sábado, 22 de junho de 2019

HOUVE UMA VEZ UM VERÃO




O destino de cada um de nós nunca vai ser traçado como se fosse parte de um filme. Haverá sempre as exceções. Mas sim, marcado pelo tempo. Em “Houve uma vez um verão”, produção americana de 1971, um jovem garoto de 15 anos, Hermie (Gary Grimes), vive uma paixão repentina por uma mulher um pouco mais velha, Dorothy (Jennifer O'Neal). Acontece que Dorothy, é casada com um piloto de guerra, em incursão na França. Apaixonado, Hermie começa assim, uma intensa relação onde busca aprofundar seu conhecimento sobre o mundo e ao mesmo tempo, procura respostas para suas dúvidas sobre a vida, a guerra, o amor e o sexo. Por sua vez, Dorothy, busca no jovem adolescente o amor ausente de seu marido que partiu para a guerra.
Assim como Hermie, as etapas que temos que cumprir desse destino, é caprichosamente ponteado por esse tempo. No filme,  o tempo de Hermie é representado pela presença de Dorothy em sua vida. Já o de Dorothy, simbolicamente seria a ausência do esposo e a nova paixão por Hermie. O que foi destinado dessa parte, por exemplo, para mim, não permitiu que eu fizesse o contrário do que fiz até agora, justamente por que a minha fidelidade a linha imaginária que a vida traça para cada um de nós, ou transformou a minha razão em subserviência as emoções ou não fui capaz de desafiar esse tempo. Bem diferente do que fez Hermie. 

Lembro muito bem da estreia desse filme em 1973, em um dos três cinemas da minha terra - o Cine Teatro Apolo XI. Eu tinha nessa época uns 14 anos. Um adolescente que via o mundo sob a ótica de um caleidoscópio. Sonhos, ilusões, fantasias, devaneios, romantismo, flutuava junto comigo como se as cores do mundo fossem apenas resultado de um sentimento contido na ideia que todos temos, do que realmente seja o conceito da palavra amor. Uma viagem, que no meu caso, não permitiu pensar no futuro, apenas viver os momentos bons que o tempo me proporcionou. Assim também viveu Hermie, que amargou a perca do seu amor no final da trama. Algo em mim tão irregular como são as coisas nesse cosmo em que vivemos. 

Em todo caso, o que ficou desse filme, foram apenas as lembranças das maravilhosas cenas protagonizadas por Gary Grimes e Jennifer ONeal e das imagens do set de filmagem - uma casa de praia no litoral sul americano, onde foram gravadas as cenas de amor que marcaram meus anos pubertários e as paixões primárias, pulsantes das primeiras namoradas, aguçadas pela trilha sonora construída, basicamente pela linda música Hold Tihht, composta por Michel Legrand.
Cleudimar Ferraira


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