que acima se mostram, revelam na atualidade as exéquias de um "Engenho de Fogo Morto", parado há mais de três anos, aproximadamente. Segundo informações, os problemas que levaram ao seu fechamento, são muitos. Dentre eles, os mais agudos, destacam: O desaparecimento da cultura da cana na região por falta d'água, já que as chuvas têm sido escassas, prejudicando as plantações, cuja maioria, mesmo ficando no entorno do rio, não suportaram os sucessivos períodos de seca. Outro problema levantado pelos agricultores do Catolé dos Gonçalves, está relacionado ao alto custo da produção, problematizada desde a plantação da cana a manutenção dos canaviais, operacionalização e moagem no engenho, puxado pelas despesas de energia e da mão de obra. E por último, a difícil comercialização dos produtos fabricados, como: a rapadura, o mel, o alfenim e a batida - mesmo boa parte destes sendo feitos artesanalmente. Por falta de preços atraentes de mercado; comercialização e do baixo consumo da população, a safra não rendia bons lucros aos produtores rurais, trazendo prejuízos e por conseguinte, tornando inviável o funcionamento normal do engenho. Como se sabe, o Engenho dos Gonçalves não foi o primeiro e nem o segundo na região a ser fechado. Porém, o que se observou nos últimos meses de 2017, foi uma resistência a crise nessa cultura, destacada pela reabertura de muitos desses engenhos que se encontravam fechado. 

O engenho em questão, por ser um dos mais antigos em operação na zona rural de Cajazeiras, merecia uma atenção maior por parte das autoridades públicas, principalmente os da Administração Municipal. A Prefeitura tem uma Secretaria de Agricultura! O que essa pasta tem feito para impedir o fechamento desses engenhos? Essa é a pergunta em questão! Fala-se em crise, orçamento baixo, mas também há falta de criatividade dos responsáveis pela agricultura na Prefeitura de Cajazeiras. É precisa se mexer e não ficar parado vendo a morte dos engenhos ou estacionar na incompetência do fazer apenas o trivial e simplesmente ficar no vai-e-volta ao banco, todo mês, só para pegar os seus proventos. 

A Secretaria da Agricultura Municipal precisa ter uma política de ajuda aos plantadores de cana, não apenas os do Catolé dos Gonçalves, mas os de outros Sítios, auxiliando na parte técnica do replantio dessa cultura, procurando meios para não deixar essa cultura acabar. Socorrendo através de projetos, procurando órgãos de defesa da agricultura, como Secretaria Estadual da Agricultura; ou através de incentivos vindos do Banco do Nordeste ou de programas como o Empreender Paraíba; SEBRAE, instituições privadas com interesses mútuo no setor agrícola; formações de cooperativas e outros afins. Como se ver, não falta criatividade e o que fazer, para não deixar uma tradição secular desaparecer, assim, à míngua. 

  



Imagens: Marcos Aurélio Lira Ferreira 

2 comentários:

Marcos Aurélio disse...

Muito oportuna essa matéria. Acho que as autoridades governamentais, deveriam patrocinar algumas firmas de incentivos, para que patrimônio como estes, não se transforme em ruínas e façam parte do passado na história

Francisco Cleudimar F. de Lira disse...

Também acho. Mas a iniciativa para o soerguimento dos Engenhos deve partir na Secretaria Municipal de Agricultura. Esse é o ponto de partida, pois é o órgão específico que está mais próximo dos plantadores de cana e dos proprietários dos engenhos.